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Leonor Wicke

Tem crédito à habitação com taxa variável? Subida da Euribor pode aumentar a sua prestação em abril

13 Março, 2026 by Leonor Wicke

Apesar de não serem esperadas alterações às taxas diretoras na próxima reunião do Banco Central Europeu (BCE), os mercados já começaram a reagir ao cenário de inflação elevada. As taxas Euribor – utilizadas como indexante na maioria dos contratos de crédito à habitação com taxa variável em Portugal – inverteram a tendência de descida das últimas semanas e iniciaram um movimento de subida que se tem intensificado nos últimos dias.

Nos primeiros dias de março, a Euribor a seis meses, o indexante mais utilizado no crédito à habitação em Portugal, chegou já a subir quase 8%. No caso da Euribor a 12 meses, o agravamento aproximou-se dos 15%.
Se esta tendência se mantiver até ao final do mês, as médias da Euribor em março deverão superar as registadas em fevereiro, o que significará uma subida das prestações para os contratos cujo período de revisão ocorra em abril.

Segundo uma estimativa da DECO PROteste, considerando a evolução já registada ao longo deste mês, uma família com um crédito à habitação de 150 mil euros, a 30 anos, com um spread de 1% e indexado à Euribor a 6 meses, poderá enfrentar um aumento de pelo menos 20 euros na prestação mensal.

Quando se alarga a análise à atual carteira ativa de crédito à habitação de taxa variável em Portugal, o impacto da subida das taxas de juro observada apenas neste mês poderá representar cerca de 8,5 milhões de euros adicionais nos orçamentos das famílias nos próximos meses.

Arquivado em:Nacional, Notícias

Como nasceu o McDonald’s: do hambúrguer de 15 cêntimos a um império global

13 Março, 2026 by Leonor Wicke

É difícil visitar uma cidade onde não haja um restaurante McDonald’s nos dias que correm. Esta hegemonia foi construída passo a passo, com mudanças estratégicas no seu modelo de negócio.

A origem da cadeia de fast food remonta a 1940, quando os irmãos Richard (“Dick”) e Maurice (“Mac”) McDonald abriram um restaurante drive-in em San Bernardino, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. O espaço chamava-se McDonald’s Bar-B-Q e servia um menu extenso, levando os produtos diretamente aos carros com empregados conhecidos como carhops. Tinham disponíveis cachorros-quentes, pratos de churrasco (barbecue), sanduíches, hambúrgueres, entre outros.

Na altura, o negócio seguia o modelo tradicional da restauração americana, mas os irmãos rapidamente perceberam que o sistema era pouco eficiente e difícil de escalar.

 

A reinvenção que criou o fast food moderno

O verdadeiro ponto de viragem aconteceu em 1948. Os irmãos McDonald fecharam o restaurante durante três meses para o reinventar completamente.

Quando reabriu, em dezembro desse ano, o espaço já não era um drive-in convencional. Tornou-se um restaurante de self-service com um menu extremamente reduzido, composto por apenas nove produtos: hambúrguer, cheeseburger, refrigerantes, leite, café, batatas fritas, chips e uma fatia de tarte.

O elemento central era o hambúrguer de 15 cêntimos, um preço muito competitivo para a época. A cozinha foi reorganizada segundo um método de produção inspirado nas linhas de montagem industriais, permitindo preparar refeições de forma rápida e padronizada. Este modelo ficou conhecido como Speedee Service System e viria a tornar-se a base da restauração fast food moderna.

A expansão nacional

Em 1954, um vendedor de máquinas de milkshake chamado Ray Kroc visitou o restaurante dos irmãos McDonald. Os irmãos explicaram-lhe que procuravam alguém capaz de expandir o conceito através de franchising.

No ano seguinte, 1955, Ray Kroc abriu o seu primeiro restaurante McDonald’s em Des Plaines, Illinois. O edifício, com azulejos vermelhos e brancos e os icónicos Golden Arches, foi desenhado pelo arquiteto Stanley Meston. No primeiro dia de funcionamento, o restaurante faturou 366,12 dólares – um início modesto para o que viria a tornar-se uma das maiores cadeias de restauração do mundo.

A construção de um fenómeno mundial

Durante as décadas seguintes, o McDonald’s consolidou um modelo altamente padronizado, baseado em três princípios que se tornariam icónicos: qualidade, serviço e limpeza.

Nos anos 60 surgiram várias inovações que ajudaram a estruturar a empresa. Em 1961, foi criada a Hamburger University, um centro de formação interno para gestores e franqueados.

A expansão internacional foi rápida. Um momento simbólico ocorreu em 1990, quando o primeiro McDonald’s abriu em Moscovo. Mais de 30 mil clientes visitaram o restaurante no dia da inauguração, um dos maiores lançamentos da história da empresa.

Nos anos seguintes, a marca continuou a inovar, com conceitos como o McCafé, lançado em 1993 na Austrália, ou novos produtos como o McFlurry, introduzido em 1995 no Canadá.

Da restauração rápida à responsabilidade global

No século XXI, o McDonald’s começou também a reposicionar-se em áreas como responsabilidade social e sustentabilidade. Em 2002, a empresa publicou o seu primeiro relatório de responsabilidade corporativa, e em 2020 inaugurou o primeiro restaurante projetado para operar com emissões líquidas zero, no Walt Disney World Resort.

A história desta cadeia mostra que grandes revoluções empresariais podem nascer de decisões aparentemente simples: reduzir um menu, reorganizar uma cozinha e apostar na eficiência. O hambúrguer de 15 cêntimos que os irmãos McDonald começaram a vender em 1948 não foi apenas um produto de sucesso. Foi o ponto de partida para um modelo de negócio que transformou para sempre a forma como o mundo come fora de casa.

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Arquivado em:Marketing, Notícias

Portugal é um dos melhores destinos da Europa para birdwatching – e agora também para orniterapia

13 Março, 2026 by Leonor Wicke

Estuários, zonas húmidas, lagoas costeiras, planícies agrícolas, montanhas e florestas mediterrânicas coexistem num território compacto, criando condições ideais para acolher uma grande variedade de espécies. Esta conjugação de fatores já atrai turistas e viajantes apaixonados por natureza, interessados em observar as cerca de 330 espécies de aves regulares registadas no país, entre as quais algumas endémicas da Península Ibérica e várias espécies migratórias que utilizam o território português como ponto de passagem entre a Europa e África.

A par do crescimento do birdwatching enquanto atividade turística e científica, começa agora a ganhar espaço um novo conceito: a orniterapia, uma abordagem que associa a observação de aves ao bem-estar físico e mental, promovendo momentos de contacto com a natureza, redução do stress e maior atenção plena.

Esta experiência está a ser explorada pelo StayUpon Hotels & Resorts no Praia do Sal Resort & SPA, em Alcochete. O programa, que teve início em outubro e vai estender-se até ao fim de março, convida a desacelerar e a redescobrir o equilíbrio através do contacto direto com a natureza, tendo como cenário o estuário do Tejo e as Salinas do Samouco, um dos mais importantes santuários naturais da região.

Outra novidade é a integração permanente dos novos tratamentos inspirados na natureza no menu do spa do hotel permitindo que, ao longo de todo o ano, os benefícios associados à orniterapia possam ser vividos pelos clientes, sejam hóspedes ou público geral.

Este programa ‘Natureza & Contemplação’ regressa depois no último trimestre de 2026, com a reabertura da época alta de birdwatching, quando as aves voltarem a incluir o estuário do Tejo nas suas rotas migratórias.

 

Imagem: Visit Portugal

Arquivado em:Cultura e Lifestyle, Notícias

Europa: entre a passividade tecnológica e a soberania de defesa que tarda em chegar

13 Março, 2026 by Leonor Wicke

Do outro lado do Atlântico, a integração de IA em sistemas de defesa já não é hipótese académica, mas sim uma decisão política. Enquanto isso, a Europa debate, desde há anos, como reduzir a dependência transatlântica e criar capacidades próprias. Mas debate parece ser a palavra-chave, e as horas do relógio geopolítico avançam sem piedade.

A União Europeia tem anunciado fundos, planos de reforço industrial e iniciativas para acelerar a base tecnológica de defesa. Fala-se de autonomia estratégica, de soberania digital, de reduzir dependências externas. Tudo certo, no papel. O problema é que, o mundo não está à espera do alinhamento de Bruxelas relativamente às regulamentações em 27 países, e nesse sentido, é urgente criar estruturas que permitam à Europa agir com velocidade e coordenação, sem abrir mão dos valores que a definem.

Além deste problema da velocidade, a Europa depende ainda, em larga medida, da tecnologia e dos ecossistemas dos EUA e aliados para capacidades críticas, desde software a infraestruturas. Isto num mundo em que as políticas externas dos EUA podem mudar a cada instante, deixando a Europa vulnerável a decisões geopolíticas que nada têm a ver com os interesses estratégicos comuns imediatos. Por fim, e para contribuir para a infeliz festa, o contexto da tensão internacional crescente, desde o Médio Oriente à instabilidade permanente na vizinhança Leste, torna a fragilidade da vulnerabilidade europeia, cada vez mais visível.

A verdade incómoda é esta: a Europa ainda não produziu gigantes tecnológicos de defesa comparáveis aos americanos ou chineses. Existem startups promissoras, há capital a circular, há talento. Mas falta escala, coordenação e sobretudo, velocidade.

Enquanto Washington decide rapidamente como integrar IA em sistemas militares, a Europa continua presa a processos lentos, a procurement fragmentado e a debates ideológicos que, embora legítimos, raramente produzem capacidade operacional concreta.

Não se trata de militarizar a inovação nem de abandonar princípios éticos, pelo contrário. Trata-se de perceber que soberania sem capacidade tecnológica própria, é uma ilusão confortável. Se a infraestrutura digital que suporta defesa, comunicações e intelligence depende de terceiros, então, a autonomia é condicional.

Autonomia estratégica não significa apenas produzir tecnologia própria: significa garantir que as empresas europeias têm espinha dorsal suficiente para defender princípios quando a pressão política aumenta. Precisamos de um ecossistema onde empresas consigam negociar com governos, sem submissão automática, mas também, sem ingenuidade, em que as empresas são capazes de dizer “sim” à inovação militar responsável, e “não” quando a linha vermelha é cruzada.

A questão central não é se a Europa deve investir mais em defesa tecnológica. É se consegue fazê-lo com a urgência necessária. Porque a próxima década vai definir quem controla as ferramentas que moldam segurança, poder e influência global.

A Europa pode escolher ser protagonista ou cliente, mas não pode continuar a fingir que as duas realidades são compatíveis.

Arquivado em:Opinião

Abstenção jovem: 6 em cada 10 jovens votariam mais se pudessem votar online

12 Março, 2026 by Leonor Wicke

Esta são algumas das principais conclusões do estudo ‘Participação eleitoral e abstenção entre os jovens em Portugal’, desenvolvido pelo IPAM, que analisou os níveis de participação eleitoral e os fatores explicativos da abstenção junto de 694 jovens entre os 18 e os 24 anos, entre 10 e 25 de fevereiro de 2026.

O estudo revela que 86,6% dos inquiridos afirmam ter votado nas eleições presidenciais, enquanto 13,4% abstiveram-se. No entanto, mais do que a taxa de participação, o estudo procurou compreender os fatores que distinguem votantes e abstencionistas.

 

O que faz os jovens afastar-se da política?

Os resultados mostram que a participação eleitoral está fortemente associada a três dimensões centrais:

  • interesse por política;
  • confiança nas instituições;
  • perceção de relevância da política para a vida quotidiana.

Entre os jovens que votaram, 68,2% afirmam interessar-se por política, enquanto apenas 36,6% dos abstencionistas expressam esse interesse. Em contrapartida, 35,5% dos abstencionistas afirmam não se interessar por política, comparativamente a apenas 10,5% dos votantes.

Também a confiança institucional apresenta diferenças significativas com 31,8% dos votantes a afirmar confiar nas instituições políticas, face a apenas 10,8% dos abstencionistas. Por outro lado, 48,4% dos jovens que não votaram expressam desconfiança, comparativamente a 25,5% entre os que participaram eleitoralmente.
A perceção de relevância da política surge igualmente como um fator determinante para o ato de votar. Enquanto 72,7% dos votantes consideram que a política aborda temas importantes para a sua vida, essa perceção é partilhada por apenas 44,1% dos abstencionistas.

Curiosamente, o sentimento de que os jovens não são levados a sério na política é transversal a ambos os grupos. Apenas 13,1% dos votantes e 16,1% dos abstencionistas consideram que os jovens são efetivamente ouvidos, sendo que cerca de metade dos jovens, independentemente de terem votado ou não, expressa discordância quanto à sua representação política.

 

Preferência por voto online e falta de identificação com candidatos explicam abstenção

A análise das motivações específicas da abstenção permite identificar fatores estruturais mais profundos. O principal motivo apontado pelos jovens que não votaram é a preferência por formas alternativas de participação eleitoral, 60,2% afirmam que votariam mais se pudessem votar online. Este dado é reforçado pela clara preferência pelo voto eletrónico remoto entre abstencionistas, 57% indicam este modelo como preferido, enquanto apenas 6,5% manifestam preferência pelo voto presencial tradicional.

A falta de identificação com candidatos constitui igualmente um fator central e nesta matéria 54,8% dos abstencionistas afirmam não se identificar com nenhum candidato, evidenciando um problema de representação política. Quase metade (48,4%) refere ter tido outras prioridades, como trabalho ou estudos, sugerindo que o voto não ocupa um lugar central na hierarquia de prioridades destes jovens.

A desconfiança institucional surge também como fator estrutural relevante, 44,1% afirmam não votar por não confiarem nos partidos e nos políticos, e 43,0% consideram que os políticos não se preocupam com os problemas dos jovens.

Em contraste, fatores logísticos assumem menor relevância. Apenas 16,1% referem dificuldades práticas, como transporte ou horários, como motivo para não votar, confirmando que a abstenção jovem não resulta maioritariamente de obstáculos operacionais.

 

Prioridade atribuída ao voto é o fator com maior impacto

A análise realizada no âmbito do estudo permitiu identificar os fatores com maior poder explicativo da abstenção. O elemento com maior impacto é a prioridade/importância atribuída ao voto. A concordância com a afirmação «tinha outras prioridades» está associada a um aumento significativo da probabilidade de abstenção, indicando que o afastamento eleitoral resulta, em grande medida, da menor centralidade do ato eleitoral na vida dos jovens.

A perceção de afastamento geracional, a desconfiança institucional e a falta de informação clara sobre os candidatos revelam igualmente impacto significativo na probabilidade de abstenção.

Os resultados demonstram que a abstenção jovem resulta sobretudo de fatores estruturais relacionados com o envolvimento político, a representação e a confiança institucional, e não de constrangimentos logísticos.

Entre os fatores centrais destacam-se:

  • Falta de identificação com candidatos (54,8%);
  • Preferência por formatos digitais para a votação (60,2%);
  • Baixa prioridade atribuída ao voto (48,4%);
  • Desconfiança e afastamento face aos políticos (44,1% e 43,0%, respetivamente).

Para os investigadores, estes dados sugerem que o aumento da participação eleitoral entre os jovens dependerá sobretudo da capacidade das instituições políticas em reforçar a confiança, aproximar-se das preocupações reais desta geração e adaptar os mecanismos de participação às suas expectativas, nomeadamente através da modernização dos modelos de votação.

Arquivado em:Nacional, Notícias

Volatilidade nos mercados: saiba por que vender ações em tempos de crise pode sair caro

12 Março, 2026 by Leonor Wicke

Duncan Lamont, CFA Head of Strategic Research da Schroders, explica por que tentar antecipar o mercado pode sair caro e apresenta vários dados históricos que ajudam a colocar a volatilidade em perspetiva. Da frequência das correções nos mercados ao impacto negativo de sair das ações em momentos de incerteza, a evidência sugere que manter a calma e seguir uma estratégia de longo prazo continua a ser uma das decisões mais eficazes para os investidores.

 

A vantagem de não reagir exageradamente à turbulência geopolítica

Quando períodos de maior turbulência geopolítica trazem volatilidade aos mercados acionistas, a tentação natural dos investidores é retirar-se para a margem. Transferir dinheiro das ações para liquidez ou para ativos de ‘refúgio seguro’, como obrigações do Estado de curto prazo, pode parecer a resposta mais prudente, mas a história indica que geralmente não é. Tentar antecipar o mercado pode ser um erro dispendioso por três razões principais:

  1. As perturbações nos mercados após grandes acontecimentos geopolíticos têm sido historicamente de curta duração, e os mercados recuperam rapidamente à medida que as manchetes alarmantes desaparecem;

  2. As recuperações podem surgir em movimentos bruscos, e os investidores correm o risco de regressar ao mercado depois de já ter ocorrido a maior subida;

  3. Vender ações em momentos de turbulência pode significar simplesmente cristalizar perdas numa queda de curto prazo.

Alguns lembretes importantes sobre volatilidade que podem ajudar a reduzir preocupações

A história oferece algumas garantias de que reações impulsivas não são necessárias em tempos de turbulência. Seguem-se algumas lições importantes que os mercados do passado nos deixaram.

A volatilidade é inevitável e ocorre com mais frequência do que muitas pessoas imaginam

Ao longo dos últimos 54 anos civis, as ações globais registaram, em algum momento de cada ano, uma queda de 10% ou mais em 31 desses anos. No mesmo período, as ações globais – representadas em ambos os casos pelos retornos em dólares do índice MSCI World – registaram quedas de 20% ou mais em 13 desses anos. (Ver Figura 1).

Figura 1: Nos últimos 54 anos, as ações globais sofreram várias correções (quedas de 10% ou mais) e mercados “bear” (quedas de 20% ou mais)

O desempenho passado não é indicador de desempenho futuro e pode não se repetir. Fonte: LSEG DataStream, MSCI e Schroders. Dados até 31 de dezembro de 2025 para o índice de preços MSCI World em dólares.

Mesmo quando os mercados registam quedas significativas ao longo do ano, historicamente os ganhos médios anuais mais do que compensaram as perdas

Os mercados são frequentemente voláteis, mas ao longo de períodos prolongados os ganhos médios — mesmo dentro de um único ano — têm superado largamente as perdas (historicamente e em média), como ilustra a Figura 2.

Figura 2: Nos últimos mais de 50 anos, as ações caíram em média 15% e subiram 23% em cada ano

O desempenho passado não é indicador de desempenho futuro e pode não se repetir. Dados de 1972 a 2025 para o índice de preços MSCI World em dólares. As barras mostram a maior queda do pico ao fundo e a maior subida do fundo ao pico em cada ano civil. Fonte: LSEG Datastream, MSCI e Schroders.

Em períodos de incerteza ou choque, os mercados podem muitas vezes vender indiscriminadamente. Boas empresas são vendidas juntamente com as más, ficando “mal avaliadas”. Permanecer investido faz sentido. Investidores experientes e ativos podem até encontrar oportunidades de compra em momentos de turbulência.

Tentar antecipar o mercado, passando para liquidez em períodos de elevada volatilidade, pode reduzir significativamente os retornos a longo prazo

O preço de reagir com nervosismo pode ser bastante elevado. No passado, investidores que passaram para liquidez durante mercados voláteis reduziram significativamente os seus ganhos a longo prazo. O desempenho das ações norte-americanas desde 1990 demonstra que:

  • Investidores que passaram para liquidez quando o índice de volatilidade VIX do Chicago Board Options Exchange estava acima da sua média histórica e regressaram às ações quando o VIX voltou a ficar abaixo dessa média teriam reduzido os seus retornos desde 1990 em quase 80%.

  • Mesmo tentando ser “disciplinados” com esta estratégia — passando para liquidez apenas quando o VIX estava nos 5% mais elevados do seu intervalo histórico — os resultados não seriam muito melhores. Essa abordagem ainda reduziria quase para metade os retornos possíveis.

  • A estratégia mais compensadora foi manter-se totalmente investido e não reagir à volatilidade.

Figura 3: Passar para a segurança da liquidez não compensou em horizontes de investimento de longo prazo

O desempenho passado não é indicador de desempenho futuro e pode não se repetir. Nota: níveis acima de 33,0 representam os 5% mais elevados da experiência histórica do VIX. A carteira é reequilibrada diariamente consoante o nível do VIX no fecho do dia anterior. O índice acionista é o S&P 500 e a liquidez corresponde a depósitos a 30 dias. Dados até 31 de dezembro de 2025. Os valores não incluem quaisquer custos, incluindo custos de transação. Fonte: CBOE, LSEG Datastream e Schroders.

As ações têm um historial muito superior ao da liquidez na geração de retornos acima da inflação — tanto no curto como no longo prazo

A liquidez pode parecer um investimento seguro, mas não o é no sentido de acompanhar historicamente a capacidade das ações de gerar retornos acima da inflação.

Desde 1990, no horizonte mais curto de um mês, as ações igualam a liquidez na frequência com que superam a inflação — 60% do tempo. (Ver Figura 4).

Quando analisamos períodos de 12 meses ou mais, as ações superam claramente a liquidez.

  • Em três anos, as ações geram retornos acima da inflação em três de cada quatro vezes, enquanto a liquidez o faz cerca de metade das vezes.

  • Em 10 anos, isso acontece 87% das vezes, contra 54% para a liquidez.

  • Em 20 anos, as ações superaram a inflação 100% das vezes, enquanto a liquidez registou apenas 64%.

Figura 4: As ações provaram ser menos arriscadas do que a liquidez para gerar retornos acima da inflação

O desempenho passado não é indicador de desempenho futuro e pode não se repetir. As ações são representadas por Ibbotson® SBBI® US Large-Cap Stocks até 2024 e pelo S&P 500 posteriormente; a liquidez por Ibbotson® SBBI® US Treasury Bills (30 dias) até 2024 e pela taxa constante de maturidade de 1 mês das obrigações do Tesouro dos EUA posteriormente. Dados até dezembro de 2025. Fonte: Federal Reserve, Morningstar Direct (via CFA Institute), LSEG Datastream, S&P e Schroders.

Mantenha a calma e siga o seu processo

A palavra “pânico” tem uma conotação negativa por boas razões. Sugere uma reação impulsiva que pode ter consequências negativas inesperadas.

No que diz respeito aos mercados acionistas, a história mostra claramente o valor de não entrar em pânico em momentos de turbulência.

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