O primeiro-ministro teve uma semana rica em afirmações bombásticas. Chegou a fazer pedidos de desculpas. Atribui os excessos ao cansaço. Ninguém terá dúvidas de que cargo é extenuante. Ninguém duvidará, também, que é impossível estar nestes lugares sem dizer o que não se devia. Aliás todos o fazemos sem porém termos uma câmara de televisão […]
O primeiro-ministro teve uma semana rica em afirmações bombásticas. Chegou a fazer pedidos de desculpas. Atribui os excessos ao cansaço. Ninguém terá dúvidas de que cargo é extenuante. Ninguém duvidará, também, que é impossível estar nestes lugares sem dizer o que não se devia. Aliás todos o fazemos sem porém termos uma câmara de televisão apontada.
Mas importa manter aberta outra hipótese de trabalhão. Poderá tratar-se de um caso de húbris. Húbris é uma palavra grega que descreve a doença dos poderosos. Eis os seus sintomas: orgulho, soberba, insolência, arrogância. Não há dúvida, escreveu um dia Bertrand Russell, que a tragédia nasce da húbris. O processo tem uma explicação simples: o poder pode criar desinibição; o poder absoluto pode criar a convicção de que estamos certos e prevaleceremos.
Sabe-se que o sucesso alimenta a húbris mas importa que não intoxique aqueles que lideram. Para isso, além de doses adequadas de humildade, podem os ocupantes de cargos de liderança procurar conhecer os pontos de vista dos outros e não esquecer que um dia perderão o poder. E aí, o respeito que tiverem dedicado aos outros quando ganharam, será o respeito que vão receber quando perderem. Esperemos que, de facto, no caso do primeiro-ministro se tenha tratado de cansaço. A alternativa será pior. Para todos.

