Enquanto seres humanos, não há fator mais impactante na nossa vida do que a nossa saúde. Sem um bem-estar físico, mental e social, não só está limitada a nossa capacidade para enfrentarmos os desafios diários, como também a possibilidade de atingirmos o nosso máximo potencial. Como será expectável, a nossa saúde não é apenas determinada […]
Enquanto seres humanos, não há fator mais impactante na nossa vida do que a nossa saúde. Sem um bem-estar físico, mental e social, não só está limitada a nossa capacidade para enfrentarmos os desafios diários, como também a possibilidade de atingirmos o nosso máximo potencial.
Como será expectável, a nossa saúde não é apenas determinada pela componente biológica, mas também depende de fatores como as condições ambientais, o acesso à água potável, os nossos recursos económicos, as condições de trabalho, o nosso nível de educação e de literacia em saúde, e as nossas redes de suporte social. Se o nosso bem-estar está dependente de tantas variáveis, é fundamental compreender que a Saúde deve ser incluída na definição de todas as políticas. Efetivamente, perceber o impacto que as políticas e investimentos, públicos e privados, têm na nossa saúde deveria ser uma prioridade para prever e minimizar as suas consequências nocivas e maximizar o potencial de melhoria do nosso bem-estar. Esta visão tem como premissa a prevenção em saúde, que surge como uma área fulcral, não só para a melhoria dos indicadores em saúde como para a redução de custos com tratamentos e hospitalizações, libertando recursos que podem ser investidos noutras áreas.
No entanto, é importante destacar um elemento central para concretizar esta abordagem holística de melhoria do nosso bem estar: os profissionais de saúde. Se o período pandémico evidenciou o quão fulcrais são, é imperativo valorizar o seu papel na sociedade e assegurar um sistema educativo de qualidade. Isto não se concretiza apenas com apreço, mas com um investimento pragmático na sua formação, no seu desenvolvimento profissional contínuo, na sua remuneração e nas suas condições de trabalho.
Por outro lado, se as determinantes em saúde impactam o bem-estar de todos nós, é importante que as nossas ações abranjam todos os setores da sociedade e que não deixem ninguém para trás! Para isso, precisamos que todos sejam parte ativa das soluções, precisamos de cultivar um país mais inclusivo, que rompa com ciclos de discriminação e que considere as necessidades individuais de cada um de nós.
Desde cedo, pautou uma vontade de impactar a vida dos outros, numa tentativa de deixar a minha marca num mundo cheio de marcas. Foi assim que olhei para a área da Saúde, como uma forma de ter um contacto transformador na vida das pessoas. Ao longo dos anos, pude conhecer pessoas e projetos que me permitiram explorar questões como os desafios da gestão em saúde, a importância da formação médica, as dificuldades de acesso à saúde que tantos migrantes enfrentam, a discriminação sofrida por pessoas que vivem com VIH e o estigma associado à comunidade LGBTI+. Sendo assim, enquanto médico, não só trabalho na minha área de especialização, Doenças Infecciosas, como tenho a oportunidade de explorar e abraçar outras causas: a Saúde em todas as Políticas, a Prevenção e Literacia em Saúde, a Formação Médica e a Inclusividade da nossa sociedade.
BIO
O Dr. José Ganicho é Médico Interno em Doenças Infecciosas no Hospital Curry Cabral no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central. Mestre em Medicina pela Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, ao longo do seu percurso académico explorou as áreas de Política Educativa e Educação Médica, Saúde Global e Investigação Científica, tendo desempenhando funções de representação na Direção da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, enquanto Diretor de Intercâmbios Científicos e Vice-Presidente para as Relações Externas, assim como na European Regional Team da International Federation of Medical Students Association’s. Atualmente, é membro dos Global Shapers Lisbon Hub, um dos núcleos locais que nasceram do Fórum Económico Mundial e representante-eleito do Conselho Nacional do Médico Interno da Ordem dos Médicos.
Este artigo faz parte do Repto ‘Quais são as tuas causas?’, lançado aos jovens da Comunidade Global Shapers.


