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Home Notícias Sociedade Conflitos armados e instabilidade são a principal preocupação para 2025

Sociedade

Conflitos armados e instabilidade são a principal preocupação para 2025

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22 Janeiro, 2025 | 5 minutos de leitura

Otimismo não é uma palavra que descreva 2025, segundo o olhar da maioria da população. Tudo indica que a humanidade esteja a viver um dos períodos mais divididos desde a Guerra Fria, o que reflete uma perspetiva sombria nos três horizontes temporais – atual, a curto e a longo prazo. A maioria da população (52%) […]

Otimismo não é uma palavra que descreva 2025, segundo o olhar da maioria da população. Tudo indica que a humanidade esteja a viver um dos períodos mais divididos desde a Guerra Fria, o que reflete uma perspetiva sombria nos três horizontes temporais – atual, a curto e a longo prazo.

A maioria da população (52%) prevê um panorama global instável a curto prazo (próximos dois anos), uma proporção semelhante à do ano passado. Outros 31% esperam turbulência e 5% uma perspetiva tempestuosa. A soma destas três categorias de respostas indica um maior pessimismo em relação ao mundo até 2027.

A 20.ª edição do ‘Global Risks Report’ do World Economic Forum já foi divulgada e revela um cenário global cada vez mais fragmentado, onde a escalada dos desafios geopolíticos, ambientais, sociais e tecnológicos ameaçam a estabilidade e o progresso. Embora este ano os riscos económicos tenham menor destaque na perspetiva imediata, continuam a ser uma preocupação, interligados com as tensões sociais e geopolíticas.

O conflito armado entre Estados foi identificado como o risco global mais urgente para 2025, com quase um quarto da população a classificá-lo como a preocupação mais grave para este ano.

A desinformação e a informação incorreta mantêm-se entre os principais riscos de curto prazo pelo segundo ano consecutivo, sublinhando a ameaça persistente à coesão social e à governação, ao minar a confiança e ao exacerbar divisões dentro e entre nações.

Outros riscos destacados a curto prazo incluem eventos climáticos extremos, polarização social, ciberespionagem e guerra.

 

Alterações climáticas e tensões geopolíticas intensificam-se

Os riscos ambientais dominam a perspetiva a longo prazo. Eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e colapso dos ecossistemas, mudanças críticas nos sistemas terrestres e escassez de recursos naturais lideram os rankings de riscos no prazo de 10 anos.

O quinto risco ambiental no top 10 é a poluição, que também é identificada como um dos principais riscos a curto prazo. O sexto lugar que ocupa na perspetiva a curto prazo reflete o reconhecimento crescente dos graves impactos na saúde e nos ecossistemas causados pela ampla gama de poluentes presentes no ar, na água e no solo. De forma geral, os eventos climáticos extremos foram identificados como riscos significativos imediatos, de curto e de longo prazo.

O cenário de longo prazo também é marcado por riscos tecnológicos relacionados com a desinformação, a informação incorreta e os resultados adversos das tecnologias de inteligência artificial.

«As tensões geopolíticas crescentes, a fragmentação da confiança global e a crise climática estão a pressionar o sistema global como nunca antes», afirmou Mirek Dušek, Diretor-Geral do World Economic Forum, via comunicado. «Num mundo marcado por profundas divisões e riscos em cascata, os líderes globais têm uma escolha: fomentar a colaboração e a resiliência ou enfrentar uma instabilidade crescente. O que está em jogo nunca foi tão crítico».

 

Sistemas fragmentados, futuro frágil

O relatório, que se baseia nas opiniões de mais de 900 especialistas em riscos globais, decisores políticos e líderes da indústria, inquiridos em setembro e outubro de 2024, traça um quadro sombrio para a próxima década.

Mais de metade dos inquiridos espera alguma instabilidade dentro de dois anos, refletindo a crescente fragmentação da cooperação internacional. As projeções a longo prazo indicam desafios ainda maiores, à medida que os mecanismos de colaboração devem enfrentar uma pressão crescente. Riscos sociais, como a desigualdade e a polarização social, surgem de forma destacada tanto nas classificações de riscos de curto como de longo prazo.

As preocupações crescentes com atividades económicas ilícitas, o aumento das dívidas e a concentração de recursos estratégicos evidenciam vulnerabilidades que poderiam desestabilizar a economia global nos próximos anos. Todas estas questões correm o risco de agravar a instabilidade interna e minar a confiança na governação, dificultando os esforços para enfrentar os desafios globais.

Todos os 33 riscos presentes no ranking apresentam um aumento na pontuação de gravidade a longo prazo, refletindo as preocupações dos inquiridos sobre a maior frequência ou intensidade desses riscos à medida que a próxima década avança.

«De conflitos a mudanças climáticas, estamos a enfrentar crises interligadas que exigem uma ação coordenada e coletiva», diz Mark Elsner, Responsável pela Iniciativa do Global Risks Report do World Economic Forum. «Esforços renovados para reconstruir a confiança e promover a cooperação são urgentemente necessários. As consequências da inação poderão ser sentidas pelas gerações futuras».

 

Uma década decisiva: a colaboração como chave para a estabilidade

À medida que as divisões se aprofundam e a fragmentação redesenha os cenários geopolíticos e económicos, a necessidade de uma cooperação global eficaz nunca foi tão urgente. No entanto, com 64% dos especialistas a anteverem uma ordem global fragmentada, marcada pela competição entre potências médias e grandes, o multilateralismo enfrenta uma pressão significativa.

No entanto, voltar-se para dentro não é uma solução viável. A década que se avizinha representa um momento crucial para os líderes navegarem pelos riscos complexos e interligados e abordarem as limitações das estruturas de governação existentes. Para evitar uma espiral descendente de instabilidade – e, pelo contrário, reconstruir a confiança, aumentar a resiliência e garantir um futuro sustentável e inclusivo para todos – as nações devem priorizar o diálogo, fortalecer os laços internacionais e criar as condições para uma colaboração renovada.

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