Num país arquipelágico onde a economia depende de equilíbrios de logística interilhas, turismo, pequenas indústrias e um tecido empresarial dominado por PME, as empresas cabo-verdianas têm vindo a assumir, nos últimos anos, um papel cada vez mais central na modernização do país. A digitalização acelerada pós-pandemia, a exigência crescente de transparência financeira e a pressão […]
Num país arquipelágico onde a economia depende de equilíbrios de logística interilhas, turismo, pequenas indústrias e um tecido empresarial dominado por PME, as empresas cabo-verdianas têm vindo a assumir, nos últimos anos, um papel cada vez mais central na modernização do país. A digitalização acelerada pós-pandemia, a exigência crescente de transparência financeira e a pressão para melhorar a competitividade têm levado muitas organizações a profissionalizar a gestão, investir em qualificação e adotar práticas alinhadas com padrões internacionais.
Foi neste ambiente que, na semana passada, vinte e cinco empresas nacionais receberam o Selo Empresa Excelência 2024, atribuição promovida pela BTOC Cabo Verde. A segunda edição da distinção registou um aumento expressivo de interesse: 150 inscrições e cerca de 50 candidaturas validadas, espelhando a vontade crescente das empresas cabo-verdianas em ver reconhecida a sua qualidade de gestão e desempenho financeiro.

O selo, que exige critérios rigorosos — como lucros positivos, autonomia financeira mínima, EBITDA consistente e contas auditadas — posiciona-se como uma certificação independente que valida boas práticas empresariais e reforça a confiança do mercado.
Governo destaca selo como «instrumento económico»
O governo, representado pelo Secretário de Estado da Economia Digital, Pedro Lopes, sublinhou o impacto estratégico da distinção:
«Este prémio não é apenas simbólico. É um instrumento de qualificação do nosso tecido empresarial, um selo de confiança para a banca e para os investidores, e um motor de transformação económica que incentiva a transparência e a inovação», afirmou.
Entre as empresas distinguidas pela segunda vez consecutiva estão Aquaservice, EMEP, Inktoner, SESIS, Medispharma, Farmácia Jovem (Mindelo), Salss, Guia de Serviços e Khym Negoce.
A lista de estreantes inclui CV Interilhas, Caboplast, ETE Logística, Freexauto, Grupnor, Impofrut, Incentea CV, Inforsal, Isatour, Logis CV, Morabitur, Navex CV, Óptica da Praia, PraiaTur, Trial e Tuacar.
«Resultado de anos de trabalho»: empresas reagem ao reconhecimento
Apesar da diversidade de setores e dimensões, o sentimento entre as premiadas foi transversal: todas destacaram o selo como consolidação de anos de empenho, organização e melhoria contínua.
Aquaservice, distinguida pela segunda vez, vê no prémio a confirmação da sua estratégia de crescimento sustentado. O diretor-geral, Nuno Justino, reforça que cumprir indicadores de desempenho rigorosos «mostra que a empresa é sustentável, gera bons resultados e opera com solidez económico-financeira». A empresa prepara já a estratégia 2026–2030, com foco na expansão e na melhoria dos sistemas de dessalinização fornecidos às ilhas.

CV Interilhas, premiada pela primeira vez, encara o selo como o reconhecimento de um ciclo de cinco anos de trabalho. A empresa, responsável pelo transporte marítimo interilhas, tem-se afirmado como peça central da coesão territorial cabo-verdiana. Só em 2024 transportou mais de meio milhão de passageiros, um aumento de 17% face ao ano anterior, segundo dados públicos.
Para Fernando Braz de Oliveira, do Grupo ETE, que detém a CV Interilhas, o prémio é «um reconhecimento justo para uma equipa de 300 colaboradores cabo-verdianos que trabalham 365 dias por ano em prol da mobilidade nacional». Destacou ainda a importância de auditorias independentes como garantia de confiança e transparência.
Com 25 anos de atividade, a Óptica da Praia recebeu o selo pela primeira vez e celebra o prémio como «o coroar de um percurso sólido». A representante da empresa, Joana Seixas Nunes, sublinhou que o crescimento tem sido «sereno, não rápido, mas consistente», assente em marcas europeias de qualidade, lentes certificadas e formação contínua. A empresa, presente em Santiago, Sal, São Vicente e Fogo, ambiciona agora expandir-se às restantes ilhas.

A FreeXAuto, com nove anos de presença no mercado, também integra o grupo de estreantes. Para Maryelsa Macedo, o prémio é «um estímulo para continuar a investir em boas práticas internas e no bem-estar da equipa», com planos de expansão para o Sal, São Vicente e Boa Vista.
Protocolo reforça impacto prático do selo
Durante a cerimónia, foi ainda assinado um protocolo entre a BTOC e a Pró-Garante, denominado ‘Garantias Pré-Aprovadas para Empresas Excelência 2024’. O acordo permitirá que empresas distinguidas tenham acesso facilitado a crédito, uma vez que os critérios da Pró-Garante coincidem com os exigidos para o selo.
A presidente do conselho de administração da Pró-Garante, Antónia Cardoso, sublinhou que o protocolo funciona como «mais uma garantia e incentivo às empresas para aderirem ao selo», reforçando a utilidade da distinção como ferramenta de acesso ao investimento.
Uma distinção com impacto no tecido económico
À medida que Cabo Verde procura consolidar uma economia mais robusta, competitiva e digital, iniciativas como o Selo Empresa Excelência ganham relevância prática. Por agora, e com orgulho para os premiados, a mensagem é clara: transparência, rigor e boas práticas dão prémios e boas hipóteses de prosperar.


