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Leonor Wicke

As novas guerras

16 Março, 2026 by Leonor Wicke

 

  1. Tenho ouvido responsáveis americanos dizer que lançaram uma “operação massiva” no Irão. Putin lançou uma “operação militar especial”. Será que se tiverem outro nome as guerras já não são guerras?
  2. Maduro e a teocracia iraniana merecem zero simpatia mas este mundo sem regras prenuncia um futuro altamente problemático.
  3. Na verdade, começamos a ver estabelecer-se uma regra: a regra da força. Importa por isso regressar a Gideon Rachman e ao seu importante livro A Era do Homem Forte (Vogais), um descodificador do presente.
  4. Os homens fortes querem terra: a Ucrânia, Taiwan, a Gronelândia. E querem obviamente os recursos da terra.
  5. Neste mundo em desordem, a lei internacional é invocada quando dá jeito. Ora, da mesma forma que o ataque ao Irão deve ser condenado, o financiamento de terrorismo pelo Irão não pode ser escamoteado. Da mesma maneira que devemos criticar Israel, não podemos deixar de olhar criticamente para o Irão. O Hezbollah, aliás, acaba de declarar lealdade ao novo aiatola. Será normal?
  6. Por isso, quando o Irão pede explicações a Portugal por causa da Base das Lajes, Portugal tem a obrigação de responder, mas também tem a obrigação de colocar perguntas ao Irão. Não deixa aliás de ser irónico ver um regime como o dos aiatolas a exigir explicações.
  7. Em suma, este mundo parece seguir uma velha máxima: para os amigos tudo, para os inimigos a lei.
  8. No meio da loucura, o canadiano Mark Carney emerge como a voz que importa escutar.
  9. E nesta barafunda, se a China invadir Taiwan onde estarão as vozes com legitimidade para condenar a República Popular?
  10. E a ONU? Que papel lhe resta? Dar os parabéns a Khamenei II pela nomeação?

 

Como é costume dizer, vivemos tempos interessantes nesta espécie de  manicómio em que se tornou o mundo…

Arquivado em:Opinião

Contratações em TI crescem em Portugal e superam média mundial

16 Março, 2026 by Leonor Wicke

É o que avança o mais recente Experis Tech Talent Outlook, que revela que, dos empregadores inquiridos, 56% pretendem aumentar as suas equipas no próximo trimestre, enquanto 6% antecipam ter de reduzir a sua força de trabalho e 38% esperam manter o número atual de colaboradores. Estes resultados traduzem, assim, um aumento de uns expressivos 25 pontos percentuais na comparação anual.

A nível global, a média da Projeção para a Criação Líquida de Emprego no setor das TI é de +45%, valor abaixo das intenções de contratação registadas em Portugal. Os países com as Projeções mais elevadas são a Índia (+69%), os Emirados Árabes Unidos (+69%) e o Brasil (+63%). Entre os países com intenções menos otimistas, destacam-se a Chéquia (+13%), a Suíça (+8%) e, finalmente, a Roménia (+3%).

As conclusões do Experis Tech Talent Outlook para o segundo trimestre de 2026 resultam de mais de 4.000 entrevistas realizadas durante o mês de janeiro. Nesse sentido, não refletem os desenvolvimentos mais recentes no contexto geopolítico internacional, nem o impacto das tempestades que atingiram Portugal em finais de janeiro e fevereiro.

 

Crescimento das empresas e avanços tecnológicos no topo dos motivos para o aumento do número de colaboradores

Para o segundo trimestre do ano, o aumento das equipas no setor de Tecnologia & Serviços de IT é impulsionado, em primeiro lugar, pela expansão das empresas – que cria novas necessidades de contratação –, apontada por 52% dos empregadores nacionais como a principal razão para o reforço do talento.

Seguem-se os avanços tecnológicos, que exigem competências e funções especializadas, e que são referidos por 38%, revelando um resultado significativamente acima da média nacional, que se fixa nos 17%. Os esforços em prol da diversidade também contribuem para as contratações, com 33% das empresas a destacarem esta motivação.

 

Automação e reestruturações influenciam redução de equipas

Entre os empregadores de tecnologia em Portugal que antecipam uma diminuição de colaboradores, destacam-se como principais motivos os ajustes face à procura atual, as reestruturações ou downsizing e o impacto da automação nas funções, todos apontados por 50% das organizações.

A realidade nacional está alinhada com o cenário global, ao nível destes fatores, embora com mais peso: globalmente, 36% dos empregadores apontam a automação, 32% indicam os desafios económicos e 28% referem as reestruturações ou downsizing como causas da redução de colaboradores.

 

IA domina nas competências mais difíceis de contratar, mas perfis de engenharia continuam entre os mais procurados

Entre as competências mais difíceis de recrutar, destacam-se a literacia em IA, mencionada por 35% dos empregadores de TI nacionais, e o desenvolvimento de modelos e aplicações de IA, referido por 30%. Mantém-se também a procura por perfis de engenharia, apontada por 26% das empresas. Já as competências convencionais em TI e dados, excluindo IA, são mencionadas por 20% dos empregadores.

 

Competências humanas como ética profissional e adaptabilidade continuam a ser valorizadas

Para além das competências técnicas, os empregadores de tecnologia em Portugal continuam a valorizar fortemente as competências humanas. O profissionalismo e a ética no trabalho lideram entre as mais procuradas, sendo mencionadas por 52% das empresas, seguidas da adaptabilidade e vontade de aprender, referidas por 50% e pelo pensamento crítico e a capacidade de resolução de problemas, destacados por 41%.

 

Flexibilidade de horários lidera ações para colmatar a escassez de talento

Para lidar com a escassez de talento em tecnologia, os empregadores estão a implementar diversas estratégias de reforço das suas capacidades de atração e fidelização do talento. A maior flexibilidade de horários é a medida mais adotada, sendo referida por 35% das empresas, seguida do upskilling e reskilling de trabalhadores e pelo aumento de salários, ambos mencionados por 30%.

Outras ações incluem a maior flexibilidade no local de trabalho (28%) e o recrutamento de talento global em mercados competitivos em termos de custos (22%).

«Os resultados deste Experis Tech Talent Outlook, embora sem refletir o impacto do atual conflito no Médio Oriente, traduzem um sentimento de confiança crescente nos empregadores de TI em Portugal, ainda em recuperação do abrandamento observado no final de 2024. A aposta em competências especializadas, desde o desenvolvimento de modelos de IA à engenharia, combinada com a valorização de soft skills essenciais, mostra que os empregadores do setor estão a construir equipas capazes de impulsionar a inovação e enfrentar os desafios da transformação digital e crescente adoção da IA, potenciando as novas oportunidades de negócio que lhes são associadas», explica Nuno Ferro, Brand Leader da Experis.

Arquivado em:Nacional, Notícias

Ciberataques com IA nas empresas já incluem ‘deepfakes’ e chamadas de vídeo

16 Março, 2026 by Leonor Wicke

Segundo especialistas da Check Point, a nova geração de ataques utiliza conteúdos hiperpersonalizados, clonagem de voz, deepfakes em vídeo e interações em tempo real para enganar colaboradores e provocar perdas financeiras significativas nas organizações.

O fenómeno, designado por augmented phishing, representa uma nova fase da engenharia social. Ataques que antes exigiam preparação manual e conhecimento técnico podem agora ser criados em segundos através de ferramentas de IA, permitindo aos cibercriminosos escalar operações e testar múltiplas variantes de fraude em muito pouco tempo.

Esta evolução está a tornar cada vez mais difícil identificar sinais tradicionais de fraude. Mensagens com erros ortográficos ou construções linguísticas suspeitas, que anteriormente denunciavam muitos ataques de phishing, estão a desaparecer à medida que os modelos de IA geram comunicações cada vez mais naturais e contextualizadas.

 

Deepfakes e fraude em tempo real aumentam impacto dos ataques

Nos últimos meses têm surgido exemplos concretos de como estas técnicas podem provocar danos significativos nas organizações.

Num dos casos mais mediáticos, um colaborador do departamento financeiro de uma empresa em Hong Kong foi enganado durante uma chamada de vídeo com identidades clonadas de executivos da empresa. Convencido da legitimidade da reunião, autorizou uma transferência financeira que resultou numa perda estimada entre 25 e 26 milhões de dólares.

Outro incidente ocorreu numa empresa do setor automóvel, quando colaboradores foram contactados numa reunião online por alguém que se fazia passar pelo CEO da organização. O ataque acabou por falhar depois de um funcionário fazer uma pergunta de verificação de identidade que o impostor não conseguiu responder.

Estes casos ilustram uma tendência crescente, os ataques de engenharia social estão a migrar para plataformas de colaboração, chamadas de voz e videoconferência, explorando contextos empresariais onde decisões rápidas e níveis elevados de confiança facilitam a fraude.

 

A nova realidade do phishing

A Inteligência Artificial está a transformar profundamente a forma como estas campanhas são conduzidas. Entre as principais mudanças destacam se:

  • Hiperpersonalização das mensagens, com IA a reproduzir o estilo de comunicação de gestores, colegas ou parceiros de negócio;
  • Ataques multimodais, que combinam email, chat corporativo, SMS, chamadas de voz e videoconferência.
  • Criação rápida de múltiplas variantes de ataque, permitindo testar abordagens até encontrar a mais eficaz;
  • Pressão psicológica em tempo real, com chamadas ou mensagens urgentes que incentivam decisões imediatas.

Neste contexto, a verificação de identidade e a adoção de procedimentos claros tornam se fatores críticos para reduzir o risco.

 

Como podem as organizações reduzir o risco?

Face à crescente sofisticação dos ataques, os especialistas da Check Point recomendam a adoção de práticas simples mas consistentes que reforcem a capacidade de resposta das equipas. Entre as principais medidas destacam se:

  • Simulações de ataques em múltiplos canais, incluindo email, SMS, ferramentas de colaboração e chamadas de voz;
  • Processos formais de verificação, especialmente para transferências financeiras, alterações bancárias ou pedidos urgentes;
  • Campanhas regulares de sensibilização sobre IA e deepfakes, atualizadas com exemplos recentes de fraude;
  • Monitorização de comportamentos de risco, permitindo reforçar a formação em grupos mais vulneráveis.

«Estamos a assistir a uma mudança profunda na forma como os ataques de engenharia social são conduzidos. A Inteligência Artificial permite aos atacantes criar mensagens altamente credíveis, imitar líderes empresariais ou colegas e explorar múltiplos canais de comunicação em simultâneo. Isto significa que as organizações têm de reforçar não apenas a tecnologia de segurança, mas também a literacia digital e os mecanismos de verificação interna», afirma Rui Duro, Country Manager da Check Point Software para Portugal.

Arquivado em:Cibersegurança, Notícias

Inteligência Artificial e o Rendimento Básico Universal

16 Março, 2026 by Leonor Wicke

À medida que a tecnologia avança, a necessidade de mão-de-obra humana diminui visivelmente. Sistemas
automatizados, algoritmos, e LLMs estão a substituir funções antes exclusivas às pessoas, da produção
industrial até serviços altamente especializados. E enquanto aumentamos a eficiência, produtividade, e lucros para lá de todas as projeções, antecipamos, em prol da contínua exigência de redução de custos, uma redução drástica no volume de empregos necessários. Esta dicotomia do progresso tecnológico está a deslocar já hoje o tradicional pilar da distribuição de riqueza: o trabalho.

Este cenário não é especulativo sobre um futuro distante. Já hoje a IA diminui drasticamente a mão-de-obra procurada em vários sectores. Alguns dirão que este resultado não é líquido, uma vez que em todas as grandes revoluções tecnológicas, se criaram mais empregos do que os extintos pelo progresso. É um facto que as anteriores revoluções transformaram os meios de produção, e abriram oportunidades à requalificação da massa trabalhadora. Onde a IA diverge, é no seu potencial para efectivamente se substituir não apenas aos meios de
produção, mas também aos seus agentes. E é aqui, nesta auto-suficiência, que a extinção de empregos é
palpável.

A eliminação de empregos pela IA arrisca assim um vazio no modelo económico tradicional, onde o trabalho é a principal fonte de rendimento. E é neste contexto, que o RBU surge como uma solução consequente e responsável aos desafios trazidos pela automação, cujo debate é relevante para lá das polarizações ideológicas que tipicamente o precedem. Na prática, oferece uma rede de segurança, um garante de paz social, e estímulo económico. Mais do que o muito propalado convite ao ócio, trata-se de permitir uma transição para um mercado menos dependente de trabalho humano, que incentiva à participação em atividades criativas, inovadoras, e sim, também produtivas, ao remover a preocupação imediata com a sobrevivência.

As formas de financiamento não geram consenso, mas será racional que o RBU seja precedido por reformas fiscais, introduzindo contribuições sobre transações financeiras ou sobre automação, e uma reformulação do sistema tributário para taxar eficazmente riqueza e capital gerado pela redução de empregos. Estas medidas asseguram que as vantagens da automação são distribuídas equitativamente, e a sociedade é incluída no círculo de beneficiários directos. Por seu lado, e olhando para a experiência, a crescente automação prova já a
redução de custos, numa escala que assegura a sustentabilidade destas medidas, e de novo, com o mais-que-certo crescimento dos lucros para os empresários.

Além das questões críticas sobre o financiamento sustentável do RBU, especialmente a par do declínio de trabalhos, e logo fontes de receita, importa perceber como o RBU impacta o risco de inflação e trajectória
económica das famílias, numa Europa cuja gestão destes indicadores tem sido já de si danosa para os
cidadãos.

No entanto, não discutir a solução do RBU a caminho de um futuro dominado pela automação significa
exacerbar as desigualdades, inseguranças, e os riscos políticos à vista, na captação destes sentimentos por
populismos predatórios que não trazem soluções. Considerando que o futuro do trabalho será, muito provavelmente, a extinção do trabalho tradicional, pensar o RBU não é pensar apenas o meio laboral, mas a base de uma nova economia inclusiva nos direitos e garantias humanas.

Arquivado em:Opinião

54% das gestoras que frequentaram o programa de liderança feminina da CIP foram promovidas

16 Março, 2026 by Leonor Wicke

Nas seis edições já realizadas, o Promova envolveu 179 participantes, das quais 54% registaram uma progressão profissional após a conclusão do programa. Este programa executivo da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, desenvolvido no âmbito da Academia CIP em parceria com a Nova SBE, foi concebido para potenciar talentos femininos com capacidade de liderança e apoiar o acesso das mulheres a funções de gestão de topo. Ao longo das edições, reuniu gestoras e altos quadros provenientes de 96 empresas de diferentes setores de atividade.

«O Promova não é destinado apenas às mulheres gestoras e quadros de direção, mas também às empresas onde estas trabalham, o que é seguramente crucial para os resultados que estas conseguem depois obter para as suas carreiras», afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP. «Os momentos e metodologias de aprendizagem do Promova permitem, não só o aperfeiçoamento das competências das participantes, mas também o desenvolvimento de laços em torno da causa comum que é a diversidade de género no tecido empresarial português e na sociedade».

Na Nova SBE, em Carcavelos, o Promova combina várias componentes complementares – módulos formativos presenciais, coaching individual, mentoria cruzada e momentos estruturados de networking. O programa trabalha o autoconhecimento das participantes e o reforço do seu posicionamento enquanto líderes, desenvolvendo competências críticas e capacidade de influência estratégica em contextos de decisão. Para as empresas, o impacto traduz-se na valorização de líderes mais conscientes, mais bem preparadas para ambientes complexos e exigentes, e na consolidação de práticas organizacionais alinhadas com princípios de diversidade, equidade e inclusão.

A 7.ª edição terá início em junho e decorrerá ao longo de um ano, mantendo o modelo formativo que tem afirmado o Promova como uma referência na capacitação de liderança feminina. Esta nova edição dá continuidade ao compromisso da CIP com a qualificação de lideranças, o reforço da competitividade das empresas e a promoção de organizações mais equilibradas e preparadas para os desafios atuais.

 

Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com a CIP.

Arquivado em:Líder Corner

Petróleo dispara 25% com tensão no Médio Oriente e levanta receios de escassez

13 Março, 2026 by Leonor Wicke

É o que constata o mais recente relatório da Oliver Wyman, que analisa como a interrupção no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás mundiais, está a provocar aumentos de preços que vão de 25% no petróleo bruto a 58% no combustível de aviação, com efeitos que se estendem a fertilizantes, polímeros, metais e gases industriais críticos para setores que vão desde a alimentação até aos semicondutores.

O relatório identifica três canais principais: energia, matérias-primas industriais críticas e transporte Ásia – Europa. Os efeitos já são visíveis na forma de custos mais elevados de componentes, prazos de entrega mais longos, pressão sobre o fundo de maneio, erosão das margens e risco real de escassez no abastecimento.

O efeito imediato: energia e combustíveis

O primeiro impacto visível foi o choque energético. Entre 27 de fevereiro e 11 de março, o Brent subiu 25%, passando de 73 para 91 dólares por barril, após atingir picos temporários acima dos 100 dólares. Os contratos futuros de gás europeu aumentaram 56%, de 32 para 50 euros por megawatt-hora, com picos superiores a 60 €/MWh. O maior impacto foi registado no combustível de aviação, que disparou 58%, atingindo 157 dólares por barril, na média semanal, face aos 99 dólares no final de fevereiro.

Este aumento está a tornar-se um motor de inflação generalizada, com efeitos em toda a estrutura de custos industriais e de transporte, tal como aconteceu durante o choque energético de 2021 – 22.

 

O impacto industrial: dos campos de cultivo às salas de ressonância magnética

O impacto vai além da energia e atinge matérias-primas que se encontram no início das cadeias de abastecimento globais. A região do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) é um dos principais exportadores de matérias-primas que registaram aumentos significativos.

No setor agrícola, o preço da ureia, produto crítico para os sistemas alimentares globais, subiu mais de 26% após o encerramento da maior fábrica do Qatar, passando de 466 para 585 dólares por tonelada. Da mesma forma, os fertilizantes fosfatados – com a Arábia Saudita a controlar 20% do comércio global – aumentaram 4%. Estes aumentos ameaçam diretamente os rendimentos das colheitas e os preços finais dos alimentos.

Na indústria transformadora, os polímeros críticos para embalagens, automóveis e construção registaram aumentos de 15% no polietileno e de 16% no polipropileno. O alumínio primário subiu 9%, passando de 3.147 para 3.440 dólares por tonelada, com especial relevância para a Europa, que depende da região para 20% das suas importações.

O caso mais crítico é o do hélio, gás industrial utilizado em sistemas de ressonância magnética, semicondutores, fibra ótica e aplicações científicas. Após o encerramento do complexo Ras Laffan, no Qatar, que fornece 30% da oferta mundial, os preços subiram 35%.

 

Sobretaxas de transporte chegam a 4.000 dólares por contentor

O impacto no transporte Ásia – Europa acrescenta pressão adicional. As principais companhias marítimas suspenderam as travessias pelo Estreito de Ormuz e estão a desviar o tráfego, o que acrescenta entre oito e quinze dias aos tempos de trânsito. A CMA CGM introduziu sobretaxas de emergência de até 4.000 dólares por contentor refrigerado, bem como sobretaxas de combustível equivalentes a aumentos de 11% a 14% sobre as tarifas base.

O mercado de seguros marítimos reflete o aumento do risco: as tarifas passaram de 0,25% para 1,25% do valor do casco em menos de uma semana. Após o cancelamento das coberturas de risco de guerra, a maioria das companhias marítimas deixou de aceitar novas reservas de e para o Médio Oriente.

No transporte aéreo, o aeroporto do Dubai fechou e só retomou parcialmente as operações a 7 de março. As restrições de capacidade, atrasos e cancelamentos continuam nas rotas aéreas entre o Extremo Oriente, a Europa e o Médio Oriente.

 

O risco do “dia seguinte”

O fim das tensões não significará um retorno imediato à normalidade. Crises passadas mostram que a interrupção comercial geralmente leva dias ou semanas a ser revertida. A normalização dependerá do tempo necessário para restaurar a cobertura de risco, reposicionar navios e eliminar atrasos acumulados.

Os mercados energéticos podem estabilizar mais rapidamente do que algumas cadeias de abastecimento físicas, mas os efeitos em cadeia sobre fertilizantes, produtos químicos, polímeros, metais e hélio podem prolongar-se durante semanas, refletindo-se em inventários, contratos e planos de produção. Para as empresas, isto significa um período prolongado de custos elevados e volatilidade nos prazos de entrega, com impacto direto nas margens e no fluxo de caixa.

O relatório aponta que a prioridade para as equipas de liderança não é prever a trajetória geopolítica, mas quantificar rapidamente a exposição real. As empresas devem identificar onde dependem de uma única fonte, têm inventários escassos ou estão contratualmente expostas, e agir antes que a perturbação chegue aos resultados trimestrais.

Arquivado em:Internacional, Notícias

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