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Rita Saldanha

O LÍDER do jogo foi Bruno Fernandes

30 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

Durante a participação de Portugal no Campeonato Mundial de Futebol, a Líder vai publicar, no final de cada jogo da Seleção nacional, uma análise ao plantel em campo, numa combinação entre futebol e liderança.

Lançamos o desafio a várias figuras para escolher o líder do jogo, respondendo a onze rápidas perguntas.

Portugal no Mundial do Qatar 2022

28 de novembro – Portugal vs Uruguai 

Respostas de Henrique Monteiro, jornalista e escritor 

 

1.O passe de assistência revelador de grande noção de liderança

 Bruno Fernandes. Passou tão bem para Ronaldo que foi ele a fazer golo

2.O remate de Líder

Bruno Fernandes com o saltinho no penalti

3.A tática que poderíamos colocar ao serviço da vida

Mudar mais cedo do que o treinador mudou a equipa

4.O momento de beleza do jogo

A primeira grande defesa de Diogo Costa 

5.O selecionador e as suas artes de liderar foram visíveis?

Sim ao fazer entrar Palhinha, Matheus Nunes e Gonçalo Ramos, embora tarde demais

6.Há faltas que um Líder não deve cometer. Alguma a assinalar?

Acho que faltas dessas só do Uruguai. O cavalheiro que queria levar João Félix para casa, por exemplo

7.Birras que não se fazem campo

Não se fizeram

8.Para quem vai o cartão amarelo?

Para João Cancelo que sabe muito mais e é bastante melhor do que mostrou. 

9.E o cartão vermelho?

Não vislumbro 

10.Resiliência, paixão e coragem estiveram presentes?

Sim, claro. Estivemos 10 minutos e resistir cheios de paixão, embora jogando mais. Em muitos desses momentos a coragem – como a de Diogo Costa na segunda grande defesa – é imprescindível 

11.Quem foi para si o líder do jogo? Porquê?

Bruno Fernandes. E nem é preciso dizer mais do que isto: vencemos 2-0 com dois golos dele. 

 

Créditos fotográficos: Federação Portuguesa de Futebol

Arquivado em:Liderança, Notícias

O valor económico do “ESG”

29 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

Os valores ESG (Environment, Social and Governance) de boas práticas empresariais refletem-se na atividade das empresas e no seu valor reputacional. Ocean Tomo, em 2015, já afirmava que 80% do valor das marcas e empresas dependia de valores intangíveis como ESG.

Não sei se serão 80%, mas certamente será um valor alto. Pois a reputação, a construção de marcas credíveis, a confiança na “governance” das organizações, o respeito pelo planeta, a construção de economias circulares e a ética empresarial, são valores que garantem a sustentabilidade do negócio.

O “customer e o employer journey” devem ser “critical success factors” estratégicas da liderança na manutenção do talento e prossecução dos KPIs. Os 4 fatores ESG são claros e definidos num acrónimo para os líderes e organizações atuais: T.A.R.A., ou seja, “Trustability”, “Accountability”, “Respect” e “Respect Ability”.

Ou seja, as organizações que pretendem conquistar EBITDAS positivos, remunerar acionistas, garantir investimento, manter talento, conquistar quota de mercado, inovar e crescer, têm de ter no seu ADN os 4 fatores referidos, para conquistar a confiança, o respeito, a admiração e a lealdade dos seus stakeholders.

Os seus clientes, investidores, autoridades e a sociedade em geral apenas confiam e entregam o seu valor a organizações de valor aumentado:

. que sejam confiáveis e tenham boas práticas (“Trustability”);

. que sejam responsáveis pelas decisões que tomam, salvaguardando o bem-estar interno, da comunidade, no respeito dos direitos individuais e humanos (“Accountability”);

. com procedimentos que reflitam valores claros e invioláveis; que devem ser respeitáveis pela sua governance e ética, mas também pelo respeito pelo planeta (“Respect”);

. em suma respeitando os outros (todos os stakeholders), a legislação, as boas práticas no processo de tomada de decisões, refletido no compromisso e a responsabilidade perante os cidadãos (“Respect ability”).

As empresas já não querem ter só colaboradores produtivos, mas que sejam também bons cidadãos. As organizações não querem só ter fornecedores de baixo preço, mas que não promovam o trabalho infantil. As corporações não querem ter clientes associados a práticas pouco éticas.

Portanto “à mulher de César não basta ser, tem de parecer”, as organizações devem introduzir mecanismos de manutenção da integridade, de auditoria ativa de forma contínua nas organizações. A fim de identificar as áreas de risco e melhoria, mas também desenvolver uma cultura ESG na organização.

E como o ESG cria valor, deverá estar a pensar?

Segundo a MSCI / PWC, através do aumento da eficiência dos recursos, da redução de pagamento de prémios de seguro e impostos (coimas), do aumento da produtividade e compliance, da conquista de novos clientes, da origem de novas fontes de lucro, de melhor reputação, de maior acesso ao financiamento com juros mais baixos.

Todos estes fatores se conjugam para materializar financeiramente o ESG.

Obviamente que as empresas só vivem se produzirem resultados, mas os valores intangíveis ESG levam-nos a ser diferenciadores dos concorrentes, a ser excelentes, impossíveis de copiar, gerando valor. Valor reputacional, social e económico. Valor refletido na decisão de investimento, compra, empregabilidade, criação de marcas fortes ou de recomendação positiva.

Ou seja, têm materialidade financeira e económica, pois garantem a sustentabilidade e responsabilidade corporativa e promovem comportamentos favoráveis por parte dos seus stakeholders. Os clientes estão inclusive dispostos a pagar um valor extra, se o produto procede de uma empresa responsável.

Assim como 81% dos cidadãos entendem que as organizações devem gerar benefícios económicos e melhorar as condições económicas e sociais dos países onde têm operações (Barômetro de Confiança da Edelman, 2015). Mas infelizmente este não é ainda um comportamento comum. Ou seja, temos muito que fazer!

Segundo uma pesquisa da FSB no Brasil, apenas 12% das médias e grandes empresas estão nos estágios mais maduros de gestão da sustentabilidade, enquanto 60 % não contam com estratégias ESG. Aliás basta avaliar a pesquisa feita pelo “Bank of America Merrill Lynch” que concluiu que 15 falências, das 17 (S&P 500), de 2005 a 2015, foram em organizações com frágeis ambientes ESG, nos 5 anos anteriores a estes eventos. Assim como a perda de metade de um trilião de USD, entre 2013 e 2019, em resultados.

Ou seja, a ESG impacta na sobrevivência das empresas e nos seus lucros. Confirmado pela “Bloomberg Intelligence” que avalia este asset em mais de 41 triliões de USD, em 2022. Assim como a McKinsey afirma que um comportamento ESG pode combater as despesas operativas (materiais de produção, energia, entre outros), e aumentar os resultados operativos em mais de 60%.

Não se trata só de garantir lucros e resultados operativos, mas também financiamento, pois os bancos (nas suas análises de risco) avaliam a criação de valor ESG. Um estudo do MSCI, de 2022, indica que este fator pode reduzir o custo do capital em 1.14%, enquanto outros estudos referem que pode chegar aos 10%. Trata-se de uma questão de confiança e risco.

Em suma, comportamentos corretos permitem-nos deixar pegadas responsáveis e criar um mundo mais próspero e sustentável, ganhando mais dinheiro!

 

Arquivado em:Opinião

Webinar: vantagens na adesão ao programa de sustentabilidade dos vinhos do Alentejo

28 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

Uma vez que o sector vitivinícola depende dos recursos naturais, da energia solar, de apropriadas condições climatéricas, água limpa e potável e solos saudáveis, é importante que se estabeleça uma interligação destes elementos de forma ecologicamente sã.

O Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA) pretende apoiar os agentes económicos na melhoria do desempenho ambiental, social e económico da atividade vitivinícola da região e assim promover o reconhecimento do desempenho de sustentabilidade dos vinhos da região.

A definição do processo de certificação segundo o referencial PSVA, permite o reconhecimento da qualidade dos Vinhos do Alentejo pelo seu desempenho de sustentabilidade, evitando a exposição a riscos reputacionais.

Programa:

  • Programa PSVA e a CRVA;
  • Vantagens da adesão ao programa;
  • Processo de certificação e etapas;
  • Objetivos do Programa;
  • Especificação técnica;
  • Interação do PSVA com outras certificações.

Oradores:

Ana Machado – Product Manager na SGS Portugal
Licenciada em Engª Biotecnológica e mestre em Gestão Integrada da Qualidade. Já desempenhou funções como diretora técnica do SGS Multilab e Responsável Técnica da Microbiologia (2001 a 2017). Atualmente é Formadora, Auditora e Responsável de Certificações Alimentares da SGS Portugal, desde 2019.

Iryna Kuslyva – Technician na SGS Portugal
Licenciada em Bioquímica e Mestre em Tecnologia e Segurança Alimentar. Iniciou o seu percurso na SGS em 2019 na área da Certificação Alimentar onde se está a desenvolver como Auditora e Formadora. Em Julho de 2022 foi aprovada como Auditora Coordenadora da Qualidade segundo o referencial ISO 9001:2015, acreditado pelo IRCA.

As inscrições são gratuitas e obrigatórias.

Mais informações aqui.

 

 

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

Será que os negócios verdes criam valor?

28 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

À medida que os acordos verdes se tornam mais populares, vão ficando também mais caros. O valor destes negócios exige um investimento extra substancial que excede a média global do mercado, nos últimos três anos, com encargos de 20% a 30% em certas indústrias.

No entanto, segundo uma nova análise, o preço é justificado, pois tanto a curto como a longo prazo, os negócios verdes geram retornos mais elevados.

Estas conclusões decorrem do relatório “The 2022 M&A Report” da Boston Consulting Group (BCG), realizado em colaboração com o professor Sönke Sievers, da Universidade de Paderborn e que mostra um crescimento das operações ESG, num mercado de fusões e aquisições em decréscimo.

 

Estratégias ESG motivam transações, mesmo em condições macroeconómicas desafiantes 

O mercado global de fusões e aquisições (M&A) arrefeceu face ao ritmo de 2021, com as condições macroeconómicas atuais a pôr fim à onda de aquisições que se seguiu ao alívio das restrições relativas à Covid-19.

Segundo o relatório, nos primeiros sete meses de 2022, as empresas anunciaram mais de 22.000 transações, com um valor total de 1,85 biliões de dólares – um nível de atividade de M&A mais em linha com as médias registadas em pré-pandemia do que com a do ano anterior.

O número global de transações relacionadas com questões ambientais, sociais e de governance (ESG) aumentou 60%, de cerca de 5.700 em 2011 para um máximo histórico de aproximadamente 9.200 em 2021. O volume destes negócios enquanto parcela de toda a atividade de M&A aumentou de 12% em 2001 para 17% em 2011, e ainda mais em 2021 para 22%, o que sugere que mais investidores estão a reconhecer o potencial de criação de valor destas transações.

 

Negócios verdes ganham tração 

Embora as transações relacionadas com o ambiente (ou seja, “transações verdes”) representem apenas uma pequena fração de todas as transações de M&A, estes aumentaram nos últimos anos – subindo para 6% em 2021, depois de pairarem nos 5% entre 2011 e 2019. O aumento de 20% de 2019 a 2021 indica que as transações verdes estão a ganhar força enquanto alavanca estratégica para a transformação ambiental.

As M&A verdes têm vindo a crescer particularmente rápido nas indústrias que estão na vanguarda da transição energética e nos mercados emergentes. Nos últimos dez anos, a indústria da energia e dos serviços públicos teve a maior quota de M&A verdes, bem como o maior aumento, subindo de 20% em 2011 para quase 40% em 2021.

A região com o maior nível de atividade de M&A verdes em 2021 foi o Médio Oriente, com mais de 10% das transações a estarem relacionados com o ambiente, após uma quota constante de cerca de 3% a 5% desde 2014. A região Ásia-Pacífico (especialmente a China) foi a segunda região mais ativa, com uma quota de transações verdes de aproximadamente 8% em 2021.

Em conclusão, o estudo revela que, apesar do excedente substancial que muitas vezes exigem, as transações verdes criam geralmente mais valor quando anunciadas e durante os dois anos seguintes do que os que não o são.

Ao analisar períodos de três dias antes e depois do anúncio de um negócio, o retorno anormal cumulativo médio das transações relacionadas com o ambiente (1%) é significativamente mais elevado do que o das transações não relacionadas com o tema (0,6%). O relatório também determinou que o retorno médio de dois anos de um shareholder de transações verdes (0,6%) excede o das transações não-verdes (0,4%).

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Pelo fim do antissemitismo – a importância da educação e da História

28 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

Após 80 anos do Holocausto, na Segunda Guerra Mundial, o Antissemitismo parece ainda hoje estar presente, em Portugal e no mundo.

Para assinalar as comemorações do Dia Internacional contra o Fascismo e o Antissemitismo, a Associação Lusa Portugueses por Israel (ALPI) organizou na Universidade Lusófona, em Lisboa, uma sessão de esclarecimento sobre o estado do antissemitismo, da comunidade judaica, e para debater o fim do racismo.

O embaixador de Israel em Portugal, Dor Shapira, enfatizou que o Holocausto não pode cair no esquecimento da população, e que para isso acontecer é necessário que haja uma educação em casa, e na escola: “Uma tragédia pode voltar a acontecer outra vez se continuarmos em silêncio, se nada for feito.”

 

O esquecimento é o pior inimigo da História

Manuel Curado, Filósofo e professor na Universidade do Minho, refletiu sobre intelectuais portugueses que, em tempos, condenaram a comunidade judaica, como Luís António Verney, ou Mário Saa.

O primeiro, argumentava que “as pessoas que se declarem judeus em Portugal se devem esconder no reino, mesmo que as suas propriedades não se confisquem, dando «tempo ao arrependimento», acreditando ele que essas pessoas voltariam à fé cristã”, explicou o filósofo.

Já no século XIX, Mário Saa, um escritor português, “procurou branquear a Inquisição, vendo nela um sistema útil que tentava controlar a invasão de uma raça diferente.”

Termina a sua intervenção com um desabafo: “Uma das coisas que mais surpreende o estudioso da rica história dos judeus portugueses é a verificação de que há toda uma cultura oficial de costas voltadas para o assunto. Não compreendo que, em tantas centenas de cursos universitários em Portugal, não haja disciplinas que falem disso, a começar pelas disciplinas de história das ciências, em que o contributo dos judeus portugueses foi extraordinário.”

 

“Há apenas 500 anos, Portugal era dos países com um maior nível de comportamentos antissemitas”

Porém, hoje Portugal é dos países europeus em que esse tipo de racismo é menos evidente, comentou o embaixador. No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer, já que uma nova vaga ódio se tem vindo a levantar, sobretudo com a emergência das redes sociais, e dos extremos políticos.

“As redes sociais tornaram-se ferramentas para espalhar ódio e conspirações. E as fake news são hoje a ferramenta de eleição para divulgar o antissemitismo. É da responsabilidade de cada um reportar esses comportamentos”, acrescenta Shapira.

Será também necessário que a legislação mude para não haja qualquer tipo de tolerância com o racismo, e para isso a colaboração do Estado será fundamental, argumenta o embaixador.

Nas palavras de Madalena Barata, Vice-presidente da ALPI:

“A efeméride, Noite dos Cristais, marca o princípio do quase fim do Povo Judaico. Hoje estamos aqui juntos para dizer Nunca Mais. Houve alguém que o fez melhor, e antes de nós, e tem uma Praça com seu nome em Jerusalém, desde ontem: Aristides de Sousa Mendes. Como VP da ALPI peço ao Sr. Deputado Pedro Delgado Alves que ajude a que o Parlamento português inclua na legislação portuguesa, a definição de IHRA de antissemitismo. Este instrumento jurídico diminuiria o sempre disfarçado antissemitismo em anti Sionismo que deslegitima o Estado de Israel, atribuindo sempre superioridade moral à chamada causa palestiniana.”

 

 

Por Denise Calado 

Arquivado em:Notícias, Política

Negócio e Liderança: as novas linhas de ação para a gestão de pessoas num mundo do trabalho mais humano

28 Novembro, 2022 by Rita Saldanha

Com mais de 25 anos de experiência profissional em funções de gestão nas diversas áreas de Recursos Humanos, a paixão de Elsa Carvalho continua a ser a gestão e transformação dos negócios potenciando as pessoas. Hoje é Executive Board Member e Head of Consulting Services do Grupo Egor em Portugal, que conta com 158 colaboradores e mais de 35 anos de experiência e especialização em RH, em áreas como consultoria e coaching, formação, outsourcing entre outras.

A forma como trabalhamos é agora uma nova realidade, e os Recursos Humanos são a área por excelência, dentro das organizações, que assume a função do negócio e dita as tendências e mudanças do futuro. Uma liderança positiva e mais humana é a chave para um admirável novo mundo do trabalho.

 

Nos últimos 20 anos, assiste-se a uma das maiores revoluções na área dos RH, entre os vários setores de negócio. Conta com um percurso profissional extenso, sempre do lado da gestão de pessoas. O que mudou definitivamente?

A função de Recursos Humanos mudou definitivamente de “suporte” para “negócio e liderança”. Deste modo, a par com uma função de desenho e implementação de políticas, esta deverá ter como missão fazer a conexão e alinhamento entre os diversos níveis da organização, liderando os projetos de transformação e mudança. Para isso é critico conhecer e acompanhar todos os níveis da organização, assim como, perceber a evolução do mercado e os principais desafios do setor de atividade onde atua, de forma a antecipar tendências e alinhar a agenda de transformação no curto e médio prazo.

Adicionalmente, se em tempos se evoluiu muito (e bem) ao nível de automação da atividade de RH, neste momento torna-se crítico um “human interface” onde a interação pessoal adicione valor. São necessários rostos e nomes nestas interações humanas e a promoção de uma proximidade de forma contínua. Para liderar tantas mudanças organizacionais, as próprias equipas devem ser grupos inspiradores capazes de influenciar e moldar a cultura interna. Tendo presente a velocidade atual com que as mudanças ocorrem, ter líderes e uma equipa capacitada para a sua gestão passou a ser um “must have” tendo presente a diversidade e complexidade de stakeholders a nível interno e externo.

 

Ultrapassada, em parte, a tempestade maior, ao fim de dois anos de Pandemia e de enormes constrangimentos para as empresas, quais são hoje os principais desafios para os Recursos Humanos?

Na minha perspetiva, a pandemia criou a oportunidade e a necessidade de remodelar o mundo do trabalho para uma forma mais humana. Os líderes na gestão de pessoas podem preparar o caminho para um futuro de trabalho mais empático, solidário, inclusivo, diversificado, flexível, adaptável e, acima de tudo, centrado nas pessoas.

Deste modo, torna-se crítico e urgente, para todas as organizações, pensarem que ações concretas podem empreender para fazer face a questões e desafios muito atuais. Um grande desafio é a capacidade de atração, sendo este um fator decisivo em determinados setores de atividade. A escassez de pessoas em muitos setores e áreas funcionais constituem oportunidades para pensar talento de forma mais global, integrando talento sénior e outro disponível, independentemente das formas contratuais. Aumentar a flexibilidade e explorar “pools de talentos” não disponíveis para emprego a tempo integral pode introduzir complexidade na gestão, mas subsiste uma alternativa a ser explorada. As questões demográficas, fluxos migratórios e educação e formação são críticas. Analisar as oportunidades de reskilling e upskilling permite, para além de ter capital humano relevante e mais atualizado, uma força de trabalho mais flexível.

Questões relacionadas com retenção, motivação e compromisso tornam-se ainda mais prementes. Muitas empresas repensam formas de interação e de organização do trabalho (integrando equipas híbridas e/ou remotas) e tipo de cultura a promover internamente. O alinhamento entre o sentido de propósito individual e organizacional passou a ser uma variável importante e com reflexos muito diretos ao nível do compromisso. A sustentabilidade (nas vertentes ambientais e sociais), práticas de boa governação e a criação de uma cultura empresarial que fomente uma maior diversidade e inclusão são questões a que a sociedade e as pessoas estão cada vez mais atentas. Uma pesquisa recente da McKinsey constatou que os colaboradores apresentam uma probabilidade cinco vezes maior de se sentirem comprometidos em trabalhar numa empresa que se dedica a refletir sobre o impacto que causa no mundo. A Saúde (no conceito global de saúde física, social, mental e financeira) entrou definitivamente na agenda passando para uma visão cada vez mais holística da pessoa. Todas estas mudanças e oportunidades terão de ser necessariamente suportadas e promovidas pelas lideranças. Sabemos que os desafios são grandes, o ritmo no qual ocorrem é acelerado, mas temos cada vez mais pessoas preparadas para os gerirem.

 

O “Global Green Skills Report 2022 do Linkedin” revela a ascensão de “talentos verdes” em linha com a transição digital e transformação das empresas. Em Portugal, os empregos verdes também estão em alta?

Este relatório, realizado a nível mundial, pretende fornecer “insights” para que os principais agentes possam capacitar as empresas com as funções e skills necessários a uma transição necessária e urgente para uma economia verde. Os “green jobs and skills” são igualmente uma realidade em Portugal. Reforço que, para além de funções e skills específicos capazes de endereçar os desafios de cada atividade e gerir a agenda, torna-se crítico a mudança cultural e de hábitos a nível global. Não obstante as novas gerações parecerem estar mais despertas para essa realidade, adotando de forma natural comportamentos e hábitos com maior consciência do impacto ambiental, neste momento existe uma tomada de consciência a nível global.

 

Quais são as características indispensáveis para uma liderança positiva e mais humana?

A liderança humana e positiva incentiva, motiva e inspira. A literatura aponta para uma série de características. Da minha experiência, destaco como verdadeiramente relevantes a capacidade de escuta e acessibilidade. O líder positivo sabe tomar decisões, mas ouve as equipas e integra a informação na tomada de decisão. Comunica de forma eficaz revelando respeito e empatia e inspira ao seu redor, valorizando as pessoas e apostando no seu desenvolvimento. Finalmente destaco o perfil do líder otimista, que reconhece dificuldades, mas sabe lidar com elas, mantendo uma energia “positiva”.

Para liderar tantas mudanças organizacionais, as próprias equipas devem ser grupos inspiradores capazes de influenciar e moldar a cultura interna. Os líderes na gestão de pessoas podem preparar o caminho para um futuro de trabalho mais empático, solidário, inclusivo, diversificado, flexível, adaptável e, acima de tudo, centrado nas pessoas.

 

Este artigo foi publicado na edição de outono da revista Líder

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