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Rita Saldanha

Nick Cave

13 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Estou a acabar a leitura de Fé, Esperança e Carnificina, de Nick Cave (Relógio d’Água).

Para os admiradores do grande músico australiano, trata-se de uma leitura obrigatória. O livro é uma longa entrevista com Seán O’Hagan e trata dos mais variados temas, incluindo a música e as artes em geral, o trabalho, luto e a perda, a política.

Sobre o trabalho, destaco uma ideia: que se trata de uma forma de salvação. É uma formulação interessante que muitos acharão porventura ousada. Mas creio que esta é a mesma visão que se encontra em Dias Perfeitos, o magnífico filme de Wim Wenders sobre um limpador de casas de banho públicas em Tóquio. O trabalho pode ser uma forma de organização da vida num projeto com sentido.

Sobre política: “A direita tornou-se mais assustadora, a esquerda tornou-se mais louca, e a nossa civilização já fraturada pulverizou-se em algo que se assemelhava a uma loucura coletiva”. Creio tratar-se de um retrato lúcido de alguém que pensa pela sua cabeça. E é para isso que devem servir os artistas: para nos fazer pensar. Cave, com a idade, está cada vez melhor. E no Verão chega álbum novo. Depois vem a Portugal. Em cheio.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Quase metade das pessoas estão a pensar mudar de emprego em 2025

13 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Cerca de 46% das pessoas em todo o mundo estão a considerar demitir-se em 2025, uma percentagem ‘recorde’ desde a Great Resignation em 2021. E no contexto do trabalho, cerca de 3 em cada 4 trabalhadores especializados (75% dos knowledge workers) afirmam utilizar a IA generativa.

O conhecimento em IA está a ser cada vez mais valorizado pelos empregadores, com dois terços dos líderes a afirmar não contratar uma pessoa sem competências nesta tecnologia. Ao mesmo tempo, cerca de metade (55%) referem estar preocupados com a escassez de talento em 2024, sendo as áreas de cibersegurança, engenharia e design criativo as que mais sentem esta carência.

A análise é do Work Trend Index, elaborado pela Microsoft e o LinkedIn, o relatório que mostra uma visão de como a Inteligência Artificial (IA) generativa está a reformular a rotina de trabalho, mas também o próprio mercado.

O estudo resulta de um inquérito a 31 mil pessoas de 31 países, através do qual se identificaram tendências laborais e de contratação do LinkedIn, de uma análise a sinais de produtividade do Microsoft 365, e de uma pesquisa junto de clientes da Fortune 500.

IA faz ‘perder ou ganhar’ empregos?

É justamente neste ponto que está uma das conclusões do relatório. Apesar da crença de que a IA e a perda de empregos estão associados, os dados revelam uma realidade onde cada vez mais pessoas estão a pensar em mudar de carreira, onde existem empregos disponíveis e os trabalhadores com competências de IA terão prioridade.

No entanto, o estudo demonstra que apenas 39% dos utilizadores recebem formação em IA da parte da sua empresa e a aposta na aquisição de competências é feita pelos próprios. No final de 2023, aumentaram 142 vezes o número de utilizadores do LinkedIn a adicionar competências de IA aos seus perfis, assim como cresceram em 160% os profissionais não técnicos a usar cursos do LinkedIn para melhorar a sua aptidão em IA. Já as menções de IA em anúncios de emprego impulsionam um incremento de 17% nas candidaturas.

No contexto laboral, o Work Trend Index demonstra que 3 em cada 4 trabalhadores especializados utilizam IA generativa no trabalho, destacando como benefícios desta utilização a poupança de tempo, o aumento da criatividade e a possibilidade de se concentrarem no trabalho mais importante.

A maioria dos líderes (79%) concorda que a adoção da IA é fundamental para as organizações se manterem competitivas, 59% estão preocupados em quantificar os ganhos de produtividade da IA, e 60% temem que a sua empresa não tenha uma visão e um plano para a implementar.

Outro dos resultados retirados do relatório foi a definição de quatro tipos de utilizadores de IA, dos céticos aos utilizadores avançados. Sobre este último grupo, o estudo demonstra a capacidade de estes reorientarem os seus dias de trabalho, repensarem os processos de negócio, e pouparem mais de 30 minutos por dia.

De acordo com a pesquisa, quase todos (90%) os utilizadores avançados dizem que a IA torna a sua carga de trabalho mais fácil de gerir e o seu trabalho mais agradável. Ao mesmo tempo, os utilizadores avançados têm 61% mais probabilidade de terem ouvido da parte do seu CEO sobre a importância de usar IA generativa no trabalho; 53% mais probabilidade de serem incentivados pela liderança para refletir como a IA pode transformar a sua função; e 35% mais probabilidade de receber formação personalizada em IA para a sua função ou cargo específico.

A IA generativa está a promover no mercado de trabalho a necessidade de acelerar para acompanhar a rapidez da evolução tecnológica, e sobretudo as empresas terão de dar o passo em frente e apostar na capacitação dos seus funcionários com ferramentas e formação em IA, como forma de as organizações beneficiarem das mais valias desta tecnologia ao nível da produtividade, mas também na perspetiva de atrair e reter o melhor talento. Também por isso a Microsoft há muito que aposta no skilling e upskilling de profissionais, disponibilizando recursos gratuitos para este efeito

Manuel Moura, Diretor da Unidade de Modern Work e Surface da Microsoft Portugal

 

Para consultar o relatório completo, aceda ao link aqui.

 

 

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Banca online faz disparar ciberataques ao setor financeiro

13 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Devido à digitalização massiva no setor da Banca nos últimos anos, houve a nível global, um total de cerca de quatro mil ataques de ransomware ao setor financeiro em 2023, sendo que cerca de três mil ocorreram durante o segundo semestre do ano.

Os ciberataques tornaram-se uma ameaça para a estabilidade financeira dos países. O setor bancário consolidou-se como um dos principais alvos dos cibercriminosos, devido ao elevado potencial para obter grandes lucros.

Em 2023, verificou-se um aumento de 53% nos ciberataques de ransomware ao setor bancário, em comparação com 2022. Estes ataques centram-se maioritariamente na recolha de informações pessoais e bancárias, que podem permitir o roubo de fundos de contas bancárias ou de carteiras de criptomoedas. A nova abordagem dos cibercriminosos causou uma diminuição de 40% nos ataques sobre os multibancos.

Estes dados são revelados pela S21sec no Threat Landscape Report, que analisa a evolução dos ciberataques a nível global e partilha algumas pistas para que as organizações adotem uma postura proativa em relação à cibersegurança.

Principais conclusões 

Entre os ataques mais utilizados contra o setor financeiro, o relatório destaca a atividade de malware, um tipo de software malicioso projetado para danificar ou explorar dispositivos, redes ou serviços.

São usadas diversas técnicas para obter estas informações, como infostealers, injeções web, malspam ou emails e sms de phishing. Danabot, ToinToin e JanelaRAT são os malwares ativos mais perigosos para o setor bancário A empresa destaca a atividade de um dos malwares mais ativos nos últimos seis meses de 2023, conhecido com “Danabot”.

Este tipo de ataques destaca-se pela utilização de injeções web, uma técnica que permite modificar ou injetar código malicioso no conteúdo dos websites visitados pelos utilizadores, sem o seu conhecimento ou consentimento.

O “Danabot” é também utilizado frequentemente para diversas atividades, como ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS), propagação de spam, roubo de passwords, roubo de criptomoedas e como um bot versátil para diversos outros propósitos.

Destaca-se também a presença neste ecossistema do malware “JanelaRAT”, um tipo de malware que tem como principal objetivo permitir o acesso remoto ao equipamento infetado, mas que permite também o roubo de credenciais de acesso a bancos e a carteiras de criptomoedas.

Este malware cria formulários falsos quando deteta o acesso a um website bancário ou cripto, capturando os cliques do rato, as teclas digitadas, capturas de ecrã e recolhe informações do sistema para potenciar os ciberataques. O método de distribuição deste malware é principalmente através do envio de emails direcionados às vítimas (spear phishing). Estes e-mails contém um link que, que uma vez visitado, mostra ao utilizador uma página falsa, descarregando automaticamente a primeira fase e garantindo a sua persistência no equipamento, sendo posteriormente ativadas as potencialidades de contacto para os servidores maliciosos e o roubo da informação bancária.

Outro dos ataques mais frequentes tem sido através do “ToinToin”, que faz parte de uma campanha sofisticada que consegue distribuir malware e infetar os equipamentos através de diversas etapas de execução. A distribuição é também maioritariamente realizada através de emails que contêm um URL malicioso, e o payload final tem como objetivo estabelecer uma conexão para o atacante e iniciar o roubo de informações do equipamento afetado.

Identificar riscos

Identificar os sinais precoces de atividades suspeita, sistemas de deteção e prevenção eficazes e seguir protocolos de resposta a incidentes são passos para mitigar o risco de um ataque e minimizar o seu impacto.

A consciencialização dos funcionários sobre as boas práticas de cibersegurança e a implementação de medidas de proteção robustas, como, por exemplo, manter os sistemas atualizados, utilizar a autenticação de múltiplos fatores e realizar backups regulares, são componentes importantes de uma estratégia de defesa abrangente.

 

Na maioria dos casos, são as pessoas que abrem o link malicioso, permitindo assim que o atacante invada o seu dispositivo e inicie a operação criminosa. É muito importante que haja uma consciência para a importância da cibersegurança, de forma a garantir a proteção dos equipamentos digitais e finanças das pessoas, e o primeiro passo é nunca aceder a um URL suspeito ou divulgar informação bancária sem confirmar com o seu banco

Hugo Nunes, responsável da equipa de Threat Intelligence da S21Sec

Arquivado em:Economia, Notícias

Com 25 anos de atividade em Portugal parte agora para Cabo Verde

13 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Cabo Verde tem um modelo de desenvolvimento económico muito similar ao português, quem o diz é César Santos, Founder & President do Grupo Wellow™, nesta entrevista à Líder.

A empresa portuguesa vai apostar no país como primeira experiência de internacionalização. Apesar de o Turismo e a Energia serem áreas de grande interesse estratégico em Cabo Verde, e também do Grupo Wellow™, é na qualificação profissional e outsourcing que pretendem investir, abrindo mesmo um escritório no país. Suportarão a sua atividade em plataformas digitais, mas pretendem que as equipas locais partilhem a cultura do grupo e estejam algumas semanas em Portugal.

 

Qual a importância estratégica de um país como Cabo Verde no meio do Atlântico?

Ao longo dos anos já pensámos em dar um passo com vista à internacionalização e, desta vez, decidimos dá-lo de forma definitiva. Entendemos que Cabo Verde, pelas semelhanças culturais, pela estabilidade e abertura ao investimento português, é o local ideal para este primeiro passo, que acredito ser um projeto piloto para outros que se seguirão no futuro.

Quais os desafios principais para fazer crescer Cabo Verde de uma forma sustentável?

A Wellow™ é um grupo empresarial em que a área de Recursos Humanos é o seu pulmão. Acreditamos que temos já uma vasta experiência e know how que pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas que connosco interagem e, simultaneamente, oferecer às empresas soluções qualificadas de desenvolvimento e gestão de recursos humanos. O desafio será poder fazer em Cabo Ver de o que temos feito ao longo destes 25 anos em Portugal, com a qualidade reconhecida pelos nossos clientes.

 

A formação de lideranças pode ser desenvolvida de que forma?

A formação e desenvolvimento de lideranças é fundamental para Portugal e será também para Cabo Verde. Nas equipas internas, pretendemos que partilhem a cultura do grupo e estejam algumas semanas em Portugal. No entanto, quere mos fazer uso das plataformas digitais e nalguns casos deslocar formadores a Cabo Verde, desenvolvendo ações de for mação para o mercado cabo-verdiano.

 

Que áreas de atividade veem como mais atrativas para Cabo Verde poder desenvolver-se nos próximos anos?

O Turismo e a Energia parecem-me apostas estratégicas de Cabo Verde, mas a Qualificação Profissional e o Outsourcing são áreas em que pretendemos apostar, bem como estar atentos a oportunidades de deslocalização de algumas operações de outsourcing de cariz administrativo ou comercial.

Que soluções tem a Wellow™ que considera adequadas para um país que pretende continuar a crescer economicamente?

Sendo a área de Recursos Humanos o core business do Grupo, a nossa aposta será na oferta de soluções de recrutamento e seleção especializado, consultoria, formação profissional e outsourcing.

 

Cabo Verde será para a vossa empresa também um desafio, pois será o início da vossa internacionalização. Como esperam que decorra esse processo de internacionalização?

Queremos que a nossa entrada no mercado de Cabo Verde seja vista como uma empresa que aposta na qualificação de pessoas, no desenvolvimento de soluções e na criação de riqueza para a população local.

 

Vão ter uma equipa residente no país?

Sim, já identificámos uma pessoa e um escritório para iniciar a nossa atividade e esperamos criar condições para crescer num futuro próximo. Não seria possível apostar na internacionalização sem ter uma presença local.

 

Cabo Verde está a desenvolver projetos na área das Energias Renováveis, Ambiental, Turismo e Economia do Mar. Como podem ver-se a ajudar nestes domínios?

Cabo Verde tem um modelo de desenvolvimento económico muito similar ao português e essa é mais uma das razões que nos permitirá replicar muitas das soluções e projetos que temos em Portugal, nomeadamente na área do Turismo e Energia.

 

São um grupo com 25 anos de atividade, quais as vossas grandes apostas para continuarem no mercado e a crescer?

No ano em que celebramos 25 anos, no primeiro trimestre estamos com um crescimento acima dos 20%. Nos últimos anos, temos tido uma estratégia de diversificação e inovação. Acredito que podemos continuar esse trajeto e continuar a crescer nos próximos anos, consolidando a Wellow™ como um Grupo importante no mercado português e, futuramente, em Cabo Verde.

 

Este artigo foi publicado na edição da Líder Cabo Verde 2024. Subscreva a Líder aqui.

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

Novas bolsas de estudo para Apoio Universitário contam com 400 mil euros

13 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Estão abertas até dia 15 de maio, quarta-feira, as inscrições a 540 bolsas de estudo para apoiar financeiramente os estudantes universitários. As bolsas destinam-se aos alunos residentes em Portugal e inscritos numa das 18 instituições de Ensino Superior aderentes ao programa.

A iniciativa é da Fundação Santander Portugal, em conjunto com o Santander Universidades. As bolsas têm um valor que varia entre os 500, 750 e mil euros, dependendo da Instituição de Ensino Superior, e representam um investimento total de cerca de 400 mil euros, com o objetivo de contribuir para a estabilidade financeira dos estudantes universitários.

A Fundação Santander Portugal, através de diversos instrumentos, disponibiliza anualmente múltiplos programas e bolsas orientadas para apoiar diferentes gerações. No que respeita à Educação, atribui especial importância à criação de oportunidades para estudantes com menores recursos económicos, com necessidades especiais ou integrantes de grupos sociais vulneráveis.

Os interessados podem inscrever-se através da plataforma da Santander Open Academy.

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Cabo Verde como Farol de Progresso

10 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Com uma população resiliente e talentosa, Cabo Verde apresenta um passado rico e um presente que lhe permite afirmar–se internacionalmente. Desde a Independência em 1975, tem alcançado feitos assinaláveis a nível económico, social e cultural.

Lembrando o escritor e político Corsino Fortes: “O segredo do sucesso dos cabo-verdianos é a ideia universalista que têm do Mundo.” Este sucesso pode ser aumenta do através de uma utilização eficiente dos recursos do país que ainda estão por explorar, contribuindo para a materialização do grande potencial de Cabo Verde. Para isso, são imprescindíveis lideranças corajosas, visionárias e consequentes, capazes de continuar a conduzir Cabo Verde rumo ao progresso. Proponho-me contribuir para esta discussão ao explorar a noção de liderança atlântica no país, destacando o seu impacto nas esferas económica e cultural, além de partilhar hipóteses que impulsionem o desenvolvimento nestas áreas.

Visão e estratégia

É referido com frequência que Cabo Verde pode explorar a sua localização como uma ponte entre continentes e 14 culturas para impulsionar o desenvolvi mento económico, promover a coesão social e fortalecer a herança cultural. Vou aprofundar essa discussão e ser concreto. Uma liderança atlântica em Cabo Verde pode abraçar uma visão de longo prazo que tire partido das suas principais forças, ganhando forma ao identificar-se criteriosamente o que distingue o país e, de seguida, ao pensar-se estrategicamente como se podem alavancar esses atributos. Creio que uma liderança atlântica pode incorporar princípios de desenvolvimento sus tentável, de aproveitamento dos recursos naturais e culturais e de fomento da cooperação regional. Para compreender essa abordagem, recorro a teorias de liderança e estratégia, adaptando-as ao contexto cabo-verdiano.

Teoria da liderança transformacional

Esta teoria destaca a importância de líderes que inspiram e motivam as suas equipas a alcançar objetivos comuns. Aplicando esta teoria a uma realidade nacional: a liderança transformacional procura envolver líderes que não apenas respondam às necessidades imediatas, mas também que promovam uma visão de longo prazo para o desenvolvimento do país. Esses líderes devem ser capazes de articular essa visão de um país próspero e culturalmente rico de um modo convincente e galvanizante, que inspire os concidadãos, os parceiros e os investidores internacionais. Como competências basilares, convém demonstra rem integridade, empatia e capacidade de comunicação eficaz para construir confiança e colaboração na sociedade.

Abordagem baseada em recursos e capacidades

Esta abordagem destaca a importância de identificar e aproveitar os recursos exclusivos de um país para alcançar vantagens competitivas. Um pequeno país insular como Cabo Verde ganha em ser pragmático e especializar-se em áreas onde possa gerar mais valor. Assim, evita ficar dependente ape nas de um setor, como ficou evidente quando a pandemia de COVID-19 afetou negativamente o turismo. Tal significa que é importante compreender as consequências de choques externos, pois a sua pequena economia aberta pode ficar vulnerável. Uma liderança atlântica pode identificar os recursos naturais, culturais e humanos que exis tem, estudar tendências internacionais e fazer projeções que permitam planificar e adaptar-se. Igualmente importante é o investimento na educação e capacitação da população, transformando-a em recursos humanos qualificados, inovadores e versáteis. O desafio é ter uma oferta educativa que responda às necessidades do mercado de trabalho, fomentando nos jovens um espírito empreendedor e criativo.

Estratégia de cooperação regional e internacional

Dada a interconectividade global, Cabo Verde pode reforçar a estratégia de cooperação bilateral e internacional. Com a primeira, pode aprofundar parcerias com os países vizinhos continentais mais próximos, como a Gâmbia, a Guiné-Bissau e o Senegal, aproveitando afinidades históricas, culturais e geográficas. Com a segunda, pode aprofundar o envolvimento em organizações regionais e internacionais para promover o comércio, investimentos e intercâmbio cultural, reforçando o esforço considerável que tem feito. Uma liderança atlântica pode procurar oportunidades de cooperação em projetos de desenvolvimento sustentável, como iniciativas de conservação ambiental, energias renováveis e turismo responsável. Assim, Cabo Verde pode beneficiar das competências e recursos de parceiros internacionais, enquanto contribui para o progresso global em áreas-chave. Um bom exemplo deste tipo de parceria é o projeto Bioesfera, que desenvolve as suas ações de conservação de espécies e ecossistemas em algumas ilhas do país.

Desenvolvimento económico

Cabo Verde possui um potencial eco nómico significativo, especialmente nos setores do Turismo, Pesca, Serviços Financeiros e Energias Renováveis. Uma liderança eficaz pode priorizar políticas que estimulem o crescimento nesses setores e que promovam a sustentabilidade ambiental e a inclusão social.

Deixo algumas hipóteses para discussão:

  • Economia azul: Os recursos do Atlântico permitem desenvolver: a Pesca Sustentável, através de regulamentações adequadas e apoio à modernização das frotas, a aquicultura; o Turismo Marítimo, investindo em infraestruturas como hotéis e resorts sustentáveis para fortalecer um Turismo de qualidade.
  • Hub logístico: A localização estratégica do país torna-o um potencial hub logístico para o comércio internacional. O investimento em infraestruturas portuárias e aeroportuárias pode impulsionar o setor e algumas áreas de atividades associadas, como o bunkering ou o acabamento/assemblagem de produtos.
  • Energias Renováveis: Cabo Verde possui um enorme potencial para a geração de energia renovável, principalmente solar e eólica. A apos ta em energias limpas pode garantir a independência energética do país e contribuir para a mitigação das mudanças climáticas, como no caso de sucesso de Monte Trigo, a primeira aldeia de Cabo Verde com energia 100% renovável.
  • Tecnologias de Informação e Comunicação: O país tem um ambiente propício para o desenvolvimento deste setor, com uma população jovem e qualificada e acesso à internet em crescimento. O investimento neste setor pode criar oportunidades de emprego e impulsionar a Economia, além de reter jovens com formação académica.

Desenvolvimento cultural

Uma liderança atlântica pode reforçar a importância da cultura como um desígnio nacional. Cabo Verde pode tornar-se um ator ainda mais ativo na diplomacia cultural, fazendo com que as pessoas de outros países conheçam os seus valores, tradições e instituições, garantindo um apoio aos objetivos económicos e políticos cabo-verdianos. Deixo algumas hipóteses para discussão:

  • Promoção cultural: O país possui uma cultura vibrante e a sua promoção pode impulsionar o turismo cultural e fortalecer a identidade cabo-verdiana. Em particular, seria interessante criar mais polos de difusão da cultura nacional no estrangeiro, à imagem do Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa.
  • Património cultural: Investimentos na preservação do património cultural, como restauro de edifícios históricos e promoção de festivais culturais, teriam impactos duradouros. Seria interessante ver como algumas ilhas, que não as do Sal e da Boa Vista, poderiam beneficiar com um aumento de turistas que visitam Cabo Verde não pelas praias, mas pelo vasto património material e imaterial.
  • Criatividade e inovação: O investimento nas artes, na cultura e na indústria criativa pode gerar oportunidades de emprego e desenvolvimento económico. Os artistas e artesãos podiam ser apoiados na comercialização dos seus produtos internacionalmente. O caso de sucesso na música podia ser replicado em outras áreas.
  • Valorização interna da cultura nacional: Esta ideia está relaciona da com a integração da educação cultural no currículo escolar. Pode passar pela criação de uma disciplina que fomente a importância da cultura nacional, destacando a literatura, música, dança, culinária e artesanato como atrativos únicos acarinhados e divulgados pelos jovens.

Cabo Verde tem todas as condições para ser um farol de progresso e desenvolvimento no horizonte atlântico. Com uma liderança atlântica comprometida com a valorização do capital cultural e humano, com a exploração sustentável dos recursos naturais e com o aprofundamento de uma economia moderna e competitiva, o país está prepara do para voos mais altos. Ao fortalecer os laços com países vizinhos e parceiros internacionais, pode tornar-se um centro de excelência e inovação em áreas-chave, como Turismo Sustentável, Energias Renováveis e Economia Criativa.

Uma liderança atlântica pode ser visionária e inclusiva, procurando oportunidades de colaboração e crescimento mútuo. Acredito que Cabo Verde poderá vir a servir como modelo inspirador para outros países na região do Atlântico e além desta, estando mais perto de cumprir todo o seu potencial para benefício dos seus cidadãos.

Este artigo foi publicado na edição da Líder Cabo Verde 2024. Subscreva a Líder aqui.

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