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Denise Calado

Felicidade e Bem-Estar nas Organizações

9 Março, 2022 by Denise Calado

Definir felicidade não é fácil, mas uma coisa é certa, a felicidade é uma das principais motivações da vida humana e o principal combustível para tomada de decisão. Escolhemos o que à partida sentimos que nos fará mais felizes, assim como estamos sempre à procura de alternativa quando em contextos onde nos sentimos infelizes.

Aristóteles dizia que felicidade significa uma vida orientada por propósitos e significados, para Maslow a felicidade significa autorealização, ou seja, quando o indivíduo tem a possibilidade de ser aquilo que deseja, contribuindo essa realização para uma consciência de felicidade.

A felicidade é um estado psicológico positivo, duradouro, que nos dá significado, que nos motiva e nos faz mais otimistas, esperançosos e preparados para os desafios futuros. Sendo um estado psicológico não pode ser exigida ou impingida.

Deixando para outra altura todos os motivos nobres, a verdade é que a felicidade entrou no léxico das empresas pelos significativos custos que a infelicidade acarreta. Hoje à semelhança dos planos de bem-estar, as empresas associam cada vez mais à missão das suas marcas o conceito e propósito da felicidade, através da criação de departamentos, diretores e gestores que se assumem como os responsáveis pela gestão da felicidade dos colaboradores.  O mercado tem também vindo a adaptar-se a esta tendência, com o surgimento de prémios e normas que pretendem recompensar e valorizar as empresas com uma cultura orientada tanto para pessoas quanto para resultados.

Só que empresas felizes não existem. Existem pessoas felizes. Pessoas felizes que trabalham em empresas nas quais têm recursos suficientes (internos e externos) para fazer o seu trabalho. Recursos técnicos, sociais e emocionais que por si irão contribuir para um maior sentido de pertença e significado, cuja experiência contribuirá também para uma melhor perceção de que a sua vivência na empresa é positiva, válida, útil e de contributo.

Só que a felicidade, também no trabalho é responsabilidade intransmissível e indelegável de cada indivíduo. Por ser uma emoção, é algo profundamente individual,   para além de que cada um tem a sua crença e construção interna sobre o que acredita necessitar para ser feliz no trabalho, premissas que  mudam com o ciclo vital da nossa história, idade e da integração das nossas experiências.

Às empresas, compete aos seus decisores executivos criar condições que aumentem a possibilidade de os seus colaboradores se sentirem úteis, válidos, energizados e motivados aumentando assim a sua perceção de experiência válida e o portofolio de emoções positivas do seu colaborador.

Como promover a felicidade do colaborador? Não é rocket science, sinto que muitas vezes nos perdemos na construção de receitas complexas e frameworks elaboradíssimos de intervenção, quando na realidade, muitas vezes, as empresas acabam por falhar nos básicos.

– Empatia para com o momento, a necessidade, a dificuldade do colaborador.

– Segurança, sobretudo psicológica, sem ambientes de pressão, toxicidade, assédio moral.

– Respeito, para com a sua individualidade e na construção de uma experiência que lhe permita ter vida além do trabalho.

Com estas premissas respeitadas, as empresas conseguem ter uma espinha dorsal forte para a sustentação de uma cultura orientada para a felicidade e bem-estar dos colaboradores. Tudo o resto, eventos, escritórios, perks, muitas vezes, não passam de puro fogo de artifício.

 

Arquivado em:Opinião

A Guerra afeta-nos a todos

9 Março, 2022 by Denise Calado

“A guerra afeta-nos a todos: gerir emoções e sentimentos numa situação de crise”, é o novo documento lançado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) que vem ajudar a gerir emoções e sentimentos para quem se sente perturbado pela situação da Guerra na Ucrânia. O documento lembra que todos reagimos de forma diferente a acontecimentos perturbadores e que cada um de nós tem capacidades e formas diferentes de lidar com emoções e sentimentos desagradáveis. Choque, preocupação, ansiedade, zanga, para além de dúvidas sobre o futuro, de quando irá terminar esta guerra e quais as consequências.

Aqui ficam as diretrizes sobre como podemos lidar com o que estamos a sentir:

  • Aceitar as nossas emoções e sentimentos. É totalmente natural sentirmos muitas emoções e sentimentos diferentes. É perfeitamente razoável chorar, se sentirmos vontade de o fazer (muitas vezes, até nos sentimos mais aliviados depois). Também é natural que o nosso humor e motivação possam flutuar.

 

  • Utilizar estratégias de gestão da ansiedade e do stresse. A sensação de “já não aguentarmos mais” é um “estado da nossa mente”. Podemos usar a ansiedade a nosso favor e combater os sentimentos negativos e desagradáveis que ela nos traz. Podemos experimentar algumas formas de gerir a ansiedade.

 

  • Limitar a nossa exposição a notícias. Não conseguimos controlar o que se está a passar na Ucrânia, por isso não ajuda estarmos constantemente a monitorizar todos os detalhes do que está a acontecer, correndo o risco de nos sentirmos sobrecarregados e desesperados com toda a informação disponível. Pesquisar sistematicamente sobre este tema, pode aumentar a ansiedade e o medo.

 

  • Falar com familiares e amigos. Como diz o provérbio: “um problema partilhado, é metade do problema”. Não somos os únicos preocupados com a Guerra. Partilhar aquilo que sentimos pode diminuir o nosso stresse, fazer-nos sentir apoiados e validados no que sentimos e pensamos, aumentar o nosso sentimento de confiança e a nossa energia. Falar ajuda.

 

  • Manter uma rotina. As nossas rotinas podem ajudar-nos a aumentar os nossos sentimentos de segurança e previsibilidade em tempos de incerteza.

 

  • Realizar actividades de lazer. Ir dar uma corrida, falar ao telefone com um amigo/a, saborear a nossa refeição preferida, olhar pela janela e observar a paisagem… O mundo continua a ser um lugar cheio de beleza e coisas positivas, das quais podemos e devemos usufruir. Pode saber mais sobre a importância das actividades de lazer.

 

  • Alimentar a esperança. A Guerra não traz apenas destruição, também provoca comportamentos pró-sociais, maior envolvimento e participação cívica, mais gratidão pelo que temos, compaixão e solidariedade, mais defesa da liberdade e da dignidade, maior respeito pela diversidade e pelos direitos humanos. Maior perceção da forma como todos estamos conectados e do modo como nos relacionamos uns com os outros, da importância da vida e do sentido que lhe atribuímos.

 

  • Apoiar e contribuir. Um sentimento de esperança e propósito surge quando nos mobilizamos, enquanto comunidade, para ajudar e contribuir para o bem-comum. Procurar uma forma de apoiar (através de donativos de bens ou voluntariado, doação de sangue ou mobilização das pessoas da comunidade, por exemplo) ajuda-nos a nós e aos outros, pode contribuir para atribuir um propósito ao que estamos a passar e pela mobilização que nos possibilita, aumentando a nossa perceção de controlo sobre a situação que vivemos.

 

  • Procurar ajuda. Se os nossos pensamentos e sentimentos estão a interferir significativamente com a nossa capacidade de funcionar no dia-a-dia, a afetar o nosso sono ou a dominar a nossa vida, devemos procurar ajuda. Mas também podemos procurar ajuda se acharmos uma boa ideia falar com um profissional que nos ajude a regular os nossos pensamentos e sentimentos. Podemos consultar informações sobre como Procurar Ajuda e como um Psicólogo ou Psicóloga nos podem ajudar. Pedir ajuda nunca é um sinal de fraqueza, mas sim de coragem e responsabilidade. Podemos ainda aceder ao encontreumasaida.pt ou, em situação de crise, ligar para o Serviço de Aconselhamento Psicológico da Linha SNS24.

Arquivado em:Artigos

Líder antes dos 30

9 Março, 2022 by Denise Calado

Maria Liquito tem 29 anos e é Country Manager da Yescapa em Portugal, uma plataforma europeia de aluguer de autocaravanas e campervans. Presente em 8 países, a start-up chegou a Portugal para fomentar o autocaravanismo responsável e em 2021 já contava com 950 proprietários registados na plataforma e cerca de 10.000 novos utilizadores. Maria é o rosto da jovem mulher que lidera o projeto em Portugal e falou com a Líder sobre o why-power que dá a motivação certa para fazer aquilo que se gosta, sem medo de arriscar.

 

A Yescapa está presente no mercado nacional desde 2018, como tem sido o percurso até agora?

O percurso da Yescapa tem sido bastante positivo e promissor. Entre 2018 e 2021, observamos um crescimento em Portugal que ronda os 868%. Para o ano de 2022, prevemos um crescimento de 40%, tendo em consideração as limitações de estacionamento e aparcamento de autocaravanas. O autocaravanismo é um setor em franco crescimento, pelo que acreditamos que é um excelente cartão de visita tanto para os portugueses como estrangeiros que pretendem conhecer melhor o País e as suas zonas do interior, ao seu ritmo, personalizando ao máximo a sua viagem.

O que implica a prática do “autocaravanismo responsável”?

Na Yescapa trabalhamos no sentido de promover o autocaravanismo responsável, dado que muitos dos utilizadores que nos procuram estão a viajar de autocaravana pela primeira vez. Praticar o autocaravanismo responsável é viajar em respeito com a natureza e o meio ambiente. Tal implica, ter em atenção os locais autorizados onde se pode fazer os despejos das águas sujas, reabastecer o depósito de água e pernoitar/aparcar, bem como quais os produtos adequados para autocaravanas e que sejam responsáveis com o meio ambiente.

E Portugal é um bom exemplo disso?

Sim, e cada vez mais vemos ações dos autocaravanistas que recolhem o lixo deixado nas praias ou zonas costeiras. Além do mais, estão cada vez mais preocupados com os locais onde podem aparcar/pernoitar e fazer o despejo das águas sujas deixando o local por onde passam mais limpo do que quando chegaram.

Que conselhos dá a quem queira explorar esta forma de viajar?

Aconselho a pesquisarem um pouco os locais que têm em mente visitar e, desta forma, estudar o melhor itinerário a fazer em autocaravana. Mais do que os quilómetros a percorrer, recomendo um itinerário mais focado em paragens, dado que a magia da viagem acontece muitas vezes nos locais que estão aparcados. Na Yescapa, facultamos um guia do viajante e um blog com diversos conteúdos como dicas, itinerários, entre outros, para que as pessoas possam ter o máximo de informação antes da viagem, de forma a ajudar nesta preparação.

Ainda não tem 30 anos e já lidera uma equipa com 3 pessoas. Como foi feito esse caminho?

Costumo dizer que a idade é apenas um número, e que não é algo que nos deva definir. Desde que comecei a trabalhar sempre tive posições onde tive de lidar com tomadas de decisão, pelo que acredito que tal facilitou, naturalmente, o meu caminho até então.

 

A liderança é, para si, um objetivo ou foi algo que aconteceu naturalmente?

Diria que aconteceu naturalmente. Quando comecei a trabalhar na Yescapa como Operations Officer, os resultados positivos do mercado português deram lugar a mais responsabilidades, acabando por fluir naturalmente. Para mim o lado humano é fundamental numa empresa. Trabalhamos com pessoas, para pessoas e só evoluímos se trabalharmos em conjunto. A minha superior hierárquica é a Diretora da Yescapa e temos uma relação totalmente aberta, onde conseguimos discutir assuntos de trabalho, mas se necessário, posso pedir conselhos a nível pessoal e de liderança. O crescimento, tanto pessoal como profissional faz-se em equipa, e para mim isso é um modelo a ser seguido e a Julie é um bom exemplo.

A Maria está entre os Millennials e a Generation Z, quais são as principais preocupações nestas próximas gerações que vão liderar as empresas e organizações?

É difícil generalizar pois estamos a falar de duas gerações, mas acredito que temos de ter o why-power identificado e alinhado com a atividade e missões que fazemos para ter motivação. A forma de gestão e liderança de equipas é vista de uma forma diferente nestas duas gerações, dado que a hierarquia é vista como uma ferramenta de trabalho e não tanto como uma conquista social, assim como a transparência na empresa, que é importante para que os pontos anteriores funcionem. Na Yescapa trabalhamos em hierarquia, mas sem barreiras, com base na confiança e transparência com todos os colaboradores, sendo prioritário para a empresa manter este espírito de trabalho.

E as aspirações para a vida e para o trabalho?

O mais importante para mim, enquanto responsável, é que a minha equipa se sinta confortável no trabalho e em equipa. Passamos uma boa parte do nosso dia a trabalhar, pelo que é importante sentirmo-nos satisfeitos e acreditarmos no que fazemos. Desta forma, o trabalho acaba por ser um prazer. Para a vida, continuo com a mesma filosofia de há uns anos. Arriscar. É melhor arriscar do que ficar na dúvida. Os “ses” da vida podem ser bloqueadores, e como diz o ditado “o não já temos garantido” pelo que não perdemos nada em arriscar.

As desigualdades de género ainda persistem ou já se atenuam?

As desigualdades de género continuam a fazer parte do mercado de trabalho porque, infelizmente, ainda fazem parte da sociedade. Verificamos melhorias neste aspeto, e muito graças à educação, mas muitas vezes o discurso em diferentes meios de comunicação desvaloriza o papel das mulheres, acabando por ter o efeito indesejável. A Yescapa é um bom exemplo pois aplica uma política interna focada nas pessoas e nas suas competências, indiferente do seu género. Cerca de 51% dos colaboradores são mulheres e várias ocupam cargos de liderança.

 

Por que liderar no feminino é diferente?

Não diria que seja diferente. Tanto as mulheres como os homens têm capacidades de liderança e são excelentes profissionais nesse papel. Julgo que a maior diferença talvez esteja no percurso, que muitas vezes é mais longo e difícil para algumas mulheres conseguirem determinada posição. Acredito que devemos deixar de falar do género e focarmo-nos nas boas práticas de liderança, sejam elas levadas a cabo por homens ou mulheres.

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

Novos programas de Bolsas para mulheres

8 Março, 2022 by Denise Calado

O Banco Santander, através do Santander Universidades e em colaboração com a London School of Economics and Political Science (LSE), apresenta novas edições dos seus programas de liderança feminina: Bolsas Santander Women | W50 Leadership 2022 – LSE e Bolsas Santander Women | Emerging Leaders 2022 – LSE.

Para qualquer dos programas, as participantes deverão ter um nível de inglês fluído, equivalente ao C1 ou superior e residir num de 13 países (Alemanha, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, México, Peru, Polónia, Portugal, Reino Unido e Uruguai).

O programa de Bolsas Santander Women | W50 Leadership 2022 – LSE, que este ano celebra a sua 12ª edição e regressa ao modelo presencial, tem como objetivo a formação de alto rendimento de 50 mulheres que ocupem cargos de gestão superiores em empresas de qualquer setor e que pretendam trabalhar e apurar o seu próprio estilo de liderança.

As candidaturas podem ser submetidas até 15 de março em Bolsas Santander.

Encontram-se também abertas as inscrições para uma nova edição das Bolsas Santander Women | Emerging Leaders 2022 – LSE, um programa totalmente online com a duração de sete semanas, cujo objetivo é desenvolver o potencial da próxima geração de mulheres líderes.

O programa oferece 125 bolsas para mulheres em posições de gestão intermédias, independentemente da sua idade ou setor. As candidatas selecionadas receberão a formação, ferramentas e competências necessárias para se tornarem mais influentes, persuasivas e terem impacto nas posições de liderança que venham a desempenhar no futuro.

As inscrições estão abertas até dia 6 de abril, também na página das Bolsas Santander, e o curso terá início no dia 15 de junho.

As duas iniciativas estão alinhadas com o compromisso do Santander em promover a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres em todos os países em que opera. O banco, que figura entre as 10 empresas mais avançadas do mundo nesta matéria segundo o Índice de Igualdade de Género da Bloomberg 2021, integrou o programa de igualdade de género do Pacto Mundial das Nações Unidas em 2020 e é signatário do programa Target Gender Equality (TGE) lançado por este órgão em 19 países com o objetivo de aumentar a representação de mulheres em conselhos de administração das empresas e em cargos de direção executiva.

Arquivado em:Notícias

Dar voz às mulheres

8 Março, 2022 by Denise Calado

As mulheres do Digital são hoje as protagonistas de uma maratona de lives no Instagram da Lisbon Digital School, a par de uma campanha de angariação de fundos para a Associação Girl Move.

“Os nossos cursos são maioritamente compostos por alunas do sexo feminino. O mesmo acontece nos cursos de Comunicação e Marketing das Universidades. No entanto, quando pensamos em grandes nomes do Marketing Digital em Portugal, três quartos são homens. Quando olhamos para os cargos de chefia desta área, na sua grande maioria são compostos por homens. E quando revemos o nosso painel de formadores, as formadoras estão significativamente em minoria”, explica Natacha Pereira, CEO da Lisbon Digital School.

“Outra das formas de colocar em prática a nossa missão será também através de uma campanha de angariação de fundos para a Girl Move, associação escolhida pela Virgínia Coutinho, para a criação do Fundo homónimo, com o propósito de contribuir para a criação de uma nova geração de mulheres líderes em Moçambique, através do projecto de mentoria Tech4Good”, afirma.

Durante o dia de hoje, todas as mulheres terão ainda oportunidade de se inscrever em qualquer curso intensivo Lisbon Digital School com o desconto de 30%.

# do evento:

#SoundsLikeDigitalbyLDS

#DarVozAsMulheres

Instagram: @lisbondigitalschool

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Longevidade, menopausa e liderança feminina

8 Março, 2022 by Denise Calado

As projeções para o futuro da população mundial apontam para um aumento significativo das mulheres, principalmente nas gerações mais velhas (assumo as gerações acima dos 40/45 anos de idade). Isto quer dizer que nas próximas décadas teremos mais mulheres maduras no mercado de trabalho, proporcionalmente ao número de homens. Mas sobretudo, teremos mais mulheres em idade da menopausa, devido ao aumento da esperança média de vida, leia-se da longevidade.

Segundo dados da Pordata, num espaço de 20 anos o número de mulheres na população portuguesa passou de 5.344.316 (2000) para 5.439.503 (2020), um aumento de 95.187 mulheres. Atualmente temos cerca de 816.539 mulheres em Portugal com idades entre os 45 e os 55 anos de idade – intervalo etário médio da menopausa para as mulheres nos países ocidentais. Este facto levanta algumas questões relacionadas com os efeitos provocados pela menopausa e que afetam profundamente a vida das mulheres e a forma como se sentem, como convivem com os outros e, mais especificamente, a sua produtividade e forma de estar no contexto de trabalho. Temas complexos, sem dúvida.

Daquilo que tem sido a minha experiência (porque também já me encontro em menopausa), da experiência de outras mulheres com quem convido e com quem falo, a nível profissional, há um profundo desconhecimento sobre o que é a menopausa. Tanto nas alterações que acarreta como na diversidade de reações que as mulheres têm, porque não há uma uniformidade neste processo que começa e termina de forma gradual.

Para além de muitas de nós só nos darmos conta de que estamos na peri, ou na menopausa, quando sentimos de forma mais acentuada os seus efeitos (calores e a dificuldade em dormir são os mais comuns, da minha experiência), alguma investigação sobre a longevidade e a menopausa mostra que temos mulheres a entrarem e a saírem mais tarde, da menopausa. Ainda vivemos num tempo em que a mulher é discriminada, no seu local de trabalho, ainda mais quando ocupa um posto de grandes destaque e de liderança. A sociedade não está acostumada a ver uma mulher suar durante uma reunião, a ter dificuldade em se concentrar ou a perder o auto controle, fruto desta alteração hormonal que não controla.

Em janeiro deste ano, o tema da discriminação das mulheres menopausicas no trabalho foi abordado no podcast “Is the menopause a workplace issue?”e mais tarde levado ao Parlamento Europeu por um grupo de deputados do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu, no documento “Addressing menopause as a workplace issue and preventing discrimination of women of menopausal age”.

 

Para perceber melhor o potencial de discriminação feminina, fui ver quais as principais consequências da menopausa e elenco aqui com o intuito de contribuir para a reflexão de todos, mulheres e homens:

  • Calores súbitos;
  • Alteração de humor;
  • Dificuldade em dormir;
  • Suores noturnos;
  • Incontinência urinária;
  • Problemas de memória;
  • Aumento de peso;
  • Fatiga;
  • Ansiedade;
  • Falta de motivação;
  • Dores nas articulações;
  • Dores de cabeça;
  • Diminuição da libido;
  • Potencial perda de autoestima.

Parece-me que fica bastante clara a pertinência do tema em contexto laboral. De acordo com o que foi apresentado ao Parlamento Europeu, não tem havido grande reflexão sobre o tema no âmbito das discussões sobre a longevidade e o envelhecimento das populações. No documento que referi pode ler-se que “embora a ação política relacionada ao envelhecimento da população tenha ganhado destaque e seja intensamente discutida na UE, o tema da menopausa no local de trabalho permanece amplamente invisível nos discursos públicos e políticos, abrindo a porta para o tratamento desigual e a discriminação contra as mulheres.

Limitar a menopausa a uma esfera médica e privada, e a incapacidade de abordar a menopausa como uma questão no local de trabalho, estão cada vez mais a conduzir a uma proteção insuficiente das trabalhadoras e à saída precoce das mulheres do mercado de trabalho, aumentando assim o risco de dependência económica, pobreza e exclusão social das mulheres.”

Estas formas de exclusão vão contribuir para uma progressiva perda de conhecimento e de expertise, o que diminui o valor destas pessoas no mercado de trabalho. Por isso é premente colocar o tema em debate, mas principalmente em fóruns de liderança, de pessoas que ativamente podem contribuir para uma mudança positiva de mentalidades.

 

Arquivado em:Opinião

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