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Denise Calado

Diagnóstico de depressão cada vez mais cedo em adolescentes e jovens

18 Maio, 2022 by Denise Calado

Com os diagnósticos de depressão a serem feitos cada vez mais cedo, o World Economic Forum partilha alguma investigação que revela ser cada vez mais precoce a idade dos primeiros sintomas deste distúrbio, e possíveis motivos para o diagnóstico. Dados mostram que a idade média do surgimento sintomático da depressão foram os 26 anos, sendo que um quarto da amostra apresentava sintomas antes dos 17 anos.

A depressão é um distúrbio que se pode prolongar ao longo de vários anos, é por isso importante perceber quando começam a aparecer sintomas depressivos, qual é a onset age (ou a chamada idade de começo), e compará-la com a idade de diagnóstico.

Para este efeito, uma meta análise recentemente publicada quis entender quais os sintomas que as pessoas apresentaram ao longo da vida, e com que idade. O investigador realizou entrevistas e verificou que, de facto, muitos deles já se encontravam em estados depressivos muito antes do diagnóstico. Pessoas que já sofriam de sintomas de depressão, só receberam diagnóstico 5 anos depois.

Por outro lado, no que toca ao primeiro diagnóstico, os 31 anos foi a idade média; não obstante, há ainda uma grande parte da população participante no estudo que recebeu diagnóstico apenas depois dos 46 anos.

Em muitos países, os distúrbios mentais como a depressão e o transtorno bipolar estão a ser diagnosticados muito mais cedo do que no passado, como comprova um outro estudo que analisa a população dinamarquesa. A conclusão é de que em 2016 era mais provável ser-se diagnosticado com depressão em idade jovem do que em idades mais avançadas e, consequentemente, ter um tratamento mais rápido, quando comparado ao ano de 1966.

A explicação para esta mudança abrupta passa pelo facto de que as pessoas atualmente estão mais dispostas a procurar um tratamento para distúrbios mentais e, além disso, já haver mais informação relativamente à doença, e mais orientações relativamente ao próprio diagnóstico e como o fazer em crianças e adolescentes.

É essencial entender a idade em que se é diagnosticado com depressão pela primeira vez visto que os sintomas e o tratamento variam significativamente consoante a idade. Reconhecendo a tendência em que adolescentes e jovens estão cada vez mais cedo a ser diagnosticadas com este distúrbio, teremos uma maior capacidade de os ajudar a ultrapassar a doença.

 

Arquivado em:Notícias, Saúde

De Lisboa para o mundo em cima de uma prancha e sem sair do sofá

18 Maio, 2022 by Denise Calado

Fernando Figueiredo é Presidente e CEO do Fuel TV, o canal dedicado aos desportos de ação, que trouxe para Portugal em 2007, e que hoje é o primeiro canal global de televisão com propriedade e sede portuguesas, operado a partir de Lisboa. A irreverência e a coragem são os traços de uma marca que enfrenta os desafios e assume os riscos como quem se diverte a descer uma onda, uma montanha ou uma rampa, em cima de uma prancha. Está tudo na atitude.

 

Como foi que tudo começou?

Em 2007, e depois de terminarmos uma relação de cerca de 5 anos com o Extreme Sports Channel, que havíamos lançado na TV Cabo em 2004, decidimos procurar a 21st Century FOX para licenciar o FUEL TV em Portugal, pois já na altura discutíamos internamente o enorme fosso qualitativo e quantitativo entre os dois. O FUEL TV estava só nos EUA e na Austrália e por essa razão entendemos que a expansão para a Europa, a começar por Portugal faria sentido. Foi uma negociação muito rápida. Reuni com uma pessoa da FOX Inglaterra, em Cannes, na MIPCom, numa quinta-feira, na segunda-feira estava numa call com o então General Manager do FUEL TV, CJ Olivares, e na quarta-feira estava num avião a caminho de uma Nova Iorque gelada e cheia de neve, onde me sentei com ele e informalmente fechámos a parceria. Em 2009, e após os bem-sucedidos lançamentos no MEO, em Abril de 2008, e na Vodafone, no ano seguinte, voltámos à mesa das negociações para estender o contrato à região EMEA (Europa, Médio Oriente e África). Estava dado o primeiro passo rumo à internacionalização do nosso negócio.

 

E como foi o processo de passar do licenciamento à aquisição do canal?

Durante o ano de 2009 iniciámos um dos nossos maiores e mais estruturantes investimentos, que ainda hoje nos diferencia: a construção da nossa unidade de Playout, que tinha já como objetivo a internacionalização e a capacidade de controlar por completo o produto que entregávamos nos vários países. Relembro que estávamos em plena transição do SD para o HD — o FUEL TV foi dos primeiros canais em Portugal a ter um feed HD. Em 2010 iniciámos a expansão para a região EMEA, com bastante sucesso, atingindo rapidamente distribuição em cerca de 40 países até ao início de 2012. Foi por essa altura que os executivos da FOX nos informaram da lógica de desinvestimento em curso nos canais da FOX Networks Group de menor dimensão, com o objetivo de criar a FOX Sports, pois eram a única major americana que não tinha canais nacionais de desporto. Ora, foi então que pensei: temos de comprar o FUEL TV antes disso, porque os americanos têm muito pouca ligação emocional às marcas e rapidamente se vêm livres delas desde que isso faça sentido para a sua estratégia de negócio.

 

Nessa altura quais foram as suas motivações e os maiores medos?

A nossa maior motivação foi uma oportunidade de ouro para tornar o FUEL TV o primeiro canal de televisão global sediado em Portugal, embora daí viessem também os nossos maiores receios. Teríamos capacidade e know-how local para o fazermos? O negócio que tínhamos na altura era altamente rentável e corria lindamente, mas também era certo que íamos ficar sentados numa dívida apreciável que contratamos para fazer face ao valor de compra.

 

Quais foram, até agora, os marcos decisivos na história do canal? 

O lançamento do canal nos EUA, pela FOX, em 1 de Julho de 2003 é um marco inevitável. Até ali, nunca os desportos de ação tinham tido uma plataforma tão bem concebida em televisão, com produtos de qualidade, produzidos por uma série de talentosos jovens criativos, e a proporcionarem aos agentes dos respetivos desportos — atletas, sim, mas também artistas, músicos, empresários e outros — um palco sem paralelo. O impacto foi inédito e irrepetível. Depois, houve a aquisição do canal por parte da FLUID Youth Culture (hoje FUEL TV, S.A.), em 2014, quando o canal passou a ser detido por capitais 100% portugueses. Mas há outros momentos importantes que importam referir, como em 2019 quando fizemos o upgrade do nosso Playout com capacidade de entrega por IP, que nos permitiu fazer a transição para o novo modelo de negócio, FAST (free ad-supported streaming TV), o que nos levou ainda em 2020, à entrada no campo das CTV (connected television), por intermédio da nossa parceria global com a Samsung. O ano de 2020 marcou também o regresso do FUEL TV aos EUA, o seu país de origem, curiosamente com acesso por mais lares (cerca de 40 milhões) do que quando saímos em 2013 (25 milhões). Vale ressaltar que nesse mesmo ano, também lançamos a FUEL TV+, a nossa plataforma digital, onde reside a imensa livraria do FUEL TV, que contém mais de três mil horas de conteúdo, que são atualizados à média de 750 horas por ano, à medida que vamos digitalizando as mais de 50 mil cassetes que herdámos desses tempos.

 

Hoje, o FUEL TV é líder mundial no mercado de nicho dos desportos de ação. As motivações continuam a ser as mesmas do início?

Se por motivações entende-se uma paixão genuína pelo mundo dos desportos de ação, sem dúvida que sim. Cumprido o desejo de nos tornarmos no primeiro canal global de televisão com propriedade e sede portuguesas, e operado a partir de Portugal, o desafio agora é de nos mantermos com os mesmos padrões de qualidade e relevância que construímos, fazendo face às dificuldades conjunturais que estamos a atravessar. À reconfiguração de todo o negócio na área dos media, juntou-se a crise económica derivada de dois anos de Pandemia, e agora o contexto de guerra, com as consequências presentes, que todos conhecemos, e futuras, que só podemos esperar que não sejam tão más como se preveem. Mas estamos preparados para enfrentar quaisquer cenários. Os nossos desportos têm em comum o assumir de riscos, a capacidade de adaptação e a resiliência, valores e atitudes de que nos orgulhamos de partilhar.

 

Quais os desafios de liderar uma empresa com base em Portugal mas presente nos quatro cantos do mundo? 

São muitos e grandes, mas as alterações tecnológicas a que temos vindo a assistir são uma excelente ajuda, pois permitem quebrar barreiras antes inultrapassáveis. Por exemplo, há 3 anos era impossível ter um canal global de televisão sem ter contratados pelo menos três satélites diferentes a preços incomportáveis para canais de nicho. E essa é a razão de muitos terem desaparecido. Neste momento, toda a nossa distribuição internacional é feita por IP, a partir de Alfragide, mas podia ser Los Angeles, Londres ou outro sítio qualquer, desde que tivesse largura de banda suficiente. Além disso, é preciso notar que, à exceção do skater finalista olímpico, Gustavo Ribeiro, e dos nossos ocasionais representantes no circuito mundial da World Surf League, Portugal é um país periférico nos desportos de ação, o que às vezes torna mais complicado o contacto com as grandes estrelas do meio. Mas ao longo destes anos, construímos uma grande rede de contactos e, mais uma vez, as novas tecnologias contribuem muito para aproximar aquilo que a geografia separa.

 

O formato streaming e dos conteúdos on-demand levam cada vez mais marcas a adaptarem-se a uma nova linguagem no meio digital. Como está o FUEL TV a acompanhar essa mudança?

Nesse ponto, diria que estamos na vanguarda da transição para os novos modelos de negócio na área da televisão. Se tal opção se configura como inevitável para todos os operadores, para nós ainda mais é, devido à natureza específica da nossa audiência, maioritariamente constituída por jovens e jovens adultos entre os 12 e 34 anos, muito sensíveis às novas tecnologias e formas de distribuição de conteúdo.

No campo da chamada OTT (Over The Top TV), que no fundo é a designação técnica para os canais de streaming, o nosso alcance é global, por via da nossa aplicação FUEL TV+ que pode ser acedida em iOS, Roku, Amazon Prime entre outras plataformas, com novos acordos ser fechados todos os meses. Já no campo da CTV (connected television), que são a oferta de canais especiais e aplicações que integram os aparelhos de televisão, estamos com os principais fornecedores, como a Samsung, LG e outras.

Já em Portugal, estamos em 97% do mercado de Pay TV, pois há vários anos integramos os pacotes dos três grandes operadores, Vodafone, NOS e MEO.

Acreditamos que os investimentos feitos nos últimos anos para adaptação à nova realidade da geração de receitas no negócio, está agora a surtir efeitos, cuja tendência é multiplicarem-se nos próximos anos.

 

Quem lidera nos desportos de ação, a modalidade ou quem a pratica?

Claramente, a modalidade em si. Já tivemos as grandes referências, com a inegável e gigantesca importância que lhes reconhecemos. É inestimável o contributo que nomes Kelly Slater (surf), Shawn White (snowboard), Tony Hawk (skate) e outros tiveram na popularização dos seus respetivos desportos, mas estes se autonomizaram e deixaram de estar dependentes das megaestrelas. Com a fragmentação dos conteúdos trazida pela internet, é tendência cada vez menos haver um ou dois nomes de referência, multiplicando-se estas por dezenas de estrelas de menor dimensão, com imenso impacto nas suas particulares áreas de influência. Os equipamentos, os destinos de viagem, as vivências pessoais dos diferentes praticantes dentro de cada modalidade, tornaram-se muito mais importantes do que o seguidismo associado às megaestrelas.

 

Quais as suas ambições para o FUEL TV?

Temos o mote de Global Home of Action Sports (Casa Global dos Desportos de Acção), e daí derivam todas as nossas ambições. Isso implica o reconhecimento das comunidades das várias modalidades que cobrimos (Surf, Skate, Snow, BMX, MTB e Wake) mas também das marcas endémicas, que veem em nós um excelente veículo de comunicação e alinhamento, ou de todos os eventos e propriedades que pretendemos que morem na nossa casa. Há um fator que para nós sempre foi crucial: sempre dissemos que isto tinha de continuar a ser divertido de fazer. Essa é também a nossa ambição para todos os que o FUEL TV toca, seja internamente com os nossos colaboradores ou externamente, com o nosso público.

 

Por Rita Saldanha

Arquivado em:Entrevistas

Sobre o Super Bock Group

17 Maio, 2022 by Denise Calado

O Super Bock Group é a maior empresa portuguesa de bebidas refrescantes, com uma estratégia multimarca e multimercado, cuja atividade core assenta nos negócios das Cervejas e das Águas engarrafadas. Estamos, igualmente, presentes nos segmentos dos refrigerantes, dos vinhos, na produção e comercialização de malte e no negócio do turismo, detendo dois ativos de referência na região de Trás-os-Montes: os Parques Lúdico-Termais de Vidago e Pedras Salgadas.

Somos uma empresa de capital, maioritariamente português detida em 56% pelo Grupo VIACER e em 44% pelo Grupo Carlsberg.

 

Orientação Estratégica

  • FOCO no negócio das Cervejas e das Águas
  • CRESCIMENTO das atividades internacionais
  • DESENVOLVIMENTO de uma cultura de resultados, com estrutura ágil e simples

 

Missão

  • Sermos uma empresa com credenciais cervejeiras que se dedica, com paixão, à produção de bebidas e ao desenvolvimento de marcas, excelentes e apreciadas por todos.
  • Inovarmos continuamente para cativar e surpreender clientes e consumidores.
  • Apostar no crescimento e valorização das nossas pessoas e das nossas marcas, os maiores ativos da empresa.
  • Gerar impacto positivo, a médio e longo prazo, na sociedade, contribuindo para o desenvolvimento sustentável, obtendo o reconhecimento e a valorização adequados por parte da comunidade e dos acionistas.

 

Visão

 

Valores

 

Onde estamos?

É em Leça do Balio que fica a nossa sede, mas o Super Bock Group conhece outros domicílios, ganha corpo numa geografia alargada. Porque temos vontade de estar perto – respondendo às necessidades do negócio de forma capaz, ajustada, e servindo os mercados com eficácia e qualidade –, mantemos instalações próprias em locais estratégicos.

Estamos também presentes no resto do mundo: 21 países na Europa, 10 países na Asia, 13 países em Africa e 9 países na América.

 

As nossas marcas

Super Bock – A Cerveja Portuguesa mais vendida no mundo

Água das Pedras – Com gás 100% natural. Só 0,5% das águas no Mundo são como Pedras

Somersby – Líder e driver da categoria de Sidras em Portugal

 

Inovação

Acrescentar valor à empresa, contribuindo para a sua evolução nos mercados nacional e internacional, é o propósito da estratégia de I&D focada na criação de novos produtos e processos disruptivos, mais eficientes, que elevam o estado da arte do setor de bebidas. Mediante esta abordagem da I&D, o Super Bock Group coloca-se na vanguarda e cimenta a liderança em vários segmentos ano após ano.

Os nossos princípios orientadores:

– Renovar e Melhorar contínua e eficazmente, o portfólio de produtos Super Bock Group.

– Incorporar eficazmente, desenvolvimentos científicos e tecnológicos nos processos e produtos Super Bock Group.

– Ser a Referência Nacional para os Stakeholders em IDI no negócio das bebidas.

 

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

O Turismo como a força para a economia circular em Portugal

17 Maio, 2022 by Denise Calado

Arrancou a ESG Week 2022, uma iniciativa da APEE – Associação Portuguesa de Ética Empresarial, que até sexta-feira promove o debate dos grandes temas da Sustentabilidade, enquadrados no domínio ESG – Environmental, Social e Governance. Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, marcou hoje a primeira sessão do evento, sob o tema “A inovação como driver para a economia circular”, com a talk “Turismo, uma força para o bem”. A que acrescenta: “Queremos que o turismo seja o motor da economia circular”.

A prioridade hoje, para o turismo, é recuperar os números de 2019. “Em 2020 decidimos lançar um catalisador da nossa sustentabilidade. Nós precisamos de acelerar a transformação e a transição ambiental, mas também da valorização da nossa sociedade.” Para isso, há um compromisso que atravessa 4 eixos – a estruturação de produto sustentável, a qualificação dos recursos humanos (escolas do turismo de Portugal e academia digital têm a sustentabilidade e o digital dentro de todos os seus cursos), a promoção de Portugal enquanto destino sustentável (promover empresas que são líderes na área da sustentabilidade) e monitorizar o que é feito no território.

A aceleração e incorporação dos fatores ESG (Environmental, Social & Governance) nas empresas de turismo é um dos principais objetivos a alcançar, para que estes princípios estejam na base do ADN das empresas do setor. Luís Araújo vê este objetivo não como “uma pedra no sapato”, mas sim como um investimento no futuro, que apela às boas práticas sociais, de governança (da organização e políticas empresariais) e ambiental.

“Quando falamos em economia circular, o turismo tem de ser a base”, reforça o orador, referindo que a utilização do território é não só o campo de trabalho, mas também o que os permite crescer.

A Estratégia de Turismo 2027 visa que o turismo potencie o desenvolvimento económico, social e ambiental no território nacional, tornando Portugal um dos destinos mais competitivos e sustentáveis do mundo. A estratégia é guiada por 3 eixos orientadores: a sustentabilidade (criar um turismo sustentável, mais responsável), o digital (reforçar a digitalização da atividade e adotar iniciativas que conduzam um maior acesso de meios e tecnologias que melhore o ecossistema), e o foco nas pessoas, tanto turistas como colaboradores e residentes. “O foco é claro: a preservação do planeta”, declara Luís Araújo.

Após dois anos pandémicos, agora é o momento certo para criar o turismo do futuro, que passa por toda a cadeia de valores do setor do turismo “que vai desde a oferta, aquilo que é a construção de um hotel, que tipo de materiais se usam, passando pela formação, pela promoção, até chegarmos à atitude do turista”.

O turismo em Portugal é indispensável para a economia, já que é o responsável pela criação de emprego, pela distribuição de riqueza pelo território nacional e conta com o apoio imprescindível de incontáveis microempresas do setor. Atingiu o seu pico em 2019, o melhor ano turístico de Portugal, crescendo em mais de 60% em receita comparado com os 4 anos anteriores, representando cerca de 10% do PIB nacional.

Com o aparecimento da Pandemia, o turismo tornou-se estático, a pedido da saúde, que assim o exigia. “A diferença entre nós e a saúde é uma questão de tempo e de espaço. Tempo porque cada dia que passava era um dia em que a saúde ganhava, era um dia que o turismo perdia. A noite que passa é uma noite que o hotel perde. E era uma questão de espaço precisamente pela questão da mobilidade: a saúde precisava que estivéssemos quietos, e o turismo precisa de movimento”, afirma Luís Araújo.

Face às adversidades, o presidente do Turismo de Portugal, realça que uma mudança de estratégia foi essencial para a sobrevivência do setor, e o meio digital foi a bengala que sustentou o turismo em queda. O “turismo para o bem” foi o mote de campanhas que chegaram a mais de 170 milhões de pessoas pelo mundo, que convergiu a publicidade do destino com soluções sustentáveis portuguesas: se publicitam a costa portuguesa, mencionam a recuperação de material e de resíduos que foram para o mar.

A atitude do turista, refere, é crucial. Para termos um planeta melhor, é necessário que haja um turismo e turistas melhores, daí a vertente pedagógica e de atitude ser de tamanha relevância.

Para trabalhar nesse sentido, o Turismo de Portugal lançou a primeira campanha que utilizou imagens de todo o mundo, e não exclusivamente de Portugal, porque a crise climática não é um problema só de Portugal. Estimula-se assim uma procura melhor, que fique mais tempo e que preserve o património.

 

Por Denise Calado

Arquivado em:Economia, Notícias

Joana Silva é a nova Diretora Financeira da Garcias

17 Maio, 2022 by Denise Calado

Com 13 anos de experiência na área financeira, Joana Silva integra agora a equipa da Garcias como Diretora Financeira. Terá como principal desafio a direção e reestruturação do departamento financeiro que será agora estruturalmente composto por diferentes áreas e contará com mais recursos humanos especializados.

Joana Silva conta com vários anos de experiência na área financeira, na auditora Deloitte, com passagem por algumas empresas como diretora financeira, e em paralelo com a sua caminhada profissional, em que é professora de contabilidade no ISCTE Business School.

Para Filipa Garcia, CEO e Presidente do Conselho de Administração da empresa, “No seguimento da nossa estratégia de apostar em recursos humanos, é de extrema relevância o nosso departamento financeiro que, como é evidente, é um dos pulmões da Garcias. Com o crescimento acelerado que a empresa tem efetuado, e após 40 anos de existência, é de extrema importância olharmos para o futuro e nos mantermos sólidos no mercado.”

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Regime Jurídico dos Non-Fungible Tokens

17 Maio, 2022 by Denise Calado

Certamente já se deparou com o termo NFT ou Non-Fungible Token. Integra um leque de conceitos e termos exotéricos para a maioria dos leitores, conjuntamente com Blockchain, Bitcoin, Criptoativos e tantos outros.

Para melhor definir o que é um NFT, cabe primeiro definir a Blockchain. A Blockchain é, sucintamente, uma base de dados de registo descentralizada, em que os dados não estão agregados puramente numa entidade, onde cada utilizador tem de validar informaticamente a informação fornecida e que não é passível, em princípio, de ser alterada.

Ao validar, cada utilizador acaba por criar um bloco de informação, contendo a validação e a informação anterior, criando uma cadeia de blocos de informação, a Blockchain. Aos dias de hoje existem milhares de Blockchains, sendo a precursora a da Bitcoin.

Por sua vez, um NFT é um ativo digital emitido numa Blockchain que contém um conjunto de informações que representa, principalmente, a prova de titularidade de bens digitais e/ou físicos.

A principal diferença de um NFT para outro token prende-se com a sua não-fungibilidade, isto é, é único e não é possível de ser substituído por outro bem do mesmo género, quantidade ou qualidade. O numerário será o melhor exemplo para definir fungibilidade. Basta pensar que trocar duas moedas de 50 cêntimos por uma de 1 euro ou uma nota de 5 euros por 5 moedas de 1 euro é possível, tendo inclusive cada moeda de 1 euro o mesmo valor.

Os NFT ganharam notoriedade em 2017 como cartas negociáveis, à semelhança dos conhecidos cromos de futebol. Desde aí notou-se um boom nos valores transacionados, tendo, no final de 2021, sido vendido por 91,8 milhões de dólares o NFT mais caro de sempre. Para que o leitor perceba os valores em causa, segundo o Relatório Anual do Mercado NFT, elaborado pela NonFungible.com e L’Atelier BNP Paribas, foram transacionados 17,7 mil milhões de dólares em 2021, uma subida megalómana dos “parcos” 82,5 milhões de dólares de 2020.

Mas então que usos podem ter os NFT? Na verdade, existe uma vasta panóplia de usos, sendo os mais conhecidos arte digital, itens colecionáveis, bilhetes para eventos, itens de jogos e até bens no mundo real.

Uma das principais vantagens, considerando a sua base de dados de registo imutável, é ser possível ter acesso a todos os proprietários, desde o seu emitente originário. Isto levará, em princípio, a que utilizadores consigam impedir a validação de itens falsificados.

Adicionalmente, através da figura dos smart contracts, um contrato redigido informaticamente no qual se configura que mediante certa ação, automaticamente a prestação correspondente é gerada, é possível registar informaticamente que cada venda de um ativo reverta a devida percentagem de royalties para o seu criador, uma vantagem em direitos de autor.

Relativamente a itens do mundo real, o principal uso, devido às suas características, tem-se prendido com a “tokenização” de imobiliário.

A simplicidade burocrática, a velocidade da transação e a informação de registo pública faz com que operações de imobiliário ganhem outro destaque quando efetuadas através de um NFT representativo da propriedade, emitido contendo a informação relevante, nomeadamente informação das partes ou códigos de acesso à certidão permanente do registo predial, por exemplo.

Não obstante o artigo 875.º do Código Civil ainda exigir escritura pública ou documento particular autenticado, a verdade é que duas propriedades de luxo na Madeira foram vendidas no final de 2021 através da criptomoeda Cardano, estando também o seu registo de propriedade vertido em NFT de forma a que quando legalmente permitido, seja possível a seguinte transação operar exclusivamente via transação do NFT.

Ainda assim, é no mundo digital que têm surgido as principais reticências.

Tipicamente, os direitos atribuídos ao detentor de um NFT são direitos de utilização e disposição sobre o token em si, não sobre (uma possível) obra correspondente no mundo real. É inclusivamente comum mercados de arte digital especificarem que, no silêncio das partes, apenas há cessão do direito a exibir, promover e partilhar a obra contida no NFT.

Ainda que houvesse transmissão da obra, o Código de Direitos de Autor e Direitos Conexos obriga a que esta seja celebrada por escritura pública, limitador por motivos óbvios.

Mas o que impede alguém de fazer um screenshot de determinada obra, criando uma obra contrafeita da original? Sem ser de um ponto de vista moral, nada.

Qual será então a vantagem de adquirir, muitas vezes por valores astronómicos, estes NFT de obras artísticas digitais ou não? Principalmente, ser proprietário de um NFT implicará ser titular de certos direitos sobre a obra em questão. Estes direitos permitem ao titular dos mesmos reivindicar a sua posição de forma a obter maior controlo, monitorização e proteção das suas obras.

Num outro tema, Portugal tem sido apelidado como o país mais crypto-friendly. Tal advém de, conforme informações vinculativas emitidas pela AT, não serem tributadas operações com criptomoedas, excluindo casos em que essa fosse a atividade profissional do prestador de serviços, sendo, nestes casos, tributado em sede de IRS.

Ainda que não tenha incluído especificamente casos como os NFT, outros países já o fizeram. Para o efeito, a Autoridade Tributária Espanhola considerou no final de abril que quem produza e venda NFT será tributado em sede de IVA à taxa geral de 21%.

Mais, também no final de abril, o High Court do Reino Unido reconheceu NFT enquanto propriedade, tendo num caso de furto digital sido ordenado que o NFT, enquanto bem, fosse congelado e que informação relativamente a titulares de contas fosse fornecida.

Queremos com isto mostrar que os NFTs têm, em particular no último mês, levado a uma alteração no seu estatuto jurídico em diferentes países, levando a que haja uma maior regulamentação e jurisprudência sobre um tema que movimenta milhões.

Neste sentido, aguardamos por possíveis inovações regulatórias e legislativas nacionais e/ou comunitárias.

 

 

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