Tenho sorte em ter crescido e ter sido educada num contexto de muita liberdade e em que o espírito crítico é valorizado. Tenho sorte em ter tido uma professora brilhante na escola primária, que tinha como principal missão estimular a curiosidade dos seus alunos. E tenho sorte porque nem tudo corre bem, mas tudo tem […]
Tenho sorte em ter crescido e ter sido educada num contexto de muita liberdade e em que o espírito crítico é valorizado. Tenho sorte em ter tido uma professora brilhante na escola primária, que tinha como principal missão estimular a curiosidade dos seus alunos. E tenho sorte porque nem tudo corre bem, mas tudo tem acabado por se resolver.
Se misturarmos espírito crítico, curiosidade, e alguma dose de otimismo, surge o cocktail ideal para muitas inquietações e o desejo de ser psicóloga como resposta à típica pergunta “o que queres ser quando fores grande?”.
A resposta era constante, mas a justificação ia variando entre: ajudar os outros, compreender o pensamento humano, e contribuir para a mudança de comportamentos. Alguns dias a resposta era ainda mais simples: porque as pessoas me interessam.
Apesar disso, nunca imaginei um percurso clássico: formação académica, entrada para a ordem, exercício de funções.
E assim foi. Corta para alguns anos mais tarde…e não sou psicóloga. Apesar da formação nessa área, as oportunidades que surgiram na área do impacto social têm-me levado por outros caminhos.
No fundo, a constância mantém-se, mas o resultado alterou-se. Os motivos para querer ser psicóloga continuam a ser as causas que me guiam. A motivação para ajudar os outros evoluiu para uma consciência das desigualdades sociais, e para a vontade de promover a equidade. Compreender o pensamento humano e contribuir para a mudança de comportamentos, operacionalizam-se na gestão de mudança necessária quando falamos de impacto social. Contudo, em alguns dias, o motivo continua a ser apenas: o interesse pelas pessoas.
No meio desta aparente simplicidade, fui percebendo que o mundo é muitas coisas, complexo e tendencialmente desorganizado. Respostas simples para questões complexas tipicamente não funcionam, e não se resolve nada sozinho. Por isso, as pontes são essenciais. Não só as de ferro e betão, mas as pontes entre pessoas que se ouvem e conversam, que discordam e respeitam, e que pensam em conjunto. Esta é, provavelmente, a minha maior causa.
BIO
Rita Damasceno, natural de Coimbra, tem mestrado em Psicologia das Organizações e do Trabalho, pela Universidade de Coimbra, com uma tese de investigação focada em Inovação nas Equipas. O interesse pelo comportamento humano e pela inovação levou-a até ao empreendedorismo social e ao setor do Impacto, áreas que trabalha atualmente. Juntou-se aos Global Shapers em 2023.
Este artigo faz parte do Repto ‘Quais são as tuas causas?’, lançado aos jovens da Comunidade Global Shapers.
Leia todos os artigos aqui:
A Voz do Silêncio: o jornalismo como ferramenta de mudança
Desenvolvimento sustentável: Uma visão de longo prazo


