Poderá a União Europeia estar a evoluir no sentido de uma verdadeira união? É de manual: nada melhor que uma ameaça externa para unir um grupo. Pinto da Costa usou esta tática de forma porventura excessiva, criando não apenas uma mentalidade insular mas uma atitude de cerco que degenerou naquilo que hoje se sabe. Na […]
Poderá a União Europeia estar a evoluir no sentido de uma verdadeira união? É de manual: nada melhor que uma ameaça externa para unir um grupo. Pinto da Costa usou esta tática de forma porventura excessiva, criando não apenas uma mentalidade insular mas uma atitude de cerco que degenerou naquilo que hoje se sabe.
Na Europa habituámo-nos a ver mais as diferenças entre nós do que aquilo que nos faz europeus. É normal que haja desconfianças depois das tragédias humanas globais iniciadas no continente. A emergência de um mundo de ditadores (Putin, Xi, agora Trump), todavia, tem tido o efeito de nos levar a acentuar a necessidade de coesão. Já em outubro de 2022, Simon Kuper, do Financial Times, um dos meus colunistas favoritos, explicava como a “operação militar especial” de Putin tinha fortalecido a Europa, que se movia na direção de uma união bancária, energética e das cadeias de abastecimento.
Hoje o movimento é mais visível e mais necessário. Talvez seja tempo de pensar em federalizar a união, respeitando as nacionalidades, e avançar na direção de uma identidade comum em domínios críticos. Recordo que há uns anos, vindo da Croácia entrei de carro na Eslovénia. Passei de fora para dentro da União (foi antes de a Croácia ter aderido). Senti-me cidadão num país sobre o qual nada sei. Não devo ser caso único.
