Tiago Roxo, Head of People da Tekever, acredita que a liderança começa e termina nas pessoas. Formado em Psicologia Social e das Organizações pelo ISPA, defende que alinhar talento, missão e impacto real é a chave para equipas resilientes num tempo de mudança acelerada.
Inspirado por figuras como Ernest Shackleton — que colocou sempre as pessoas em primeiro lugar mesmo quando tudo falhava —, Tiago Roxo sustenta que o futuro das organizações dependerá de líderes capazes de combinar empatia, aprendizagem contínua e sentido de propósito, num mundo onde a tecnologia e a inteligência artificial estão a redefinir o ritmo do trabalho.
Céline é uma das Líderes em Destaque da edição nº33 da Revista Líder.
O que define a nossa Condição Humana?
O respeito pelo ser humano, colocar as pessoas em primeiro lugar, procurar garantir que estão bem e que têm as ferramentas para continuarem bem, assegurando que têm líderes sensíveis e responsivos às necessidades de cada um. Alinhar talento, missão e impacto real, garantindo que todos têm o espaço e as ferramentas para concretizar o seu potencial.
Se vamos viver e trabalhar mais anos, como garantir que essa longevidade tenha sentido?
Garantindo significado em missões de longo prazo. Reforçando a aprendizagem contínua, a consciência individual e coletiva e a autonomia para agir, criando espaço real para que cada pessoa contribua de forma visível para objetivos relevantes. Ajudar as lideranças a inspirar e desenvolver as suas equipas, combinando segurança psicológica com exigência, conscientes de que a sua missão é gerar resultados enquanto fazem crescer as pessoas.
Tudo se tornou mais rápido graças à IA. Como encontra calma na sua rotina?
Não é fácil encontrar calma num ambiente de crescimento tão acelerado. Mas procuro investir em foco intencional, ritmo planeado e delegação confiante, apoiando as equipas a clarificar missão e impacto, garantindo que cada ação contribui de forma deliberada para os resultados esperados.
A tecnologia está a unir talento intergeracional ou a criar novas formas de exclusão?
A tecnologia não exclui. Mas a falta de estratégias para treinar em como usar as novas ferramentas digitais da melhor forma poderá criar gaps de competências e exclusão em todas as gerações. Por exemplo, a dependência excessiva destas ferramentas pode gerar fragilidades cognitivas, na memória de trabalho e factual, e fragmentação da atenção. O desafio é equilibrar adoção tecnológica, capacitação contínua e desenvolvimento de pensamento crítico.
Qual a capacidade humana que considera essencial na próxima geração de líderes?
Empatia e adaptabilidade. O ritmo de mudança será cada vez maior, os líderes serão mais frequentemente chamados a auxiliar na construção de estruturas e organização e trabalho para as quais não haverá manuais ou guiões. Isto exigirá uma enorme humanidade e uma profunda maturidade emocional para gerar confiança e garantir alinhamento.
Organização: Tekever
Função: Head of People
Idade: 46
Educação Académica: Psicologia Social e das Organizações, ISPA
Tempo livre é para: Família, amigos, música, viagens, moto e viagens de mota.
Livros: Leaders, Fools and Impostors de Kets de Vries; How to Change your Mind de Michael Pollan; Principles de Ray Dalio e Long Way Round de Charlie Boorman.
Podcasts: Speaking of Psychology, 45º graus e E o Resto é História.
Viagem: Muitas; Japão, Butão e Antártica são inesquecíveis.
Líder que o inspira: Ernest Shackleton, pela prioridade absoluta às pessoas quando tudo falha.
Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.


