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Rita Saldanha

Reparar, Recondicionar e Reutilizar: a reinvenção dos 3Rs

11 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Sabia que por cada equipamento que adquire, reparado ou recondicionado, está a poupar uma média de 175g de lixo eletrónico? Na iServices, a missão pela reutilização, reparação e recondicionamento de equipamentos eletrónicos conta com mais de 11 anos e tem vindo a trazer resultados positivos para o meio ambiente.

Em 2022, a marca poupou 25 toneladas de lixo eletrónico e mais de 10.000 toneladas de CO₂; frutos das 144.376 reparações registadas no mesmo período. Dando um exemplo concreto, ao comprar o iPhone 11 recondicionado, está a poupar 194g de lixo eletrónico.

Enquanto consumidor, muitas vezes, a compra de um equipamento novo prende-se com aspetos técnicos muito precisos: uma bateria que descarrega mais facilmente, um risco no ecrã, uma câmara que tem vindo a perder qualidade ou uma entrada de carregamento que já não reconhece o respetivo cabo.

Na iServices, pode reparar os seus smartphones ou computadores em poucos minutos, estejam ou não em período de garantia. Pode restituir a sua performance original e voltar a utilizar a máquina como antes, ou então dar-lhe uma segunda vida junto de um novo utilizador, como um amigo ou familiar.

Caso procure comprar um equipamento novo, optar por um recondicionado pode ser a escolha certa. Tratam-se de equipamentos como novos, que são rigorosamente testados em dezenas de parâmetros de qualidade antes de chegarem às lojas iServices ou à Loja Online. Além disso, na iServices, Samsungs, MacBooks, iPads, Apple Watches ou iPhones recondicionados contam sempre com 3 Anos de Garantia.

 

 

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Conheça o olhar empresarial e institucional sobre o tema da migração em Portugal

10 Abril, 2023 by Rita Saldanha

Com o objetivo de debater a migração no país, a nova edição do Wellow Insights, espaço de reflexão do Grupo Wellow, contou com a participação de Sónia Pereira, Alta-Comissária para as Migrações, a Teresa Bacelar, Vereadora da Câmara Municipal de Oeiras com o pelouro da Saúde, Desenvolvimento e Responsabilidade Social e Luís Castanheira Lopes, Administrador do Grupo Pestana.

O encontro moderado por Rui Fiolhais, Vice-Presidente do Grupo Wellow, quis proporcionar a partilha do ponto de vista dos atores empresariais e institucionais, para uma perceção social inclusiva, positiva e solidária do papel dos migrantes no presente e no futuro da sociedade portuguesa.

Sónia Pereira, Alta-Comissária das Migrações, trouxe a visão de uma entidade que tem por missão colaborar na definição, execução e avaliação de políticas públicas em matéria de migração, relevantes para a atração, integração e valorização de comunidades e pessoas migrantes em Portugal. Já Teresa Bacelar, Vereadora do Município de Oeiras para o Desenvolvimento Social e Saúde, Juventude, Responsabilidade Social e Parque Habitacional, partilhou a visão autárquica, de quem intervém territorialmente nesta matéria e implementa mecanismos de promoção ao acolhimento, coesão e inclusão de cidadãos estrangeiros, valorizando a multiculturalidade enquanto fator de desenvolvimento local. Por fim, Luís Castanheira Lopes, Administrador do Grupo Pestana, deu o exemplo de quem integra na sua força de trabalho profissionais migrantes e cujas boas práticas e testemunho valem a pena ser partilhados.

Rui Fiolhais, Vice-Presidente do Grupo Wellow refere que «agindo pela demonstração e exemplo acreditamos ser possível contribuir para influenciar práticas positivas nas empresas e na sociedade. Com este debate, procurámos estendê-las ao acolhimento e integração de cidadãos migrantes». Reconhecendo a importância deste tema, em 2023 o plano de Responsabilidade Social Corporativa do Grupo Wellow integra um conjunto de ações que visam o debate e a sensibilização para a questão da migração em Portugal, acrescenta Rui Fiolhais.

Este evento marcou o início destas atividades, que incluirão ações tão distintas como campanhas de sensibilização ou feiras de emprego.

A segunda edição do Wellow Insights está disponível aqui.

 

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Já é possível pagar com o cartão Coverflex na app Zomato Portugal

3 Abril, 2023 by Rita Saldanha

À semelhança dos cartões de refeição integrados na app, os utilizadores da Zomato já podem pagar com o cartão Coverflex, o que a torna a plataforma de foodtech mais completa no que diz respeito à integração de pagamentos.

 

Como integrar o Cartão Coverflex na app?

Clicar no Ícon de Perfil, no canto superior direito;

Clicar no separador “Pagamentos”;

Clicar em “Cartões de Crédito e Débito”;

Depois, tem de adicionar os dados do teu cartão e clicar em “Guardar Cartão”.

 

A inclusão da Coverflex como novo meio de pagamento vem fechar este ciclo de integrações na nossa aplicação, que já aceita pagamentos com cartão de débito, crédito, MB WAY e todos os cartões de refeição, tornando a Zomato na plataforma de foodtech mais completa a nível de pagamentos em Portugal. Esta nova parceria vem reforçar o nosso foco em tornar a nossa aplicação cada vez mais completa e útil para todo o tipo de utilizadores, facilitando as transações, seja qual for o método de pagamento pretendido

Fabiana Lopes – Head of Partnerships da Zomato

Na Coverflex, continuamos a alargar a rede de parceiros de forma a alavancar a oferta aos mais de 70 mil Coverflexers. Os nossos utilizadores podem, a partir de agora, pagar na app da Zomato com o seu cartão Coverflex, desfrutando de uma experiência simples que lhes dá o acesso a tudo aquilo que a plataforma de foodtech pode oferecer

Francisco Roza, Global Partnerships Manager da Coverflex

 

 

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Revista Líder Cabo Verde nº1 – 2023

22 Março, 2023 by Rita Saldanha

A edição n.º 1 da Líder Cabo Verde dedica-se ao tema Nova Liderança Digital. E está já disponível em formato digital e em alguns locais em Cabo Verde.

José Maria Neves, Presidente de Cabo Verde desde 2021, na entrevista de abertura não tem dúvidas sobre a capacidade dos cabo-verdianos para transformarem um país arquipelágico numa potência. As características adversas do país têm sido ao mesmo tempo o grande desafio para as lideranças e para a população, obrigando todos a verdadeiros milagres. Um país montanhoso, onde quase não chove, dividido em 10 ilhas espalhadas pelo oceano Atlântico, pode agora beneficiar de fatores excelentes para se afirmar no mundo. A sua posição geoestratégia que fomenta pontes para o continente americano, europeu e africano é absolutamente determinante, o investimento na digitalização da economia e dos serviços públicos pode acelerar exponencialmente o processo de crescimento e, finalmente, o mais importante, as pessoas, os cabo-verdianos e a sua força e talento serão a cereja no topo do bolo para que nenhuma oportunidade seja desperdiçada. “Os líderes estão todos em Cabo Verde e na Diáspora”, segundo nos refere José Maria Neves. O apelo é agora para eles.

De acordo com o Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, em mais uma grande entrevista da Líder especial Cabo Verde, o país está a crescer economicamente pelo forte impacto do turismo, mas a aposta é também noutros setores da economia, como por exemplo: a economia digita – que se pretende que venha a atingir 25% do PIB – as pescas e a educação. O empreendedorismo, inovação, e igualdade de género são também objetivos estratégicos desta governação. Afirmar Cabo Verde no mundo, reduzindo a pobreza absoluta e erradicando a pobreza extrema, para consolidar e afirmar uma verdadeira democracia o mais imune possível aos populismos, nacionalismos e extremismos é “um imperativo da dignidade da pessoa e da liberdade”. Por isso, fica a mensagem do Primeiro-Ministro para todas as lideranças do país: “é necessária disponibilidade de tempo, energia, capacidade de trabalho e de motivação dos colaboradores. Coloquem essas qualidades pessoais ao serviço de um projeto, de uma ambição, de um propósito, seja a nível político, empresarial, institucional, social ou cultural”. Uma entrevista a não perder.

O tema de capa trata da Nova Liderança Digital composto por três dossiers: Desmaterializar, Assegurar e Humanizar. Chegámos aqui, a uma nova realidade, uma nova linguagem, um novo mundo tecnológico e digital que determina um pensamento altamente complexo e integrativo. No dossier Desmaterializar, contamos com a sabedoria de Arlindo Oliveira, Professor do Instituto Superior Técnico e Presidente do INESC, que nos traz ao detalhe este “Admirável Mundo Novo Digital”. Resultado de uma interação entre um número grande de tecnologias, como a “Internet of Things” (IoT), a biotecnologia, a (super)computação, a inteligência artificial. E com uma reflexão de Pedro Matias, Presidente do ISQ, sobre uma revolução cultural que se avizinha no seu texto “Liderar no Contexto da 5.ª Revolução Industrial”.

No dossier Assegurar, o texto “África tem de agir agora para enfrentar os ciberataques” incluí o Índice Global de Cibersegurança (2021), do World Economic Forum, que analisa 54 países africanos e ainda o Relatório de Avaliação de Ciberameaças em África, da Interpol, com as ameaças mais proeminentes neste continente. Também neste dossier, o Centro Nacional de Cibersegurança em Portugal (CNCS), partilha um “Guia para Campanha de Sensibilização em 5 passos”. E a ENISA (European Union Agency for Cybersecurity) ajuda a identificar o que pode ser feito quando se é vítima de um esquema fraudulento.

A encerrar o tema de capa, o dossier Humanizar vai pôr todos a pensar sobre “A Importância da Igualdade de Género no Mundo Digital”, um texto de António Ferrari, Assessor de Comunicação para Portugal no Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), redigido em colaboração com a ONU Mulheres.

Na rubrica Leading Opinion, Henrique Monteiro, jornalista e escritor, escreve “Nhos Terra, Nha Cretcheu”. E Arménio Rego, LEAD.Lab, Católica Porto Business School, aprofunda o tema de capa com “A Terceira Palavra de Transformação Digital”.

De Cabo Verde para o mundo, damos a conhecer o trabalho da agência The Office sediada na Cidade da Praia. Pelas vozes dos seus fundadores Cláudia Nunes Pereira e Ricardo Henriques Tomás.

E, a fechar, a arte como expressão de Liderança e Transformação. Edson Garcia, Hélder Cardoso, Sidney Cerqueira, Simone Spencer e Tutu Sousa são os cinco artistas cabo-verdianos que numa ação colaborativa contribuem para o projeto artístico Leadership & Art Cabo Verde, no âmbito da 1.ª edição da Leadership Summit Cabo Verde, através das suas obras, perspetivas e sonhos para África e o mundo.

Líder é a revista da Tema Central, com quatro edições por ano, de ensaios, crítica, investigação e reflexão, que aborda todas as áreas da liderança. Este ano, edita, também, pela primeira vez uma edição em Cabo Verde.

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Arquivado em:Líder Magazine, Líder Magazine Cabo Verde

WYtalks abordam a importância do Neuromarketing no mundo digital

14 Março, 2023 by Rita Saldanha

Vivemos, cada vez mais, na economia da atenção. Todos os dias, somos impactados com cerca de 4.000 a 10.000 anúncios. As plataformas digitais disputam o tempo das pessoas e o KPI do sucesso é medido em fazer “parar o feed” do utilizador. A atenção é a mina de ouro desta economia tão saturada e a moeda contemporânea do sucesso. Mas como podem as marcas proliferar neste ambiente, sendo que os consumidores têm uma capacidade cognitiva tão limitada?

Alexandre Ribeiro debruçou-se sobre a resolução destas questões aplicadas ao Neuromarketing na sua tese de mestrado, e recorreu à ajuda do WYgroup. Dois anos depois, continua no grupo a dedicar-se à aplicação do Neuromarketing no mundo digital, na WYperformance.

Mas afinal, o que é isto do Neuromarketing e porque nos fascina tanto?

Aliando o Marketing à Neurociência, o Neuromarketing consiste numa área de especialização para estudos de marcas, mercados e consumidores. Na última WYtalk, conduzida pelo Alexandre Ribeiro, ficou-se a conhecer de forma mais aprofundada o Neuromarketing, que aplicações tem e como influencia de facto o consumidor no seu processo de compra, e de que forma pode ajudar a incrementar resultados de negócio as plataformas digitais.

O Neuromarketing é uma técnica de pesquisa tão válida quanto todas as outras, sejam inquéritos, entrevistas, focus group. Como em qualquer estudo, a escolha da técnica adequada dependerá dos objetivos que temos, sendo que nos temas da atenção e da emoção, a utilização de técnicas de Neuromarketing será o mais adequado.

Por diversas vezes acabamos por tomar decisões com base na nossa opinião, experiência ou gosto pessoal. Alguns exemplos de questões que geralmente ficam entregues à subjetividade são:

  • Será que o novo anúncio funciona melhor com uma música mais animada, ou com uma música mais calma?
  • Devemos apostar no vermelho ou o laranja para o CTA de uma landing page?
  • Que estrutura de menu devemos escolher para o novo site?
  • Qual é a embalagem deste corredor específico de supermercado que mais prende a atenção?

Como é que o Neuromarketing pode ajudar a responder a estas questões?

Com a ajuda voluntária de um elemento da audiência, o Alexandre realizou uma live demo com recurso ao eye tracking, ou seja, um rastreio ocular, onde foi possível medir a atenção visual desta “cobaia”, relativamente a seis embalagens de sumos. Desta forma, conseguimos entender que embalagens receberam mais atenção, por mais tempo e em primeiro lugar.

É, de facto, fascinante poder assistir e dissecar uma função tão inata e imediata como simplesmente o olhar. E esta análise ajuda posteriormente, a fazer o processo reverso, de olhar para nós próprios e perceber, na realidade, para onde é que a nossa mente nos leva.

Neste estudo da mente aliada ao marketing, além do eye tracking, onde se obtém  dados relacionados com o nível de atenção dos consumidores, pode-se recorrer a uma série de outras técnicas. A WYperformance dispõe de um equipamento de Eye Tracking, de um dispositivo que mede a Resposta Galvânica da Pele e a Frequência Cardíaca, e de um dispositivo de autorrelato emocional.

Através do Eye Tracker consegue-se obter dados relacionados com o nível de atenção dos consumidores. Com o dispositivo de medição da Resposta Galvânica da Pele e da Frequência Cardíaca, obtém-se dados relacionados com a ativação emocional e fisiológica dos consumidores. Por fim, o dispositivo de autorrelato permite identificar a valência das emoções sentidas pelos utilizadores – ou seja, se as emoções são positivas ou negativas.

Através da utilização destas técnicas, a WYperformance está focada sobretudo em quatro grandes áreas:

  • Prova de Conceito de Comunicação: Testes que permitam otimizar campanhas de comunicação digitais, nomeadamente nas redes sociais, em TV, Rádio e até Out of Home.
  • Definição de logótipo e identidade da marca.
  • Otimizações de Produto: Nomeadamente testes de packaging que permitam melhorar os resultados no linear.
  • Otimizações de UX: Avaliação e melhoria da experiência dos utilizadores em sites, apps, ou até outros materiais mais estáticos, como brochuras.

Para cada uma destas 4 categorias surgem uma série de subcategorias. Cada subcategoria exige diferentes materiais para serem testados. Através destes testes, resultam insights extremamente relevantes para o negócio.

Agora, sabendo que recorrendo ao neuromarketing conseguimos medir inequivocamente a eficácia e a carga emocional de materiais de comunicação e otimizar em função dos resultados pretendidos, é possível entender a pertinência da sua utilização e todas as potencialidades que nos trará o futuro – que está a chegar.

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

«Foi o facto de não ter tido nunca medo de arriscar que me fez chegar até aqui», diz Ana Sofia Silveira, gestora da Galp

10 Março, 2023 by Rita Saldanha

Foi escolhida para dirigir as Relações Externas e a Regulação da Galp, numa conjuntura de extremos desafios com a transição energética da empresa em curso. Entre 2020 e 2021, ocupou o lugar de Presidente do Conselho de Administração da Águas do Tejo Atlântico, para o qual seguiu diretamente da função de Vogal Executiva do Conselho de Administração da EPAL. Para decidir cada um dos convites, Ana Sofia Silveira mediu a missão, não o esforço.

É uma mulher de causas e ao longo dos anos encontrou no setor público o habitat natural para se colocar ao serviço do outro, desde logo em áreas de prestação de serviços e fornecimento de bens essenciais à população e à dignidade.

Casada, 46 anos, licenciou-se em Direito, na vertente jurídico-política, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Nesta conversa com Ana Sofia Silveira, ganhamos uma referência sobre como conjugar liderança com simplicidade, valores inegociáveis com abertura para arriscar, capacidade de sonhar e manter os pés no chão. E voar.

 

Paula Perfeito (PP): Olhemos para as raízes: qual a tua memória mais antiga? E quais os valores fundadores do que és?

As minhas memórias são muitas e muito boas. Tive uma infância e uma juventude muito felizes, no seio de uma família pequena, mas muito unida. Com uma família de origens humildes que me ensinou a lutar pelos meus sonhos, sempre com respeito pelos outros, e foi isso que fiz a vida toda e continuo a fazer. Sou uma pessoa feliz por natureza, de bem com a vida. O tempo que dediquei ao voluntariado foi, sem dúvida, das experiências que mais marcaram a formação da minha personalidade. As vidas não são todas fáceis e para construirmos uma sociedade mais justa e equilibrada temos de ter empatia e compaixão pelos outros.

 

PP: Nasceste e vives atualmente em Lisboa. Qual a importância que atribuis aos lugares? Quais são os “teus” lugares? 

Lisboa foi a cidade que me viu nascer e onde cresci, mas foi também a cidade que eu vi crescer ao longo dos últimos anos. Somos ambas muito mais maduras e interessantes do que éramos há 46 anos. Adoro a minha cidade, pela sua ligação com o rio, pela luz boa que tem o dom de alegrar os meus dias, pelo clima maravilhoso, mas sobretudo pelas pessoas, porque são elas que me tocam o coração e me motivam a ser quem sou. Não tenho um lugar único. A frente ribeirinha em toda a sua extensão é o meu lugar, é onde me sinto em casa e em paz.

 

PP: A opção pelo direito teve implícita, como tantas vezes, um desígnio de promoção da justiça?

Se tivesse feito a escolha agora, talvez fosse o sentido de justiça que me faria escolher o Direito. Naquela altura não foi. Os sonhos da juventude eram muitos. Já quis ser um bocadinho de tudo, mas, no momento em que escolhi o curso, era o jornalismo que me movia. Achei que Direito me abriria mais portas do que comunicação social. Não me enganei. E só quando comecei a frequentar o curso é que percebi que tinha feito a escolha certa. Quando terminei o curso ainda fiz umas incursões pelo jornalismo, mas rapidamente percebi que tinha de fazer outras coisas. Sou inquieta. Precisava de um desafio maior. E não parei até encontrar o meu habitat.

 

PP: O exercício da advocacia acabou por ficar de lado. Premeditadamente ou pelas circunstâncias em que a carreira evoluiu?

Eu não tinha propriamente um plano. Foram as circunstâncias que foram ditando o meu caminho. As circunstâncias e muito trabalho. O Direito faz parte de mim, faz parte da minha formação. Tenho a cédula (suspensa), porque me obriguei a mim mesma a ter mais esta ferramenta, mas nunca quis ser advogada. Os primeiros anos foram errantes. Fiz várias tentativas e várias vezes tive de corrigir o meu trajeto até que encontrei o meu caminho. Estou profundamente convencida de que foi o facto de não ter tido nunca medo de arriscar, nunca ter tido medo da mudança e nunca ter desistido que me fez chegar até aqui. De facto, quando encontramos a nossa vocação, não há um único dia em que o trabalho seja aborrecido. Todos os dias, uns mais fáceis, outros mais difíceis, são preenchidos com a vontade de fazer alguma diferença por pequena que seja.

 

PP: Assumiste funções relevantes em diferentes gabinetes ministeriais. Foi uma escola para o trajeto que percorreste até à gestão de topo? O que se retira do contacto tão estreito com outros líderes?

Sem dúvida. Tive o privilégio de trabalhar com pessoas extraordinárias, que foram meus mentores, meus professores, meus amigos e que me ajudaram a fazer o caminho que fiz até aqui. Eu sou apenas a soma das parcelas de conhecimento que me foram transmitindo ao longo deste caminho. Aprendi muito com cada um deles. Aprendi a lidar com a pressão, a não ter medo de tomar decisões, a fazer as perguntas certas, a ter a humildade de me rodear de pessoas melhores do que eu e a ter a capacidade de ouvir. Nós aprendemos muito mais a ouvir os outros do que a falar. O que dizemos já está apreendido, já o que ouvimos pode sempre acrescentar-nos mais qualquer coisa.

 

PP: Mudaste-te para Luanda chamada uma vez mais ao desempenho de funções de relevo. O que é que essa experiência internacional acrescentou à tua vida como profissional e mulher?

Foi uma aventura extraordinária que me marcou profundamente. Não conseguirei descrever esta experiência num único parágrafo. Se me desafiarem, ainda escrevo um livro. Cresci muito, quer do ponto de vista pessoal, quer do ponto de vista profissional. Aceitei o desafio de ir trabalhar para uma consultora em Luanda, sem nunca lá ter estado antes (já tinha estado no continente africano, mas nunca em Angola). Aterrei em Luanda no dia 18 de novembro de 2015. E tive de reaprender a viver, sem as liberdades que temos aqui, sem as comodidades que para nós são indispensáveis. É ter um choque de realidade e voltar ao essencial. Enquanto profissional, cresci muito. Tive o privilégio de trabalhar numa consultora com um propósito: fazer a diferença. Queriam que o nosso trabalho contribuísse para o desenvolvimento do país, queriam que trabalhássemos para transmitir o nosso conhecimento e para dar instrumentos às pessoas para que se pudessem desenvolver sem o nosso apoio. Tive a sorte de ter uma equipa muito motivada, e que, independentemente das idades, das experiências, da formação, ainda tinha o sonho de conseguir impactar a vida daqueles com quem trabalhávamos. Tenho excelentes recordações de Angola. E foi lá que encontrei o meu marido.

 

PP: Passaste pelo setor privado, no qual integraste a banca e as telecomunicações. Regressaste de novo ao privado, agora para a área da energia. Estiveste também muitos anos no setor público. Que competências adquiridas num e noutro destacarias?  

Tudo o que vamos aprendendo e apreendendo ao longo da vida acaba por nos ser útil em algum momento. O setor privado tem a agilidade. Fazes um plano, defines os instrumentos e pões esse plano em marcha. No setor público, é um bocadinho mais complexo. Existe uma carga burocrática, administrativa e processual, que é, no mínimo, desafiante. Um gestor público tem de ser mais criativo e mais resiliente do que um gestor privado. Um bom gestor público pode dar um ótimo gestor privado, mas nem sempre um gestor privado tem as ferramentas necessárias para ser um gestor público.

 

PP: Em 2020, num dos anos mais desafiantes para o país e o mundo, chegaste a Presidente do Conselho de Administração de uma empresa pública de relevo. O que consideras que te tornou elegível e selecionou para o lugar? 

Sem querer cair em lugares-comuns, acho que há dois fatores: o trabalho e a sorte. É, de facto, preciso ter a sorte de estar no lugar certo à hora certa, mas, se lá estiveres e não tiveres o bilhete na mão, não sais do apeadeiro. E o bilhete só se consegue com muito trabalho. Trabalhei muito para lá chegar e continuo a trabalhar, mas “quem corre por gosto não cansa”.

 

PP: És uma profissional em permanente missão. Que importância consideras ter hoje o desempenho de funções no setor público?  

Eu acredito que o Estado tem de ser o garante de alguns bens e serviços essenciais à população. O Estado não se pode desresponsabilizar, sob pena de penalizar os seus cidadãos e de os deixar à mercê dos interesses privados. Mas o Estado tem de ser eficiente e para ser eficiente precisa de ter gestores capazes, que assegurem a prestação desses serviços com qualidade, garantindo sempre o equilíbrio económico e financeiro das atividades. Para isso, é necessário recrutar gestores competentes, resilientes e vocacionados para servir a causa pública.

 

PP: Mais recentemente, recebeste um convite para regressar ao privado e com ele a exigência de uma decisão difícil de tomar…

Foi a decisão mais difícil da minha vida, do ponto de vista profissional. Não andava à procura de mudar. Estava no topo da minha carreira no setor público. Gostava do que fazia, do setor, da empresa e as pessoas com quem trabalhei sabem o quanto me custou tomar esta decisão. Mas a oportunidade de abraçar uma nova causa, num setor praticamente desconhecido para mim, que é, na realidade, uma das causas mais transformadoras para o futuro do Planeta (a transição energética). A Galp tinha acabado de anunciar a sua estratégia ao mercado focada na descarbonização e no redesenho do seu portefólio para alcançar esse desígnio. E foi esse o empurrão que precisava. Sempre fui impelida por causas, por desafios, gosto de sair da minha zona de conforto e o estatuto sempre foi o que menos importou na minha tomada de decisão. Adoro o que faço em cada momento e deixo sempre uma parte de mim por onde passo. E acredito que só assim conseguimos fazer a diferença nos outros e nas organizações por onde passamos.

 

PP: Defendes de forma acérrima a diversidade. Do teu ponto de vista, o que falta fazer para a igualdade de oportunidades no acesso a lugares de gestão de topo?

Falta solidariedade feminina. Infelizmente, ainda temos muitas mulheres que abertamente dizem gostar mais de trabalhar com homens do que com mulheres. Gostava que nos fosse indiferente o género e que apenas o mérito fosse relevante e tenho a certeza de que naturalmente as mulheres teriam mais oportunidades. Organizações como a PWN Lisbon, por exemplo, são fundamentais para criar essa cultura de equilíbrio e de diversidade, são o impulso que as mulheres precisam para acreditar que também têm o direito de chegar a lugares de topo. Muitas desistem a meio do percurso porque já não acreditam que, por muito que trabalhem, possam chegar mais longe.

 

PP: Qual é a tua definição para a liderança?  

Empatia. Não acredito em líderes desconectados com as pessoas que lideram. As empresas não são mais do que o resultado do trabalho das várias pessoas que as compõem. Falta de empatia gera falta de motivação, falta de motivação gera falta de produtividade e ineficiência.

 

PP: Com que olhos vês o futuro? 

Vejo o futuro com os olhos de quem sonha acordada, de quem acredita que o futuro pode ser sempre melhor, se cada um de nós fizer a sua parte e ajudar a construir esse futuro.

 

Créditos de imagem: Isabel Nolasco

 

Esta entrevista é parte do livro “As perguntas que somos”, uma compilação de 34 conversas, que a partir da pergunta, mostra os olhares de personalidades desassossegadas, inquietantes, com histórias de vida, trajetos profissionais e domínio de saberes diversificados e relevantes. O projeto partiu no Entre | Vistas, plataforma digital de comunicação cultural, fundada por Paula Perfeito, em novembro de 2014.

Uma seleção de oito conversas será publicada, todas as sextas-feiras, na Líder, até ao dia 5 de maio.

Saiba mais sobre “As perguntas que somos” aqui.

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