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Rita Saldanha

Reestruturação financeira: a importância de antecipar, decidir e agir

15 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Quais são os principais sinais que apontam para a necessidade de uma empresa proceder a uma reestruturação financeira?

Perante um cenário macroeconómico atual incerto e altamente competitivo, os gestores enfrentam constantes desafios para manterem a sua saúde financeira das suas empresas. Às vezes, e apesar dos melhores esforços e da gestão diligente, uma empresa pode encontrar dificuldades financeiras que exigem uma resposta rápida e decisiva. Identificar os sinais de alerta que indicam a necessidade de iniciar uma reestruturação financeira é fundamental para preservar o valor da empresa e garantir sua sustentabilidade a longo prazo.

Sinais Precoces de Problemas Financeiros

Existem vários indicadores que podem sugerir que uma empresa está a atravessar por dificuldades financeiras e que pode precisar de uma reestruturação:

  1. Declínio nos Lucros ou nas Margens de Lucro: Uma diminuição consistente nos lucros ao longo do tempo, ou uma redução nas margens de lucro, pode indicar que a empresa está com dificuldades para preservar o valor que outrora foi capaz de gerar.
  2. Aumento da Dívida e Sobre-Endividamento: Se a empresa está a acumular dívidas rapidamente ou se apresenta com elevados níveis de endividamento em relação ao seu ativo, isso pode ser um claro sinal de alerta de que está com dificuldades em gerir as suas responsabilidades financeiras.
  3. Fluxo de Caixa Negativo: Um fluxo de caixa negativo indica que a empresa está a gastar mais dinheiro do que recebe, o que pode originar problemas de liquidez, que por sua vez poderá resultar, a prazo, em dificuldades para pagar a fornecedores, funcionários ou outros credores correntes.
  4. Perda de Quota de Mercado: Uma redução na quota de mercado da empresa pode ser um claro sinal de que a empresa está a perder terreno para os seus concorrentes ou que os seus produtos/serviços já não vão ao encontro das atuais necessidades dos seus clientes.
  5. Incapacidade de Investir em Crescimento ou Inovação: Se a empresa está enfrentando restrições financeiras que a impedem de investir em novos produtos, tecnologias ou mercados, isso poderá limitar o seu potencial de crescimento futuro e torná-la vulnerável perante ameaças externas no futuro.

Quando esses sinais de alerta se tornam evidentes, é crucial que a empresa tome medidas analisar e identificar com precisão os seus problemas e diagnosticar as soluções de forma proativa e eficaz. A reestruturação financeira pode envolver uma variedade de medidas, incluindo renegociação de dívidas, redução de custos, venda de ativos não essenciais ou até reorganização operacional.

 

Benefícios da Reestruturação Financeira

Embora a reestruturação financeira possa ser um processo difícil e desafiante, oferece uma série de benefícios para as empresas que conseguem implementá-la com sucesso. Além de contribuir para o alívio da pressão financeira, a reestruturação pode ajudar a empresa a se tornar mais ágil, eficiente e adaptável às exigências do mercado. Isso pode incluir a identificação de novas oportunidades de crescimento e a reinvenção da empresa para garantir sua relevância e afirmação a longo prazo.

Num ambiente empresarial dinâmico e desafiador, é fundamental que as empresas estejam atentas aos sinais de alerta que podem indicar a necessidade de iniciar uma reestruturação financeira. A recolha e análise da informação correta em tempo útil é determinante para o sucesso da solução escolhida.

A reestruturação financeira e operacional pode ser um processo difícil, mas também oferece oportunidades significativas para a reinvenção e para o crescimento, permitindo que as empresas enfrentem futuros desafios de mercado com resiliência e confiança.

 

Arquivado em:Notícias, Opinião

Mercado voluntário de carbono deve valorizar até 40 mil milhões de dólares

14 Maio, 2024 by Rita Saldanha

O mercado voluntário de carbono é um instrumento que permite a empresas e outras entidades compensar as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), através de créditos gerados por projetos que reduzem ou sequestram carbono. Esses projetos são verificados por entidades independentes para garantir a sua validade.

Em Portugal, o diploma que institui o mercado voluntário de carbono foi publicado em janeiro de 2024, em Diário da República, e a ADENE (Agência para a Energia) é a entidade responsável pela plataforma de registos de projetos e créditos de carbono.

De acordo com um recente estudo, estima-se que o mercado voluntário de carbono deverá crescer entre 10 e 40 mil milhões de dólares até 2030, tendo já quadruplicado o seu valor entre 2020 e 2021, atingindo 2 mil milhões de dólares.

A avaliação Unearthing Soil’s Carbon-Removal Potential in Agriculture, realizada pela Boston Consulting Group (BCG), revela o papel chave dos solos enquanto principais retentores de carbono e pela emergência de práticas inovadoras que reforçam as suas potencialidades, impulsionando o desenvolvimento de novos registos de créditos de carbono para incentivar iniciativas sustentáveis, sobretudo no setor agrícola.

Por conseguir reter cerca de cinco mil milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano até 2050, o solo desempenha um papel central neste mercado. Enquanto depósito de carbono, é enquadrado atualmente no contexto da agricultura regenerativa, enfrentando barreiras à adoção em grande escala, tais como os longos períodos de transição da agricultura tradicional para as práticas regenerativas, a baixa capacidade de retenção de carbono desse tipo de solos e os elevados custos associados à mudança.

Três práticas inovadoras de retenção de carbono no solo 

Atualmente, o carbono absorvido pelo solo é considerado vulnerável à reversão, levantando dúvidas sobre a durabilidade do seu armazenamento. A BCG destaca três categorias de práticas inovadoras de absorção de carbono no solo com grande potencial para ajudar na transição para a neutralidade carbónica:

Otimização da meteorização de rochas

Esta técnica permite a retenção de carbono através da sua mineralização, assegurando uma maior permanência do mesmo no solo. De acordo com a investigação científica, pode assegurar mais de mil anos de armazenamento de carbono e, apesar de os resultados ainda não serem conclusivos, estudos apontam para uma capacidade de retenção de cerca de 3 a 4 toneladas de dióxido de carbono por hectare. Os principais desafios deste método são o estabelecimento de um modelo de avaliação e certificação fiável e robusto, e a escalabilidade, uma vez que o pH dos solos influencia a sua eficácia.

“Carvão biológico” (biocharcoal)

Esta técnica assenta na utilização de subprodutos do carbono para melhorar as potencialidades do solo e tem uma elevada durabilidade de armazenamento de CO2, conseguindo retê-lo no solo durante séculos. Como a dose recomendada deste produto é cerca de 2 a 3 toneladas por hectare, o seu potencial total de retenção de carbono é de aproximadamente 5 a 10 toneladas. O principal desafio que este método levanta é a garantia da sustentabilidade da matéria-prima utilizada, que normalmente é um subproduto de processos industriais pesados e intensivos em carbono. Ainda assim, o “carvão biológico” (biocharcoal) é a mais bem estabelecida das técnicas inovadoras de retenção de carbono no solo.

Microrganismos

A aplicação de microrganismos, como bactérias, fungos e outros micróbios que são introduzidos no solo, melhora o processo de retenção do carbono. Embora a permanência varie consoante o modo de aplicação, muitos métodos assentes em microrganismos aumentam a quantidade de carbono reciclado no solo e podem facilitar a mineralização do mesmo, conduzindo ao carbono inorgânico do solo. Em termos de eficácia, através desta técnica, os solos são capazes de reter até 10 toneladas de CO2 por hectare.

 

O crescente peso da sustentabilidade nas discussões estratégicas corporativas tem incentivado a procura por soluções inovadoras, rápidas e eficazes para atingir a neutralidade carbónica. Neste contexto, uma nova geração de soluções tem vindo a ser desenvolvida como complemento aos mecanismos tradicionais de sequestração de carbono. A sequestração natural através do solo (soil carbon sequestration) é um processo biológico e químico que ocorre naturalmente e que facilitará a migração de práticas agrícolas convencionais para a agricultura regenerativa e que, em complemento, permitirá adicionar créditos de carbono disponíveis para serem utilizados pela indústria

Manuel Luiz, Managing Director e Partner da BCG em Lisboa

 

Arquivado em:Clima, Notícias

Aumenta o risco de crédito da dívida dos países em desenvolvimento

14 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Estimam-se que cerca de 20 países que se qualificam para empréstimos do Banco Mundial encontram-se em alto risco de crédito. Os problemas de endividamento dos países mais vulneráveis afetados pelas guerras, interrupções nas cadeias de abastecimento globais e inflação global fazem aumentar o seu risco de incumprimento.

De acordo com o relatório da seguradora de crédito, Crédito y Caución, registaram-se 18 incumprimentos de dívida soberana nos últimos três anos, superando o total registado nas duas décadas anteriores. Para além disso, o maior envolvimento da China e dos detentores de obrigações complicou as negociações de reestruturação nas crises de dívida pública.

O que se passou?

Antes da pandemia, os países elegíveis para a Associação Internacional de Desenvolvimento do Banco Mundial beneficiavam de condições monetárias globais favoráveis. Devido às baixas taxas de juro, muitos emitiram obrigações pela primeira vez. Em comparação com as taxas de juro internas, as taxas das euro-obrigações eram mais baixas, mas a mudança para estas obrigações internacionais também tornou estes países mais vulneráveis a alterações no sentimento do mercado, aumentando o risco de refinanciamento e de taxa de câmbio.

Essa mudança no sentimento do mercado veio com a pandemia e, posteriormente, com a guerra na Ucrânia. A maioria dos países em desenvolvimento perdeu o acesso ao mercado internacional de capitais e enfrentou um aumento acentuado dos custos dos empréstimos.

De acordo com as estimativas contidas no relatório, os custos dos empréstimos públicos nos países de baixo rendimento aumentarão até 40% entre 2023 e 2024, consumindo uma parte significativa das receitas públicas. Embora a flexibilização monetária deva começar este ano, o ambiente de taxas de juros não voltará aos níveis pré-pandemia. Com mais de um terço da dívida destes países financiada a taxas variáveis, o número de países a entrar numa crise da dívida poderá aumentar nos próximos anos.

Embora o G20, juntamente com o FMI e o Clube de Paris, tenha adotado um quadro comum para ajudar os países em desenvolvimento face às crises da dívida soberana, o surgimento de novos intervenientes e as alterações na composição da base de credores estão a tornar mais difícil aos países que enfrentam uma crise da dívida encontrar soluções. O relatório analisa em detalhe as últimas negociações de reestruturação, que se tornaram mais complexas, se arrastam e, por vezes, nem sequer começam devido a duas alterações substanciais.

Em primeiro lugar, a quota da China no grupo de credores bilaterais aumentou consideravelmente. A China não participa no Clube de Paris, que facilita a coordenação entre os credores públicos bilaterais e aplica a sua própria abordagem aos devedores problemáticos. Mostra-se relutante em aceitar cortes, exige que os mutuários mantenham a confidencialidade dos acordos de empréstimo ou de reestruturação e defende soluções bilaterais em vez de uma abordagem multilateral.

Em segundo lugar, a emissão de obrigações duplicou a percentagem de credores privados na dívida pública. Quando os obrigacionistas fazem parte de uma reestruturação, a situação torna-se ainda mais complexa, uma vez que vários têm de chegar a acordo sobre os termos e, ao abrigo do quadro comum do G20, qualquer proposta dos obrigacionistas negociada com o governo devedor está sujeita à aprovação dos credores oficiais.

Arquivado em:Economia, Notícias

Direitos dos consumidores: conheça 10 medidas que se defendem

14 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Do fim das comissões nos PPR à regulação de influenciadores digitais, a DECO PROteste reuniu as 10 maiores preocupações no campo financeiro.  O objetivo é promover uma concorrência sã do mercado, sem subterfúgios ou temas escondidos em cláusulas de difícil compreensão para a maioria das pessoas.

Veja aqui:

Literacia financeira obrigatória no ensino e nas empresas

Defesa da inclusão obrigatória da literacia financeira no ensino e a promoção da mesma em empresas e organismos públicos.

Diminuição da taxa de imposto dos produtos de poupança

É considerado urgente reduzir o imposto sobre produtos de poupança em Portugal, especialmente considerando a baixa taxa de poupança nacional. Esta taxa tem sofrido sucessivos aumentos: passou de 20% para 21,5% e, no início de 2012, subiu para 25%; ainda em novembro desse ano passou para 26,5%; e, em 2013 dispararam para os atuais 28%, uma das taxas mais elevadas da Europa. Por exemplo, em Espanha, o rendimento dos depósitos é tributado a 19% para juros até 6000 euros. Se o montante dos juros for entre 6000 e 50 000 euros então é aplicada a taxa de 21% e para montantes superiores a taxa é de 23%.

Criação de uma conta de poupança que sirva de fundo de emergência

É fundamental incentivar as famílias portuguesas a poupar. Propõe-se a criação de uma conta de poupança isenta de imposto até certo montante, que possa servir como fundo de emergência. Por exemplo, na Bélgica, as contas de poupança são um produto específico regulamentado pelo Governo e os juros das contas poupança estão isentos de impostos até 1020 euros por pessoa (valor de 2024, pode mudar a cada ano). Se a conta poupança for em nome de um casal casado ou em união de facto, a isenção duplica para 2040 euros anuais. Para obter 1020 euros de juros teria de aplicar, por exemplo, 51 000 euros a 2% ao ano.

Reordenação do rendimento dos produtos de poupança do Estado

Propõe-se uma reordenação do rendimento dos produtos de poupança do Estado, de modo a torná-los mais atrativos e alinhados com o risco e a liquidez que cada um oferece. Deveriam proporcionar um rendimento de acordo com o risco e a liquidez de cada um, o que não está a acontecer e até causa alguma confusão ao aforrador. Por exemplo, os Certificados de Aforro são, do grupo dos três, o que apresenta maior liquidez e o capital está sempre garantido. Mas o rendimento é superior aos Certificados do Tesouro Poupança Valor, que garantem o capital, mas têm menos liquidez.

Aumento das vantagens e benefícios fiscais dos PPR

Saíram mais de 1,2 mil milhões de euros dos planos de poupança-reforma (PPR) das famílias em Portugal ao longo de 2023, ano em que foi possível canalizar estas poupanças para os encargos com o crédito à habitação sem penalizações (seja amortização ou pagamento da prestação). Estas mesmas exceções mantêm-se em 2024, pelo que deverão ser dois anos em que se vão esvaziar os cofres da poupança que era destinada à criação de um complemento para a reforma. Apela-se ao aumento das vantagens e benefícios fiscais dos Planos de Poupança Reforma (PPR), com o intuito de incentivar a poupança a longo prazo.

Eliminação da comissão de transferência nos PPR e fundos de pensões

É urgente eliminar a comissão de transferência nos Planos de Poupança Reforma (PPR) e nos fundos de pensões de capital garantido. Considera-se insustentável impor um custo sobre produtos de longo prazo que têm baixos rendimentos, custo esse que prejudica os consumidores e o bom funcionamento do mercado.

Criação de uma ficha técnica simples nos seguros de capitalização

Propõe-se a criação de uma ficha técnica simples nos seguros de capitalização, incluindo os seguros PPR, para fornecer ao consumidor um resumo claro das informações principais em linguagem acessível, permitindo comparações com outros produtos financeiros.

Extensão da isenção das mais-valias a outros produtos

Considerando os riscos especulativos e a falta de regulamentação dos criptoativos, é justificado estender a isenção de tributação a outros ativos financeiros, como fundos de investimento, ações e ETF, detidos por 365 ou mais dias, para promover equidade fiscal.

Diminuição da tributação em 48% ações, fundos, obrigações e ETF

A tributação em 48% das mais-valias provenientes da venda de valores mobiliários como ações, ETF, obrigações, entre outros, aplicada apenas acima de um determinado montante de rendimento coletável (78.834 euros) e quando os ativos são detidos por menos de 365 dias, é considerada um exagero e criticada também pela presidente da Euronext. Em vez da taxa autónoma de 28%, aplica-se uma taxa de imposto de 48%, o que desincentiva o investimento no mercado bolsista, especialmente o nacional, e promove a evasão fiscal, o que não contribui positivamente para as decisões de poupança dos investidores.

Regulamentação da publicidade de produtos financeiros com riscos e influenciadores digitais patrocinados

A publicidade agressiva nas redes sociais, que promete ganhos rápidos e elevados em produtos financeiros complexos, e os influenciadores digitais patrocinados, muitas vezes sem a devida credenciação exigida pela CMVM, estão a influenciar milhares de seguidores. Portanto, é fundamental estabelecer regras mais rigorosas para os influenciadores, que muitas vezes atuam como especialistas em áreas de investimento, garantindo assim uma proteção adequada aos investidores e consumidores.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Energia como Desafio Insular

14 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Cabo Verde abraça o desafio da Sustentabilidade Energética de forma estratégica e com o olhar no futuro. Tornar-se um território arquipelágico energeticamente autónomo e capaz, e um dos países líderes no panorama Atlântico, é o foco de um plano com metas bem definidas. Alexandre Monteiro, Ministro da Indústria, Comércio e Energia (MICE), é o líder que assina o compromisso assumido até 2030, pelo país, de ultrapassar 50% da eletricidade produzida por fontes renováveis e de chegar até aos 100% da produção em 2040.

Tais metas serão alcançadas através da implementação do Programa Nacional para a Sustentabilidade Energética, do Plano Diretor do Setor Elétrico e operacionalização dos instrumentos de aceleração da eficiência energética, com a implementação do Sistema Nacional de Etiquetagem em Equipamentos e do Código de Eficiência Energética.

Estrategicamente, há o objetivo de ter todos os veículos movidos por combustíveis não fósseis até 2050, para além de fixar o recurso ao hidrogénio verde como um novo patamar de desenvolvimento energético. Para o ano de 2024, prevê-se que todas as Ilhas de Cabo Verde terão carregadores públicos para carros elétricos, num total de 40 postos.

De acordo com fontes do MICE, há cerca de 200 carros elétricos no país de meio milhão de habitantes, e o objetivo é acompanhar a nova tendência de mobilidade, enquanto Cabo Verde implementa um plano para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis. O Governo pretende que até 2025 30% da eletricidade da rede tenha origem renovável.

Outro eixo é marcado pela utilização de meios de produção de eletricidade limpa para autoconsumo, que desde 2016 cresceu mais de 10 vezes, ultrapassando os 10 megawatts (MW). No que diz respeito à capacidade de eletrificação e instalação de Parques Fotovoltaicos, o Governo cabo-verdiano abriu concurso para construir e colocar em funcionamento, até junho de 2025, centrais solares em quatro ilhas, totalizando cerca de 3,5 MegaWatts (MW), num projeto cofinanciado pelo Banco Mundial. De acordo com o concurso lançado pela Unidade de Gestão de Projetos Especiais (UGPE), em causa está a construção e exploração de parques solares nas ilhas do Fogo (1,3 MW), Santo Antão (1,2 MW), São Nicolau (0,4 MW) e Maio (0,4 MW).

Para além destas quatro centrais, há outros cinco processos em curso de produção de energia renovável, solar e eólica. O mais recente avanço data de abril, na ilha de São Vicente, que vai receber o primeiro Parque Solar Foto voltaico de 5MW, situado na localidade de Norte de Baia. Esta Central irá abranger uma área de 7 hectares, terá uma produção anual estimada de 11GWh e está prevista a sua entrada em funcionamento em dezembro de 2024.

Os pilares do Programa Nacional de Sustentabilidade Energética

O setor de Energia encontra-se sob tutela do Ministério de Indústria, Comércio e Energia e sob a responsabilidade da Direção Nacional de Indústria, Comércio e Energia (DNICE). Segundo o Programa do Governo (2021 – 2026), e de acordo com informação divulgada pelo Portal de Energia de Cabo Verde, o setor energético e a aceleração da transição energética são considerados pilares do eixo – Desenvolver a Economia Verde que inclui água, saneamento, ambiente, ação climática e transformação agrícola.

Esta transição acontece em alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 7 Energia limpa e acessível), bem como com os principais compromissos do país a nível de alterações climáticas, a sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) e a estratégia nacional de género no acesso a energia, aprovada recentemente.

É neste contexto que o Programa Nacional para a Sustentabilidade Energética (PNSE) materializa as orientações definidas no Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (PEDS). Os eixos de estratégia do PNSE, definido até 2026, reafirmam o objetivo de fazer a transição para um setor energético, seguro, eficiente e sustentável, assente em sete pilares:

  1. Reforço Institucional e Melhoria do Ambiente de Negócios;
  2. Reforma da Estrutura Organizacional do Mercado Energético;
  3. Investimento em Infraestruturas Estratégicas;
  4. Desenvolvimento das Energias Renováveis;
  5. Promoção da Eficiência Energética;
  6. Fomento Empresarial, Pesquisa & Desenvolvimento no domínio energético;
  7. Inclusão e Equidade Género no Setor Energético.

 

Projetos em curso promovidos pelo Governo de Cabo Verde

1 – Programa Transição Energética

As intervenções que irão compor o programa são orientadas para os objetivos do país, assegurando flexibilidade e adaptabilidade a qualquer mudança de circunstâncias, no quadro do acordo do Programa Indicativo de Cooperação para o Desenvolvimento-Clima-Energia (PIC DCE) e da abordagem do país Cabo Verde. O projeto foi desenvolvido com as experiências do PIC IV Programa de Apoio ao Setor de Energias Renováveis (PASER) 2016-2020, entre a República de Cabo Verde e o Grão-Ducado do Luxemburgo. A intervenção abrange as nove ilhas de Cabo Verde. A ilha de Brava foi escolhida para servir de modelo e demonstração, uma vez que se espera que atinja 100% de energia renovável até 2030.

2 – Promoção da Mobilidade Elétrica em Cabo Verde (ProMEC)

Implementado pela Agência Alemã para a Cooperação Internacional (GIZ) em colaboração com o MICE, com financiamento do Mitigation Action Facility, em alinhamento com a visão estratégica do país materializada na Carta de Política de Mobilidade Elétrica (CPME), no Plano de Ação para a Mobilidade Elétrica (PAME) e na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) de Cabo Verde. O projeto conta com um financiamento de aproximadamente 793,9 milhões de Escudos (cerca de 7,2 milhões de Euros) e a previsão da duração do projeto é de cinco anos, com término em maio de 2025.

3 – Acesso à energia sustentável para gestão da Água: Nexos Energia-Água

Implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI) em colaboração com o MICE e cofinanciado pelo Fundo Global para o Ambiente (GEF). Com o objetivo de promover o uso comercial de tecnologias de Energia Renovável (ER) e Eficiência Energética (EE) em sistemas de produção de água. Desenvolvimento de uma rede abrangente de empresas de serviços de energia (ESE) em linha com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) de Cabo Verde. O projeto é financiado pelo GEF, em 2 milhões USD, e por outras entidades locais através de cofinanciamentos.

4 – Energias Renováveis e melhoria da eficiência energética nos Serviços Públicos

Com o objetivo de aumentar a produção de energia renovável e melhorar a performance do setor Elétrico em Cabo Verde, o projeto enquadra-se dentro das metas de penetração das ER definidas no Plano Diretor do Setor Energético 2018-2040 aprovado pelo Governo, de 30% até 2025 e mais de 50% até 2030. Neste contexto, o Governo de Cabo Verde negociou com a Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA) do Grupo do Banco Mundial o seu financiamento, no montante total de 16,5 milhões USD.

 

Este artigo foi publicado na edição da Líder Cabo Verde 2024. Subscreva a Líder aqui.

Arquivado em:Artigos, Cabo Verde

A Liderança e a família

14 Maio, 2024 by Rita Saldanha

No mês em que celebrámos o Dia Internacional da Mulher há uma natural tendência para trazer novamente ao debate os diferentes estilos de liderança entre géneros.

E, apesar de compreender de onde nasce este tema, confesso que tenho alguma dificuldade em contribuir para esta discussão, por uma simples razão: não encontro diferenças significativas que distingam uma liderança feminina de uma liderança masculina. Há sim, acredito, estilos diferentes de liderar, mas que me parecem independentes do género. Inclusivamente, acredito que manter esta narrativa é acentuar subtilmente uma desigualdade que me parece desfavorável à construção de um mundo mais igualitário. Porque subentende que há características do “líder” que são expectáveis numa mulher ou num homem, para as quais cada género está predisposto.

Não obstante, não estou com isto a querer dizer que não há, entre mulheres e homens, diferenças naturais que levam a formas diferentes de abordar os problemas e de os resolver. Mas sem que isso se traduza necessariamente num estereótipo de liderança que permita construir um perfil onde se encaixe cada um. Certamente que, ao longo da nossa vida profissional, já nos cruzámos com líderes homens de uma sensibilidade extraordinária e com líderes mulheres excessivamente autoritárias. E exatamente o seu contrário. Depende muito mais da personalidade de cada um, da preparação de cada um para o cargo e dos exemplos que o marcaram até ali chegar, do que qualquer outro fator.

Ressalva. Sei que falo de um lugar privilegiado, numa sociedade onde se têm feitos grandes progressos neste campo e o meu contexto direto é disso um exemplo. No entanto, esta não é uma realidade global, pelo que os direitos nunca devem ser dados por garantidos e devemos manter viva a memória recente onde, no nosso país, a igualdade entre géneros não era de todo uma preocupação.

Mas à luz da atual realidade portuguesa (onde há certamente muito por fazer, não nego) acredito que estamos numa fase onde podemos avançar nesta discussão, para outros pontos que dizem respeito tanto a homens quanto a mulheres e que visam criar uma sociedade mais justa (igualitária talvez), onde cada um pode cumprir a sua vocação profissional e pessoal, sem que isso implique desigualdades para nenhum dos lados.

Parece-me que o grande tema se levanta quando falamos de Família, de natalidade e de parentalidade. Estes sim são temas fraturantes na nossa sociedade e que merecem ser refletidos. Como se gerem as famílias e as empresas, em relações saudáveis. Porque se por um lado temos as famílias que precisam de tempo e de uma estrutura que permita o acompanhamento dos filhos, por outro temos as empresas que, ainda que sendo familiarmente responsáveis, como acredito ser o caso da Openbook, precisam de equipas funcionais que possam dar resposta aos desafios próprios da profissão. É um problema de resolução complexa, que varia consoante o contexto de cada um. Há várias questões que precisam de reflexão, sendo por isso essencial que mais se envolvam ativamente neste debate para que possamos chegar a medidas reais que sejam facilitadoras desta conciliação:

Enquanto líderes e gestores de duas casas – a pessoal e a profissional – como conciliamos as duas realidades? Quais os compromissos? Como podemos ser um exemplo para as nossas equipas, nesta conciliação? Onde começam e acabam os direitos e os deveres?

Arquivado em:Notícias, Opinião

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