Tudo começou com uma visão estratégica e ambiciosa. Em 1890 era fundada, no Porto, a CUF Portuense, hoje Super Bock Group, onde mais de um terço dos seus 19 sócios eram pequenos cervejeiros. Uma ambição pouco comum naquela época, e que ao longo dos anos marcou o ADN da empresa, com uma história “atribulada e bonita”, a par da resiliência e o foco nas pessoas.
“Muito do nosso património assenta nestes valores, que a empresa praticou, viveu e usufruiu e que, hoje em dia, é o que nos continua a conferir fatores de diferenciação e competitividade”, partilhou Rui Ferreira, CEO do Grupo Super Bock que na passada sexta-feira recebeu a visita do Strategic Board e do grupo Leading People, parte do projeto Leadership Summit Portugal.
O encontro no site da fábrica e sede da empresa, em Leça do Bailio, no Porto, contou ainda com a presença de Pedro Ribeiro, Diretor de RH e responsável pela estratégia de gestão dos cerca de 1300 colaboradores. Refletindo uma “preocupação genuína e constante, em atualizar e melhorar os modelos de gestão de talento”, a empresa aposta ainda numa política de recrutamento baseada na complementaridade e mobilidade. “Nós não recrutamos pessoas para uma determinada função, nós recrutamos pessoas para que sejam capazes de resolver problemas”, afirma Pedro Ribeiro.
Hoje, as pessoas e o talento são os “fatores intangíveis”, que Rui Ferreira realça como interligados e fundamentais à diferenciação e que desde a sua génese, marcam o património da Super Bock e são parte da sua história. Ainda nos finais do século 19, por volta de 1897/98, foi criado um fundo operário no valor de 200 mil reis (200 escudos, hoje um euro) que tinha por missão socorrer os desvalidos e premiar a dedicação, o que já naquela altura era algo inédito, pela atenção dada às pessoas.
Mais tarde, com a construção da atual fábrica, e inauguração em 1964, a consistência nessa atenção volta a refletir-se através do Engenheiro João Talone, uma das figuras incontornáveis na história da marca. Quando ao fim de 15 dias percebeu que a maioria dos funcionários chegavam à fábrica sem terem tomado o pequeno-almoço, institui-se essa refeição como responsabilidade da empresa.
A capacidade de adaptação e superação é também algo que a marca conhece desde cedo, quando durante a Primeira Grande Guerra Mundial esteve praticamente à beira da falência. Ruturas de supply chain, escassez de matérias-primas e até dificuldades de retenção de talento quando os dois mestres cervejeiros de então, que eram alemães, tiveram de deixar a fábrica e ir combater. “O que é verdadeiramente difícil não é ter sucesso, o que é verdadeiramente difícil é ter um sucesso continuado”, afirma Rui Ferreira, reforçando um caminho em que a resiliência foi mais um dos fatores críticos.
Outras histórias foram partilhadas durante o almoço que animou o encontro, entre as cubas de cobre de fermentação, que nos anos 60 fabricavam por ano 25 milhões de litros de cerveja e que hoje, já em novos equipamentos, e mais de 130 anos depois, totalizam 450 milhões de litros.
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