Maria Liquito tem 29 anos e é Country Manager da Yescapa em Portugal, uma plataforma europeia de aluguer de autocaravanas e campervans. Presente em 8 países, a start-up chegou a Portugal para fomentar o autocaravanismo responsável e em 2021 já contava com 950 proprietários registados na plataforma e cerca de 10.000 novos utilizadores. Maria é […]
Maria Liquito tem 29 anos e é Country Manager da Yescapa em Portugal, uma plataforma europeia de aluguer de autocaravanas e campervans. Presente em 8 países, a start-up chegou a Portugal para fomentar o autocaravanismo responsável e em 2021 já contava com 950 proprietários registados na plataforma e cerca de 10.000 novos utilizadores. Maria é o rosto da jovem mulher que lidera o projeto em Portugal e falou com a Líder sobre o why-power que dá a motivação certa para fazer aquilo que se gosta, sem medo de arriscar.
A Yescapa está presente no mercado nacional desde 2018, como tem sido o percurso até agora?
O percurso da Yescapa tem sido bastante positivo e promissor. Entre 2018 e 2021, observamos um crescimento em Portugal que ronda os 868%. Para o ano de 2022, prevemos um crescimento de 40%, tendo em consideração as limitações de estacionamento e aparcamento de autocaravanas. O autocaravanismo é um setor em franco crescimento, pelo que acreditamos que é um excelente cartão de visita tanto para os portugueses como estrangeiros que pretendem conhecer melhor o País e as suas zonas do interior, ao seu ritmo, personalizando ao máximo a sua viagem.
O que implica a prática do “autocaravanismo responsável”?
Na Yescapa trabalhamos no sentido de promover o autocaravanismo responsável, dado que muitos dos utilizadores que nos procuram estão a viajar de autocaravana pela primeira vez. Praticar o autocaravanismo responsável é viajar em respeito com a natureza e o meio ambiente. Tal implica, ter em atenção os locais autorizados onde se pode fazer os despejos das águas sujas, reabastecer o depósito de água e pernoitar/aparcar, bem como quais os produtos adequados para autocaravanas e que sejam responsáveis com o meio ambiente.
E Portugal é um bom exemplo disso?
Sim, e cada vez mais vemos ações dos autocaravanistas que recolhem o lixo deixado nas praias ou zonas costeiras. Além do mais, estão cada vez mais preocupados com os locais onde podem aparcar/pernoitar e fazer o despejo das águas sujas deixando o local por onde passam mais limpo do que quando chegaram.
Que conselhos dá a quem queira explorar esta forma de viajar?
Aconselho a pesquisarem um pouco os locais que têm em mente visitar e, desta forma, estudar o melhor itinerário a fazer em autocaravana. Mais do que os quilómetros a percorrer, recomendo um itinerário mais focado em paragens, dado que a magia da viagem acontece muitas vezes nos locais que estão aparcados. Na Yescapa, facultamos um guia do viajante e um blog com diversos conteúdos como dicas, itinerários, entre outros, para que as pessoas possam ter o máximo de informação antes da viagem, de forma a ajudar nesta preparação.
Ainda não tem 30 anos e já lidera uma equipa com 3 pessoas. Como foi feito esse caminho?
Costumo dizer que a idade é apenas um número, e que não é algo que nos deva definir. Desde que comecei a trabalhar sempre tive posições onde tive de lidar com tomadas de decisão, pelo que acredito que tal facilitou, naturalmente, o meu caminho até então.
A liderança é, para si, um objetivo ou foi algo que aconteceu naturalmente?
Diria que aconteceu naturalmente. Quando comecei a trabalhar na Yescapa como Operations Officer, os resultados positivos do mercado português deram lugar a mais responsabilidades, acabando por fluir naturalmente. Para mim o lado humano é fundamental numa empresa. Trabalhamos com pessoas, para pessoas e só evoluímos se trabalharmos em conjunto. A minha superior hierárquica é a Diretora da Yescapa e temos uma relação totalmente aberta, onde conseguimos discutir assuntos de trabalho, mas se necessário, posso pedir conselhos a nível pessoal e de liderança. O crescimento, tanto pessoal como profissional faz-se em equipa, e para mim isso é um modelo a ser seguido e a Julie é um bom exemplo.
A Maria está entre os Millennials e a Generation Z, quais são as principais preocupações nestas próximas gerações que vão liderar as empresas e organizações?
É difícil generalizar pois estamos a falar de duas gerações, mas acredito que temos de ter o why-power identificado e alinhado com a atividade e missões que fazemos para ter motivação. A forma de gestão e liderança de equipas é vista de uma forma diferente nestas duas gerações, dado que a hierarquia é vista como uma ferramenta de trabalho e não tanto como uma conquista social, assim como a transparência na empresa, que é importante para que os pontos anteriores funcionem. Na Yescapa trabalhamos em hierarquia, mas sem barreiras, com base na confiança e transparência com todos os colaboradores, sendo prioritário para a empresa manter este espírito de trabalho.
E as aspirações para a vida e para o trabalho?
O mais importante para mim, enquanto responsável, é que a minha equipa se sinta confortável no trabalho e em equipa. Passamos uma boa parte do nosso dia a trabalhar, pelo que é importante sentirmo-nos satisfeitos e acreditarmos no que fazemos. Desta forma, o trabalho acaba por ser um prazer. Para a vida, continuo com a mesma filosofia de há uns anos. Arriscar. É melhor arriscar do que ficar na dúvida. Os “ses” da vida podem ser bloqueadores, e como diz o ditado “o não já temos garantido” pelo que não perdemos nada em arriscar.
As desigualdades de género ainda persistem ou já se atenuam?
As desigualdades de género continuam a fazer parte do mercado de trabalho porque, infelizmente, ainda fazem parte da sociedade. Verificamos melhorias neste aspeto, e muito graças à educação, mas muitas vezes o discurso em diferentes meios de comunicação desvaloriza o papel das mulheres, acabando por ter o efeito indesejável. A Yescapa é um bom exemplo pois aplica uma política interna focada nas pessoas e nas suas competências, indiferente do seu género. Cerca de 51% dos colaboradores são mulheres e várias ocupam cargos de liderança.
Por que liderar no feminino é diferente?
Não diria que seja diferente. Tanto as mulheres como os homens têm capacidades de liderança e são excelentes profissionais nesse papel. Julgo que a maior diferença talvez esteja no percurso, que muitas vezes é mais longo e difícil para algumas mulheres conseguirem determinada posição. Acredito que devemos deixar de falar do género e focarmo-nos nas boas práticas de liderança, sejam elas levadas a cabo por homens ou mulheres.


