Estou a acabar a leitura de Fé, Esperança e Carnificina, de Nick Cave (Relógio d’Água).
Para os admiradores do grande músico australiano, trata-se de uma leitura obrigatória. O livro é uma longa entrevista com Seán O’Hagan e trata dos mais variados temas, incluindo a música e as artes em geral, o trabalho, luto e a perda, a política.

Sobre o trabalho, destaco uma ideia: que se trata de uma forma de salvação. É uma formulação interessante que muitos acharão porventura ousada. Mas creio que esta é a mesma visão que se encontra em Dias Perfeitos, o magnífico filme de Wim Wenders sobre um limpador de casas de banho públicas em Tóquio. O trabalho pode ser uma forma de organização da vida num projeto com sentido.
Sobre política: “A direita tornou-se mais assustadora, a esquerda tornou-se mais louca, e a nossa civilização já fraturada pulverizou-se em algo que se assemelhava a uma loucura coletiva”. Creio tratar-se de um retrato lúcido de alguém que pensa pela sua cabeça. E é para isso que devem servir os artistas: para nos fazer pensar. Cave, com a idade, está cada vez melhor. E no Verão chega álbum novo. Depois vem a Portugal. Em cheio.
