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Denise Calado

Inovação em Saúde por quem a pratica

1 Abril, 2022 by Denise Calado

O futuro dos cuidados de saúde está intrinsecamente ligado à inovação que se desenvolve no sector. Os autores do livro “Inovação em Saúde por quem a pratica” consideram que nesta frente há oportunidades que ficam por explorar e, paradoxalmente, muitas descobertas nunca chegam a fazer parte da nossa vida. Algo falha, em Portugal, na passagem da descoberta para a inovação que depois está disponível para a sociedade.

Resultante da parceria entre o Health Cluster Portugal e a academia, o livro a ser agora lançado tem como objectivo contribuir para o desenvolvimento de uma cultura nacional de inovação nas múltiplas áreas da saúde – uma inovação idealizada e produzida em Portugal em detrimento da importada de outros países, que era apanágio há anos atrás.

Para a concretização desta obra, o Health Cluster Portugal disponibilizou de forma aberta a experiência das organizações que o constituem, enquanto que a equipa de autores entrevistou os protagonistas atuais em organizações, públicas e privadas e de áreas diversas, e analisou cientificamente as narrativas partilhadas com resultados encorajadores para todos os que pretendem inovar em Saúde em Portugal.

Para além de dar a conhecer o que leva ao sucesso na inovação em saúde, permitindo  ter mais inovação acessível para melhorar as nossas vidas, este livro exemplifica, com base no que é a atividade e o pensamento de quem pratica hoje inovação na saúde, em Portugal, como nutrir um espírito inovador e como aplicar e fortalecer novas ideias e transformá-las em ações ou produtos valiosos para a sociedade no mundo real.

Das múltiplas experiências partilhadas identificam-se padrões que permitem compreender não só os sucessos conseguidos, mas também as razões dos insucessos ocorridos, uma vez que conhecer a experiência de outros permitirá a cada leitor preparar melhor as suas próprias iniciativas, agora com uma perspetiva mais global do terreno que pisa. 

O livro “Inovação em Saúde por quem a pratica” poderá ser uma fonte privilegiada para gestores e profissionais de saúde, nas suas múltiplas áreas de intervenção, poderem identificar ideias, desenvolver novos planos de negócio e introduzir inovações no mercado e na sociedade,  assim como para entrarem em novos mercados e perceberem a diferença entre uma boa descoberta e uma real oportunidade de inovação.

Autores: Pedro Pita Barros, Filipa Breia da Fonseca e António Bensabat Rendas

Arquivado em:Livros e Revistas

Livros para melhor compreender a guerra

1 Abril, 2022 by Denise Calado

Sempre ouvimos dizer que numa guerra ninguém sai vitorioso. Por muito que se diga nos livros de História que houve um vencedor, a verdade é que todos perdem. Perdem as suas casas, os seus entes queridos, perdem-se vidas, e ganham-se memórias que muitos preferiam nunca ter.

Segundo a ONU, a guerra já matou pelo menos 1151 civis e fez 1824 feridos, a sua maioria devido a armas explosivas. Embora assegure que o fluxo esteja a abrandar, quase 3,9 milhões de ucranianos têm fugido do seu país em busca de refúgio.

Nestas circunstâncias, estarmos a par da informação e termos pensamento crítico irá ditar a forma como agimos perante o conflito. Eis algumas sugestões de livros:

  1. “A mais breve História da Rússia – Dos Eslavos a Putin”, de José Milhazes: É uma viagem que atravessa séculos de história da Rússia, acompanhada com fotografias, mapas, uma cronologia e bibliografia para os que quiserem explorar mais o tema;
  2. “Ukraine’S Outpost – Dnipropetrovsk And The Russian-Ukrainian War”, de Taras Kuzio, Sergei I. Zhuk e Paul D’Anieri: O primeiro livro que vem analisar a guerra numa perspetiva da região de Dnipropetrovsk. Vem desafiar a desinformação russa e os estereótipos ocidentais da Ucrânia; desmistificando o retrato de um país dividido regionalmente com o conflito militar;
  3. “A invenção da Nova Rússia”, de Arkady Ostrovky: “Um relato vivo da evolução da Rússia moderna. O autor mostra como os sonhos liberais da era Gorbachev deram lugar ao nacionalismo autoritário de Putin”, Financial Times, seleção de livros do Ano;
  4. “Understanding Russian Strategic Behaviour – Imperial Strategic Culture And Putin’s Operational Code”, de Graeme P. Herd: Um livro para os que se interessam por relações internacionais e estudantes de políticas externas, nomeadamente russa, e que examina o comportamento estratégico da Rússia, a cultura imperial e o código operacional de Putin;
  5. “War in Ukraine’S Donbas – Origins, Contexts and the Future”, de David R. Marples: Este livro analisa o conflito em curso, fornecendo um panorama da Ucrânia de Leste de 2013 a 2020, e dando voz a diversos grupos sociais, agências e comunidades académicas de relevância. Entre os temas, fala-se dos acontecimentos da Euromaidan, os acordos de Minsk, Zelensky e termina com quatro propostas para uma paz duradora em Donbas.

Arquivado em:Livros e Revistas

No caminho da eletrificação total

1 Abril, 2022 by Denise Calado

Também a Volvo já iniciou o caminho sem retorno da eletrificação total. O Volvo XC40 Recharge P8 é o primeiro carro totalmente elétrico da marca. Baseia-se no pequeno SUV premium XC40, o primeiro modelo Volvo a ganhar o prestigiado prémio European Car of the Year. No interior, uma abordagem inovadora e funcional oferece muito espaço de armazenamento, com vários compartimentos grandes e projetados nas portas, sob os assentos e no porta-bagagens. Não ter um motor de combustão interna significa que o carro oferece ainda mais área de bagagem num espaço chamado frunk, sob o capô dianteiro.

O carro vem equipado com pneus Recharge, os primeiros para uso durante todo o ano a alcançar a eficiência energética de classe A. Esta inovação está alinhada com a aspiração da empresa em liderar o setor na oferta de produtos mais sustentáveis.

Tem ainda uma tecnologia de info entretenimento alimentada pelo sistema operativo Android que permite a personalização, níveis aprimorados de intuitividade e novas tecnologias e serviços incorporados da Google, como o Google Assistant, o Google Maps e a Google Play Store.

É também o primeiro Volvo a receber atualizações de software e sistema operativo via wireless, colocando a Volvo Cars na vanguarda dos serviços automóveis conectados. O XC40 Recharge P8 continuará a evoluir e a melhorar ao longo do tempo, em vez de estar no auge apenas quando sai da fábrica. Tem tração integral totalmente elétrica com uma autonomia superior a 400 km e potência de 408 cv, com uma bateria que carrega até 80% da sua capacidade em 40 minutos, com sistema de carregamento rápido. Com o objetivo de corresponder aos requisitos de segurança habituais na Volvo, a estrutura dianteira do XC40 Recharge P8 foi reprojetada e reforçada, devido à ausência de motor de combustão nesse espaço.

O XC40 Recharge P8 também é o primeiro modelo Volvo equipado com uma nova plataforma de sensores de Sistema Avançado de Assistência ao Condutor escalável que consiste numa série de radares, câmaras e sensores ultrassónicos. Esta plataforma permite o desenvolvimento e implantação de sistemas de segurança ativa no carro, como a deteção de outros condutores na estrada, travagem automática e prevenção de colisões.

O XC40 totalmente elétrico estará disponível exclusivamente online, como parte da nova estratégia comercial anunciada recentemente pela Volvo Cars e com preço a partir de 47 350 euros.

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder
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Volvo XC40 Recharge P8 AWD in Glacier Silver
Volvo Cars XC40 Recharge – details
Volvo XC40 Recharge P8 AWD in Glacier Silver
Volvo XC40 Recharge P8 AWD in Glacier Silver
Volvo XC40 Recharge 3D Unity template
Volvo XC40 Recharge P8 AWD in Glacier Silver
Fully electric Volvo XC40 introduces brand new infotainment system

Arquivado em:Artigos, Leading Brands

Prioridade número um: proteger e apoiar as vítimas da guerra

1 Abril, 2022 by Denise Calado

Escrevo este artigo no dia a seguir da histórica votação, que teve lugar na Assembleia Geral das Nações Unidas, e em que 141 dos 193 Estados-membros da Organização condenaram a ofensiva militar empreendida pela Federação Russa sobre a Ucrânia. A comunidade internacional repudiou, assim, pública e veementemente a invasão arquitetada pelo presidente Putin, exigindo um cessar-fogo imediato e a retirada efetiva das forças russas do território ucraniano. Com esta resolução foi também reafirmado o apoio total à soberania, independência política e à integridade territorial da Ucrânia, dentro das suas fronteiras reconhecidas internacionalmente.

Desde 1997 que a Assembleia Geral da ONU não realizava uma reunião de emergência desta natureza, e que foi convocada depois da Federação Russa ter utilizado o seu poder de veto no Conselho de Segurança, para chumbar esta mesma resolução, direito que lhe é conferido enquanto membro permanente daquele órgão da ONU.

A resolução contou de imediato com o apoio do Secretário–geral da Organização, António Guterres, que sublinhou a necessidade de acabar com as hostilidades, de silenciar as armas e de abrir as portas ao diálogo e à diplomacia de imediato. O líder da ONU expressou ainda a sua enorme preocupação com “as potenciais consequências para a paz e a segurança regional e mundial num mundo que tenta recuperar da COVID-19″.

A ofensiva militar da Federação Russa constitui uma violação grave da integridade territorial e da soberania da Ucrânia e tais medidas unilaterais são inconsistentes com os princípios da Carta das Nações Unidas, com a agravante de, segundo as autoridades russas, as forças nucleares do país terem sido postas em alerta máximo. A mera ideia de um conflito nuclear é simplesmente inconcebível. Nada pode justificar o uso de armas nucleares.

Depois de inúmeras tentativas de sentar as duas partes à mesa das negociações e de que o processo fosse feito com base na diplomacia e nos bons ofícios de intermediários internacionais, a Europa volta a ser cenário de guerra, o que não acontecia desde a década de 90 quando o conflito dos Balcãs destroçou sociedades inteiras e pôs famílias a combater em lados opostos.

Sabemos que em guerra os civis pagam sempre o preço mais alto. A atual escalada de violência, que está a resultar em mortes de civis, incluindo crianças, é totalmente inaceitável, devendo a proteção dos civis ser a prioridade número um. O direito internacional humanitário e de direitos humanos devem ser respeitados.

Uma semana depois do início do conflito que começou pela ocupação das províncias mais orientais da Ucrânia e que se estendeu, posteriormente, ao norte e ao sul do país, as necessidades humanitárias aumentaram de forma significativa. De tal forma que as Nações Unidas temem que esta possa ser a pior crise humanitária da Europa em décadas, com o número de refugiados e deslocados internos a multiplicar a cada minuto. Por um lado, prevê-se que a destruição de infraestruturas civis e a paralisação da economia ucraniana faça com que seis milhões de pessoas precisem de assistência imediata (alimentar, saúde, abrigo, etc.), por outro lado, em sete dias, mais de um milhão de pessoas cruzaram as fronteiras para fugir do conflito, na sua maioria mulheres, idosos e crianças, naquele que a ONU já considera como o maior êxodo deste século.

Neste contexto, as Nações Unidas implementaram de imediato uma grande operação humanitária coordenada entre as suas agências e parceiros. Graças à generosidade de governos, da sociedade civil e do setor privado, a ONU arrecadou 1,5 mil milhões de dólares para financiar a assistência tanto a residentes e a deslocados internamente, como a refugiados que abandonam a Ucrânia. A UNICEF, a Organização Internacional para as Migrações, a Agência da ONU para os Refugiados e o Programa Alimentar Mundial estão no terreno para garantir a melhor organização possível destes fluxos de refugiados e promover o acolhimento por parte dos países vizinhos, sendo que a Polónia é o país que mais pessoas tem recebido num enorme gesto de solidariedade. Também a Hungria, a Roménia e a Moldávia estão a acolher milhares de pessoas por dia. Importa ainda lembrar que os funcionários da ONU estão a trabalhar também no lado russo, sempre guiados pelos princípios humanitários de neutralidade, imparcialidade, humanidade e independência.

A situação de mais de 470 mil cidadãos estrangeiros que vivem na Ucrânia, muitos dos quais retidos e a experienciarem atos de discriminação, é também uma grande preocupação. Nunca é demais sublinhar que a solidariedade deve ser estendida sem qualquer discriminação baseada em raça, religião ou etnia. Todos os que fogem precisam de segurança e de proteção.

E como se uma guerra não bastasse ainda vivemos um período de pandemia mundial. A situação atual representa um fardo suplementar para o sistema de saúde ucraniano, já sobrecarregado antes da guerra, podendo resultar num aumento de casos de COVID-19 e contribuir para surtos de outras doenças. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os hospitais ucranianos estão a ficar sem oxigénio, pondo milhares de vidas em risco. A OMS está já a trabalhar com os seus parceiros para assegurar a entrega não só de oxigénio, mas também de medicamentos e de equipamento médico. É preciso ter presente que movimentos populacionais em massa poderão contribuir para o aumento da transmissão da COVID-19, aumentando a pressão sobre os sistemas de saúde nos países vizinhos. Para mitigar este impacto, a OMS irá garantir a vacinação aos refugiados que chegam não só contra a COVID-19, mas também contra a poliomielite, o sarampo e a rubéola para crianças refugiadas menores de seis anos.

A questão alimentar é outra fonte de grande preocupação para as Nações Unidas. Não apenas pela quantidade de pessoas que ficam agora expostas a uma situação de insegurança alimentar, mas também pelo enorme impacto que a produção de alimentos irá causar pela paralisação da economia ucraniana. A Ucrânia é uma fonte vital de cereais. Na verdade, o Programa Alimentar Mundial compra mais da metade do seu trigo ao país e a interrupção prolongada das colheitas provocará um grande aumento dos preços que irá, inevitavelmente, agravar a fome a nível mundial.

Finalmente, temos dedicado especial atenção ao flagelo da desinformação. Ambas as partes do conflito têm veiculado um grande volume de informação falsa, sobretudo através das redes sociais, contribuindo para a polarização e a manipulação da opinião pública tanto no ocidente como no leste da Europa. As Nações Unidas continuarão a acompanhar de perto a situação, combatendo a desinformação através de uma grande campanha de informação pública, bem como a assegurar a proteção dos jornalistas e dos profissionais dos media que todo os dias fazem chegar informação factual e relevante a nossas casas.

Esta guerra deve ser encarada como um problema de todos, cuja escalada poderá levar a um conflito regional de grandes dimensões, com impactos muito significativos na vida dos europeus. A dimensão humanitária e a solidariedade, que exigirá uma mobilização em massa de todos os agentes da sociedade, será fundamental para mitigar um sofrimento que as palavras não conseguem descrever e que só uma guerra sabe causar.

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder

Tenha acesso ao dossier Guerra na Ucrânia – Act now for peace aqui.
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Arquivado em:Artigos

O Presidente do Clube de CEO na Ucrânia acredita numa saída vitoriosa

1 Abril, 2022 by Denise Calado

Na Ucrânia há um Clube de CEO que há 10 anos faz esforços para unir os líderes em torno de objetivos comuns que tenham impacto nos seus negócios, no país e no Mundo. Os seus membros fazem parte das maiores empresas que operam no país, e o seu presidente e fundador Serhiy Haydaychuk, falou com a Líder num momento em que o desafio é vencer esta guerra e manter os negócios. A forma como se organizaram e estão a ajudar o Governo e os seus membros tem sido reveladora da força que têm no seu país que garantem que vai ficar mais forte e sairá vitorioso. Falar com Serhiy foi uma garantia de que os homens e os líderes revelam toda a sua força e união nos momentos de crise. Curiosamente, o título de um livro escrito por Serhiy é O Clube. A Arte de Unir.

Por: Catarina G. Barosa Fotos: DR

Como estão os CEO da Ucrânia a lidar com esta terrível situação que se vive no país?

Em primeiro lugar, quero esclarecer o público do que realmente está a acontecer na Ucrânia, porque entendo que a propaganda russa opera não apenas dentro da Rússia.

Em 24 de fevereiro, a Federação Russa, sem qualquer motivo ou aviso, lançou uma invasão em grande escala por mar, terra e ar no território da Ucrânia. Ataques aéreos e com mísseis foram realizados em várias cidades pacíficas. Ao mesmo tempo, a propaganda do Kremlin chama descaradamente a guerra russo-ucraniana de “operação especial” e afirma que ela atinge apenas alvos militares. Esta é uma mentira descarada do Kremlin, uma tentativa de lavar as mãos do sangue dos nossos civis. Acho que o Mundo inteiro já viu esses disparos terríveis nas nossas cidades, escolas, hospitais, creches e prédios residenciais destruídos. Putin declarou literalmente toda a nação ucraniana “nazi”, enquanto o seu exército comete diariamente crimes de guerra numa escala que a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial.

Quanto aos membros do CEO Club, encontraram-se todos numa terrível situação de guerra. A guerra é sempre assustadora. Cada um de nós é responsável não apenas pela sua própria vida e da sua família, mas também pelos seus funcionários, negócios e pelo seu país. Nos primeiros dias, o foco principal foi a evacuação de famílias e funcionários dos pontos mais quentes, unindo os esforços de todos os membros do CEO Club em torno do trabalho ativo para apoiar as forças armadas da Ucrânia, hospitais militares e ajuda humanitária e, com a ajuda de parceiros e amigos internacionais, compartilhar a verdade sobre o que está a acontecer com a comunidade internacional, incluindo que tipo de ajuda precisamos e que influência os negócios internacionais podem ter na situação atual. Alguns dos membros do nosso clube foram ainda mais longe e juntaram-se às Forças Armadas da Ucrânia ou às Forças de Defesa Territoriais.

Como se apoiaram mutuamente?

É preciso entender que o CEO Club não é apenas uma plataforma para networking, mas uma comunidade poderosa baseada em confiança, respeito e assistência mútua. Ao longo de 10 anos de existência, passámos por muitas crises juntos – tanto financeiras quanto pessoais. Em 2013, durante a Revolução da Dignidade, o CEO Club participou nos protestos contra o regime criminoso de Yanukovych e, em 2020, quando ocorreu a Pandemia, fizemos esforços significativos para apoiar o sistema médico da Ucrânia. É claro que a guerra aumentou a crise, a insegurança várias dezenas de vezes, mas isso refletiu-se na nossa coesão. Estamos unidos, somos fortes, ajudamo-nos uns aos outros, ajudamos o nosso país, e graças a isso vamos vencer.

Quais as iniciativas do seu clube para ajudar na atual situação?

Desde o início da guerra, começámos a reunir os nossos recursos para cobrir as necessidades mais urgentes dos nossos soldados, hospitais militares e também necessidades humanitárias. Neste momento, sistematizámos todo o trabalho, o clube tem várias equipas de liderança separadas que estão focadas em diferentes áreas, como captação de recursos e finanças, compra de tudo o que é necessário para o exército e a população civil, incluindo hospitais, logística, marketing, defesa cibernética, etc. Nesta situação de crise, em estado de completo caos, a vasta experiência, a expertise na gestão de crise dos membros do CEO Club tornou-se decisiva. Tudo isso ajudou a estabelecer todos os processos de forma eficaz e alcançar os resultados necessários em apenas alguns dias.

Lançámos uma campanha internacional de angariação de fundos que arrecadou 5,5 milhões de dólares. Muitas pessoas pensam que ao ajudar o exército financiamos a compra de armas, mas não é assim. Ajudando o exército, nós, antes de tudo, queremos salvar a vida dos nossos soldados, por isso concentramos os nossos esforços na compra de munições e de proteção. Contudo, não é fácil, os nossos voluntários estão a procurar esses bens em todo o Mundo, estamos a competir com os nossos próprios compatriotas. Começámos a construir um diálogo sistemático com o Estado, fundações e voluntários, para não interferirmos uns com os outros, mas sim multiplicarmos os nossos esforços. Então, já estamos a trabalhar diretamente com vários ministérios importantes e com a Come Back Alive Foundation. Toda a Ucrânia se levantou para defender a nossa liberdade, a nossa independência e o nosso futuro.

As empresas na Ucrânia estão a conseguir manter as suas atividades?

Agora que os “fogos foram extintos”, estamos a concentrar os nossos esforços em medidas estratégicas para construir uma retaguarda confiável, não apenas voluntária, mas também económica. Portanto, as empresas estão ativamente a afastar a sua produção da linha de frente e a procurar novas oportunidades em mercados estrangeiros. O Governo e o Presidente Zelensky também nos deram uma mensagem clara – para iniciar negócios e, assim, ajudar o país economicamente. É isso que estamos a fazer agora. No dia 13 de março, 79% dos empreendedores pesquisados pararam total ou parcialmente os seus negócios. Mas acho que em algumas semanas veremos uma dinâmica positiva. O negócio começará a recuperar, iniciará os processos necessários e cada dia a nossa vitória estará mais próxima.

O Presidente Zelensky tem o apoio de empresários e CEO?

Agora deixámos de lado os conflitos internos e estamos todos a trabalhar para um objetivo importante – a nossa vitória. Qualquer Governo é criticado, se não for, então tudo ao redor é engolido pela corrupção e pela censura. Nós não somos a Rússia. Somos um país livre e honesto, onde floresce o capitalismo e a liberdade de expressão, onde podemos expressar abertamente a nossa opinião às autoridades e não ter medo de punição por isso. Quando surge um problema a nível local, por exemplo, e algumas das autoridades locais começam a abusar do poder, não nos calamos. Podemos registar queixas, identificar funcionários do Governo nas redes sociais, distribuí-los por toda a comunidade e acredite, nunca aconteceu não recebermos uma resposta das estruturas governamentais. O nosso Presidente, funcionários e deputados não estão escondidos num bunker, eles vão dialogar. Essa transparência e flexibilidade permite-nos resolver problemas de forma eficaz e, mesmo agora, quando o nosso Governo está a trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, eles dedicam tempo para ouvir as empresas e aceitar as nossas propostas. Não duvidamos das ações do Governo e do Presidente, apoiamo-lo e transferimos toda a nossa expertise disponível para esse apoio.

Quais as histórias desta terrível situação que são mais marcantes para si?

Infelizmente, cada um de nós já tem algumas histórias terríveis que ficarão connosco, como o bloqueio de Mariupol, execuções de corredores humanitários, um ataque a uma maternidade ou a um teatro em Mariupol, onde havia quase mil pessoas abrigadas. Mas a principal lição que teremos de retirar desta guerra não é o medo, mas as histórias do sucesso coletivo de todos os ucranianos que ficarão na história mundial. A Ucrânia já aprendeu uma lição com esta guerra, pela qual pagamos um preço terrível. Todo o Mundo civilizado também deve aprender a sua lição – não se pode alimentar um ditador. A história continua a mostrar-nos isto sucessivamente.

Para onde esta guerra levará o país?

A Ucrânia está agora a passar por um importante teste de coragem, força e vontade. Podemos dizer que já passámos por isso, pagando e continuando a pagar um preço muito amargo. Mas ninguém tem dúvidas de que, apesar de todos os problemas atuais e futuros, o nosso país terá um grande desenvolvimento. Estamos a lutar não apenas pela nossa terra, mas também pela existência da instituição: liberdade e democracia, e vemos que os nossos aliados ocidentais nos apoiam e somos gratos por isso. A Ucrânia é um país incrível, com grandes oportunidades. Os próximos anos serão desafiadores para nós e maravilhosos para o nosso país ao mesmo tempo.

Que tipo de ajuda outros países ou mesmo outros CEO podem disponibilizar-vos?

Durante as três semanas da guerra, o Governo e as empresas ucranianas fizeram todos os esforços para, em primeiro lugar, criar canais eficazes e eficientes com parceiros para a entrega de ajuda humanitária de outros países e, em segundo lugar, aumentar a pressão sobre as empresas internacionais que continuavam a fazer negócios na Rússia. A alavancagem económica da pressão sobre as importações de que a Rússia depende tem grande importância para parar esta guerra sangrenta. Agora, uma importante área de trabalho será a abertura de novos mercados e, portanto, a prontidão dos nossos parceiros para aceitar bens e serviços de empresas ucranianas que possam continuar a trabalhar.

Além da assistência económica, o suporte de informação da comunidade mundial é muito importante para nós.

A máquina de propaganda russa é uma fera enorme e gananciosa que Putin nutriu durante 20 anos. Recentemente, todos discutiram o incidente com uma produtora no primeiro canal de TV russa. É claro para nós que esta é uma ação encenada. Não há transmissões ao vivo na Rússia, ninguém daria a oportunidade de transmitir ao vivo no principal canal federal com slogans anti-guerra. Na Rússia, as pessoas que se manifestam individualmente com uma folha de papel em branco são levadas pela polícia, são colocadas na prisão. Quando a pessoa paga uma multa, dá uma entrevista pública, é óbvio que é uma produção para todo o Mundo para justificar os russos e desviar a atenção da catástrofe na Ucrânia.

A propaganda é astuta e multifacetada, é muito importante que os nossos parceiros ocidentais verifiquem e filtrem cuidadosamente todas as informações provenientes do país agressor. Quero acrescentar que os jornalistas ucranianos e internacionais que estão a trabalhar agora nas cidades ucranianas transformadas em autênticos infernos por Putin, são os verdadeiros heróis.

Como conseguiu manter seus membros motivados?

Não precisamos motivar ninguém. Todos estão bem cientes do que está em jogo. Putin não quer “desnazificar” ou “desmilitarizar” a Ucrânia, ele quer destruir-nos como nação e já falhou nisso. Estamos unidos como nunca, a nossa motivação para proteger e fazer do nosso país um lugar melhor cresce a cada dia. Há períodos em que todos são dominados pela ansiedade e pelo medo – isso é bastante natural. Todos nos apoiamos, mantemos contacto e já retomámos as reuniões diárias do clube com diversos especialistas e convidados, voltando à nossa rotina online. Já realizámos reuniões com psicólogos e filósofos. No nosso clube, metade dos membros, inclusive eu, começou a praticar a filosofia do estoicismo nos últimos dois anos. Agora, mais do que nunca, precisamos manter a cabeça fria para tomar decisões importantes e eficazes todos os dias.

Como se protege e garante a sua segurança neste momento?

No momento, não existe lugar na Ucrânia onde se possa ter segurança garantida. Repito mais uma vez, o exército de Putin está a disparar mísseis e a fazer ataques aéreos maciços em cidades pacíficas, usando armas proibidas por convenções internacionais e para alcançar as nossas cidades ocidentais está a usar a infraestrutura militar da Bielorrússia.

A capacidade de trabalhar remotamente ajudou em alguma atividade? Se sim, quais?

Há muitas dependências aqui. Muitos membros do clube ficaram em Kiev, Dnieper, Poltava e Odessa. Alguns deles estão prontos para transferir os seus negócios para as regiões ocidentais da Ucrânia. Mas ainda há muitas complexidades. Além de um local seguro para trabalhar, é preciso considerar em que mercado uma determinada empresa atua, qual o bem que ela produz e a sua relevância hoje em dia, além da logística e entregas de produtos. Por outro lado, muitos homens estão agora a defender o nosso país, então também estamos a passar por uma crise de pessoal.

Como gostaria que tudo isto terminasse? Acha que a Ucrânia terá de chegar a um compromisso? Qual?

Apoiamos o nosso Governo, o Presidente e os representantes do grupo negociador nas suas decisões. A Ucrânia quer a devolução de todos os territórios anteriormente ocupados, a retirada total das tropas, reparações pelos danos causados e garantias de segurança dos parceiros internacionais com um mecanismo de segurança eficaz.

Acha que a Ucrânia estaria preparada para ser admitida na UE?

Se se refere à escolha do nosso povo, nós fizemo-lo em 2013, pagando por isso com sangue durante a Revolução da Dignidade. Depois disso, apesar da guerra no Donbas, da ocupação da península da Crimeia, o nosso país não saiu do rumo democrático, as autoridades realizaram uma série de reformas e implementaram parte das exigências da Comissão Europeia na nossa legislação. Estávamos a seguir o rumo escolhido e não vamos mudá- -lo. Hoje, nas cidades temporariamente ocupadas do sul do país, as pessoas saem todos os dias para comícios pacíficos, protestando contra os crimes da Rússia na nossa terra e confirmando a escolha europeia da Ucrânia – estamos a defender a liberdade, os valores democráticos e a independência da nossa escolha.

Concorda que a Ucrânia deveria ser membro da NATO ou isso nunca seria aceite pela Rússia?

O desejo da Ucrânia de aderir à NATO não é uma decisão de uma pessoa ou mesmo de um Governo. Este é o rumo estratégico da Ucrânia, que segue desde 2004, desde a Revolução Laranja, e que foi consagrado a nível legislativo em 2019.

Há muitas discussões agora sobre se devemos adotar um status de não-bloco para salvar a vida de nossos cidadãos e parar esta terrível guerra. Ao mesmo tempo, toda a elite política entende, e di-lo abertamente, que precisamos de garantias de segurança dos nossos aliados e, ao contrário do Memorando de Budapeste, esse deverá ser um mecanismo de defesa eficaz.

Como se descreve enquanto líder?

Agora todos os ucranianos mostram as suas melhores qualidades, tornando-se um líder no campo de batalha, no parlamento, nas negociações com parceiros internacionais, nos quartéis-generais de voluntários, em hospitais e abrigos. Isso acontece porque acreditamos na nossa vitória, independência e liberdade. Quero ser um líder digno de estar entre uma nação tão incrível de ucranianos.

 

Sobre o CEO Club Ukraine

É um clube intelectual privado que nos últimos 10 anos une líderes empresariais para desenvolvimento, comunicação e cooperação. A missão do clube é reunir líderes empresariais para o seu crescimento pessoal e o efeito positivo no Mundo. Os sócios do clube são 230 CEO e donos de empresas de média e grande dimensão, que se realizaram como gestores e buscam o crescimento nas demais áreas da vida. Entre os membros do clube estão executivos da CISCO, EY, Baker&Mckenzie, BakerTilly, DB Schenker, Johnson & Johnson, SEB Bank, Origin Holdings Ukraine, Ajax Systems, MacPaw, Raiffeisen Bank Aval, Hörmann UA.

Serhiy Haydaychuk é o fundador e presidente do CEO Club Ukraine, um clube intelectual para proprietários e CEO de grandes e médias empresas.

Cofundador e membro do conselho do Young Business Club, uma comunidade internacional para jovens empreendedores com mais de 1300 membros com escritórios em Londres, Nova York, Dubai, Miami e outras cidades.

Membro do Conselho Nacional de Reformas, um órgão consultivo especial do Presidente da Ucrânia sobre planeamento estratégico, política estatal de reformas e sua implementação. Iniciou o Presidents Event, que é o encontro internacional anual de fundadores e presidentes de clubes de negócios mundiais. É cofundador do Editors Club juntamente com Ukrayinska Pravda. É um clube de discussão intelectual destinado a apoiar o jornalismo independente. Participante e iniciador de diversos projetos sociais, incluindo Generation +, o programa para adolescentes de classes vulneráveis, projeto de educação ambiental Greening of Ukraine e apoio à publicação de livros em ucraniano.

Serhiy Haydaychuk também é autor do livro O Clube. A Arte de Unir, no qual descreve a sua experiência de criar uma comunidade de sucesso na Ucrânia.

 

Esta entrevista foi publicada na edição de primavera da revista Líder

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Arquivado em:Entrevistas, Leadership

O que se pede ao Estado é que “saia da frente”, afirmou António Saraiva, Presidente da CIP

1 Abril, 2022 by Denise Calado

Esta semana o grupo de conselheiros da Leadership Summit Portugal (veja aqui quem são) reuniu-se num pequeno-almoço na sede do World Trade Center, em Miraflores, Oeiras, a convite do seu CEO em Portugal, Luciano Menezes. Este novo centro empresarial, com inauguração prevista para dia 7 de junho, foi palco de uma conversa entre os CEO presentes, sobre a atual situação económica do País e do Mundo, resultado da guerra que se vive na Ucrânia.  A ideia de um grande centro mundial de comércio foi desenvolvida acreditando que existindo interesses comerciais comuns não haveria guerra, pelo menos era essa a convicção dos seus fundadores a família Rockfeller.

E foi neste encontro no Wold Trade Center português que António Saraiva, Presidente da CIP (Confederação Empresarial Portuguesa) e também conselheiro estratégico da cimeira de liderança, discursou mostrando-se estupefacto pelo facto de as lideranças atuais, ao longo de todos estes anos se terem permitido cair nesta situação de dependência energética: “Percebemos que, a maior parte dos países, nomeadamente os do norte da Europa, dependem muito do gás russo, a própria Alemanha, 50% do gás que consome é russo, e estava a pôr a cabeça ainda mais no cerco, com a construção do que se chamou Nord Stream 2, ficando ainda mais dependente da Rússia”. António Saraiva refere ainda que “há países, como a Finlândia e outros, que estão 90% dependentes do gás russo. E a grande questão é: como é que uma União Europeia, neste jogo de competitividade nas nações, gera estas dependências?”.

Para além desta dependência energética, o Presidente da CIP acrescenta: “Veio a escassez das matérias-primas, quer as industriais (os metais), quer as agrícolas, pois chegam-nos muito daquela região. Por isso, estamos hoje num tempo de enorme escassez de matérias-primas, que levarão, a prazo, a alguns racionamentos, que ainda não temos, mas, sem querer ser pessimista, e se nada se alterar ou se as alternativas que estão a ser criadas não forem rápidas, teremos aqui algumas dificuldades acrescidas nas matérias-primas que utilizamos”.

Depois de identificar estas ameaças que resultam da dependência energética e da escassez das matérias-primas, aponta o dedo à União Europeia que diz ter “crescido em território, mas diminuído em Política. E isto deixa-nos de alguma maneira angustiados por vivermos com todas estas transições em que o Mundo se encontra, com estes desafios, com estes efeitos disruptivos, com as ameaças crescentes que a transição climática nos vai trazer (com todos os fenómenos naturais que estamos a assistir).”

Outro aspeto que António Saraiva refere está relacionado com a transição digital em Portugal: “Já vínhamos falando da indústria 4.0, das alterações das empresas em todos os seus procedimentos, em todos os seus processos, mas também das enormes dependências destas poderosas ferramentas porque, quando vemos uma Vodafone a sofrer o ataque cibernético que sofreu, a SIC, o laboratório Germano de Sousa, o do Ministério dos Negócios Estrangeiros, entre outros, sentimo-nos pequeninos e muito expostos a estas alterações, a estas dependências, a estes perigos vindouros”.

Não obstante todo este quadro de perigos e ameaças, o discurso do Presidente da CIP é de esperança e de confiança no tecido empresarial português: “As empresas portuguesas têm demonstrado uma resiliência, uma capacidade de adaptação, de transformação, que apesar da nossa dimensão, apesar da situação das matérias-primas que vos referi, a maior parte delas, micro e pequenas empresas, têm capacidade de transformação, de acreditar no futuro. De facto, é notável, apesar da crise pandémica que ainda estamos a enfrentar, os baixos números do desemprego que registamos e que a todos surpreende. Também a necessidade de mão-de-obra, quer qualificada, quer indiferenciada, que a Economia portuguesa necessita é desafiadora. Anteriormente, os empresários sinalizavam a política fiscal, as leis laborais como aspetos a melhorar, agora, a primeira necessidade que me referenciam é a da falta mão-de-obra. Falta de mão de-obra qualificada, mesmo até indiferenciada. Depois de uma pandemia, depois do desaparecimento de algumas tipologias empresariais, mesmo assim em Portugal, a carência que apresenta é a falta de mão-de-obra. É notável como é que as empresas portuguesas, nestes quadros e com estas dificuldades, se transformam, se transfiguram e dão a volta”.

Apesar desta visão encorajadora, a mensagem de António Saraiva para o País é clara: “Portugal tem de ganhar a batalha da qualificação e da requalificação dos nossos recursos humanos. Falamos muito no PRR, os 16 mil milhões, números redondos, mas aprovámos recentemente o quadro financeiro plurianual, o chamado PT2030, que trará mais 30 milhões de euros, a somar ao PT2020, que ainda tem oito mil milhões por utilizar. Estes 62 mil milhões de euros devem ser aproveitados pela Economia portuguesa, por todos nós, Governo e empresários, para a especialização, para a transformação da nossa Economia. Teremos quase sete mil milhões de euros/ano, o dobro do que tínhamos; se nunca utilizámos os três milhões anteriores, como é que vamos ser capazes de numa janela temporal muito curta, até 2030, utilizarmos sete? Esse é o grande desafio”.

A resposta não se fez esperar e, segundo António Saraiva, “a esse desafio as empresas portuguesas responderam ‘presente’; o Governo esperava 10, 12 projetos e foram apresentados 147 e foram aprovados 64. Lamentavelmente, na execução do PRR, a esmagadora maioria da aplicação do pacote, está mais para a parte pública, e menos para a parte privada; e é com as empresas que se cria riqueza, é com as empresas que se cria emprego. É bom que o Estado português, através do seu Governo – e este tem acrescidas responsabilidades pela obtenção da maioria absoluta – faça diferente, desejavelmente para melhor”.

Para Portugal e o seu Governo fazerem melhor, o Presidente da CIP aponta desde logo três reformas prioritárias: “Reforma da Administração Pública, reforma da Justiça e reforma fiscal, são reformas que cabe ao governo executar, para que nós, empresários, tenhamos uma envolvente económica diferente. E quando falo da reforma da Administração Pública, vêm logo os detratores, por exemplo os sindicatos, dizer que estamos a falar da redução dos postos de trabalho, do desemprego da Administração Pública. Nós temos qualquer coisa como 800 mil funcionários públicos. Seguramente, nalguns departamentos estarão mais do que necessitamos. Noutros estarão menos. Por isso, numa primeira medida, que se faça uma compensação: onde estão mais, que se compense com os que estão menos”. Além da reforma na Administração Pública, a morosidade da Justiça, a carga fiscal, a digitalização da própria Justiça, foram aspetos identificados como prioritários para uma reforma do Estado.

Nesta relação com o Estado que o mundo empresarial precisa de ver facilitada o que o Presidente diz para concluir é: “Aquilo que se pede ao Estado não são apoios desta ou daquela natureza, não é que nos dê subsídios desta ou daquela natureza. É, numa palavra, ou em duas palavras, “saia da frente”. Deixe-nos fazer aquilo que nós temos feito bem. Com a qualidade dos empresários que temos, com a qualidade dos colaboradores que temos, vamos seguramente aproveitar para, com estes fundos, desenvolver, e estaremos ainda mais bem preparados para, no futuro, com a nova geração que temos, com esta cultura empresarial que vamos tendo, e se o Estado sair da frente, construirmos um Portugal melhor”, conlcui.

Tenha acesso à galeria do evento aqui.

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