Há quem conheça Portugal como o país dos “três Fs”. Fátima, Futebol e Fado são símbolos de uma herança que já não representa inteiramente o país que temos hoje. Em 2024, são inúmeras as outras valências e setores que também fazem parte do nosso cartão de visita. Quem por aqui passa ou vê de longe, […]
Há quem conheça Portugal como o país dos “três Fs”. Fátima, Futebol e Fado são símbolos de uma herança que já não representa inteiramente o país que temos hoje.
Em 2024, são inúmeras as outras valências e setores que também fazem parte do nosso cartão de visita. Quem por aqui passa ou vê de longe, não só reconhecerá o valor de Fátima, do futebol e do fado, mas também da nossa gastronomia e turismo, das nossas empresas, dos seus líderes e dos seus profissionais altamente qualificados.
Só nos últimos anos, e mesmo com uma pandemia pelo caminho, a evolução é notória em múltiplas frentes. Não só somos o 7º país mais seguro do mundo, como temos 8 universidades portuguesas incluídas no QS World University Rankings 2025 e, segundo rankings do Financial Times, temos ainda 4 mestrados de finanças entre os melhores do mundo e 3 universidades no top 50 mundial em formação executiva. Alcançámos valores recorde na captação de investimento estrangeiro, apoiámos o ecossistema do empreendedorismo numa aposta que se comprovou vencedora – correspondendo já a 1% do PIB e colocando-nos numa posição de destaque na Europa e no mundo com 7 startups unicórnio – e fomos eleitos o 6º melhor país do mundo para trabalhar remotamente, de acordo com o Global Remote Work Index 2023.
É inegável que os portugueses têm vindo a contrariar o que outrora poderia ser reconhecido como o nosso instinto. Hoje, não nos fechamos como noutros tempos nem somos tímidos com o talento que as nossas pessoas têm. Arriscamos cada vez mais e colhemos os ganhos e elogios desse crescimento. Mas para chegarmos a este momento em que nos afirmamos como uma alternativa inovadora e atrativa no mercado global, foi preciso a força e o espírito motivador dos líderes das pequenas, médias e grandes empresas do país. Eles e elas não só aceleraram a mudança nas suas organizações, como a fizeram ser vista e projetada além fronteiras.
O que distingue estas lideranças que investem nas suas pessoas e operações, com espírito visionário, muitas vezes com menos acesso a recursos ou estruturas de apoio face à sua concorrência lá fora? Acredito que são também três importantes Fs, e gostava de ver o nosso país reconhecido por eles: Futuro, Flexibilidade, e a não ter medo de Falhar.
Todas as lideranças que conheci e fazem a diferença têm um plano para o Futuro. Regem-se por objetivos, mas principalmente com um propósito, com foco na missão que move a sua organização. São líderes e colegas que inspiram e são inspirados pelas suas equipas, empoderando-as, disponibilizando ferramentas e criando oportunidades para melhorarem as suas competências ao longo do percurso profissional. Quanto mais e melhor as suas equipas entregarem, mais inspiração estes líderes ganham através do que fazem.
Priorizam a Flexibilidade, porque reconhecem a importância de se adaptarem rapidamente às tendências e às várias gerações que coexistem no mercado de trabalho e nas suas organizações. Estabelecem relações equilibradas e de respeito mútuo com as suas equipas, sabendo que precisam tanto de ouvir como de ser ouvidos. Nos últimos anos, muito se tem falado da saúde mental no local de trabalho e de fenómenos como o quiet quitting. Temas há muito reconhecidos pelos Recursos Humanos, chegam agora às agendas dos CEOs.
Estar atento e ser flexível é essencial para dar respostas efetivas que melhorem o equilíbrio entre a vida e o trabalho, em nome de equipas mais felizes. Hoje, sabemos que este é um dos temas prioritários para as pessoas na procura de um novo emprego ou em processos de negociação dentro das organizações onde trabalham.
Por último, dar espaço para Falhar depressa. Essencial para crescer é falhar, várias vezes se for preciso. Líderes que desafiem e criem oportunidades para isto, tanto aos próprios como às suas equipas, adoptam um mindset de crescimento que faz toda a diferença. Este espaço para falhar permite duas coisas às equipas que nos rodeiam: não só cometerão erros mais depressa, o que impulsionará que a aprendizagem e correções sejam aceleradas, como reforçará a segurança e a confiança de saberem que têm o apoio dos seus líderes para cairem e se levantarem a seguir.
O Futuro, a Flexibilidade e a não ter medo de Falhar refletem não só as nossas lideranças como a evolução do nosso país e mindset nas últimas décadas. Sejamos reconhecidos também por eles.

