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Rita Saldanha

Ataques cibernéticos, instabilidade e inflação são os principais riscos para os líderes empresariais portugueses

19 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Quando inquiridos sobre os principais riscos que o mundo vai enfrentar em 2023, cerca de 130 líderes empresariais portugueses apontam em primeiro lugar (54%) a “inflação“, seguindo-se a falha de medidas de cibersegurança (49%), e os “eventos climáticos extremos” (42%) na terceira posição. O top-5 de riscos identificados considera a “estagnação económica prolongada” (29%), e a “geopolitização de recursos estratégicos” (28%).

O estudo “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos 2023” identificou os riscos percecionados pelos líderes empresariais para o mundo e para a sua organização e foi desenvolvido pela Marsh Portugal. A análise nacional tem como objetivo fazer uma ponte com o “Global Risks Report 2023”, desenvolvido pelo Fórum Económico Mundial e que contou com o apoio do Grupo Marsh McLennan.

Principais Riscos nacionais 

Quanto aos riscos que as empresas consideram que as vão afetar diretamente a nível nacional, os inquiridos colocam “ataques cibernéticos” em primeiro lugar (46%), seguindo-se a “instabilidade política ou social” (45%), e a “inflação” em terceiro lugar. Conta-se ainda com a “retenção de talentos” (35%) na quarta posição e a “falha na cadeia de fornecimento” (33%), a fechar o top-5.

De acordo com os participantes no estudo, 50% das empresas afirmam dar elevada importância à prática da gestão de riscos e 34% consideram dar suficiente importância. Apenas 15% afirmam dar pouca importância a esta temática. No que toca ao valor orçamentado para a gestão de riscos verifica-se uma continuidade da tendência registada em 2022: 39% dos inquiridos indicam que o valor aumentou em 2023; 42% afirmam que o valor estabilizou; 17% avançam não saber qual o valor orçamentado para a gestão de riscos nas suas empresas e 2% dizem que este valor diminuiu.

Mudanças nos últimos cinco anos

Uma análise aos riscos esperados para 2023 a nível global e a sua comparação com os quatro anos anteriores revela a permanência de riscos tecnológicos nas duas primeiras posições, o que reforça a importância do tema da cibersegurança. Segundo o estudo, outra realidade em evidência é a importância dada aos riscos económicos, com a inflação e a estagnação económica a subirem no top dos riscos a nível mundial.

Ao nível dos riscos ambientais, os eventos climáticos extremos ocupam o top-3 dos riscos mais esperados pelas empresas para o ano de 2023, posição que ocupa desde 2018, à exceção dos anos de 2021 e 2022. De acordo com a análise, o posicionamento desta tipologia de riscos leva à conclusão que as empresas portuguesas têm uma noção do peso que os eventos climáticos extremos têm para a economia global, numa perspectiva de longo prazo, e a dificuldade em mitigar esse mesmo risco e os impactos relacionados no futuro próximo.

Olhando para o risco de ciberataques como principal preocupação manifestada pelas empresas nacionais, Portugal revela um nível de maturidade manifestamente baixo na preparação para este tipo de ataques, apesar de ser notória uma cada vez maior consciencialização por parte da gestão de topo e dos responsáveis pela gestão de risco das empresas face ao tema da cibersegurança e as implicações que eventos desta natureza podem ter nas suas organizações. Uma gestão de riscos mais eficaz coloca as empresas no caminho da resiliência, contribuindo para que se encontrem melhor preparadas para enfrentar um mundo cada vez mais complexo e volátil. Será importante perceber ao longo dos próximos anos se o investimento concretizado se materializou numa maior capacidade de adaptação das empresas e superação do quadro económico exigente vivido atualmente

Fernando Chaves, Risk Specialist da Marsh Portugal

 

Arquivado em:Economia, Notícias

A idade não deve definir a competência no local de trabalho

19 Abril, 2023 by Rita Saldanha

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o ageism é responsável por estereótipos, preconceitos e discriminação em relação aos outros, e também a si próprio, com base na idade. Ele considera tanto pessoas “demasiado” velhas, como pessoas “demasiado” novas, ou seja, afeta ambos os extremos.

Desde cedo que se começa a internalizar este tipo de estereótipos de idade e isso pode condicionar vários aspetos da vida, tornando-se, nomeadamente, um fator de peso no momento da escolha entre diferentes candidatos no mundo do trabalho.

José Ferreira Alves, professor da Universidade do Minho e investigador da área do ageism, descreve o fenómeno como algo que tem a ver com “pensamento e a prática que pessoas de diferentes idades têm relativamente a outras também com diferentes idades”, o que se traduz, no fundo, na forma como discriminamos uma pessoa com base na sua idade.

Segundo refere Rita Mexia, do comité de Equity@Work da Kelly Portugal, os preconceitos começam na sociedade. Daí, “a cultura organizacional também bebeu muito desta informação e acabou por enraizá-la culturalmente”.

São diversas as ideias – erradas – adjacentes a estas duas faixas etárias no mundo do trabalho: desde o jovem que tem pouca ou nenhuma experiência e por isso não saberá o que fazer, até ao adulto que parece já não trazer novas competências e será um custo mais elevado para a empresa. Perpetuar este tipo de pensamento significa limitar o sucesso de qualquer empresa.

Independentemente da área ou indústria em questão, a diversidade é um fator-chave para gerar ideias e abordagens informadas, com base em diferentes pontos de vista e experiências.

A responsável reforça a importância da mudança de olhar que tem de ser feita relativamente a este tema no mundo do trabalho: “Os mais novos trazem mais valias para as empresas, pela sua energia e dinâmica, e os mais velhos têm a maturidade, a experiência e tranquilidade, que podem criar sinergias bastante interessantes entre equipas”. Em especial quando estamos perante um fenómeno que afeta a vida social, profissional e pessoal destas duas faixas etárias.

Equipas diversificadas apresentam abordagens mais completas na resolução de problemas e um ambiente de trabalho bastante diversificado, através de diferentes pontos de vista, ajudando a alargar o espetro de possíveis soluções e inovações. Além disto, estas duas faixas etárias têm muito a aprender uma com a outra e complementam-se, permitindo o desenvolvimento de ambos.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Inês Boléo Tomé é a nova Partner da Expense Reduction Analysts

19 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Inês Boléo Tomé é a nova Partner da consultora em otimização de custos e gestão de compras, Expense Reduction Analysts (ERA), em Portugal.

A profissional iniciou o seu percurso académico em Educação de Infância, tendo feito formação em Gestão pela AESE Business School e de Empresas Familiares, pelo IE Business School de Madrid. Trabalhou em colégios, tendo depois exercido funções de direção num projeto de ensino de grande relevo em Portugal.

 

Integrar a equipa ERA Portugal é um enorme orgulho e mais um passo numa organização que fui conhecendo e que acredito que acrescenta verdadeiro valor às empresas

Inês Boléo Tomé, Partner da ERA

É com grande satisfação que integramos uma nova Sócia na operação da ERA em Portugal. A Inês já trabalhava connosco e é com entusiasmo que a vemos assumir agora a função de Partner

João Costa, Country Manager da ERA

Estamos muito contentes por poder contar com a Inês na nossa equipa. A sua experiência e rede de contactos em setores muito relevantes vem fortalecer ainda mais a nossa presença em Portugal

João Pontes, Partner da ERA

Arquivado em:Gestão de Pessoas, Notícias

Lava-pés e o homem que quebrou o capitalismo

19 Abril, 2023 by Rita Saldanha

O rito de lava-pés, durante o Tempo Pascal, pode exercer sobre nós um efeito transformador. Tive o privilégio de assistir a essa cerimónia, recentemente, durante uma enternecedora missa pela memória de um grande amigo. Durante os dias de descanso que a Páscoa permitiu, aproveitei para ler “Jack Welch – The Man Who Broke Capitalism”. A relação entre os dois temas pode parecer bizarra. Mas não é. Há quem lidere lavando os pés das pessoas – e há quem lidere forçando as pessoas a beijarem-lhe os pés.

Jack Welch liderou a General Electric (GE) durante duas décadas, e fê-la crescer exponencialmente. Foi idolatrado como uma espécie de messias da gestão. Os mercados ajoelharam-se a seus pés. Chegou a ser considerado “o gestor do século”. Focado, brutalmente, no desempenho financeiro e na maximização do valor para o acionista, cultivou a contabilidade criativa e despediu muitos milhares de pessoas ao mesmo tempo que se banqueteava com chorudos milhões. Destruiu capital social e desinvestiu em inovação, investigação e desenvolvimento. Encarando a empresa como máquina de fazer dinheiro, hipotecou objetivos de sustentabilidade. Ao libertar a empresa da responsabilidade social perante os empregados, levou a cabo uma “campanha contra a lealdade”. Ou seja: encarou o empregado como mero recurso que não deve esperar qualquer lealdade recíproca.

Welch tentou moralizar a incivilidade e a brutalidade. O despedimento foi representado como uma “transição” na vida do empregado, uma oportunidade para recomeçar, uma passagem similar à que ocorre quanto alguém passa do ensino secundário para o universitário, ou encontra o primeiro emprego após concluir estudos superiores. Considerou um “pecado manter os 10% mais fracos”. Em suma: pretendeu fazer crer que “ser despedido é uma bênção” e que despedir alguém é um ato de compaixão. Eis o seu ponto:

“Algumas pessoas entendem que é cruel ou brutal remover 10% de empregados, os mais fracos. (…) Não é. É exatamente o oposto. O que eu penso que é brutal e ‘falsa gentileza’ é manter por perto pessoas que não vão crescer nem prosperar. O que é cruel é esperar ou dizer às pessoas apenas no final das suas carreiras que já não pertencem à empresa, quando as suas opções de carreira já são limitadas e estão prestes a colocar os filhos na faculdade e a pagar grandes hipotecas”.

Este argumento “moral” de Welch coabitava com a sua forma favorita de descrever um despedimento: “Fuzilem-nos (…) Devem ser baleados”. Em suma, parafraseando David Gelles: Jack Welch era um bully que, por ser idolatrado, era movido por um grande sentido de impunidade. O espírito messiânico de Welch, que usou argumentos pretensamente morais para legitimar a crueldade, criou raízes em programas políticos e justificou a desigualdade crescente. Nos EUA, em 1965, os CEO auferiam cerca de 20 vezes o salário de um empregado médio da empresa. Este rácio começou a expandir-se quando Welch tomou o leme da GE. Em pouco tempo, o rácio passou a 50 vezes, depois a 100, e posteriormente a 200. Dados recentes mostram que, para as 350 maiores empresas cotadas, o rácio se aproxima de 400 vezes.

Os discípulos de Welch reproduziram a receita brutal nas empresas onde foram sendo colocados.  Foram herdeiros ideológicos seus que conduziram a Boeing a focar-se na maximização do valor para o acionista, abandonando uma cultura assente na segurança.  O resultado está à vista: acidentes fatais com o Boeing 737 Max e uma empresa que, não fosse a dimensão e valor estratégico-político, poderia ter entrado em bancarrota. Noutras empresas em que a mesma receita foi usada, os resultados foram igualmente desastrosos. Mas os seus fautores, os mesmos que defendiam a importância da remoção dos empregados alegadamente medíocres, foram protegidos por “paraquedas dourados”.

Seria injusto retratar Welch e o seu legado apenas com estas tintas trágicas. Romantizar a liderança e a gestão, como se as decisões difíceis e dolorosas não tivessem de ser tomadas, seria irresponsável. Mas seria igualmente absurdo legitimar moralmente o paradigma de gestão de Welch socorrendo-nos apenas dos méritos de “Neutron Jack” – a sua alcunha. Não é esse, pois, o meu ponto. O que defendo é a necessidade de não normalizarmos o desvio través da moralização (ou subestimação do impacto) de práticas cruéis, apenas porque estas são frequentes e se transformaram no “novo normal”.

O rito de lava-pés recorda-nos que as lideranças (também) têm o dever moral de servir as pessoas – em vez de simplesmente se servirem delas. Gerir e liderar é um trabalho árduo. Mas não é menos árdua a vida de quem, trabalhando, vive na pobreza e tem dificuldade em viver com dignidade. A edição do jornal Expresso do passado dia 14 de abril dava conta de que, nos últimos 1o anos, os salários dos CEO das empresas cotadas no PSI subiram 47%, enquanto os salários brutos dos trabalhadores dessas empresas estagnaram. A diferença salarial entre o topo e a base passou de 20 a 36 vezes mais. No editorial, o Expresso escreveu: “Os salários dos CEO em Portugal não seriam um problema se os salários dos trabalhadores não tivessem sido esquecidos.” Portanto, discutir o rito de lava-pés e “Neutron Jack” no mesmo artigo não é uma excentricidade!

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

GaYme Changer

18 Abril, 2023 by Rita Saldanha

A comunidade LGBT+, durante muito tempo marginalizada, estigmatizada e
criminalizada, lidera nos dias de hoje a criatividade, a diversidade, a inovação no mundo empresarial. A responsabilidade social corporativa e os princípios éticos para a inclusão tornaram-se diretivas gerais para qualquer organização. Homossexuais, lésbicas, transgéneros, bisexuais ou queer são agora símbolos de diversidade e poder económico. Com base numa intensa investigação, Jens Schadendorf faz uma abordagem à comunidade LGBT+ em todo o mundo e descobre o início de uma revolução, defendendo que o investimento na inclusão LGBT+ tem retorno e é benéfico para as empresas e a sociedade em geral.
Para a edição portuguesa, o autor preparou um capítulo especial onde recolhe depoimentos entre uma série de nomes conhecidos do meio empresarial português e
internacional.

Arquivado em:Livros e Revistas

Presidente da COP28 reafirma necessidade de cooperação com o privado

18 Abril, 2023 by Rita Saldanha

O mundo precisa de uma “mentalidade empresarial” para enfrentar a crise climática, disse o presidente da próxima Cimeira do clima da ONU.

Sultan Al Jaber, o presidente designado da COP28 a ser realizada nos Emirados Árabes Unidos, no final deste ano, disse que pretende usar as negociações da ONU para definir como é que o setor privado pode limitar as emissões de gases de efeito estufa e dar às empresas e governos uma oportunidade para em conjunto definirem metas.

“Precisamos de um esforço maciço para voltarmos a fazer progresso. Isso não pode ser feito apenas pelos governos”, disse Al Jaber ao The Guardian em entrevista.

“A escala do problema exige que todos trabalhem em solidariedade. Precisamos de parcerias, não de polarização, e precisamos abordar isso com uma lógica clara e um plano de ação executável”, comenta.

“A COP28 está empenhada em aproveitar o progresso feito na COP26 e na COP27 para injetar uma mentalidade de negócios, KPIs concretos [indicadores-chave de desempenho, uma pedra angular da maioria das estratégias comerciais] e uma agenda ambiciosa orientada para a ação.”

Al Jaber, além de ministro da Indústria e Tecnologia Avançada dos Emirados Árabes Unidos, é mais conhecido como empresário, diretor-executivo da companhia petrolífera nacional dos Emirados Árabes Unidos, Adnoc, uma das maiores produtoras de petróleo e gás do mundo, e presidente-executivo fundador da sua empresa de energia renovável Masdar.

Os governos vão entrar em negociações para fazer uma avaliação do progresso feito na redução das emissões de gases de efeito estufa desde o acordo de Paris de 2015, um processo conhecido como “balanço global”.

Devem, então, tentar encontrar maneiras de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, uma meta que está rapidamente a ficar fora de alcance. As conferências têm sido tradicionalmente dominadas por decisores políticos, ministros e ativistas da sociedade civil.

Nomeação controversa 

A Adnoc está a planear uma expansão em grande escala do negócio de petróleo e gás natural, o que levou a que ativistas do clima atacassem Al Jaber por não abandonar o seu cargo na Adnoc.

Romain Ioualalen, gerente de política global do grupo de campanha Oil Change International, disse: “Este é um conflito de interesses verdadeiramente impressionante e equivale a colocar o chefe de uma empresa de tabaco encarregado de negociar um tratado antifumo”.

Contudo, Al Jaber reiterou que ninguém deveria julgar a sua presidência, já que reafirmou o compromisso de salvaguardar o limite de 1,5°C e garantir que todos os países e o setor privado agissem para alcançar os cortes maciços de emissões necessários.

Prometeu ainda transformar a sua experiência em negócios numa mais-valia para as negociações, dizendo que nenhum presidente anterior da COP teve tanta experiência empresarial e administrativa como ele.

Quer que o setor privado desempenhe um papel significativo na Cimeira, sob o argumento de que as empresas (incluindo as petrolíferas) serão fundamentais para enfrentar a crise climática.

 

Imagem Sultan Al Jaber, créditos Reuters

Arquivado em:Clima, Notícias

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