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Rita Saldanha

Mundial de Futebol: sete perfis de Selecionadores para inspirar líderes

28 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

O ambiente profissional tem semelhanças com o do futebol e nas empresas também pode haver um líder como Fernando Santos. Inspirada nos selecionadores das equipas do Mundial de Futebol no Qatar, a Michael Page partilha sete perfis que as empresas têm ou que ainda precisam de ter para inspirar equipas, pessoas, e conduzir as organizações ao sucesso.

 

Fernando Santos (Portugal)  

O selecionador de Portugal é conhecido por ter uma forte personalidade e por acreditar na repetição como método de melhoria dos processos. No entanto, a flexibilidade que apresenta à equipa permite aos jogadores serem criativos.

Perfil de Liderança: o estilo de Fernando Santos é firme, organizado e flexível. Conhecedor do meio onde se movimenta, nem sempre consegue retirar o melhor da equipa, ainda que saiba congregar esforços em torno de um objetivo.

Analogia com o mundo corporativo: polémico e algo arrogante, é um maestro experiente, que tem dificuldade em inovar e ser criativo.

Tite (Brasil)  

O técnico do Brasil permaneceu com grande destaque no comando da seleção ao dar continuidade ao processo de reconquista da confiança dos adeptos, mesmo após o revés do último Mundial, em 2018. Parte deste sucesso está estruturado na experiência adquirida pelo treinador e pela procura da excelência nos resultados.

Perfil de Liderança: o estilo de Tite é autêntico e orientado sempre para a obtenção do melhor desempenho. Experiente, é um líder que sabe extrair o máximo de rendimento dos talentos disponíveis. Por já ter grande experiência em clubes e também em Mundiais, sabe conquistar a confiança e a admiração dos jogadores.

Analogia com o mundo corporativo: líder com muita experiência e que procura sempre o melhor desempenho. Tem boa gestão de grupo e sabe extrair o melhor da equipa.

Hansi Flick (Alemanha)

Continuidade e aprimoramento: o técnico da Alemanha foi aluno de uma das maiores transformações de seleções da história, juntamente com Joachim Löw, o seu antecessor. Agora, Hansi Flick tem a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho e aprimorar o processo de reformulação da equipa alemã para a disputa do Mundial no Qatar.

Perfil de liderança: o técnico é bastante respeitado pela carreira de sucesso como auxiliar na transformação da seleção. Ao conquistar 7 títulos como técnico do Bayern de Munique, Flick era nome mais que certo para substituir Löw. Agora, junta peças experientes com a grande quantidade de jovens talentosos na equipa, no seu primeiro grande desafio como principal nome ao comando do futebol alemão.

Analogia com o mundo corporativo: líder que trabalha com ciclos longos e visa o bom equilíbrio da equipa.

Gareth Southgate (Inglaterra) 

Gestão de carreira. A frase é quase perfeita para definir a ascensão profissional de Gareth Southgate. Surgiu como treinador das categorias de base e chegou à liderança da seleção inglesa em dois Mundiais.

Perfil de liderança: inicialmente desconhecido pelo público em geral, Southgate é uma peça bastante importante na mudança do estilo de jogo e na filosofia dos ingleses, aliando muita juventude e inovação no plantel. Gareth é um líder bem-humorado e muito atento aos mais variados talentos da Inglaterra. Uma das suas principais características é a adaptação ao mundo digital e à tecnologia.

Analogia com o mundo corporativo: o líder que sabe selecionar e reter jovens talentos.

Lionel Scaloni (Argentina) 

Determinação, motivação e confiança. Estas são algumas das definições para o técnico argentino. Considerado como interino, “tapa-buracos” e subestimado pela maioria, o treinador assumiu um desafio que muitos rejeitaram. Obteve êxito no processo de restaurar a confiança e levar a Argentina ao Mundial de 2022 como uma das grandes favoritas ao título.

Perfil de liderança: mesmo sendo uma tarefa difícil para os hermanos, Scaloni conseguiu juntar talento, desempenho e resultados e está invicto no comando há 35 jogos.

Analogia com o mundo corporativo: líder que sabe trabalhar com tarefas difíceis e sob pressão, além de melhorar o ambiente.

Luis Enrique (Espanha) 

Reorganização da rota: experiente e consolidado em solo espanhol, Luis Enrique assumiu o comando da seleção com a missão de fazer uma grande reformulação na equipa e gerir as turbulências externas. O técnico tem a responsabilidade de retomar a confiança dos jogadores experientes, juntamente com a chegada de muitos jovens para o Mundial de 2022.

Perfil de liderança: mesmo vindo de uma gloriosa escola como a do técnico Pep Guardiola, Luis Henrique é aberto a reinvenções e tem fácil adaptação a variados estilos. Assume trabalhos desafiadores e quase sempre surpreende as expectativas.

Analogia com o mundo corporativo: líder com trabalhos relevantes e consolidados, disposto a reinventar-se e a assumir novos desafios.

Kasper Hjulmand (Dinamarca) 

Uma surpresa, um novato com alto potencial. Esta é a melhor definição para o técnico que irá comandar a Dinamarca na Mundial do Catar. Kasper Hjulmand assumiu a equipa em 2020 e já levou os dinamarqueses às meias-finais do Euro 2020. Juntando jovens e experientes, o treinador conseguiu trazer um inovador e surpreendente estilo de jogo, superando desafios difíceis, como a perda do seu jogador principal, Cristian Eriksen, durante a disputa do campeonato.

Perfil de liderança: consegue resultados e metas inesperadas pela pouca experiência.

Analogia com o mundo corporativo: líder jovem, recém-chegado ao cargo e com potencial altíssimo de crescimento. Mesmo com a falta de experiência, consegue obter bons resultados no início das suas funções.

 

Arquivado em:Liderança, Notícias

Juan Neble é o novo Diretor de Recursos Humanos da Hipoges

28 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

A plataforma no setor de Asset Management Hipoges, anunciou a contratação de Juan Neble para a posição de Diretor de Recursos Humanos. O profissional conta com mais de 18 anos de experiência na área de RH, entre empresas de vários setores, como Tecnologia, Consultoria e Telecomunicações.

Juan Neble é Engenheiro Industrial Superior especializado em Organização Industrial (Recursos Humanos) pela Universidade de Zaragoza e de Glasgow. Conta ainda com um mestrado em Relações Laborais, bem como um mestrado em Recursos Humanos.

A Hipoges é, sem dúvida, uma empresa de sucesso em plena transformação: um crescimento espetacular, enorme talento, com colaboradores muito empenhados, e conta com a cultura e os valores de uma grande empresa para se trabalhar. Encaro esta nova etapa da minha carreira com muito entusiasmo e estou confiante de que vou contribuir com todo o meu esforço e experiência para ajudar a atingir os objetivos estratégicos do grupo e desenvolver o talento da organização, colocando o colaborador no centro das decisões como Departamento de Recursos Humanos

Juan Neble, Diretor de Recursos Humanos da Hipoges

 

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

António Saraiva quer um país de empreendedores e não de dependentes do Estado

25 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

Aproxima-se o fim do seu último mandato à frente da CIP, cargo que exige capacidade de ouvir e compreender os outros e, acima de tudo resiliência para enfrentar tensões tão fortes e opostas, e também “tantos erros políticos cometidos”.

António Saraiva, agora Doutor Honoris Causa pela Universidade Lusófona, deu à Líder uma entrevista exclusiva sobre o significado deste doutoramento, sobre a sua visão do país e dos nossos empresários, deixando uma mensagem clara para poder político e uma palavra de força para alavancar o empreendedorismo num país que tanto precisa de crescer.

Qual o significado para si deste Doutoramento Honoris Causa? 

Não tendo seguido uma vida académica tradicional, não é por essa dimensão que o doutoramento faz mais sentido. Vejo-o como o reconhecimento de um trajeto de vida onde tive oportunidade de colocar a minha experiência pessoal ao serviço de causas, ao serviço dos outros. Constitui natural motivo de orgulho que, não tendo conseguido concluir a licenciatura que tanto desejei, não tendo a vida permitido que lograsse o título académico para o qual me sentia preparado no início da minha atividade profissional, seja agora, mais perto da fase final, que a academia revisita os meus dias, atribuindo-me um título honorifico, não pelo trajeto de saberes académicos, mas sim pela experiência acumulada.

A sua formação não contemplou estudos universitários, não obstante a sua formação ao longo da vida é inequívoca? Quais são as suas fontes de aprendizagem?

Ainda consegui frequentar os estudos universitários quando iniciei a minha vida profissional. Tentei conciliar o trabalho com os estudos, mas as exigências da vida não me deixaram vencer essa batalha. A minha universidade foi o trabalho, foi a vida. E ela é uma fonte inesgotável de saber e de conhecimento. As minhas fontes privilegiadas de aprendizagem sempre foram as relações com os outros, a tentativa de os compreender e com eles interagir. O cuidado na observação das suas partilhas e a tentativa de melhorar sempre em mim a capacidade de acumular saber. Emanuel Kant dizia que o homem é a sua educação e as suas circunstâncias. Educação e circunstâncias também nós as podemos criar, independentemente de todas as dificuldades.

Quais os temas que lhe suscitam mais interesse? Imagine que teria agora de começar um percurso académico, qual seria a sua opção?

A Engenharia está na base de tudo o que fui enquanto profissional e enquanto empresário. O fascínio do funcionamento físico dos elementos e a criatividade e engenho que exigem, sempre despertaram em mim enorme curiosidade. Se iniciasse hoje o meu percurso académico regressaria ao ponto onde o interrompi.

 

Como olha para o mundo do ensino em Portugal?

O ensino em Portugal, como todas as demais áreas no país, tem vindo a evoluir de forma sustentada e muito estruturada. Os exemplos que observamos no campo universitário, na investigação científica, permitem-nos sonhar com um lugar de liderança futura. E isso é crucial para que a genialidade e a excecionalidade lusitana possam emergir naturalmente. Julgo que no quadro de todo o sistema de ensino, enquanto no meio universitário isso tem acontecido, a níveis mais preliminares de ensino, o sistema não tem sabido acompanhar a preparação das novas gerações para áreas onde o mundo mais necessitará delas.

Ser presidente da CIP tem exigido muito de si, talvez a maioria das pessoas não saibam o que exige um cargo deste tipo. Que características destaca como sendo as mais importantes para estar nesta função?

Como Presidente da CIP, ou como líder de qualquer organização, o que o cargo mais exige é a capacidade de ouvir e compreender os outros. Somos timoneiros de uma nau em que temos de levar todos a remarem para o mesmo lado, em nome dos superiores interesses da instituição que nos reúne. Quando acreditamos naquilo que defendemos, tudo se torna mais fácil.

Nos anos em que liderei a CIP acreditei sempre que as causas que defendíamos em sociedade, junto dos diferentes governos, eram aquelas que melhor poderiam contribuir para o crescimento do país. Como não decidimos sozinhos, foi necessário construir grande resiliência perante tantos erros políticos cometidos. Foi necessário construir uma enorme capacidade para continuar a resistir, persistindo.

Considera que a falta de formação dos nossos gestores e empresários pode estar também na origem das dificuldades de afirmação das nossas empresas? Refiro-me às questões da produtividade e competitividade?

Não necessariamente. Ninguém sabe tudo, nem ninguém faz nada sozinho. É em equipa que o sucesso melhor aparece e se transforma em valor. Um empresário não necessita de ser um cientista para empreender. Ele necessita é de saber contratar quem agregue conhecimento e valor ao seu projeto.

Infelizmente em Portugal, à falta de melhor desculpa, a competitividade e a produtividade são culpa do empresário e não das políticas que o esmagam. Citando Bertold Brecht: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”

Acha que está a nascer uma geração mais criativa e bem formada de empresários?

Julgo que à medida que o sistema de ensino evolui, evolui igualmente o saber e a experiência de formação dos empresários. Quanto mais evoluímos, mais bem preparados serão as novas gerações.

Como imagina o nosso país daqui a 5 anos?

Se o poder político conseguir dar liberdade de crescimento aos nossos empresários, imagino um país vibrante, criativo, em crescimento económico e social permanente. Se não der essa liberdade, vejo um país de crescimentos endémicos, onde ser empresário é quase um ato de loucura.

E o António que papel pode ter nas mudanças de que o nosso país precisa?

No futuro, o de espectador atento sobre a aceitação de tudo aquilo que sempre defendi: uma sociedade livre, justa, onde a economia de mercado permita que cada um seja senhor do seu sustento, num país de empreendedores e não dependentes do Estado.

 

DISCURSO

Proferido no ato de recebimento do Doutoramento Honoris Causa

Bom dia a todos.

Senhor reitor, senhor primeiro-ministro e, na sua pessoa, todos os membros do governo presentes.

Agradeço as palavras generosas que me foram dirigidas, nesta cerimónia, pelo Senhor Professor Doutor Manuel de Almeida Damásio, pelo Magnífico Reitor desta Casa, Senhor Professor Doutor Mário Caneva Moutinho e pelo Senhor Professor Doutor Luís Reto, meu Padrinho Académico.

É para mim uma honra e um privilégio imensos receber o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Lusófona.

Naturalmente, é com orgulho que aceito e agradeço esta distinção que me é concedida.

Orgulho de alguém cuja vida – e as escolhas feitas ao longo dela – não proporcionaram a oportunidade de alcançar graus académicos superiores e que aqui se sente acolhido nesta prestigiada Universidade como um dos seus.

É também, e sobretudo, com um enorme sentimento de alegria que vejo nesta honra o reconhecimento dos valores por que tenho procurado pautar a minha vida e das causas que tenho abraçado.

Estou consciente da responsabilidade que me cabe e a que procurarei corresponder, através da partilha de uma experiência que não provém do mundo universitário, mas da minha dedicação à sociedade civil do meu país, em particular à sua comunidade empresarial, como empresário e como dirigente associativo.

As palavras que agora vos dirijo espelham o que sou. E o que sou provém das minhas origens, do que fizeram de mim o ambiente e as circunstâncias que me moldaram e do que, em cada momento, tenho escolhido fazer do que recebi da vida.

Sou um alentejano orgulhoso das minhas origens. Aos seis anos de idade saí da aldeia onde nasci – Ervidel – juntamente com os meus pais, em busca de uma vida melhor. Os meus sonhos de criança centraram-se sempre sobre dois desejos: ter um triciclo e um irmão.

Nem um nem outro realizei!

Eram tempos marcados por uma ditadura tacanha, sob a qual ainda vivi parte da minha juventude. Chegado a Lisboa, com os meus pais, fomos viver para perto do Miradouro de Santa Luzia, entre o Castelo e Alfama. Aí viviam outros miúdos como eu. Éramos feitos traquinas pela escola da rua.

Éramos todos oriundos de famílias muito pobres, mas na ausência e na carência também descobrimos o melhor que há em nós, desde muito novos. Nestes bairros gerava-se muito esta solidariedade em que do pouco se fazia muito. Em que o espírito de grupo gerava uma corrente de solidariedade e de coesão entre nós que nos fazia partilhar todo o pouco que tínhamos.

Foram anos duros, mas recheados de uma beleza sem igual, onde aprendi o valor da coesão e da solidariedade.

Onde aprendi o valor da amizade.

E, crescendo, desses anos aprendi a dar valor à democracia e à liberdade.

Aprendi, depois, desde as ameaças extremistas do PREC, aos dias de hoje, marcados pela ascensão de populismos, que a defesa da democracia e da liberdade exige uma ação inteligente, responsável e corajosa por parte dos moderados.

Exige uma ação inteligente porque, se extremismos e populismos se alimentam da difusão de mensagens simplistas e da manipulação da realidade, então é preciso, pacientemente, desconstruir essas mensagens e denunciar a ficção.

Exige uma ação responsável, que deve apresentar soluções reais aos anseios dos cidadãos, não deixando aos promotores da demagogia e da irresponsabilidade o monopólio da promessa de um futuro melhor e mais próspero.

Não nos esqueçamos, como alguém disse um dia, que a liberdade dos lobos representa muitas vezes a morte das ovelhas!

Exige, finalmente, uma ação corajosa, porque, se os populistas são aclamados pela sua aparente coragem, é preciso que os moderados afirmem verdadeira coragem na defesa intransigente dos seus princípios e valores fundamentais.

Aprendi, também, que a defesa da qualidade da democracia depende não só dos políticos, mas da sociedade civil.

Testemunhei, depois de 1974, como os partidos políticos lideraram as transformações sociais, promoveram reformas estruturais, fixaram doutrinas económicas e procuraram ser sempre os depositários das expectativas dos diversos grupos sociais.

Foram, ao longo dos anos, concentrando um poder excessivo, secando todas as formas de participação social que tentaram gravitar fora do seu espectro. Nunca resistiram à tentação de procurar abafar o exercício livre de formas alternativas de participação social.

Ao longo do tempo, foram-se deixando manietar por querelas internas. Deixaram de ser motores da sociedade. Perderam dinâmica e capacidade de inovação. Abdicaram das causas em nome do pragmatismo. Preferiram as táticas à estratégia.

Defender a qualidade da democracia é hoje responsabilidade dos partidos políticos, da sua capacidade para repensarem estratégias e a sua própria atuação.

Mas depende, também, repito, do dinamismo da sociedade civil.

É certo que a sociedade civil e a maturidade que já atingiu nada tem a ver com a realidade anterior ao 25 de Abril, mas está ainda muito longe da sociedade forte, livre e autónoma que ambicionamos. Só associados, das mais diversas formas, poderemos construir uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais participativa.

Minhas Senhoras e meus senhores, meus amigos!

Cresci num Portugal marcado pela pobreza e pelas desigualdades, tanto territoriais como sociais, a que sempre fui sensível.

Não posso deixar de constatar que o Portugal de hoje é bem diferente do Portugal desses tempos. Portugal progrediu, economicamente e socialmente. Lamentavelmente, tenho de constatar, também, que o caminho trilhado nos últimos 20 anos foi de empobrecimento relativo.

Nos últimos 20 anos, todos os países da União Europeia do antigo bloco de leste, que eram mais pobres que Portugal, convergiram com a média europeia, demonstrando que a convergência é possível!

Portugal divergiu.

Depois de duas décadas em que alternámos crises e crescimento anémico, não nos podemos conformar com os bloqueios que continuam a travar o crescimento económico e a alimentar o atual sentimento de insatisfação face às aspirações de bem-estar individual e de equidade coletiva da sociedade portuguesa.

A pobreza, que hoje persiste, não tem a mesma dimensão nem a mesma violência da pobreza desses tempos. Temos, hoje, mecanismos e apoios sociais que a atenuam. Mas não basta!

A pobreza e as desigualdades devem ser combatidas com um Estado Social forte, mas a preservação e o fortalecimento do Estado Social não terão futuro com base em promessas de medidas meramente redistributivas, sem consciência de que não podemos distribuir a riqueza que não produzimos! Terá necessariamente de ser sustentada pelo aumento da criação de riqueza, que só pode ser proporcionado por empresas competitivas e com trabalhadores motivados, num ambiente de negócios propício à sua atividade. Em suma, só poderemos ter um Estado Social justo com empresas fortes, inovadoras em produtos e processos e que sejam reconhecidas, nas políticas públicas, como o motor do crescimento da economia.

As desigualdades sociais e a pobreza vencem-se, sobretudo, através da aposta na educação, na formação dos mais jovens e na requalificação dos adultos, gestores e trabalhadores, ao longo da vida. Através da criação de igualdade de oportunidades, da promoção de condições propícias à criação de mais e melhor emprego.

A pobreza em Portugal é ainda um problema estrutural e uma das razões é o facto de o elevador social estar longe de funcionar bem.

Orgulho-me das minhas origens humildes. O que sou, hoje, é prova de que é possível vencer os determinismos que impedem a mobilidade social. Gostaria que esses determinismos fossem, no Portugal de hoje, bem menos pesados.

Como romper o círculo vicioso que liga a origem social às trajetórias de vida?

Como conseguir que o lugar de onde vimos não nos impeça de chegar ao destino que ambicionamos?

Educação e formação são, como referi, fundamentais. Foram fundamentais na minha vida!

O empreendedorismo é, também, via para a mobilidade social. Não estaria aqui se não tivesse arriscado, numa decisão difícil e crucial, aventurar-me ao adquirir, em 1996, através de um MBO, a Metalúrgica Luso-Italiana, tornando-me empresário.

Mas ser empresário em Portugal, mais ainda, tornar-se empresário em Portugal é uma tremenda aventura.

Olhando para o sistema financeiro que temos, com a perceção do risco que tem, com a deficiente capacidade de avaliação do risco que tem, pergunto-me se seria possível, hoje, a alguém, nas circunstâncias que eram as minhas em 1996, adquirir com sucesso uma empresa, nas condições em que o pude fazer.

Temo que tenhamos retrocedido, em vez de avançar, neste domínio.

Acrescem todas as camadas de bloqueios burocráticos, de obrigações declarativas, de regulamentação labiríntica e de exigências absurdas, que pesam sobre as empresas. Sem libertar as empresas desta tremenda carga, não nos podemos queixar da falta de iniciativa empreendedora dos nossos jovens e da crescente dificuldade em desenvolver mais empresas.

A mobilidade social está também prisioneira de mentalidades e preconceitos.

Somos ainda um país onde supostas elites vivem em círculos sociais fechados, que veem com preconceito, ou mesmo como uma ameaça, quantos não frequentaram as mesmas famílias, os mesmos colégios e os mesmos salões. Sei-o bem.

Aprendi a conviver com estes preconceitos com serenidade e alguma dose de autoconfiança.

Minhas senhoras e meus senhores, meus amigos,

Como vos disse, sou um alentejano orgulhoso das minhas origens. O Alentejo de hoje é bem diferente do Alentejo onde nasci. No entanto, as desigualdades territoriais fizeram com que, como tantas parcelas deste país, tenha sofrido, há muitas décadas, de um processo de desertificação persistente, com a consequente perda de todo um imenso património cultural e natural. Este processo continuará a implicar o desperdício de importantes recursos naturais e, sobretudo, humanos.

Do ponto de vista económico, com a dimensão que temos, não nos podemos dar ao luxo de manter afastadas do desenvolvimento, praticamente improdutivas, largas zonas do território nacional.

Não deveria fazer sentido, no século XXI e num país que ocupa uma faixa atlântica com pouco mais de 200 quilómetros de largura, falar de interioridade.

Só por si, o livre jogo das forças do mercado tem-se revelado incapaz de conduzir a uma maior convergência de níveis de desenvolvimento, pelo que poderemos concluir da necessidade de políticas de desenvolvimento regional.

Rejeito uma conceção destas políticas como uma mera transferência de recursos orçamentais das regiões mais ricas para as mais desfavorecidas. Só por si, esta política não gera verdadeiro desenvolvimento, dado que perpetua o problema económico de base (e o desperdício de recursos).

A experiência do passado mostra, também, que o esforço de desenvolvimento regional centrado no equipamento em infraestruturas é claramente insuficiente.

É certo que é necessário entender o desenvolvimento regional, mais uma vez, como um combate pela igualdade de oportunidades. Deverá ser feito através da rutura com os fatores de bloqueio que estão na base do atraso relativo das regiões mais desfavorecidas, entre os quais a insuficiência ou inadequação de recursos, sejam eles infraestruturais, de capital ou humanos, nas suas várias dimensões.

Tenho defendido que é nas empresas, sejam pequenas, médias ou grandes empresas, de todos os setores e de todas as regiões, que reside o potencial para relançar Portugal numa trajetória de crescimento sustentado.

Também ao nível regional e local, o esforço de desenvolvimento deverá centrar-se na promoção da capacidade e iniciativa empresarial, quer local, quer com origem no exterior.

Minhas senhoras e meus senhores, meus amigos,

Nestas minhas palavras, transparecem muitas das minhas inquietudes e das causas por que tenho combatido. Na minha vida, esteve sempre presente este sentimento de insatisfação permanente que me tem impelido à ação.

Não podemos permitir que alguém se aproprie do nosso destino.

Uma grande lição que aprendi foi a de que não basta agir individualmente. Temos de ter a capacidade de olhar, criticamente, os problemas como membros de uma sociedade global. Mas temos também de ter a capacidade de trabalhar com os outros de forma cooperativa e de assumir responsabilidades ao nível dos papéis e deveres na sociedade.

Assumi, há muito, a certeza que a minha responsabilidade passa por uma atitude de cidadania ativa, não só individualmente, mas, sobretudo, ao serviço de um associativismo forte e coeso, reforçando a sua capacidade de intervenção na sociedade.

Acredito que o associativismo é a forma mais eficiente e eficaz de cidadania ativa.

Esta certeza fez de mim o que sou hoje.

Nas instituições em que me integrei, sempre considerei que o bem comum resultava não da afirmação soberana dos meus interesses individuais, mas da concertação dos interesses de todos em torno de uma causa maior.

Por isso, no meu percurso de vida, tenho assumido uma posição de líder, consciente dos problemas que envolvem tanto o mundo empresarial e a vida das empresas, como o universo associativo que nos rodeia.

Orgulho-me de ser, na minha condição de líder associativo, um criador de pontes.

Quando liderei a Comissão de Trabalhadores da Lisnave, num ambiente sindical que me era adverso orgulho-me de ter conseguido fazer o primeiro contrato social deste país. Tenho a convicção que com isso contribuí, na altura, para salvar a empresa. Contributo que continuo hoje a dar na preservação das nossas empresas.

Os ensinamentos e a sensibilidade que recolhi daquele tempo foram-me de extrema utilidade para as negociações em que tenho participado nos últimos anos, em representação da CIP, e que conduziram aos Acordos de Concertação Social.

Continuo a arquitetar pontes, continuo a estreitar margens!

Sem abdicar das causas que abraço e dos valores que me guiam.

Com a inquietude cívica que sempre me caracterizou. Com a inquietude cívica que sempre me acompanhará!

Citando Albert Camus:

“Uma nação morre porque as suas elites se dissolvem”

Termino, dedicando este título agora recebido à minha família.

À minha mulher, aos meus dois filhos e à minha mãe. Sempre me apoiaram e por vezes em condições bem difíceis.

Ao meu pai, que já partiu, e de quem tenho enormes saudades, pelo enorme orgulho que sei que teria.

Conta-me a minha mãe que, quando eu tinha dois anos, tendo-me vestido uma roupa nova, fui bater à porta da minha madrinha dizendo: “abra a porta ao senhor doutor.”

Agora, ao fim de 67 anos, não a minha madrinha mas esta Universidade abriu-me a porta!

Muito obrigado!

António Saraiva

23-11-2022″

Arquivado em:Entrevistas, Leadership

O LÍDER do jogo foi Cristiano Ronaldo

25 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

Durante a participação de Portugal no Campeonato Mundial de Futebol, a Líder vai publicar, no final de cada jogo da Seleção nacional, uma análise ao plantel em campo, numa combinação entre futebol e liderança.

Lançamos o desafio a várias figuras para escolher o líder do jogo, respondendo a onze rápidas perguntas.

Portugal no Mundial do Qatar 2022

24 de novembro – Portugal vs Gana

Respostas de Henrique Monteiro, jornalista e escritor 

1.O passe de assistência revelador de grande noção de liderança

Bruno Fernandes

2. O remate de Líder

Rafael Leão, já estava a rir, mal chutou.

3. A tática que poderíamos colocar ao serviço da vida

Não me parece adequado pôr ao serviço da vida aquela falta de velocidade.

4. O momento de beleza do jogo

A alegria de Ronaldo depois de marcar o pênalti, e as lágrimas a ouvir o hino.

5. O selecionador e as suas artes de liderar foram visíveis?

Felizmente, sim. Quando tirou o estafado Ruben Neves e fez entrar o Leão.

6. Há faltas que um Líder não deve cometer. Alguma a assinalar?

A falta de atenção de Diogo Costa.

7. Birras que não se fazem campo

João Félix. Um rapaz da minha terra, escusava de ser tão teatral.

8. Para quem vai o cartão amarelo?

Para Diogo Costa, por não olhar para trás.

9. E o cartão vermelho?

Para Ruben Dias, talvez o melhor central do mundo, que deu uma fífia das grandes.

10. Resiliência, paixão e coragem estiveram presentes?

Mas só em alguns (Ronaldo, Bruno Fernandes, Raphaël Guerreiro)… poucos.

11. Quem foi para si o líder do jogo? Porquê?

Ronaldo, porque é sempre líder.

Créditos fotográficos: Federação Portuguesa de Futebol

Arquivado em:Liderança, Notícias

Black Friday com descontos até -70%

25 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

As promoções de Black Friday na iServices já arrancaram no início de Novembro, com a campanha Orange Season, sobre iPhones Recondicionados, Acessórios e Gadgets.

O pico da promoção acontece hoje, dia 25 de novembro e irá prolongar-se durante o fim de semana (26 e 27 de novembro). Diversos artigos tecnológicos, assessórios e gadgets, selecionados da marca, vão estar com descontos até -70%, quer nas lojas físicas quer na loja online da iServices.

Na Loja Online da iServices, estão ainda previstos descontos nos equipamentos recondicionados – iPhones, iPads, Macbooks e Apple Watch.

A iServices assegura os portes gratuitos ao longo de todo o período das campanhas.

Um dos objetivos da nossa estratégia nesta Black Friday foi alargar o período de consumo associado à época natalícia, distribuindo os momentos de compra por outubro, novembro e dezembro. Começámos desde logo no dia 21 de outubro, com a adesão ao “Dia de Compras na Net” e prolongámos a campanha ao longo de todo o mês de Novembro, com a nossa já habitual Orange Season. Desta forma, os nossos clientes podem beneficiar das inúmeras ofertas e selecionar os diferentes presentes que pretendem adquirir sem terem de se sujeitar à habitual concentração de filas para a compra de presentes de última hora

Vânia Guerreiro, Diretora de Marketing e Comunicação da iServices

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Qualificação da aprendizagem à distância

21 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

O projeto “QUEST” pretende melhorar a qualidade do ensino e formação à distância, através do desenvolvimento de um novo perfil profissional Europeu de Instructional Designer.

Para além de facilitar a mobilidade dos Instructional Designers e aumentar a capacidade do desenvolvimento do eLearning, para que seja apelativo e engaging, o projeto quer qualificar profissionais com conhecimentos e competências previamente adquiridos.

O COVID19 impôs o ensino e a aprendizagem à distância a uma escala global. As transições verdes são de importância estratégica para a UE. Esta utilização em massa e sem precedentes da tecnologia para a aprendizagem levou professores, formadores, formandos e famílias a enfrentarem uma curva de aprendizagem íngreme, expondo assim as fraquezas que necessitam de ser melhoradas a fim de integrar com sucesso as tecnologias digitais nos sistemas de educação e formação.

A Comissão Europeia declarou que em alguns Estados-Membros, “a grande maioria dos formadores e formandos tinha pouca ou nenhuma experiência de ensino e aprendizagem , sobre as diferentes abordagens pedagógicas necessárias para esta modalidade de ensino”, concluindo que “a crise exige que repensemos a forma como a educação e a formação, em todas as disciplinas, são concebidas para dar resposta às exigências de um mundo em rápida mudança e cada vez mais digital (Plano de Ação para a Educação Digital 2021-2027, 2020, p.3).

Agora que estamos a ultrapassar fases não planeadas e de emergência na educação e formação, é urgente implementar abordagens estratégicas a longo prazo na educação e formação digital.

Os parceiros do QUEST identificaram uma necessidade europeia na falta de harmonização para a requalificação dos trabalhadores, no campo da formação online e do desenvolvimento de experiências de aprendizagem digital.

O projeto QUEST contribui para colmatar esta lacuna através de Instructional Design de alta qualidade. Instructional Design pode ser definido como “o processo pelo qual os produtos e experiências de aprendizagem são concebidos, desenvolvidos e entregues”.

Estes produtos de aprendizagem incluem cursos online, manuais de formação, tutoriais em vídeo, simulações de aprendizagem, etc. Instructional Designers são os ‘arquitetos’ da experiência de aprendizagem e os ‘diretores’ do processo de Design de Sistemas Instrucionais ISD” (Instructional Design Central, n/a).

O projeto, financiado pela Agência Nacional Portuguesa Erasmus+, no âmbito do Programa Erasmus+, teve início a Novembro de 2021 e irá terminar em Outubro de 2023.

O ISQe é o coordenador do projeto onde participam também o IADE (PT), FIP (IE), Turku University (FI), EFCoCert (CH), EDEN DLE, (EU).

 

Mais informações sobre o projeto aqui

 

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