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Titiana Barroso

Pedro Brito: «Vai haver um novo AC, DC. E há coisas que devem perdurar nas empresas»

18 Maio, 2021 by Titiana Barroso

O Ensino foi dos sectores que mais sentiu o impacto da Pandemia com a adoção quase imediata de medidas de ensino à distância e estabelecimento de novas práticas e modelos de aprendizagem e avaliação.

Pedro Brito é o atual Associate Dean for Executive Education and Business Transformation da Nova SBE. A única instituição de ensino portuguesa a figurar no Top 30 do ranking do Financial Times de melhores escolas de gestão da Europa, criada em 2019 é já uma referência tanto na formação de novos talentos como na constituição de uma comunidade global distinta pelo seu pensamento crítico, criativo e dinâmico.

Pedro assumiu há um ano o compromisso de abrir a NOVA School of Business & Economics, em Carcavelos, ao Mundo. Licenciado em Tecnologias de Gestão pelo ISG, com uma experiência de mais de 20 anos em Consultoria e Gestão, iniciou a sua carreira na Arthur Andersen (atual Deloitte) e foi um dos fundadores da Jason Associates, hoje Mercer Jason Associates.

As lições apreendidas e uma Cultura de Comunicação foram alguns dos temas da entrevista, conduzida por Francisco X. Froes, no âmbito de um projeto académico desenvolvido em conjunto com Miguel Pina e Cunha (professor de liderança da NOVA SBE e diretor da revista Líder) e Arménio Rego (professor da Católica Porto Business School e diretor do LEAD.Lab) durante o período de confinamento em maio de 2020.

O que é que ouviste, quando e como?
Em janeiro, quando ouvi falar no novo coronavírus confesso que não estava minimamente preocupado e, honestamente, não tomei nenhuma diligência. Para o bom e para o mau, não sou alarmista. No início de março, quando já estava próximo de ser alguma coisa, dois dias antes da indicação do Ministério da Educação para fechar as escolas, juntámos a equipa e comunicamos que, numa questão de horas, dias, o mesmo poderia acontecer com a Nova SBE. Felizmente parte do nosso trabalho poderia ser feita de forma remota e assim foi. Para mim foi uma grande aprendizagem.

Que preparação prévia tinham? Improvisações?
A Nova SBE tem uma equipa de 52 pessoas em staff para além de 30 professores do chamado core faculty, sendo por isso um grupo muito heterogéneo e único. O Plano de Contingência (PC) que criámos foi assim muito focado em diferentes matérias, nomeadamente na questão cultural, pois quer queiramos quer não, há um impacto emocional muito grande nas pessoas.
Nas primeiras semanas, e perante a falta de informação e sobretudo desinformação, houve a preocupação em manter as equipas em contacto, com reuniões diárias, que muitas vezes serviam apenas de touch base para garantir que as pessoas estavam bem. Criámos uma Cultura de Comunicação baseada na proximidade e transparência, usando as ferramentas de comunicação online (Zoom, Teams, etc) e passei a enviar para a equipa uma newsletter onde partilhava não só o ponto de situação de negócio, como as matérias onde havia mais dúvidas (lay-off e despedimentos), apresentando uma perspetiva otimista de como nos podemos reinventar.
O PC precisava garantir que toda a equipa, incluindo professores, estava preparada para uma lógica de ensino à distância, e essa jornada foi feita, quer do ponto de vista técnico e pedagógico. Tanto professores com equipa de staff uniram-se para encontrar soluções em conjunto, e notou-se como os níveis de tolerância aumentaram brutalmente. Em duas semanas conseguimos criar um portfólio de formação on-line, 100% digital, com 25 programas.

Vai haver um novo AC, DC. Antes do Covid e Depois do Covid. E há coisas que eu acho que deviam perdurar claramente nas empresas.


O vosso lema ajudou?
“Uma escola de e para o futuro”. A escola, como outras organizações, tem muitas culturas, contudo há três temas que a unificam. Primeiro, é perceber que não estamos sozinhos, a escola vive num ecossistema de parceiros cada vez mais próximos. Prova disso foram os apoios que recebemos, professores que vieram de fora e a ajuda vinda da comunidade dos alumni, num envolvimento conjunto para a construção do futuro da nossa escola.
Depois, existe um segundo veículo que são os knowledge centres que cada vez mais se têm aproximado das áreas de negocio, como aconteceu com a transformação do conhecimento em conhecimento aplicado, nomeadamente na área da saúde.
Finalmente, há uma cultura de impacto cada vez mais presente que faz questionar “porquê” e “para quê” se estão a fazer coisas, o que é muito bom, mas exigente quando as próprias decisões das lideranças são postas em causa. 

Quais as preocupações estratégicas a curto e médio prazo?
A curto prazo existem duas questões, uma relacionada com a gestão emocional das equipas, em que dado o contexto atual das pessoas, juntamente com tantas mudanças que acontecem todas as semanas, vive-se numa “montanha russa” que se deve reconhecer ser muito violento. Temos que ter uma preocupação de cross mentoring, ou seja, fazer mentoria a pessoas que não são do reporte direto para se perceber o que é importante para cada um, para além de que o cruzamento com estilos de liderança diferentes ajuda a equilibrar o estado emocional das pessoas. Outra preocupação a curto prazo é a económica, isto é, garantir que todas as iniciativas que estamos a implementar tenham um retorno que permitam compensar parcialmente as perdas do primeiro e segundo trimestre.
A médio prazo, as preocupações têm um contexto mais externo, como o caso de ter de reequacionar a nossa estratégia de internacionalização como também ao nível da necessidade de adaptação do corpo docente para uma nova realidade de ensino online.

Como é que isto vai reequilibrar a hard part e a soft part?
De repente, a introdução de um sistema de ensino blended veio resolver um problema de espaço que já se sentia no Campus. Como já estávamos a pensar na criação de novos edifícios, a Pandemia trouxe a oportunidade de crescimento da nossa ambição, sem exigir um sobre investimento daquilo que já estava programado. Para mim, esta foi também uma oportunidade de repensar a forma como operamos no nosso sector, que é faze-lo de uma forma mais híbrida algo que todos nós desejávamos – a transformação digital no ensino. A necessidade aguça o engenho e conseguimos fazer muitas coisas em muito pouco tempo e por metade do valor, quando inicialmente estavam orçamentadas em centenas de milhares de euros. É incrível.

Qual foi a descoberta mais surpreendente?
O nível de abertura, tolerância e disponibilidade do corpo docente perante este contexto. Não me canso de dizer o orgulho que tenho de termos um corpo docente que está verdadeiramente disponível para a escola.

O que é que aprendeste. Qual a grande lição?
É muito importante escolher as pessoas certas. Quando entrei para Nova SBE aceitei o convite do Daniel Traça na condição de poder escolher a minha equipa e num espaço de seis meses substituí 60% dos elementos que a compunham. Olhando para trás, temos sempre dúvidas e a grande aprendizagem foi: ainda bem que juntamente com a minha equipa de gestão tomamos essa decisão. A grande lição foi por isso ter escolhido uma equipa e criado uma cultura de One Team muito forte, sendo essa a razão pela qual estamos aqui, na situação atual, a ser bem-sucedidos.

O que passas aos teus filhos, de 12 e 15 anos, e o que é que eles te passam?
Os meus filhos são muito tolerantes. Aqui em casa somos todos escuteiros, eu sou desde os oito anos – temos a cultura de família e depois temos a cultura escutista. A cultura escutista baseia-se em vários princípios, mas destaco dois: rituais, artefactos corporais e o espírito do Escuteirinho que aqui em casa dizemos que é o da boa ação – temos sempre a boa ação do dia. Juntos criámos um conjunto de rituais diários, que ajudam a uma disciplina ao longo da semana. Todos temos uma agenda em que definimos como estamos a usar o tempo e em quê.

O COVID-19 numa palavra?
Vou-te mostrar um slide de um optimista. We all know the World is changing faster

Como as pessoas vêm            Como eu vejo

C  Change                               Clarity (mais)
O Outbreak                             Opportunity (mais)
V Vulnerable                          Vulnerable (boa)
I  Implacable                           Ingenious (engenho)
D Disinformation                    Direction

Arquivado em:Entrevistas

Fórmula do Talento celebra 10.º aniversário com nova imagem (mas mantém a essência)

18 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Nestes 10 anos de existência, a Fórmula do Talento procurou fazer chegar às organizações as melhores práticas de Gestão de Recursos Humanos. Este ano, ao assinalar o 10.º aniversário, a empresa de Outsourcing, Recrutamento & Seleção, Formação & Desenvolvimento e Consultoria de Recursos Humanos decidiu ser esta a altura certa para parar e refletir com o apoio dos seus especialistas.

Luis Marques, Diretor Geral, explica que: “Este é o momento para pensar e responder a algumas questões que internamente nos fomos colocando. Será que somos efetivamente o que achamos que somos? E o que gostaríamos de ser? E de que forma o mercado nos perceciona? É da forma que gostaríamos? Foi também o momento para refletir sobre a nossa essência, os nossos princípios e o caminho percorrido. Aproveitámos o tempo da pandemia para alguma introspeção e para preparar a mudança. Esta reflete-se na comunicação externa, verbal e visual.”

Este rebranding traz reajustes na forma, mas a essência e o posicionamento mantêm-se, tal como afirma Luis Marques: “A paixão que colocamos em cada projeto é a mesma de há 10 anos. E vai manter-se!”.

A Fórmula do Talento acredita que pessoas potenciam empresas e trabalha com o propósito de contribuir para que o desenvolvimento do talento impulsione a gestão de qualquer organização. O foco, desde 2011, tem sido a humanização de empresas e a procura contínua de formas para dar visibilidade aos seus talentos.

No arranque da atividade, a empresa encarou o seu primeiro e maior desafio. Nas palavras de Luis Marques: “O Outsourcing da Direção de Recursos Humanos é um serviço inovador e, como tal, o mercado ainda não estava preparado para o receber. Tivemos que funcionar como verdadeiros missionários a evangelizar empresas, muitas delas sem consciência da necessidade e importância da função de RH para o sucesso do seu negócio”.

Na primeira década de vida, a Fórmula do Talento desenhou e desenvolveu centenas de projetos, organizou e participou em inúmeros eventos sempre relacionados com a Gestão do Talento.

Nos últimos anos, a Fórmula do Talento desenvolveu, também, metodologias próprias, como o Modelo GROW®, um Programa de Desenvolvimento de Competências, e o Mentoring4c, uma metodologia de mentoring destinado a profissionais e empresas.

A empresa já colaborou com mais de uma centena de clientes, ajudando-os a valorizar e potenciar cada vez mais as pessoas. Um dos seus clientes mais antigos, da linha de serviço de Outsourcing da Direção de RH, Nuno Fevereiro, da Ibercoal/CleanCarbon, faz questão de salientar que: “A Fórmula do Talento tem sido um parceiro vital para o desenvolvimento e crescimento dos nossos Recursos Humanos e, consequentemente, da empresa”.

Mas não é só externamente que a Fórmula do Talento fomenta a importância da Gestão de Recursos Humanos. Carla Oliveira, Manager da área de Formação, refere que o espírito de equipa, a boa disposição e a aprendizagem constante fazem parte do ADN da equipa.

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

O novo paradigma da “Ciência-espetáculo”

18 Maio, 2021 by Titiana Barroso

A conferência digital “Saúde: Construir o Futuro”, decorrida a 6 de maio, desenvolvida pelo Conselho da Diáspora Portuguesa e composta por vários painéis de participantes, reuniu empresas, universidades e instituições.

Ciência, Tecnologia e Saúde constituem a base do futuro das sociedades e empresas, cujos modelos e pressupostos foram de sobremaneira impactados pela Pandemia, na forma de pensar, resolver e encontrar caminhos para o que se revelou ser um novo Mundo. Duas áreas foram particularmente sensíveis a essas transformações, como o caso da Inovação e da Educação, com o aparecimento de novos paradigmas e mudanças disruptivas que levam à reflexão do estado da arte do processo científico e da formação das pessoas, tanto em Portugal como no resto do Mundo.

Se sonharmos alto, os sonhos podem ser concretizados

No painel “Ciência e Inovação”, composto por Belinda Xavier, investigadora e Diretora do Laboratório de Doenças Moleculares Centro Hospitalar de Vaudois, na Suíça, e Maria Manuel Mota, Diretora do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, destacou-se a mudança do paradigma na forma como se faz Ciência, cujo ponto de viragem foi provocado pelo COVID-19.

Se por um lado a crise pandémica veio mostrar a importância da Inovação na Ciência, resta saber se é possível manter a sustentabilidade dessa inovação no momento pós-COVID e acelerar esse ciclo em outras áreas da saúde. Há por isso que explorar o novo paradigma da “ciência-espetáculo”, do ponto de vista da confiança do processo científico e da informação ao público.

Acerca da aplicação prática da investigação científica na vida das pessoas, e como isso ficou explícito no processo da descoberta da vacina contra o novo coronavírus, Belinda Xavier remete para a citação da Harvard Business School: “a inovação é, mais do que ter boas ideias, o processo de as fazer evoluir ao ponto de as tornar úteis – de ter uso prático”. De facto, com esta Pandemia, os cientistas deparam-se com a realidade de serem úteis e com isso quebrou-se um padrão de várias décadas, em que se antes a Ciência não chegava às populações, agora os cientistas e a sua linguagem estão alinhados com a sociedade.

A Pandemia veio não só abrir o caminho para a comunicação entre as pessoas e a Ciência, como acelerar a construção de uma “ponte” entre as ideias, comunidades e empresas, que de outra forma levaria muito mais tempo a acontecer.

O exemplo evidente da aplicação da Ciência no mercado é o das vacinas, um processo que Maria Manuel Mota classifica como “maravilhoso”. O novo coronavírus veio mostrar que se pode acelerar a investigação científica em outras áreas, relembrando estarmos a viver “um momento único na história da humanidade” e que tal deve servir como uma aprendizagem em outros domínios, sem esquecer terem sido também momentos difíceis e de muitas perdas.

Belinda Xavier reforça esse ponto de vista, quando refere ser “a inovação o principal veículo da transformação”, para o qual é necessário o investimento em estruturas, legislação e disponibilização de gabinetes de transferência de tecnologia, numa maior sensibilização das partes envolventes para que a passagem da ideia ao lado prático seja o mais acelerada e real possível.

Se é verdade que a Pandemia veio provocar um salto inequívoco aos processos de inovação e investigação, veio também revelar um lado menos positivo quando se percebeu que sem a educação apropriada da população torna-se difícil fazer Ciência sob o risco de criar receios entre as pessoas. A Ciência evolui pela dúvida – ela é essencial para se avançar e ir à procura da verdade, ou seja, a dúvida faz parte do processo científico.

Outra questão que vem mudar o paradigma da forma como se irá fazer Ciência no futuro prende-se com o tempo que decorre entre a dúvida e a posterior comprovação de uma teoria, em que se antes levariam anos até que um processo científico se tornasse público, por ter de obedecer a várias etapas, com esta crise pandémica o processo de investigação aconteceu paralelamente entre a comunicação social e a comunidade científica.

Ambas as investigadoras concordam que hoje se viva um dilema entre a qualidade da Ciência e a sua rapidez – ou seja, o processo científico não pode ser tão rápido que se ponha em causa a sua verificabilidade, mas também não pode demorar tanto tempo para questões urgentes, como é o caso da investigação em outras áreas da saúde.

A sensibilidade para a ciência também deu um enorme salto, em que o público foi como que “acordado” para ela, fenómeno que Belinda Xavier identificou e reforçou com a frase do nobel da economia Daniel Kahneman (2002) “Ninguém toma uma decisão baseada num número, é sempre preciso uma história” – isto é, quando a inovação chega ao público tem que ser contada uma história do caminho que foi feito e não basear-se apenas em resultados

A maior lição desta Pandemia foi, na perspetiva de Maria Manuel Mota, a de que se “sonharmos alto, os sonhos podem ser concretizados”. Prova dessa verdade, foi o facto de se ter alcançado uma vacina num curtíssimo espaço de tempo, servindo de ilustração ao facto de quando a humanidade está unida na solução de um problema, é possível chegar à sua solução.

Arquivado em:Ciência, Notícias

Israel e Palestina: Um conflito há muito ignorado pela agenda diplomática mundial

18 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Uma nova onda de violência atinge Israel e a Faixa de Gaza, espalhando-se em simultâneo por praticamente todo o território, um quadro que segundo os especialistas em assuntos diplomáticos é o mais grave desde 2014. As bases do conflito não são de agora, e obedecem a uma lógica que permanece inalterada: a oposição entre judeus e árabes que afeta a vida de palestinianos e israelitas há várias gerações.

Os palestinianos estão há décadas territorialmente divididos. Uma parte está na Faixa de Gaza, na costa do Mediterrâneo, e outra está na Cisjordânia, na fronteira com a Jordânia. Com o tempo, Gaza e Cisjordânia foram-se distanciando em termos políticos e administrativos. A primeira é hoje governada pelo grupo islâmico Hamas, enquanto a segunda é liderada pelo partido laico Fatah.

A geografia atual da região é resultado de anos de conflito, em que após a definição do Plano de Partilha da Palestina em 1948, o estado de Israel e as nações árabes vizinhas invadiram territórios mútuos, reivindicando a sua soberania, travando até hoje várias guerras. A fronteira com a Cisjordânia, cujos limites ainda não estão definidos e a situação delicada da cidade de Jerusalém, a maior cidade israelita e das maiores do mundo, que alberga as três principais religiões abraâmicas — judaísmo, cristianismo e islamismo, e é reivindicada tanto pela Palestina, como por Israel, são uma prova de como o caminho para a paz ainda é longínquo.

Desta vez, o início dos tumultos, há cerca de um mês, contra o despejo de famílias palestinianas por parte de colonos israelitas de um bairro de Jerusalém Oriental, Sheikh Jarrah, evoluiu para um confronto entre grupos palestinianos na Faixa de Gaza e as forças de defesa israelitas, com violência entre civis de ambos os lados, chegando à Cisjordânia.

A tensão aumentou, com o Hamas a lançar mísseis em direção ao território israelita e o exército israelita (Israel Defense Forces, IDF), a bombardear edifícios usados pelo Hamas. Há mortes de civis de ambos os lados, contudo, o número de vítimas entre os palestinianos, é significativamente maior, já que Israel dispõe de um robusto sistema de defesa antimísseis Iron Dome. De acordo com site da Aljazeera, até domingo (dia 16/05) cerca de 192 pessoas, incluindo 58 crianças morreram na faixa de Gaza e Israel declarou 9 mortos.

A escala de violência, incluindo a destruição do edifício que acolhia as delegações da agência de notícias Associated Press e da cadeia de televisão árabe Al-Jazeera, parece estar ligada à incapacidade de Benjamin Netanyahu, o Primeiro Ministro de Israel, formar governo e procurar uma saída para a crise política. Segundo a agência Lusa, Netanyahu em declarações na televisão israelita, afirmou que Israel quer que o Hamas “pague um preço elevado” e argumentou que o objetivo é “devolver paz, segurança e dissuasão”.

Jerusalém de cidade sagrada a epicentro do conflito

Em entrevista à BBC, o historiador francês Vincent Lemire, autor do livro Jerusalém, Histoire d’une ville-monde garante que a cidade vive um momento de agitação urbana que não era visto desde a segunda intifada (2000-2005) – nome popular das insurreições dos palestinianos da Cisjordânia contra Israel. No início do século XXI, palestinianos insurgiram-se contra a política de ocupação territorial empreendida por Israel para quem a cidade inteira de Jerusalém é sua capital, um dado inegociável, enquanto os palestinianos querem fazer da parte Oriental a capital da nação que aspiram um dia ter.

A demografia de Jerusalém mudou ao longo das décadas, e em resultado dos conflitos, hoje cerca de 40% da sua população é palestiniana, numa curva demográfica especialmente ascendente em Jerusalém Oriental, do lado palestiniano, onde eclodiu o atual conflito.

Segundo o autor, isto desempenha um papel importante, porque atualmente a extrema-direita israelita está a ganhar terreno em Israel, mas não em Jerusalém em que não só 40% da população da cidade é palestiniana, como também o é 90% da população na Cidade Velha. As tensões são por isso demais evidentes.

Por todo o mundo, governos pedem moderação a ambos os lados, num esforço da comunidade internacional que parece não ter frutos. Na opinião do historiador, o atual conflito israelo-palestiniano é um retorno ao que está reprimido na agenda diplomática mundial: a situação foi ignorada pelo mundo.

O conflito vai, na sua perspetiva, continuar a evoluir, não vendo uma redução na escala de violência, pois existem duas partes interessadas nele. A solução de dois estados nacionais (um israelita e outro palestiniano) morreu há muito tempo, sem uma hipótese sequer teórica, afirma.

Arquivado em:Notícias, Política

Vamos recuperar a cultura? Um roteiro de Museus de norte a sul do País

18 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Hoje celebra-se o Dia Internacional dos Museus [18 de maio], criado em 1977 pelo ICOM – Conselho Internacional de Museus, e que este ano acontece sob o tema “O futuro dos museus: recuperar e reimaginar”. Em 2020, a crise associada à COVID-19 afetou todos os eixos das sociedades e organizações, sendo o setor cultural um dos mais impactados pela Pandemia, onde os museus não foram exceção, com graves repercussões económicas e sociais.

Neste momento crucial, os museus têm um importante papel em liderar a mudança. O potencial criativo da cultura deve ser revisto enquanto motor de recuperação e de inovação na era pós-COVID, afirma a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), a propósito desta efeméride, em informação divulgada no seu site.

O respetivo organismo convidou os espaços museológicos que integram a Rede Portuguesa de Museus a juntarem-se a estas comemorações, com uma série de iniciativas e programação, com entradas gratuitas em todos os Museus, Palácios e Monumentos tutelados pela DGPC.

Aqui ficam algumas sugestões de museus e espaços a visitar:

Lisboa

Casa-Museu Medeiros e Almeida: Vão acontecer duas visitas guiadas gratuitas ao Museu, para além de decorrer a primeira de duas visitas virtuais pelos segredos da cultura greco-romana, presentes nas coleções da Casa-Museu.

Museu Nacional de Arte Antiga: É inaugurada a exposição “A coleção utópica – o Museu do Caramulo vem ao MNAA”, com uma seleção das obras de arte mais emblemáticas daquele museu, e desconhecidas para muitos, como o primeiro Picasso que se expôs em Portugal.

Porto

Fundação Serralves: Decorre no Museu de Arte Contemporânea a exposição de Olafur Eliasson, composta por diversas instalações de grande escala que ocupam parte do Museu assim como espaços do Parque.

MMIPO – Museu e Igreja da Misericórdia do Porto: Oportunidade única para ver a recém-inaugurada exposição Alberto Giacometti – Peter Lindbergh: Capturar o Invisível; pela primeira vez em Portugal, uma exposição que junta fotografias inéditas das obras de Alberto Giacometti, realizadas por Peter Lindbergh a uma seleção dos trabalhos de Giacometti, entre bronzes e desenhos, selecionados por Lindbergh que são apresentados ao lado das fotografias.

Santarém

Museu Nacional Ferroviário (Entroncamento): Serão inaugurados dois novos espaços expositivos permanentes, as salas dos Compressores e dos Simuladores.

Viseu

Museu Nacional Grão Vasco: Como coleção principal, o Museu expõe um conjunto de pinturas de retábulo da primeira metade do séc. XVI, da autoria de Vasco Fernandes – o Grão Vasco, para além de coleções de pintura, escultura, ourivesaria, faiança portuguesa, porcelana oriental, mobiliário e marfins.

Lamego

Museu de Lamego: Inauguração da exposição de fotografias de Filipe Carneiro, Sístole | Diástole, cujo objeto é o hospital onde trabalha como cirurgião cardiotorácico  no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

Portalegre

Museu da Tapeçaria: Há mais de 70 anos que a tapeçaria de Portalegre é uma referência no país e no estrangeiro, cujo museu pretende preservar e divulgar este património único, homenageando os impulsionadores desta tapeçaria portuguesa.

Gavião

Museu do Sabão: Na vila de Belver foi instalada uma Real Fábrica de Sabão, aproveitando a abundância das matérias-primas necessárias para a sua produção, em que a zona do Alto Alentejo teve desde o século XVI, uma decisiva importância na indústria saboeira nacional.

Portimão

Museu de Portimão: A principal exposição de referência do museu, “Portimão, Território e Identidade” representa uma síntese histórica do percurso das comunidades locais, desde a pré-história até à atualidade.

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Já está a decorrer a Semana Internacional de Coaching

17 Maio, 2021 by Titiana Barroso

A Semana Internacional de Coaching (ICW) 2021, com o mote “Desafiar Tempos Díficeis”, pretende encorajar indivíduos e organizações, a compreenderem e explorarem as possibilidades que o Coaching oferece. Lançada em 1999, a ICW é uma celebração global que partilha com todos os participantes o valor de trabalhar com um Coach Profissional, bem como os resultados e progressos alcançados através de um processo de Coaching.

A ICF – International Coaching Federation será a casa de uma variedade de eventos, webinares, conferências, workshops educacionais, painéis de discussão, demonstrações públicas de Coaching, sessões gratuitas de Coaching e muitas outras atividades organizadas pelos ICF Chapters.

Os eventos exclusivos ICF Portugal Chater Chapter decorrerão entre 18 e 20 de maio de 2021. O Coaching profissional tem o poder de transformar indivíduos e organizações, como parte integrante da ICW 2021 e como contributo à sociedade portuguesa, a comunidade de Coaches Profissionais da ICF Portugal Charter Chapter vai oferecer 200h de sessões gratuitas de coaching. Para beneficiar de uma sessão gratuita de coaching profissional terá, somente, de se inscrever através deste link. No dia 19 de maio, as sessões de coaching gratuito serão abertas a qualquer pessoa que queira descobrir o seu potencial e ir mais além. E no dia 20 de maio, empresários e empreendedores, podem contar com o apoio da comunidade de Coaches Profissionais da ICF Portugal no reerguer dos seus negócios.

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