A nanotecnologia é uma ciência que veio para ficar, e está a ser cada vez mais desenvolvida. Segundo a definição da Comissão Europeia, os nanomateriais são substâncias químicas que têm dimensões entre 1 e 100 nanómetros (1000 vezes mais finos do que um fio de cabelo humano), definição que se revela incompleta, já que cada […]
A nanotecnologia é uma ciência que veio para ficar, e está a ser cada vez mais desenvolvida. Segundo a definição da Comissão Europeia, os nanomateriais são substâncias químicas que têm dimensões entre 1 e 100 nanómetros (1000 vezes mais finos do que um fio de cabelo humano), definição que se revela incompleta, já que cada partícula apresenta propriedades diferentes dependendo do seu tamanho.
Os nanomateriais podem ser de origem natural, estando presentes nas cinzas de vulcões ou até mesmo na brisa marítima, mas também produzidos em laboratório ou indústrias para diversos fins.
O desenvolvimento da nanotecnologia e dos nanomateriais tem um impacto real na nossa saúde e bem-estar, e tem estado a tornar possível um tratamento mais eficaz de algumas doenças, como é o caso do cancro, em que dado o seu carater diminuto, consegue diagnosticar a doença em fase precoce. Para além disso, o tratamento convencional para exterminar as células cancerígenas passa pela radiação e quimioterapia, que apesar de eficaz, destrói também as células saudáveis do corpo, tornando o doente mais suscetível a infeções, inflamações, e com o sistema imunitário bastante debilitado. Segundo informação da European Chemicals Agency, está em desenvolvimento um novo tratamento que passa por injetar nanopartículas que se juntam às células cancerígenas e matam-nas ou danificam-nas.
Porém, dado o seu caráter versátil, os nanomateriais podem também constituir um risco para a saúde, especialmente para quem trabalha diretamente com indústrias em que estes estão presentes, através das nanopartículas. Qualquer pessoa hoje pode interagir com nanomateriais e partículas através da comida, têxteis ou produtos farmacêuticos, mas não significa isto que será prejudicial para o organismo. Contufo, alguns nanomateriais podem danificar células no organismo através da inalação, da ingestão ou mesmo da penetração da pele, originando inflamações ou infeções.
Em Portugal, o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ), que tem vindo a trabalhar com nanomateriais desde 2011, tem incidido o seu trabalho em nano-segurança. Através do projeto LightMe, pretende criar processos de fabrico de compósitos de matriz metálica e ligas metálicas leves à base de alumínio magnésio e titânio, reforçadas com nanomateriais, destinados ao setor automóvel, aeronáutica, aeroespacial e de produtos de consumo.
O ISQ visa avaliar potenciais riscos à inalação de nanomateriais por parte dos seus operadores que se encontram nas linhas de produção, e mitigá-los. Não há ainda um conhecimento aprofundado sobre o efeito que nanomateriais têm nos colaboradores, visto que cada nanomaterial tem propriedades diferentes, e pode ou não ser nocivo para a saúde.


