O mercado de trabalho depara-se hoje com um cenário onde a relativa estabilidade económica coexiste com desafios derivados de uma aceleração tecnológica sem precedentes. 2026 exigirá uma adaptação contínua e uma liderança ágil para navegar nesse ambiente multifacetado.
Este ano, o mercado de trabalho português deverá manter-se próximo do pleno emprego, o que é evidentemente bom, mas não significa que esteja, necessariamente, tudo bem. Algo que o pleno emprego não nos diz, por exemplo, é que muitas empresas, seja porque operam numa área altamente qualificada, ou que operem num serviço relativamente comum, mas numa zona periférica, enfrentaram, cada vez mais problemas relacionados com a escassez de mão de obra qualificada. Graças a isso, estima-se que em 2026 se assista ao acentuar de uma guerra pelo talento que já foi acérrima em 2025.
A tecnologia também será incontornável na forma como redefine modelos de trabalho e processos internos nas empresas, que terão de revelar uma grande capacidade de adaptação. Num tecido empresarial composto, maioritariamente, por pequenas e médias empresas, o desafio continuará na diferença entre a evolução dos modelos de trabalho, provocadas em parte pela evolução das exigências dos profissionais, e a adaptação das culturas organizacionais, que tende invariavelmente a ser mais lenta do que aquilo que os profissionais desejam. O desfasamento entre uma e a outra coisa pode, em último caso, levar muitos profissionais a mudar de trabalho, não pelo desafio em si, mas pelo modelo de trabalho que lhes é oferecido noutras organizações.
Por outro lado, a inteligência artificial (IA) parece ter chegado a um ponto de não retorno na forma como influencia muitos setores. Importa desmitificar alguns receios. Não se prevê, para já, no mercado português, que a IA venha a ser responsável por uma eliminação massiva de postos de trabalho. Aquilo que importa compreender é que a IA mudará significativamente os processos em trabalhos que já existem e que continuarão a existir. Se as empresas quiserem manter-se competitivas e capazes de reter talento, terão de assumir um papel de providers da formação necessária para que os seus profissionais se sintam estimulados e munidos das ferramentas necessárias para continuar a desempenhar o seu papel de forma gratificante.
Neste cenário de transformação acelerada, onde a tecnologia molda, mas não destrói o valor humano, a vantagem competitiva virá, de forma decisiva, da capacidade das organizações em cultivar um ecossistema onde a adaptabilidade, a formação contínua e uma cultura de capacitação sejam os alicerces. O sucesso futuro pertencerá, em última análise, às empresas que souberem equilibrar a inovação tecnológica com a compreensão das aspirações e necessidades dos seus profissionais.
