Quem gosta de livros aprende a gostar de determinados géneros. Um género tem vindo a ganhar vigor e visibilidade. Confesso-me muito interessado no mesmo: os livros que por vezes são descritos como de “grand theory”. Trata-se de obras com grande fôlego e normalmente equivalente número de páginas, cuja ambição cobre, simplificando, mil anos em mil […]
Quem gosta de livros aprende a gostar de determinados géneros. Um género tem vindo a ganhar vigor e visibilidade. Confesso-me muito interessado no mesmo: os livros que por vezes são descritos como de “grand theory”. Trata-se de obras com grande fôlego e normalmente equivalente número de páginas, cuja ambição cobre, simplificando, mil anos em mil páginas.
O género inclui títulos como Armas, Germes e Aço, de Jared Diamond, para mim o campeão do estilo; Sapiens, de Yuval Harari, Capital, de Thomas Piketty, The Dawn of Everything, de David Graeber e David Wengrow. São livros em que, como alguém disse, uma coisa explica todas as coisas. Ando a ler um desses volumes: A História do Mundo, de Peter Frankopan (Crítica). Neste caso, o fator que explica tudo é o ambiente e o clima. Com o selo de Frankopan, autor já testado em livros sobre a Rota da Seda, é, como se esperava, uma bela obra. Mostra como a História também é moldada pelo clima e suas mudanças.
Estes livros, reflexivos, lentos (porque são volumosos e se leem devagar) são o contraponto à velocidade furiosa da imprensa e das redes sociais. A imprensa, tomada pelo “jornalismo de causas”, tornou-se um terreno de panfletos e ativistas. Começa a faltar a paciência, mesmo para a antes chamada imprensa de referência agora tomada pela emocionalidade. As redes sociais, essas, são o terreno, por excelência, da gritaria polarizada. Valha-nos a benção destes grandes livros.
