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Rita Saldanha

Líderes temem que a Gen AI aumente a desigualdade económica

10 Maio, 2024 by Rita Saldanha

A maioria dos líderes aposta na Inteligência Artificial (IA) para obter ganhos imediatos, como eficiência ou redução de custos. Contudo, as lideranças preveem e temem que a Generative AI aumente a desigualdade económica e veem a necessidade de mais regulamentação e colaboração a nível global.

Estas são parte das principais conclusões de uma nova análise, onde 79% dos inquiridos espera que a Gen AI promova uma transformação substancial em menos de três anos.

State of Generative AI in the Enterprise é o relatório elaborado pela Deloitte que também mostra que quase metade (41%) dos líderes afirma que as suas organizações estão ligeiramente ou não estão preparadas para lidar com as preocupações nesta área.

O estudo, baseado numa amostra de cerca de 2.800 líderes em 16 países, aponta que a maioria das organizações ainda depende, principalmente, de soluções de Gen AI off-the-shelf, ou seja, já existentes e prontas a usar, como por exemplo, aplicações de Gen AI publicamente disponíveis, aplicações de produtividade e plataformas empresariais com Gen AI integrada.

Principais conclusões

A análise ao atual momento desta inovação tecnológica no mundo das empresas a nível global, revela que a maioria dos líderes empresariais tem foco nos benefícios táticos da IA, como a melhoria da eficiência e da produtividade (56%) ou a redução de custos (35%), em detrimento de dar prioridade a áreas estratégicas como o crescimento e a inovação (29%).

A melhoria de produtos e de serviços existentes (29%) é também destacada e, logo a seguir, o aumento do valor das tarefas dos atuais trabalhadores (26%) das empresas.

No que às pessoas diz respeito, existe neste momento um sentimento de incerteza sobre como gerir talentos, governança e risco na adoção da Gen AI, sendo que 22% dos líderes acredita que as suas organizações estão bem ou muito bem preparadas para lidar com questões relacionadas com o talento na adoção da Gen AI.

Segundo a análise, muitas organizações não estão focadas na formação e requalificação dos seus colaboradores. Cerca de 47% concordam que estão a formar os seus colaboradores de modo suficiente acerca das capacidades, benefícios e valor da Gen AI.

Outra das conclusões do estudo está relacionada com a perceção de que os líderes considera que o uso generalizado da Gen AI centralizará o poder económico global (52%) e aumentará a desigualdade económica (51%). Para abordar estas preocupações, a maioria dos entrevistados concorda que há necessidade de mais regulamentação global (78%) e colaboração (72%) para gerir a adoção responsável da Gen AI em larga escala.

Organizações que se definem como tendo uma expertise muito elevada em Gen AI tendem, segundo o estudo, a ter uma visão mais positiva, mas também se sentem mais pressionadas e ameaçadas pelos efeitos trazidos pela Inteligência Artificial. Os líderes destas organizações referem níveis mais altos de interesse dos colaboradores, preparação técnica e transformação contínua associada à Gen AI, mas também sentem mais pressão para adotá-la e a veem como mais ameaçadora para seus negócios e modelos operacionais.

Medir o pulso ao atual momento do desenvolvimento da Gen AI é, certamente, uma das maiores prioridades de empresários e gestores de topo, numa corrida que ameaça impactar muito rapidamente setores e indústrias como um todo, mas que também é uma oportunidade única de crescimento e de levar a sociedade como um todo a um novo patamar de desenvolvimento. Este estudo permite medir o impacto e as perspetivas futuras dos empresários e gestores que são, em última análise, os maiores implementadores desta tecnologia

Hervé Silva, Partner da Deloitte

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Montante de pedidos de crédito quase duplicou nos últimos dez anos

10 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Os portugueses têm solicitado cada vez mais crédito ao consumo, sendo que o montante dos últimos dez anos atingiu os 68,2 mil milhões de euros (essencialmente associados ao crédito pessoal e automóvel). Ao comparar 2013 com 2023, passou-se de 3,70 mil milhões para 7,65 mil milhões anuais, um crescimento de aproximadamente 107%.

Segundo dados disponibilizados pelo Banco de Portugal, e trabalhados pelo Portal do Crédito, entre 2013 e 2023 foram contraídos 15,7 milhões créditos ao consumo. Só em 2023 os portugueses pediram quase 1,6 milhões de créditos ao consumo às instituições financeiras. Mais de metade deste valor (58%) é referente a contratos de cartões e linhas de crédito que representam mais de 800 mil contratos todos os anos.

Outro dado relevante é o facto de se estar a contratar montantes cada vez mais elevados – se retirarmos os cartões de crédito, no ano passado em média um contrato teve um valor de 8.968 €, um crescimento de 38,33% face aos 6.483 € de 2013.

Contudo, apesar de praticamente metade dos créditos serem relacionados com cartões, linhas de crédito e descoberto, é o crédito pessoal que cobre a maior fatia no valor contratado. Falamos de 30,36 mil milhões de euros em 10 anos.

Tanto o montante como o número de contratos têm aumentado todos os anos, sendo a única exceção 2020 e 2021, devido à pandemia e ao maior índice de poupança registado pelos portugueses nessa altura.

É sabido que as taxas de juro nos créditos à habitação têm subido exponencialmente e o mesmo aconteceu nos créditos ao consumo. Estes crescimentos fazem com que atualmente um cartão de crédito tenha uma taxa de juro máxima de 19% e um crédito pessoal de 15,6%.

Apesar destes valores, há 10 anos os valores praticados eram muito superiores, principalmente no que concerne aos cartões e linhas de crédito que chegaram a atingir, no final de 2012, 37,3%.

Arquivado em:Economia, Notícias

Cláudia Magalhães é a nova Head of B2B Sales da Galileu no Porto

10 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Cláudia Magalhães  assume o cargo de Head of B2B Sales da empresa de formação Galileu, no Porto. Esta contratação completa a equipa comercial da organização, após Joana Perleques ter assumido em 2023 as funções de Head of B2B Sales em Lisboa.

Com mais de 15 anos de experiência em cargos de gestão de operações em ambientes B2B e B2C, Cláudia Magalhães é especialista em gestão de pessoas, estratégia comercial e sua implementação, tendo passado por empresas como Insparya, Titan, Smile.up, ou o Grupo Oral Med Saúde.

Estou verdadeiramente impressionada com a cultura organizacional da GALILEU e as ações internas implementadas que promovem a colaboração, partilha de conhecimentos e experiência entre todas as equipas. É algo diferenciador e, sem dúvida, o melhor exemplo que poderemos ter. A cultura de inovação e excelência reflete-se nas relações de parceria, confiança e compromisso que se estabelece também com os nossos clientes

Cláudia Magalhães, Head of B2B Sales da GALILEU no Porto

 

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

O segredo do sucesso organizacional? Liderança

10 Maio, 2024 by Rita Saldanha

Um bom negócio é como qualquer relação bem-sucedida, deve cumprir as necessidades de ambas as partes. O psicólogo Abraham Maslow cunhou a hierarquia das necessidades, que identificou dois tipos de necessidades no ser humano: as primárias (fisiológicas e de segurança) e as secundárias (sociais, estima e autorrealização). As necessidades das organizações não são muito diferentes: devem-se atingir os objetivos de produção, de rentabilidade, e a satisfação de todas as pessoas envolvidas, sejam clientes, trabalhadores ou a comunidade; em síntese, é necessário encontrar o ponto de equilíbrio entre as necessidades das pessoas e as necessidades da organização.

Os líderes das organizações são os responsáveis máximos para encontrarem este ponto de equilíbrio. A liderança é a chave do sucesso organizacional, na medida em que, funda os alicerces da cultura organizacional, e inspira as pessoas a superarem-se diariamente. Os excelentes resultados organizacionais são alcançados através da uma boa liderança de pessoas competentes, motivadas, com potencial de evolução, nos lugares certos, numa cultura justa e colaborativa, unidas por um objetivo comum.

A cultura é o reflexo do líder máximo da organização, que se repete em cascata, do topo até às bases. Consubstancia-se em comportamentos que formam os rituais específicos de cada organização, imitados pelos seus integrantes. E construir uma cultura positiva, capaz de gerar um bom clima organizacional, implica dar uma boa proposta de valor aos seus empregados (employee value proposition), nomeadamente: um salário justo, benefícios, transparência, comunicação, oportunidades de desenvolvimento, reconhecimento, equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, boas condições físicas de trabalho, um bom ambiente social, oportunidades de carreira, desafio constante, suporte, valorização, entre outros fatores.

Os bons negócios dependem também de uma cultura propícia. Os líderes devem, por exemplo, retirar a burocracia do caminho, para garantir a rapidez e a qualidade dos produtos ou serviços prestados; criar climas de segurança psicológica, de satisfação e realização pessoal e profissional, afastando as pessoas tóxicas do caminho. Um líder bem-sucedido é um catalisador de excelentes resultados organizacionais, os quais proporcionam condições para garantir a satisfação das pessoas – pessoas felizes são mais produtivas. Este é um círculo vicioso – diria mesmo virtuoso – para a melhoria incremental e progressiva de ambos os resultados.

Dito isto, líderes de qualidade são um bem escasso e cabe às empresas recrutarem e formarem as lideranças do futuro. Se o líder não existe na organização, vamos procurar um líder capaz de atingir resultados extraordinários. As pessoas são muito resistentes à mudança, pelo que se deve procurar um líder que já tenha todas as competências necessárias ao sucesso, dentro das possibilidades de cada organização. Recrutar o melhor e mais alinhado líder no mercado é o melhor investimento que se pode fazer, e se as empresas não têm os recursos internos para o efeito, há consultoras disponíveis no mercado. Por outro lado, se o líder já existe dentro da empresa, mas não tem as competências necessária para atingir excelentes resultados, vamos desenvolvê-lo, sobretudo, através de programas de liderança.

A liderança não é inata, mas antes desenvolvida ao longo do tempo. No entanto, sabe-se, de forma empírica, que é difícil ensinar alguém a ser líder. Normalmente, o indivíduo deverá já possuir algumas características pessoais, baseadas nos traços de personalidade que desenvolveu ao longo da vida, que o alinhem com a liderança. Normalmente, foi alguém que teve a oportunidade de desenvolver essas competências, muitas vezes durante a adolescência e juventude – a título de exemplo, alguém que foi delegado de turma, ou líder da associação de estudantes.

Os programas de liderança servem para desenvolverem pessoas que, já revelando essas competências, ainda necessitam de as desenvolver e calibrar. Há que perceber que o desenvolvimento das competências de liderança é um processo contínuo; mais que um cargo ou um título, é uma forma de estar e de agir, que poderá ser desenvolvida de forma continuada; não só em termos de ferramentas técnicas, mas essencialmente competências relacionais e sociais, de comunicação e de empatia.

Para que a aprendizagem seja efetiva, há que a pensar de forma progressiva e prolongada, muito assente em ferramentas de coaching e de mentoria, através da exploração e utilização de casos reais – se possível, que estejam a ser vividos pelos líderes. Esta metodologia de aprendizagem empírica permitirá aplicar e treinar as competências em contexto real e prolongado no tempo, permitindo uma eficiente aquisição de competências e aquisição de novos hábitos comportamentais. Uma formação «one shot» perderá o efeito logo no curto prazo.

Quer atingir melhores resultados organizacionais? Não existe nenhum segredo, desenvolva e recrute os melhores líderes.

Arquivado em:Notícias, Opinião

«Somos muito mais Mar do que Terra», veja aqui como foi a Leadership Summit Cabo Verde 2024

9 Maio, 2024 by Rita Saldanha

A segunda edição da Leadership Summit Cabo Verde trouxe hoje ao palco da Assembleia Nacional, na Cidade da Praia, dezenas de oradores, nacionais e internacionais, para refletir, debater e pensar sobre o tema da Liderança Atlântica com o foco na Sustentabilidade Energética, Turística e Digital, junto de uma audiência de cerca de 300 pessoas.

O desafio de uma liderança atlântica, alicerçado numa cultura crioula de valor estratégico e na posição crucial do país, já havia sido referido por Olavo Correia, Vice Primeiro-Ministro de Cabo Verde que marcou presença no Jantar Oficial de Abertura do evento, no Hotel Oásis, ontem à noite. O também Ministro das Finanças e do Fomento Empresarial e da Economia Digital, destacou o papel da arte e da cultura, que coloca o país na frente e à escala mundial. «Cabo Verde sem a sua música, arte e cultura seria um país tão silencioso», afirmou.

 

A necessidade de paz, de um Planeta habitável e de garantir uma vida digna para as pessoas, sobretudo no continente africano, faz da capacidade de liderança uma peça chave para a transformação do Mundo. São as «lideranças inspiradoras» que conseguem fazer a mudança, em que nada acontece por acaso. E para isso é preciso ser um líder ‘louco’, visionário e com ambição.

Nas suas palavras, «a liderança é um movimento que nos faz ir do conhecido para o desconhecido», e isso é a coisa mais difícil que existe, «convencer as pessoas a mudar do que conhecem para o que não se conhece».

Abertura e principais momentos da Leadership Summit Cabo Verde 2024

A abertura artística da Cimeira contou com a atuação do DJ Strelado e com as spoken words de Bruno Sanches, a partir do poeta cabo-verdiano Lopes Talaia, numa homenagem à música, cantora e compositora Sara Tavares.

Seguiram-se as palavras de José Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde. Sobre o tema da Cimeira, considera-o «desafiante»; «somos um país insular, mas fazemos questão de nos maternos relevantes», destaca. As características intrínsecas do país influem, em muito, a sua capacidade de sustentabilidade.

«Somos muito mais mar do que terra», diz referindo-se à capacidade de recursos naturais e de transformação energética, com a redução da dependência dos combustíveis fósseis. A aposta de Cabo Verde reflete-se na meta de chegar aos 80% de penetração de energia renovável em 2040 – com a intenção de «mudar substancialmente o perfil energético do país».

A questão da água, e da sua escassez é real, mas como partilha – «a seca é uma realidade, mas não uma fatalidade», e existem recursos naturais como o sol, vento e mar que servem de suporte para a transformação e construção de uma Economia Azul.

E em todo o caminho da transformação, o Digital é o acelerador dos projetos e das ideias. Na área do Turismo, há ainda a vontade e aumentar a oferta, desenvolver o eco turismo, num crescimento sustentável e com coesão social, com destaque para o Pacto Verde, iniciativa do Governo para as Unidades Hoteleiras de Cabo Verde.

Talk e Debates

Com Marco Rocha, jornalista da Televisão de Cabo Verde e host do evento, arranca a manhã de trabalhos com Adriana Reais Pinto, Especialista de políticas internacionais para transição energética, e conselheira da Women in Renewables Alliance. Na talk «Transição energética e a importância da liderança para além dos títulos», trouxe as melhores práticas de outros territórios insulares e áridos, onde a liderança se faz pelo melhor exemplo.

Momento para o primeiro Debate, «Energia – o desafio para um futuro sustentável», que contou com a presença de Alexandre Monteiro, Ministro da Indústria Comércio e Energia do Governo de Cabo Verde, António Santos, da start-up de energia eólica Windcredible e Margarida Segard, Diretora do ISQ Academy. Na conversa moderada por Elizabete da Silva Dias, jornalista da TV Record, foram colocadas em evidências as dificuldades, mas também as metas já atingidas para a transformação energética.

Cabo Verde está numa posição crucial: embora geograficamente vulnerável às alterações climáticas, possui o potencial de ser um protagonista e liderar a implementação de planos de ação ambiental. «Desenvolvimento e investimento sustentável: riscos e oportunidades para cabo verde», foi o tema da talk que se seguiu, com Cláudia Coelho, Partner da PwC.

As lideranças estão preparadas para fazer esta digitalização de forma sustentável e segura? Que desafios enfrentam e o que vai ser necessário fazer nas empresas públicas e privadas? Mais um debate, desta vez com Bruno Castro, Fundador e CEO da VisionWare, Lumumba Barbosa, Administrador Executivo da NOSi E.P.E. e Hélio Varela, CTIO da Unitel T+. A conversa «Sustentabilidade digital – um caminho seguro para a liderança», foi moderada por Jefferson Gomes, Jornalista da RTC.

Segue-se um momento inspirador com David Simas, Managing Director of Research and Impact da Emerson Collective e anterior vice-Presidente da Fundação Obama. Na vídeo talk «Hope for the best, and work for it: essential leadership pillars for Cabo Verde in a rapidly evolving world», o líder partilha a sua visão sobre como construir uma liderança atlântica baseada em três pontos chave.

Último debate do programa, «Liderança atlântica – um oceano de oportunidades», onde se colocam algumas questões, entre elas: O que significa Liderança Atlântica numa perspetiva económica, tecnológica, cultural e sociológica?

Marcos Rodrigues, Presidente da Câmara de Comércio de Sotavento e Presidente do Conselho Superior das Câmaras de Comércio e Turismo de Cabo Verde, Miriam Livramento, Presidente da Geração B-Bright, e Karamba Badio, Represente da Corporação Financeira Internacional (IFC) para Cabo Verde, procuram responder e debater o tema, com a moderação de Marco Rocha, Jornalista da Televisão de Cabo Verde.

Brian Klaas, Professor, Cientista Político Americano, e Autor do livro Corruptíveis encerra a manhã e o dia da Leadershio Summit Cabo Verde com a talk « Why power attracts the corruptible – and how to fix it».

Juntamente com a equipa que esteve envolvida na organização do evento, Catarina Guerra Barosa, Diretora de Conteúdos da revista Líder, encerrou a manhã de trabalhos, com a entrega das peças artísticas, que decoraram o palco da Assembleia Nacional, da autoria do artista Helder Cardoso.

Após o final do evento, o bote que liderou o rumo dos temas, vai voltar para o mar, e as telas que preencheram as laterais do palco principal vão ser doadas a cada uma das Organizações envolvidas: Tech Park, Assembleia Nacional e Universidade de Cabo Verde.

 

A Leadership Summit Cabo Verde é um acontecimento anual integrado no projeto Líder, que replica internacionalmente o evento Leadership Summit Portugal.

A Leadership Summit Cabo Verde 2024 é uma iniciativa da Tema Central e da The Office, agência cabo-verdiana de Public Affairs, e conta com os apoios de: VisionWare, Caetano, Garantia Seguros, Unitel T+, PwC, ISQ Academy, Cabo Verde Airlines, Super Bock Group, Bolsa de Valores de Cabo Verde, Electra, Cavibel, Banco Comercial do Atlântico, BTOC Consulting, Nosi, Enapor e Wellow.

 

 

Arquivado em:Cabo Verde, Notícias

Ideias para Materializar a Liderança Atlântica

9 Maio, 2024 by Rita Saldanha

A construção da Liderança Atlântica por parte de Cabo Verde depende do seu recurso mais valioso: as pessoas! A riqueza e o potencial do país no que diz respeito à população e à sua diáspora, aos recursos naturais, à posição geográfica, às relações internacionais e também ao singular nível de desenvolvimento dentro dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa é inexorável.

É, por isso, importante manobrar estratégias para colocar em definitivo Cabo Verde no mapa da Liderança.

Onde se deve focar o futuro do país? Quais as medidas mais urgentes a tomar? E quais é que devem ser os próximos passos? Alguns membros do Conselho Estratégico da Líder para Cabo Verde respondem.

Bruno Castro Fundador & CEO da VisionWare

A Liderança Atlântica em Cabo Verde pode ser materializa da através de várias estratégias, especialmente no âmbito digital, onde a tecnologia e a Cibersegurança desempenham papéis cruciais. Aqui, evidencio algumas ideias para materia lizar essa liderança e destacar a importância da Cibersegurança:

  1. Desenvolvimento de Infraestrutura Digital Avançada: investir na criação de uma infraestrutura digital robusta é essencial para impulsionar a liderança atlântica de Cabo Verde. Tal incluirá melhorias na conectividade de banda larga, expansão da cobertura de internet em áreas remotas e investimento em tecnologias emergentes como 5G e Internet das Coisas (IoT).
  2. Promoção de Ecossistema de Inovação e Empreendedorismo Digital: incentivar a criação de startups e o desenvolvimento de um ecossistema de inovação e empreendedorismo digital é fundamental para impulsionar o crescimento económico e tecnológico do país. Tal poderá ser efetuado através de programas de incentivo, parcerias público-privadas e facilitação de acesso a financiamento para startups.
  3. Educação e capacitação em tecnologia e Cibersegurança: investir na for mação de profissionais em tecnologia e Cibersegurança é crucial para garantir que Cabo Verde tenha os recursos humanos qualificados necessários para liderar no cenário digital, o que poderá incluir programas de formação profissional, parcerias com instituições de ensino superior e certificações em Cibersegurança.
  4. Desenvolvimento de Políticas e Regulamentações em Cibersegurança: é essencial para proteger os dados e a infraestrutura digital do país. Sobretudo, adotar padrões de segurança internacionalmente reconhecidos, pela criação de agências reguladoras dedicadas à Cibersegurança e à implementação de medidas de conformidade e auditoria.
  5. Promoção de uma maior consciencialização e Literacia Digital/ Literacia em Cibersegurança: educar a população sobre os riscos e melhores práticas em Cibersegurança é funda mental para proteger tanto os cidadãos quanto as empresas contra ameaças digitais. Tal poderá ser facilitado através de campanhas de sensibilização, workshops e programas de educação e formação pública.
  6. Estabelecimento de Parcerias Internacionais: estabelecer parcerias internacionais em Cibersegurança poderá fortalecer a posição de Cabo Verde enquanto líder atlântico, permitindo o intercâmbio de conhecimentos e melhores práticas com outros países e organizações.
  7. Desenvolvimento de Centros de Excelência/ Competências Digitais em Cibersegurança: apostar na criação destes Centros em Cibersegurança pode ajudar a promover a pesquisa e inovação nesse campo, além de fornecer suporte e recursos para empresas e organizações que procuram proteger os seus sistemas digitais.

Será assim essencial investir em infraestrutura digital, promover a inovação e o empreendedorismo nestas vertentes, educar e capacitar profissionais em tecnologia e Cibersegurança, desenvolvendo políticas ativas e regulamentações sólidas, apostando ainda numa crescente consciencialização em Cibersegurança, no estabelecimento de parcerias internacionais, e na criação de centros de excelência/ competência em Cibersegurança. Essas medidas não só impulsionarão o crescimento económico e tecnológico do país, como também o posicionarão enquanto líder digital na região Atlântica.

 

Luís Eduardo Nobre Leite, Administrador e Executive Board Member da Garantia Cabo Verde

«A grandeza do Homem consiste em ser uma ponte e não um fim.» Friedrich Nietzsche

Na antecâmara da II Edição da Leadership Summit Cabo Ver de, sob o tema “Liderança Atlântica – Sustentabilidade Energética, Turística e Digital”, e do repto para, através das palavras escritas, acrescentar pedras no caminho a construir para materializar esta liderança, optei por um exercício substancialmente diferente.

Olhando para dentro, mas com os olhos para além de Cabo Verde e da sua natureza Atlântica, que lhe tem permitido abrir-se ao Mundo levado pelas correntes e marés, dei comigo a navegar nestas mesmas águas à procura do rumo certo para o porto seguro, em tempos de incerteza e de imprevisibilidade. Viajei pela nossa História, entre a cidade-porto (Cidade Velha) e o porto-cidade (Mindelo); lembrei-me da gesta da luta pela Independência Nacional, concretizada com a Liberdade, a Democracia e o Estado de Direito; do desenvolvimento do país e da elevação da sua voz no concerto das nações; dos talentos que brotam nestas ilhas no desporto, nas lides das artes e da cultura e nas ciências do saber.

Recordei os vários seminários, fóruns, planos, programas, estratégias, talks e summits versando sobre o futuro do país e dos setores que deveriam servir de âncora para o desenvolvimento sustentável almejado; o orgulho do caminho trilhado, mas igualmente a insatisfação de não termos ainda alcançado outro patamar, com as gentes que temos e somos! E as certezas, que habitualmente temos, deram lugar às dúvidas: a Macaronésia, a CPLP, a CEDEAO, a parceria especial com a União Europeia, o (re)alinhamento da política externa, o sonho de uma liderança atlântica!? Na ausência de respostas, vislumbrei quatro dimensões (4D), não necessariamente digitais, mas centradas no Homem cabo-verdiano e no exercício da sua cidadania, que poderiam facilitar esta ambição maior de passarmos a ser mais relevantes para o mundo, corporizadas nos seguintes desafios@cv.

Consenso. Havendo alargado consenso em relação aos setores estratégicos sobre os quais Cabo Verde deve alicerçar o seu desígnio de País-Plataforma, continua por assumir este propósito como causa coletiva e formalizar os compromissos necessários a longo prazo para o efeito, que ultrapassem os ciclos de alternância governativa.

Celeridade. A gestão do fator tempo emerge como um grande desafio das lideranças@cv, seja na formulação de estratégias e planos, seja na sua operacionalização, devendo ser aceleradas as reformas para que a transformação digital agilize os processos administrativos e decisórios (morosos) na esfera pública.

Consistência. É imperioso que as estratégias e as metas definidas sejam coe rentes, consistentes, exequíveis e percecionadas como sendo adequadas à realidade do país e capazes de responder aos anseios e dificuldades das pessoas e das empresas.

Continuidade. A resiliência e a perseverança que marcam a História do país e do cabo-verdiano devem estar refle tidas nas políticas públicas, traduzindo a humildade (individual) e a capacidade (institucional) de construirmos sobre as pedras existentes. É, pois, neste contexto complexo e desafiante que registo, com apreço, a iniciativa da organização de trazer a Leadership Summit a Cabo Verde e o seu posicionamento: uma importante ponte para a afirmação, capacitação e assunção das responsabilidades das lideranças@cv, do país e da extensa comunidade emigrada, na sua nobre missão de continuar esta corrida de estafeta em prol do desenvolvimento do país. Lideranças com sólidos conhecimentos e expertise, do melhor que há no Mundo; comprometidas com o bem comum e as pessoas; com pendor humanista e elevado sentido ético; que sejam inspiradoras e liderem pelo exemplo.

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Este artigo foi publicado na edição da Líder Cabo Verde 2024. Subscreva a Líder aqui.

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