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Denise Calado

Coaching: novo modelo de intervenção para organizações

7 Março, 2022 by Denise Calado

Um programa integrado de coaching para as organizações, desenhado por etapas que incluem a análise inicial da situação e uma abordagem customizada, é a nova solução apresentada pela Coaching-pt, marca nacional de serviços de coaching.

As áreas temáticas correspondem às questões prementes nas organizações como a melhoria da comunicação e da performance e gestão de recursos, do tempo e do cliente, bem como integra líderes, equipas e grupos, em momentos de aprendizagem dinâmica.

O coaching é uma das ferramentas de gestão empresarial e de pessoas com maior impacto no negócio e que apresenta melhores resultados de participação e retenção de talento nas organizações ao apoiar-se em técnicas estudadas de conversação que melhoram o entendimento e a abertura para a mudança. Assente numa parceria rigorosa e ética que se estabelece entre o cliente e o coach, com o objetivo de fazer avançar, o coaching é um processo de reflexão e de criatividade que incentiva as organizações a maximizar o potencial das suas equipas.

“Esta abordagem integrada sendo mais abrangente, permite responder de forma mais adequada aos desafios atuais do mundo empresarial. A coaching-pt apoia os líderes empresariais e as suas equipas a desenvolverem o seu nível de escuta ativa, a regular conflitos, gerir tempo, equipas e o teletrabalho, bem como a participar numa conversa com propóstio, gerir a mudança, obter resultados, entre outros”, esclarece Maria João Martins, Coach executiva da equipa de profissionais da coaching-pt.

O programa integrado insere-se na estratégia da coaching-pt de levar o coaching a cada vez mais organizações. O seu posicionamento expresso no lema “existimos para fazer avançar” está presente também no novo website.

Arquivado em:Líder Corner

Quando pensar demais se torna um problema

7 Março, 2022 by Denise Calado

Já deu por si a não conseguir parar de pensar? Alguma preocupação constante com o trabalho, com uma situação passada ou medo do futuro?

Não é o único. Pensar demasiado é uma situação cada vez mais habitual para muitas pessoas. Estudos recentes mostram que mais de metade dos adultos entre os 25 e 50 anos pensa excessivamente.

Não estamos a falar de refletir sobre um assunto para poder tomar uma decisão de forma consciente e responsável. Estamos a falar de pensamentos persistentes, que lhe bloqueiam a mente e lhe causam angústia. Neste caso pensar demais torna-se um problema.

Há uma relação direta entre os nossos pensamentos, emoções e a saúde física. Tudo está intimamente interligado. Quando são negativos, os pensamentos convertem-se em emoções negativas, que se convertem em somatizações que nos adoecem.

O que fazer para desintoxicar a mente?

  • Cuide daquilo que deixa entrar na sua mente. Tem consciência do tipo de informação que consome? Será tóxica ou abre caminhos? Quanto tempo passa no Instagram ou no Facebook? E quem são as pessoas que segue? As que causam inveja e mostram as suas vidas fantásticas ou as que inspiram e são verdadeiras? E que tipo de música gosta de ouvir, que podcasts, séries e livros? Escolha criteriosamente a informação que faz parte do seu quotidiano. Ela vai influenciá-lo, nem que seja de uma forma inconsciente. O melhor barómetro é ver como se sente após navegar nas redes sociais, ou ouvir uma música arrebatadora.
  • Distancie-se do problema. Hoje pode parecer uma grande questão, mas já pensou se daqui a uma semana, um mês ou um ano ainda pensará no assunto?

Ao distanciar-se da situação, a sua perspetiva muda e permite que tenha maior clareza mental e menor necessidade de congeminar no assunto.

  • Pratique a atenção plena, ou mindfulness. Habitue-se a tomar consciência dos pensamentos e aceitá-los sem julgamento. Quando ocorre um pensamento negativo, experimente dizer “olá pensamento, estou a ouvir-te, adeus pensamento, agora podes ir embora”. Parece estranho, mas a verdade é que o cérebro precisa deste diálogo interno. Sabemos que pensamentos não são factos. Não negamos nem tentamos eliminar um pensamento, reconhecemo-lo e deixamo-lo ir.

Quanto mais nos habituarmos a estar no momento presente, mais clara fica a nossa mente. Treinar estar no aqui e no agora, várias vezes ao dia, e levando a atenção para os sentidos, para o que sente, o que vê, os sons à sua volta, os cheiros e as texturas. Ao fazê-lo vai retirando a atenção do cérebro e consegue o tão desejado descanso mental.

  • Faça uma lista com tudo o que o está a preocupar neste momento, sem reservas. Ao escrever, vai tomar consciência dos seus pensamentos ao mesmo tempo que os organiza.

O exercício de escrever, conhecido como journaling, é uma estratégia de retirar os problemas da sua mente e passa-los para o papel. Ao transferir as suas preocupações para o papel, liberta espaço mental.

Observe a sua lista e assinale quais são os assuntos que pode controlar, isto é, que pode fazer alguma em concreto para melhorar a situação.

As questões que estão fora do seu controlo são apenas para as deixar no papel, pois não vale a pena perder tempo com aquilo que não pode mudar.

Foque-se naquilo que pode alterar e escreva pequenos passos que pode tomar para se sentir mais calmo e confiante. Invista naquilo que lhe dá retorno.

  • Passe da cabeça para o corpo – Sabia que a tensão mental se acumula nalgumas zonas específicas do corpo, como na cabeça, nuca, pescoço, ombros e costas? Mover o corpo vai permitir libertar-se de toda a tensão acumulada. O exercício físico ajuda a fluir o sangue. A energia move-se para onde a atenção se dirige.

Quando está numa aula de ginástica tem que estar completamente focado no corpo e nos exercícios, e nessa altura a sua mente pode relaxar.

Em aulas de grupo ou feito de forma individual, alongamentos, yoga, pilates e caminhadas na natureza são excelentes formas de cuidar da higiene mental.

Antes de saber o que devemos fazer para parar de pensar demasiado é importante conhecer as suas razões para estar sempre a pensar. Podem ser várias as causas, mas todas elas são estratégias aprendidas e não características inatas. Isto quer dizer, que em determinado momento da nossa vida, decidimos pensar muito num assunto para sobreviver a uma situação ameaçadora.

Algumas pessoas julgam que controlam melhor as situações se poderem antecipar todos os cenários. Isto revela acima de tudo uma enorme necessidade de controlo. Os perfecionistas consideram que se estiverem constantemente a pensar porque erraram, da próxima vez vão fazer melhor. Os ansiosos, por seu lado, são os que têm mais pensamentos negativos, e têm muita dificuldade em relaxar, que é o antidoto para o stresse. Para os inquietos há sempre qualquer coisa que vai correr mal, e não acreditam que, na altura certa, terão a capacidade de lidar com a situação e ultrapassar as dificuldades. Os indecisos têm dificuldade em tomar resoluções. Avaliam minuciosamente os prós e os contras das suas opções, e como não há certezas, apenas caminhos, vivem na angústia de tomarem a decisão errada.

Identifica-se com alguma destas personagens?

Agora que estamos familiarizados com o conceito pensar demais, ou overthinking, e as suas causas, vamos treinar a nossa mente para encontrar a paz e a clareza neste mundo acelerado.

Dizem que a vida é feita de escolhas, e os pensamentos também se incluem nas nossas escolhas. Eu escolho criar os meus. E você? Vai ser vítima ou autor dos seus pensamentos?

Isto de tratar da saúde mental dá trabalho!

 

Por Filipa Saldanha, Psicoterapeuta, Especialista em gestão de stresse e ansiedade

Arquivado em:Opinião

Três razões para a Economia Circular na base da transição energética

7 Março, 2022 by Denise Calado

Assumir o compromisso de atingir as zero emissões até 2050 é de grande responsabilidade, e exige ações rápidas que suportem a transição energética. A Economia Circular (EC) tem um papel fundamental, garantindo o máximo proveito de materiais, projetando-os para serem reciclados de volta à sociedade, evitando desperdícios. O World Economic Forum (WEF) enumerou três razões pelas quais a EC é tão importante para a transição.

Em primeiro, a transição para energias renováveis, como o caso do solar, eólica, geotérmica, e outras que sejam suportadas por baterias, necessitam de cobalto, lítio e outros minerais para criar essas tecnologias.

No entanto, o aumento da procura destes minerais, necessário para alavancar a transição é, por si, insustentável. Segundo a Agência Internacional de Energia, chegar às emissões zero até 2040 implicará um aumento de seis vezes na entrada de minerais, sendo que a procura pelo lítio poderá aumentar mais de 40 vezes.

A extração destes minerais e metais é, também por si, altamente poluente. Introduzir a EC pode reduzir a dependência da mineralização e garantir o uso a longo prazo destes materiais, através da reciclagem de smartphones, discos rígidos, laptops e outros dispositivos eletrónicos.

Em segundo ponto, apostar em materiais circulares de baixo carbono será crucial. O alumínio reciclado emite até 95% menos dióxido de carbono do que o oriundo de fontes virgens. Note-se que um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente revelou que as emissões geradas pela produção de materiais, a nível global, dobrou nos últimos 20 anos, sendo que representava, em 1995, cinco mil milhões de toneladas. Em 2015 chegava aos 11 mil milhões.

Por último, criar uma transição energética para a sustentabilidade significa também incorporar e EC na fase de projeto. A Agência Internacional para as Energias Renováveis avançou que, no início de 2030, a primeira geração de energia solar irá ficar obsoleta, sendo que em 2050, prevê que se possa desmantelar 78 milhões de toneladas de painéis por ano.

É importante começar a pensar como se pode projetar estes produtos de forma a terem uma vida útil mais longa, serem mais fáceis de desmontar e reciclar, e, por conseguinte, criar sistemas para tratar dos resíduos. Já existem empresas em ação, como é caso a Siemens Gamesa, que anunciou a primeira turbina eólica do mundo totalmente reciclável.

 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

A “Pandemia silenciosa” da falta de saúde mental nas empresas

7 Março, 2022 by Denise Calado

“Se não nos precavermos e não fizermos uma gestão da saúde relacionada com o trabalho, não vamos estar preparados para a próxima Pandemia, e a próxima Pandemia pode estar relacionada com a saúde mental”. O apelo é lançado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), na voz de Ana Paula Rosa, Gestora de programas da OIT, na talk  “Saúde mental e bem-estar no trabalho”, durante o encontro do grupo Leading People, parte do projeto Leadership Summit Portugal, na “Casa da Praia” da Agência White (WYgroup).

E ainda acrescenta que “os fatores de risco psicossocial, as questões relacionadas com segurança e saúde no trabalho, saúde ocupacional e estratégias de promoção de saúde têm de entrar para a cultura das empresas e ser integradas nos diferentes sistemas de gestão”.

Em dados avançados pela OIT, estima-se que a depressão seja a segunda causa de incapacidade mais comum no mundo desenvolvido. Os distúrbios mentais são uma das três principais causas de absentismo do trabalho e de reformas antecipadas. E pela consequente diminuição da produtividade, o PIB na zona Euro cai entre 3 a 4%.

Há uma convicção partilhada entre a OIT e a OMS de que alguns transtornos de ordem mental estão associadas com questões do trabalho e têm de ser reconhecidos como tal. Prova disso, é que a partir de janeiro de 2022 entrou em vigor uma nova classificação da OMS que muda a categorização dada à síndrome de burnout. Hoje é reconhecido que “essa situação tem um conjunto de causas inerentes e manifestações, e que é um distúrbio emocional resultante de uma rotina de trabalho desgastante que se vem tornando cada vez mais frequente no ambiente corporativo.”

Sobre a questão da falta de saúde mental, e nas evidências e números que baseiam as convicções e o trabalho da OIT, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS), é necessário desconstruir o seu paradigma “como se fosse uma coisa dissociada da saúde, como um todo, quando não o é”. A saúde tem de ser vista como um todo integral, na sua dimensão física, mental, psicológica e social.

E ainda subsiste um problema, que é o estigma associado à doença mental. Esta é “uma pandemia silenciosa, oculta até há pouco tempo”, conforme refere Ana Paula Rosa. “A estigmatização social representa um obstáculo muito grande, não apenas na identificação dos problemas, mas na forma como se lida com eles, nomeadamente no contexto laboral”, afirma. Obstáculos esses na colocação e acesso ao emprego e oportunidades de formação profissional, bem como no entendimento dentro da organização e nos grupos onde a pessoa se relaciona, relativamente à sua capacidade para o trabalho.

Um dos conceitos centrais na abordagem às questões da saúde mental está nos riscos psicossociais que estão presentes em todos os contextos e formas de trabalho. Conforme refere a Gestora de programas, “os números gritantes do absentismo crescente, provocado pelos transtornos e doenças mentais, é de tal ordem significativo e visível, que a OIT justifica uma abordagem relacionada com os riscos psicossociais.”

Estes são riscos que têm a ver com a interação que se estabelece entre ambiente e conteúdo de trabalho, forma de trabalhar, expectativas e competências, e até o contexto cultural e familiar. Nesse aspeto, é feito o importante alerta de que “aquilo que as pessoas levam para o trabalho fica no trabalho e o que as pessoas desenvolvem no trabalho levam para a família”. A OIT considera que os riscos psicossociais, tais como fraca comunicação e baixos níveis de participação, falta de oportunidades de desenvolvimento de competências, carga excessiva de trabalho, violência física e psicológica, assédio entre outros preditores associados ao stress, ansiedade e depressão, têm um peso determinante na saúde e bem-estar nos trabalhadores. É por isso que devem ser equacionados caso a caso, pelas empresas e organizações, e não considerados como uma questão de auto gestão da saúde.

Ana Paula Rosa identifica as áreas prioritárias em que as empresas devem intervir, tais como carga, ritmo e horário de trabalho, a violência e assédio, conciliação entre vida pessoal e profissional e a segurança no emprego. Também é exigida uma visão e abordagem abrangente, tendo em conta a saúde global, em que para além da identificação dos fatores de risco psicossociais, é importante  priorizar a sua prevenção,  com a vigilância adequada e proteção da saúde dos trabalhadores.

. As empresas são por isso chamadas a escolher estratégias que estejam ao alcance e adaptadas às características dos trabalhadores e da própria organização. Alguns exemplos, passam por o “direito a desligar”, maior comunicação, liderança e suporte, políticas públicas e diálogo social.

Acerca do papel dos empregadores, Ana Paula Rosa, conclui afirmando que “hoje as empresas são chamadas a ter outros papéis que não tinham anteriormente, a pensar no impacto das suas atividades e concorrer para estarem um pouco à frente daquilo que é previsto e solicitado pela lei”.

Tenha acesso à galeria do evento aqui.

Por Rita Saldanha

Arquivado em:Artigos, Leading People

Como se constrói (e mantém) um líder destrutivo… e o que podemos fazer sobre isso?

7 Março, 2022 by Denise Calado

A trágica guerra bélica que se abate sobre a Ucrânia deve merecer o nosso repúdio e indignação sem qualquer hesitação. Os seres humanos devem procurar outras formas de resolver os seus diferendos e o recurso à guerra bélica material não pode ser, em caso algum, aceitável.

Um pouco por todo o mundo temos assistido a manifestações pela paz, mas também a manifestações contra uma personagem em concreto, Vladimir Putin, que todos chamam de Ditador e Déspota. Vale por isso a pena atentar o que têm escrito os principais cientistas modernos sobre a liderança destrutiva.

Apesar de uma tendência para “individualizarmos” a “culpa” do terror bélico numa só personagem, neste caso Vladimir Putin, a investigação tem mostrado que a construção e o desenvolvimento de lideranças destrutivas não ocorrem no vazio, mas dependem também, entre outros fatores, das pessoas que circundam os líderes destrutivos. Christian Thoroughgood e os seus colegas publicaram em 2012, na reputada revista científica The Leadership Quarterly, um trabalho onde identificam vários tipos de seguidores que contribuem para a formação de uma liderança destrutiva.

Entre esses tipos de seguidores, encontramos os “autoritários”. São pessoas com rigidez cognitiva e personalidade autoritária, e que acreditam que o mundo é justo, ou seja, que cada um tem o que merece. No fundo, são muito parecidos com o líder que apoiam.

Mas as lideranças destrutivas beneficiam também de muitos outros tipos de seguidores. Os “oportunistas”, por exemplo, gananciosos e maquiavélicos, também estão lá para reforçar e glorificar as ações de terror dos seus líderes destrutivos, quem sabe até para os atiçarem a serem ainda mais violentos. Outros, pelo contrário, são apenas umas “almas perdidas”, com situações precárias, baixa-autoestima e normalmente com outros problemas na sua vida pessoal, não querendo por isso envolver-se em confusões e seguindo de forma subserviente o líder destrutivo.

Thoroughgood e colaboradores identificaram ainda os “acólitos”, que não sendo autoritários concordam com os valores que justificam as ações do líder destrutivo, e descreveram também os “expectadores”, aqueles que estão em cima do muro, e que de forma passiva também contribuem para a instalação e a continuação da liderança destrutiva.

Se dermos um salto de nível para as relações internacionais, podemos aplicar esta mesma síntese de “seguidores” à construção da liderança destrutiva de Vladimir Putin. Muitos países comportaram-se ao longo das últimas décadas (e ainda hoje) como “expectadores”, outros como “oportunistas”, outros como “acólitos” e outros ainda como “almas perdidas”. Claro que esta constatação não retira responsabilidade aos líderes destrutivos pela sua ação, mas responsabiliza também todos os outros, e de certa forma todos nós.

É, contudo, hora de pensar no futuro. Todos vivemos no nosso dia a dia na presença de líderes destrutivos. Temos de enfrentar a realidade, ultrapassar a dissonância cognitiva que tal nos possa causar, e perguntar: que tipo de pessoa sou eu? Estarei a contribuir para uma liderança destrutiva ao comportar-me como um oportunista, um expectador, um acólito ou uma alma perdida?

No nosso local de trabalho, nas organizações civis a que pertencemos, temos de assumir a nossa responsabilidade. Fenómenos como a lamentável guerra que estamos a viver na Ucrânia são também o resultado das nossas micro-ações e micro-decisões individuais nos nossos pequenos mundos. Há que ter a coragem de assumir que, em algumas situações podemos ter-nos comportado de formas que apoiaram lideranças destrutivas, mas assumi-lo e agindo em conformidade torna-nos melhores seres humanos e apoiantes de líderes mais construtivos, para além de nos trazer a força moral que nos descansa a alma.

 

Por Miguel Pereira Lopes, Professor Associado de Liderança e Governança na Universidade de Lisboa

Arquivado em:Opinião

Liderar é construir

4 Março, 2022 by Denise Calado

Ao longo dos séculos, muito se escreveu e cantou sobre os feitos e efeitos da guerra: Alexandre, o Grande; Júlio César; Genghis Khan; Napoleão Bonaparte; George Washington; George S. Patton são grandes figuras históricas que deram origem a mitos, histórias e até filmes e musicais.

Toda a história da Humanidade foi moldada pela guerra e pelos que a comandavam, desde o primeiro conflito registado há cerca de 10.000 anos na atual Síria, até às guerras da (des)informação do século XXI. Podíamos, por isso, afirmar que esta é uma realidade à qual não podemos escapar e que é parte indelével da natureza humana.

No entanto, não deixa de ser irónico reparar que os maiores avanços civilizacionais se deram em tempos de paz e tranquilidade. Então, porque será que quando pensamos nos grandes líderes da nossa história, olhamos para aqueles que têm mais vitórias, mais medalhas e mais inimigos conquistados?

Um líder é alguém que inspira, que move, que conduz, mas acima de tudo, é alguém que constrói. O verdadeiro papel da liderança é edificar e contribuir para o desenvolvimento das nações, elevando os povos a novos patamares: Albert Einstein abriu-nos os olhos à relatividade do cosmos; Marie Curie mostrou-nos como a radiação pode salvar vidas e foi um novo modelo para mulheres de todo o mundo; Charles Darwin, mostrou-nos o nosso lugar entre as espécies; Bob Dylan, deu mais poder à música para combater as atrocidades da guerra; Nelson Mandela, ensinou-nos a olhar para o nosso próximo com compaixão e a resistir às agressões.

A lista podia continuar e nunca seríamos capazes de dizer dois nomes com os mesmos traços ou qualidades – a verdadeira característica de um líder está em utilizar a sua diferença em prol dos outros. E não existe maior propósito do que a paz.

Vivemos tempos desafiantes, pautados por recessões económicas, crises pandémicas e, infelizmente, conflitos armados em territórios há muito livres do jugo da guerra e é em ocasiões como esta que a população olha para os seus líderes em busca de orientação e apoio. Se é verdade que a guerra apenas traz sofrimento e retrocessos civilizacionais, não deixa de ser verdade que os grandes líderes também aqui se destacam. No entanto, o que o distingue de um chefe, general ou comandante é que, quando confrontado com situações de conflito, são capazes de colocar os interesses das pessoas à frente e escolher a via diplomática, do diálogo e da desescalada da retórica bélica.

Em 1917, Woodrow Wilson, referindo-se à I Guerra Mundial, disse que aquela era “a guerra para acabar com todas as guerras”. Permitam-me discordar: a verdadeira guerra para acabar com todas as guerras não foi, nem será um conflito armado; será, sim, um conflito interior que todos os homens e mulheres terão que fazer, até que se apercebam que o futuro da Humanidade é um propósito coletivo que está nas mãos de cada um de nós. O verdadeiro líder é aquele que sabe colocar os interesses dos outros acima dos seus e consegue fazer que outros sigam o seu exemplo.

Por Bruno Mota, Managing Director da Devoteam em Portugal

Arquivado em:Opinião

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