No top do ranking dos 250 maiores retalhistas a nível mundial está a Walmart, seguida pela Amazon e a Costco Wholesale Corporation. Em Portugal, a Jerónimo Martins ocupa a 47ª posição e a Sonae está no 143º lugar do ranking.
Dados de uma recente análise, revelam ainda que os 250 maiores retalhistas do mundo alcançaram uma taxa de crescimento total de 8,5% no último ano fiscal de 2021, num total de 5,65 biliões de dólares.
O estudo “Global Powers of Retailing 2023”, elaborado pela Deloitte, refere também que no Top 10 das maiores empresas a nível mundial no setor, maioritariamente composto por empresas norte-americanas, o retalhista chinês JD continua a subir posições no ranking, estando agora na 7ª posição, duas acima em relação ao ranking de 2022.
Principais conclusões
Os principais retalhistas digitais têm vindo a beneficiar da mudança de hábitos dos consumidores em favor do comércio online, no entanto, há um esforço acrescido das empresas do setor para atrair novamente os clientes para os espaços físicos, comportamento que sofreu um forte revés durante a pandemia.
As empresas de retalho no Top 10 mundial cresceram 8% numa base composta de vendas ponderadas e ajustes de câmbio, o que representou um abrandamento em relação ao crescimento de 12,4% entre os 10 principais players do mundo no ano fiscal anterior de 2020.
Segundo o estudo, o top 250 inclui, novamente, duas empresas portuguesas, com a Jerónimo Martins a ocupar o 47º lugar a nível mundial, o que significa uma subida de duas posições relativamente ao ano anterior, suportada num crescimento de 8,3% das receitas consolidadas, que se situaram nos 24,697 milhões de dólares de acordo com a metodologia aplicada e o período analisado.
O ranking inclui também a Sonae que subiu 1 posição e ocupa agora o 143º lugar do Top 250 do ranking a nível mundial. Durante o período em análise a empresa portuguesa de alcançou receitas consolidadas de 8,136 milhões de dólares, o que correspondeu a um aumento de 3,4% relativamente ao exercício anterior.
Sustentabilidade e Tecnologia
Gradualmente, as empresas no setor do retalho têm vindo a apostar na sustentabilidade, como no mercado de bens usados através de marketplaces e opções de recompra. Esta tendência tem sido alimentada pela maior consciencialização dos consumidores para os temas da sustentabilidade e os hábitos de consumo das gerações mais jovens que preferem opções de compra amigas do ambiente.
Atualmente, a cadeia de valor do retalho contribui com 25% das emissões de gases com efeito de estufa a nível global, o que vem provar a necessidade de os retalhistas incorporarem iniciativas sustentáveis que permitam mitigar o impacto da atividade no planeta. Nesse campo, tecnologias como o blockchain ou a Inteligência Artificial (IA) podem ter um papel decisivo, agilizando processos e criando cadeias otimizadas que ajudem a reduzir o desperdício.
Para além da sustentabilidade, a tecnologia está também a ser utilizada para transformar a experiência de compra dos consumidores e tentar atrair novamente as pessoas às lojas físicas. O uso de tecnologias avançadas, como a realidade virtual e aumentada, IA e a análise de dados, permite que os retalhistas, personalizem ofertas ou simplifiquem processos de checkout.
Segundo a análise, as empresas de retalho estão a aprimorar a experiência de compra através da oferta de serviços personalizados que extravasam a fronteira da venda de bens. Serviços de concierge, valet parking ou personal styling podem ajudar a diferenciar as lojas físicas das online, incapazes capazes de oferecer estas comodidades.
Apesar de os comportamentos dos consumidores estarem a regressar a níveis pré-pandémicos, existem hoje tendências que vieram para ficar não só nos hábitos mais digitais e omnicanal, mas também numa maior preocupação com operações e produtos sustentáveis. Numa altura em que a personalização é um fator diferenciador para os consumidores, os retalhistas terão de utilizar a tecnologia e a inovação para criar uma experiência de compra integrada e adaptada as necessidades de cada consumidor
João Paulo Domingos, Partner e líder do setor de Consumer da Deloitte
