A massificação da Inteligência Artificial está a colocar em causa o futuro da Educação, das Instituições de Ensino e dos Professores, como nunca aconteceu na história. Em 1988, um pouco por todo o mundo, alguns Professores de Matemática manifestaram-se contra a utilização da calculadora. Hoje, passados 35 anos, alguns Professores manifestam-se contra a utilização do […]
A massificação da Inteligência Artificial está a colocar em causa o futuro da Educação, das Instituições de Ensino e dos Professores, como nunca aconteceu na história.
Em 1988, um pouco por todo o mundo, alguns Professores de Matemática manifestaram-se contra a utilização da calculadora.
Hoje, passados 35 anos, alguns Professores manifestam-se contra a utilização do GPT e outros modelos de Inteligência Artificial (IA) disponíveis gratuitamente na internet.
Em 1988 o argumento era que os alunos iam perder a capacidade de compreender os básicos e, consequentemente, a capacidade de criar e evoluir. Parece que não se verificou, pois, foram parte desses mesmos alunos que vieram a construir a base de produtos tão complexos como o GPT, uma verdadeira obra-prima da Engenharia.
Não precisaremos de esperar 35 anos para recordarmos com curiosidade e nostalgia quem hoje se manifesta contra a utilização da IA.

A IA será bem mais agressiva para a Educação do que foram as calculadoras, provavelmente agressiva ao ponto de acabar com a Educação (com as Escolas) como as conhecemos – um Professor a ensinar a umas dezenas de alunos uma matéria específica com o recurso a livros, exercícios e a algumas ferramentas digitais – tudo isto poderá ser obsoleto em menos de 10 anos.
O GPT é um exemplo de um modelo linguístico com centenas de milhares de milhões de parâmetros de análise, entre centenas de outras aplicações semelhantes hoje disponíveis. Modelos focados em criação de texto a partir de texto, ou de imagem, vídeo ou som surgiram nas últimas semanas um pouco por todo o mundo e começaram a generalizar-se e a serem utilizados de forma comum em empresas, projetos e escolas.
Os modelos são impressionantes e requerem uma demonstração ou teste para se conseguir partilhar a sua rapidez de execução (poucos segundos), a sua criatividade (superior à humana), a sua base de conhecimento (boa parte da internet e dos livros alguma vez digitalizados, no caso do GPT) e a simplicidade da sua utilização.
As ameaças são muito claras e disruptivas. Os modelos (ou robôs) atualmente existentes têm já um nível de conhecimento comparado ao humano (às vezes superior) e uma capacidade de interação e inteligência facilmente reconhecida como humana. A materialização da ameaça surge da facilidade com que se podem escrever artigos, criar conteúdos sobre matérias das mais elementares às mais complexas, executar qualquer tipo de trabalhos que dependam de modelos linguísticos e, principalmente, aprender sobre qualquer matéria num esquema de pergunta e resposta como se com um especialista mundial se estivesse a falar, de forma gratuita, 24h x 7 dias e remota. Nos próximos anos, ou décadas, está em causa a figura do Professor e a figura da Instituição de Ensino. Está em causa também o valor criado por essas entidades e a forma como esse valor é percecionado.
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