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Titiana Barroso

Procurar emprego depois dos 50. Oito orientações para o sucesso na entrevista

24 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Em março de 2021 foi publicada em Diário da República, a atualização para 66 anos e 7 meses da idade de acesso à reforma, ou seja, pessoas que hoje estão com 50 anos podem perspetivar uma carreira de quase duas décadas.

A longevidade da população e o nascimento de cada vez menos bebés coloca Portugal nos países da Europa com o mais elevado índice de envelhecimento. Segundo o INE, nos próximos 50 anos o número de jovens em Portugal irá diminuir de 1,4 para cerca de 1 milhão enquanto o número de idosos (mais de 65 anos) passará de 2,2 para 3 milhões.

A consolidar este cenário, a Pandemia veio a agitar as águas do mercado laboral e é de esperar que haja mais movimento de profissionais acima dos 50 anos.

Antecipando esta nova realidade, a Adecco Portugal, empresa de Consultoria e Serviços de Recursos Humanos, reuniu oito orientações para que um candidato desta faixa etária seja bem sucedido, quebrando os estereótipos normalmente associados como uma menor capacidade de adaptação, resistência à mudança, e desadequação das qualificações face às novas exigências do mercado.

  1. Ser conciso e eficaz

Num formato de entrevista comportamental, é provável que os trabalhadores mais velhos tenham muitas experiências a discutir. As perguntas costumam avaliar o comportamento do candidato no passado e o que fizeram para lidar com certas situações. A chave é responder a estas questões comportamentais com a técnica STAR (Situação, Tarefa, Ação, Resultado) de forma ajustada e clara. Lembre-se de não aborrecer o seu entrevistador – o tempo de atenção humana é muito mais curto nos dias de hoje.

  1. Ser confiante e humilde

É preciso retirar confiança da idade e experiência dos trabalhadores mais velhos que trazem conhecimentos e novas perspetivas. No entanto, a humildade também pode ajudar. Reconheça que enquanto traz muito para a mesa, tem a certeza de que pode aprender mais.

Posicionar-se desta forma, perante o entrevistado, ajudará a garantir que não está a procurar entrar e impor o que sabe, que tem capacidade de adaptação a novas situações e que está disposto a trabalhar em equipa.

  1. Prepare-se para a entrevista virtual

Cada vez mais as empresas estão a utilizar a videoconferência para realizar entrevistas iniciais com potenciais candidatos. Familiarize-se com a plataforma e teste-se para se certificar de que tudo está configurado corretamente. Poderá também considerar a realização de uma entrevista simulada, com um amigo ou serviço profissional, para se sentir confortável com o formato.

  1. Não tenha receio em falar dos seus conhecimentos de tecnologia, ou da falta deles

Não é linear que as gerações mais jovens, e naturalmente mais ligadas à tecnologia, são melhores do que uma pessoa com 50 anos. Procure oportunidades durante a entrevista para mencionar como se tem mantido a par das últimas tecnologias na sua área profissional. Se domina as ferramentas e plataformas atuais, explique como as aproveitou para resolver problemas ou criar resultados.

  1. Defenda as suas redes sociais (ou a sua falta)

A primeira impressão na paisagem de contratação de hoje é o perfil no Linkedin, não o currículo. Se não tiver uma página no Linkedin, será uma das perguntas que o recrutador lhe fará. Antes de iniciar a reunião, peça a alguém de confiança para o ajudar a ter a certeza de que tem um perfil bem pensado e bem-apresentado, com uma foto profissional de alta qualidade.

  1. Foco no presente

O processo de entrevista e seleção de hoje centra-se mais na capacidade do candidato de trabalhar em colaboração como uma equipa maior. As organizações valorizam muito as competências pessoais dos candidatos, a sua capacidade de trabalhar e motivar tanto os colegas de equipa, como os seus pares. Como candidato, deve demonstrar que fez o seu trabalho de casa, conhecer a empresa e os seus valores e pode articular como eles se alinham com quem é, tanto pessoal como profissionalmente.

  1. Não exagere as suas décadas de experiência

Em vez de jogar a carta de “já lá estive, já o fiz”, que poderia colocá-lo na pilha dos candidatos overqualified ou não estar ajustado à posição, concentre-se nas suas realizações relevantes. Os seus entrevistadores não precisam de saber tudo o que fez ou é capaz de fazer; na sua maioria, eles preocupam-se com o que fez recentemente e se relaciona com a posição em que se encontra.

  1. Remover a barreira etária para passar a entrevista de emprego

Se tem mais de 50 anos e está a candidatar-se a uma empresa “jovem”, mude a sua abordagem. Estabeleça-se como um líder que demonstrou a adaptabilidade necessária para ter sobrevivido e prosperado através das grandes mudanças no local de trabalho dos últimos 20 anos. Os recrutadores hesitam por vezes em contratar trabalhadores mais velhos porque as suas necessidades salariais são provavelmente mais elevadas e porque podem ter aspirações de reforma antecipada. Não tenha medo de ser pró-ativo durante a entrevista para assegurar que não sejam feitas suposições sobre a sua candidatura.

Arquivado em:Artigos, Leading People

Lista Forbes das pessoas mais ricas do mundo

21 Maio, 2021 by Titiana Barroso

O número de multimilionários na 35.ª lista anual das pessoas mais ricas do mundo da Forbes teve na sua edição de 2021 um recorde de 2755 pessoas, mais 660 do que no ano anterior. Destes, 493 foram estreantes no ranking, incluindo 210 novos rostos da China e Hong Kong. O ranking mostra ainda que 86% das pessoas estão mais ricas, em relação a 2020.

O ano não podia ter sido mais fora do vulgar, e tal não se deve à Pandemia. As criptomoedas e as ações em alta fizeram disparar o número de bilionários no mundo.

Jeff Bezos é o homem mais rico pelo quarto ano consecutivo, com 177 mil milhões de dólares, enquanto Elon Musk sobe para o segundo lugar com 151 mil milhões de dólares, graças ao aumento das ações da Tesla e da Amazon.

Em Portugal, os únicos portugueses a figurar na lista são Maria Fernanda Amorim, matriarca da família, na posição 640 com 4,6 mil milhões de dólares e José Neves fundador da Farfetch, com 2,6 mil milhões dólares, no lugar 1423.

No total, os 2755 multimilionários da lista somam 13,1 triliões de dólares.

Os Estados Unidos da América continuam a ser o país mais rico, com 724 multimilionários, seguidos da China (incluindo Hong Kong e Macau) com 698.

Aqui estão os dez primeiros da lista (nome: riqueza / idade / país / empresa):

1 – Jeff Bezos: $177.000 milhões / 57 anos / EUA / Amazon

2 – Elon Musk: $151.000 milhões / 49 anos / EUA / Tesla e Space X

3 – Bernard Arnault (e família): $150.000 milhões / 72 anos / França / LVMH

4 – Bill Gates: $124.000 milhões / 65 anos / EUA / Microsoft

5 – Mark Zuckerberg: $97.000 milhões / 36 anos / EUA / Facebook

6 – Warren Buffett: $96.000 milhões / 90 anos / EUA / Berkshire Hathaway

7- Larry Ellison: $93.000 milhões / 76 anos / EUA / Software Technology

8 – Larry Page: $91.500 milhões / 48 anos / EUA / Google

9 – Sergey Brin: $89.000 milhões / 47 anos / EUA / Google

10 – Mukesh Ambani: $84.500 milhões / 63 anos / India / Negócio diversificado

Arquivado em:Notícias, Sociedade

Como comunicar eficazmente com as equipas à distância

21 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Há pouco mais de um ano, as preocupações da liderança eram um pouco diferentes das que hoje tem perante si. Uma altura em que se geria tarefas, prazos, objetivos e pessoas, mantendo-as motivadas o suficiente para cumprirem os indicadores de gestão.

E num piscar de olhos fomos empurrados para a era virtual. Aprendemos novas dinâmicas, competências e métodos, criamos novas rotinas e outros hábitos. E durante esta adaptação, as equipas olharam para a liderança em busca de apoio e orientação.

Também a liderança teve de se reinventar. A distância dificulta a monitorização e acompanhamento do trabalho. Não é possível saber o que cada pessoa está a fazer, se está a trabalhar ou a gerir algo da vida pessoal. Não há padrões nem normas, mas sim muita elasticidade e confiança.

E um ano passou, passamos da incerteza de sair à rua para a certeza de o futuro passar pelo remoto. O que antes era “um dia destes vamos trabalhar assim” passou a ser a realidade, o futuro virou presente. Com toda a certeza podemos dizer que a curva de aprendizagem foi vertiginosa, aprimorou-se conhecimento, mas ficou uma clara necessidade de upskilling e de reskilling.

No que toca à liderança, também é necessário um perfil diferente, mais conectado com as competências comportamentais do que com as técnicas, com inteligência emocional, empatia, flexibilidade e uma grande capacidade de comunicação. Que consiga influenciar a equipa e não a controlar.

Convergir o marketing e a liderança

Hoje, espera-se uma liderança um-para-um, visto que os recursos humanos se aproximam cada vez mais do marketing, diria que é preciso agregar o modelo human to human nos relacionamentos, trabalhando as conexões como se fosse marketing de proximidade.

Sendo omnicanal na forma como utiliza os meios e a tecnologia para comunicar com cada elemento da equipa e adaptando o estilo de comunicação aos diferentes canais para criar rapport.

Bryan Kramer com o modelo H2H (human to human) mostra-nos que as pessoas necessitam de fazer parte de algo, de ter uma experiência que adicione valor ao que estão a adquirir. De conhecer, compreender e poder influenciar com o seu contributo ou a sua opinião. O objetivo final é garantir a satisfação com o objetivo de fidelizar a pessoa e levá-la a impulsionar a marca.

É isso que deve fazer a liderança remota, trabalhar a sua marca pessoal e o seu marketing digital, de forma consciente e personalizada. Nada revela melhor a estratégia de liderança do que a forma como comunica, não só diretamente mas também quando não está presente.

A era da Liderança Humanizada

As circunstâncias atuais provocaram incerteza, angústia e isolamento, tornou-se ainda mais importante a humanização do estilo de liderança. Não falamos de gerir pessoas, mas de realmente liderá-las.

Estar fisicamente distante da organização e da realidade do negócio, pode tornar invisíveis os elos que ligam as diferentes tarefas, estes podem tornar-se abstratos, impedindo as pessoas de compreender o seu papel no todo, e conduzindo a uma perda da identidade corporativa. Nunca foi tão importante (re)integrar as diferentes pessoas em equipas, fazendo-as sentirem-se próximas na distância e não solitárias e distantes. A própria continuidade do negócio depende disso.

Alessandra Rosa escreveu “crises são verdadeiros celeiros de oportunidades para aprendermos”. A insegurança e a dificuldade em adaptar-se a estes novos desafios fazem com que esperem respostas rápidas e soluções que ainda não existem. A liderança não pode ser vista como invencível, inabalável ou como um super-ser-humano, com respostas imediatas, capaz de resolver todo e qualquer problema, e ainda motivar a equipa e apoiá-la em todas as questões emocionais. É necessário que mostre o seu lado humano, a vulnerabilidade e até a incerteza que sente, o processo de adaptação é de todos e o líder deve.se mostrar como um elemento da equipa.

Mais importante que apresentar soluções, é continuar a comunicar permanentemente com as pessoas. Segundo um estudo da Harvard Business Review, 70% dos norte-americanos referiu que se sentiam mais conectados (engaged) quando a liderança comunicava a estratégia e se mantinha em constante contacto, mesmo não tendo todas as respostas.

As pessoas precisam de se sentir orientadas e atualizadas, entendendo que o caminho não está traçado mas sentindo o propósito da sua jornada. A comunicação deve transmitir confiança, empatia e transparência, orientando as pessoas para os objetivos individuais mas também coletivos. Afinal, o foco da liderança não está apenas nas pessoas, “tem a ver com mudar a maneira de pensar para entregar resultados, fazendo com que as pessoas se sintam parte do negócio” (Alessandra Rosa).

Falar humano

“It takes a lot of hard work to make something so complex look so easy. Some call it brilliance, but perhaps we should call it speaking human” (Bryan Kramer – There is No B2B or B2C: It’s Human to Human #H2H).

Com isto refiro-me a dar contexto, e nada melhor que ser um excelente storyteller. Uma história bem contada ajuda a entender como algo se encaixa nas experiências de cada um e a dar contexto às decisões que são tomadas. Elas preenchem os espaços em branco, criam relevância e dão cor ao que está a ser falado, tal como faz um vendedor para vender algo.

Voltando à marca própria, é essencial que a comunicação seja feita com autenticidade. Tudo o que é partilhado ou comunicado deve ser fiel à marca e ao estilo da liderança, para haver consonância entre o propósito e os objetivos. Não vale a pena abreviar ou apressar o processo, é importante ponderar e trabalhar de forma estratégica, entrando no mundo da equipa e fazendo a comunicação ressoar de forma natural e sem esforço.

Não é o conteúdo mas a forma como é comunicado, refletindo em como será recebido e até interpretado. O conteúdo apresenta a informação mas é o contexto que conecta com a pessoa e cria ligação. Apesar da volatilidade do contexto, e também porque as pessoas mudam, sendo autêntico na forma como se comunica é possível criar experiências com significado e das quais as pessoas queiram fazer parte.

Não esquecendo que para ser eficaz, é preciso saber ouvir, mais concretamente escutar ativamente. As pessoas têm as maiores expectativas em relação à liderança, não são necessários questionários, estratégias, ou relatórios para conhecer o que pensam. Basta procurar a informação onde ela sempre esteve, a liderança deve ser corajosa e resiliente o suficiente para conversar, escutar e responder. Receber feedback é um presente precioso, principalmente focado em feedforward.

A liderança está perante desafios psicológicos e relacionais, o seu papel passa por não generalizar a forma como comunica. Voltando ao marketing, é fundamental entender o cliente e melhorar a forma como se relaciona com ele. Deve conseguir liderar pessoas, equipas e trabalho remoto.


Por Zoraida Ebrahimo, Formação e Desenvolvimento

Arquivado em:Academia

FCT NOVA lança a primeira Escola de Executivos de Tecnologia em Portugal, inspirada no MIT

20 Maio, 2021 by Titiana Barroso

A NOVA School of Science and Technology | FCT NOVA acaba de anunciar o lançamento da primeira Escola de Executivos de Tecnologia no País. From Tech to Value é a assinatura da nova Escola de Executivos com a principal missão de facultar um ensino tecnológico desenhado para criar impacto e valor à sociedade.

A Escola de Executivos de Tecnologia da FCT NOVA é inspirada na formação de faculdades de referência como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e as universidades de Stanford e Cranfield. A formação é sobretudo prática, orientada às necessidades das empresas, com o corpo académico da faculdade e oradores de empresas e instituições nacionais e internacionais. Os docentes da FCT NOVA Elvira Fortunato e António Grilo, entre outros, integram o elenco de académicos que estão a coordenar e a lecionar os primeiros cursos de arranque da nova Escola.

Virgílio Cruz Machado, Diretor da NOVA School of Science and Technology | FCT NOVA, declara que: “O lançamento da primeira Escola de Executivos de Tecnologia em Portugal é, para nós, um motivo de orgulho. Esta não é uma escola de executivos usual, nasce da faculdade portuguesa líder em investigação aplicada, o que é visível em várias dimensões: concentramos o maior número de centros de investigação, de projetos europeus e o de intervenções em CoLabs (laboratórios colaborativos com a indústria); e de bolsas atribuídas pelo European Research Council. O foco na formação na gestão da inovação, da ciência e da tecnologia, complementa as dimensões verticais nos mais variados domínios da interação entre a ciência e a tecnologia. Este é mais um passo que damos no sentido de continuar a contribuir para a formação de excelência ao longo da vida dos líderes de amanhã”.

A NOVA School of Science and Technology | FCT NOVA, uma das principais faculdades de Engenharia, Ciências e Tecnologia de Portugal, acredita que a sociedade e a economia mundial exigem cada vez mais da tecnologia e da ciência, que o desafio criado pelo atual ambiente em rápida mudança implica uma maior agilidade das empresas e dos respetivos líderes.  É neste sentido que a Escola de Executivos de Tecnologia conta com uma abordagem de ensino que visa aperfeiçoar o pensamento sistêmico reflexivo, crítico e colaborativo. Os cursos ministrados pretendem criar e moldar os líderes do futuro, através de métodos de ensino inovadores, tendo como base a tecnologia enquanto acelerador para o desenvolvimento económico e social.

Os cursos da Escola de Executivos da FCT NOVA serão ministrados em formato presencial e híbrido, no campus da Caparica e no campus de Campolide, recorrendo sempre que necessário aos mais de 100 laboratórios da Faculdade para que os participantes possam vivenciar e experimentar o processo laboratorial inerente à inovação tecnológica e científica.

A Escola começou com a pós-graduação esgotada em ‘Lean for Operational Excellence’, que conta já com uma nova edição em outubro de 2021. Pode consultar a informação completa sobre os cursos da Escola de Executivos da NOVA School of Science and Technology | FCT NOVA aqui.

Arquivado em:Academia, Notícias

«O empregador deve promover uma avaliação adequada da saúde nutricional dos trabalhadores», alerta Bastonária

20 Maio, 2021 by Titiana Barroso

No âmbito do projeto Ecossistemas dos Ambientes de Trabalho Saudáveis (EATS) para avaliar as condições de saúde e estilos de vida dos profissionais e de que forma as organizações são ecossistemas promotores da saúde e bem-estar, o contributo da Ordem dos Nutricionistas é o segundo caso divulgado na nova rubrica da Líder: Healthy Workplaces.

Todas as semanas, uma organização, das mais de 40 que integram o projeto, partilha reflexões e práticas de ambientes de trabalho saudáveis em diferentes setores e atividades.

Os hábitos alimentares e o estilo de vida são fundamentais para a saúde e bem-estar dos profissionais. Os ambientes de trabalho podem promover uma alimentação e um estilo de vida mais saudável junto dos seus profissionais e de outros stakeholders. Esta semana contamos com a partilha e experiência da Bastonária da Ordem dos Nutricionistas Alexandra Bento acerca da forma como as organizações na relação com os profissionais e contexto envolvente podem ser um fator promotor de saúde.

“Os locais de trabalho representam uma grande influência na qualidade de vida dos trabalhadores. Sendo o trabalhador uma peça chave no processo de produtividade das instituições, a promoção da harmonia entre o ambiente de trabalho e a sua saúde física e mental revela-se de grande importância.

Os princípios da promoção da saúde, segundo a Carta de Ottawa, remetem-nos para a saúde enquanto bem público e fundamental para o desenvolvimento social e económico, e reforça ainda que a saúde é criada e vivenciada pelas populações, nos diferentes contextos do seu quotidiano, nomeadamente, nos locais de trabalho[1]. O conceito de ambiente de trabalho saudável, proposto pela Organização Mundial da Saúde, em 2010 reporta uma visão holística, em que os trabalhadores e os empregadores colaboram conjuntamente com vista à proteção e promoção da saúde e bem-estar e de garantia da sua segurança, em prol da sustentabilidade do trabalho[2].

Esta abordagem demonstra uma evolução da visão “clássica” do ambiente de trabalho, focada exclusivamente no ambiente físico. A segurança e saúde no trabalho tem vindo a ter grandes desenvolvimentos, devendo o ambiente laboral evoluir para um espaço simultaneamente protetor e promotor da saúde dos trabalhadores, ajustado às necessidades de todos e sustentável ao longo do tempo2.

Sabemos que em Portugal os hábitos alimentares inadequados estão entre os cinco fatores de risco que mais contribuem para a perda de anos de vida saudável e para a mortalidade, concorrendo para 7,3% destes anos de vida saudáveis perdidos e para 11,4% da mortalidade. Quando somamos ao peso dos hábitos alimentares inadequados, os fatores de risco metabólicos associados à alimentação desadequada, designadamente o índice de massa corporal elevado, a glicose plasmática aumentada, a hipertensão arterial e o colesterol LDL elevado é possível constatar que estes fatores de risco representam, em conjunto, cerca de 38% da carga total da doença, expressa em anos de vida saudáveis perdidos e que cerca de 60% das mortes anuais se encontram associadas a estes fatores de risco[3],[4].

No nosso país é elevada a prevalência de doenças crónicas associadas à alimentação desadequada, sendo muito provavelmente um dos principais problemas de saúde pública da atualidade. Na população adulta, os dados disponíveis revelam-nos que a prevalência da diabetes tipo 2 é de aproximadamente 10%, a prevalência de hipertensão arterial é de 36% e a de obesidade de 29%[5].

Por outro lado, fruto do uso massivo das tecnologias de informação e comunicação e da recente adoção do regime de teletrabalho, devido à COVID-19, estes problemas de saúde podem ser adensados, uma vez que este contexto pode levar à adoção de comportamentos mais sedentários. A evidência científica revela-nos que os indivíduos com peso em excesso apresentam um maior risco de perda de produtividade de trabalho e de absentismo[6],[7].

Enquanto os riscos para a saúde física associados a más condições de trabalho estão cada vez melhor controlados e geridos, os problemas de saúde nutricional não têm sido devidamente abordados.

De facto, a alimentação no local de trabalho constitui uma área pouco desenvolvida e as instituições estão pouco sensibilizadas para a sua importância, pelo que a implementação de programas de promoção de hábitos alimentares saudáveis nos locais de trabalho, constitui uma medida urgente e necessária, no qual o nutricionista deverá ter uma voz ativa.

Desta feita, deve a saúde ocupacional evoluir para um modelo de prática profissional colaborativa que clarifique, valorize e reconheça as competências de outras áreas do saber em matéria de saúde no trabalho[8]. O nutricionista assume-se como um dos profissionais de saúde preparados para auxiliar as instituições empregadoras para o estudo e avaliação de estratégias específicas que promovam o desenvolvimento e implementação de ambientes de trabalho saudáveis. A sua intervenção poderá ocorrer simultaneamente nos seguintes níveis:

Saúde nutricional dos trabalhadores

O empregador deve promover uma avaliação adequada da saúde nutricional dos trabalhadores, nomeadamente através da avaliação dos recursos para a saúde individual no ambiente de trabalho, contando com a colaboração do nutricionista. Concomitantemente a esta vigilância regular do estado nutricional, deve ser ainda trabalhada a capacitação dos trabalhadores para escolhas alimentares mais saudáveis, através do desenvolvimento de programas no domínio da educação alimentar e nutricional, dirigidos aos trabalhadores no seu contexto laboral.

Ambiente alimentar salutogénico

Os trabalhadores passam aproximadamente 1/3 do seu dia no local de trabalho e, nalguns casos, aí realizam algumas das suas refeições. Num local de trabalho promotor da saúde deverá haver uma oferta alimentar saudável. Neste sentido, o ambiente alimentar laboral, onde se inclui a oferta alimentar disponibilizada aos trabalhadores, como seja em refeitórios, bares, cafetarias ou máquinas de venda automáticas, evidenciam-se como vetores fundamentais de atuação e intervenção do nutricionista.

A Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho destaca a importância do fornecimento de alimentos e refeições saudáveis nos espaços de alimentação do local de trabalho, para incentivar a aquisição de estilos de vida saudável, no sentido de promoção de saúde[9].

Perante o retrato da saúde nutricional no nosso país revela-se determinante uma atualização dos normativos em matéria de segurança e saúde no trabalho [10]. A melhoria das normas de saúde e segurança no trabalho não só é essencial para proteger e promover a segurança e a saúde dos trabalhadores, como também se revela benéfica para a produtividade do trabalho e da economia em geral. A integração do nutricionista nas instituições, enquanto elemento da equipa de profissionais de segurança e saúde no trabalho, poderá aportar valor no contexto da construção de ambientes de trabalho saudáveis, intervindo a nível individual, mas também no ambiente em si, adaptando a sua intervenção à realidade e necessidade locais. Os seus conhecimentos e competências serão uma mais-valia para assegurar elevados níveis de saúde e de produtividade, menores taxas de absentismo e bem-estar no local de trabalho, promovendo assim ambientes laborais saudáveis.

A promoção de ambientes de trabalho saudáveis, com o envolvimento de nutricionistas, deve ser incentivada devido à sua eficácia na adoção dos hábitos alimentares e estilos de vida saudáveis, por parte dos trabalhadores, que os transpõem para a vida familiar e social.”


Por Alexandra Bento, Bastonária da Ordem dos Nutricionistas

[1] Carta de Ottawa. In: 1ª Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. Ottawa, Canadá; 1986. Disponível em https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/carta-de-otawa-pdf1.aspx

[2] WHO (2010) Healthy workplaces: a model for action: for employers, workers, policymakers and practitioners

[3] Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME). Global Burden Disease Portugal 2019. Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME); 2020

[4] Gregório MJ, Sousa SM, Teixeira D, Ferreira B, Figueira I, Taipa M, et al. Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável 2020. Lisboa: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Direção-Geral da Saúde; 2020

[5] Barreto M, Gaio V, Kislaya I, Antunes L, Rodrigues AP, Silva AC, et al. 1º Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF 2015): Estado de Saúde. Lisboa: INSA IP; 2016.

[6] Goettler A, Grosse A, Sonntag D. Productivity loss due to overweight and obesity: a systematic review of indirect costs. BMJ Open 2017;7:e014632. doi:10.1136/ bmjopen-2016-014632

[7] Shrestha N, Pedisic Z, Neil-Sztramko S, Kukkonen-Harjula KT, Hermans V. The Impact of Obesity in the Workplace: a Review of Contributing Factors, Consequences and Potential Solutions. Curr Obes Rep. 2016 Sep;5(3):344-60

[8] Direção-Geral da Saúde (2018) PROGRAMA NACIONAL DE SAÚDE OCUPACIONAL (PNSOC) – Extensão 2018/2020. Lisboa: Direção-Geral da Saúde, 2018. Disponível em https://www.dgs.pt/saude-ocupacional/documentos-so/pnsoc_extensao-pdf.aspx

[9]   Facts: Promoção da saúde no local de trabalho para empregadores (aceder em: https://osha.europa.eu/pt/publications/factsheet-94-workplace-health-promotion-employees)

[10] Comissão Europeia (2021) COM/2021/102 final. Plano de Ação sobre o Pilar Europeu dos Direitos Sociais. Disponível em: https://eur-lex.europa.eu/resource.html?uri=cellar:b7c08d86-7cd5-11eb-9ac9-01aa75ed71a1.0023.02/DOC_1&format=PDF

Arquivado em:Healthy Workplaces

A Sustentabilidade para as gerações vindouras

20 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Desenvolvimento e Sustentabilidade são termos antagónicos. Desenvolvimento está subjacente a progresso, economia, riqueza, exploração, consumo. Sustentabilidade, do latim sustentare, significa suportar, defender, cuidar, conservar.

Só em 1992, a noção de “desenvolvimento sustentável” entra no léxico comum, formalizada e preconizada pelas Nações Unidas após o relatório de Brutland, publicado em 1987. É a primeira vez que se liga a economia ao ambiente, mas será na atual década que esta ligação tem de ser assumida como novo paradigma de desenvolvimento.

As questões de sustentabilidade e a valorização de uma nova economia, espelhadas no Pacto Ecológico da Comissão Europeia e no último Manifesto de Davos 2020, saído do Fórum Económico Mundial, terão de ser centrais na criação de um novo modelo económico.

A única forma radical em mudar de paradigma exige uma nova filosofia de inovação ao nível das políticas de desenvolvimento estratégico, governamentais e empresarias. Isto requer competências transversais e incentivos financeiros e, sobretudo, maior sensibilidade e responsabilidade por parte da sociedade. Mas a motivação da coresponsabilidade social só será alcançada com estratégias criativas de comunicação e diálogo com a sociedade.

É importante reconhecer que o crescimento económico não pode ser alcançado num Planeta em crise ecológica e sustentado por um povo doente. Quando se alteram paisagens quebram-se as relações entre espécies. As pragas, os fogos e as infeções podem surgir de forma abrupta. Estas respostas, próprias dos sistemas naturais, negam a noção simples e sedutora de que, dentro de algum espaço limitado, quaisquer que sejam as tensões que infligirmos à natureza, estará tudo bem.

Há muito que os cientistas avisam que a desflorestação incessante, a perda e degradação de habitats, o uso e abuso de monoculturas intensivas, o comércio ilegal de espécies selvagens, o consumo de animais e o aumento da densidade populacional urbana, facilitam as pandemias. A situação pandémica atual evidenciou esta realidade: a saúde, a pobreza e o subdesenvolvimento estão intimamente ligados aos problemas ambientais.

Quer isto dizer que o aumento de consumo e o crescimento económico à custa de recursos naturais são limitados. É um engano pensar que se pode continuar a manter uma economia à base do turismo, à custa de maior urbanização e degradação dos ecossistemas naturais. Mas é também um engano julgar que o investimento e desenvolvimento em monoculturas, mesmo tecnologicamente exploradas, para a produção intensiva de bens (alimentares e outros) não altera o ambiente. Esta crise pandémica veio acelerar a necessidade de se desenvolverem novos valores e de se escrutinarem as ligações entre produção e questões ambientais.

Neste momento, há alterações globais que se fazem sentir e que estão a alterar o padrão de vida da sociedade e, em particular, a sua sensibilidade para com estas realidades. O aumento de temperatura e a seca não é mais uma previsão. No séc. XXI as catástrofes naturais, ocorridas num determinado local, afetam a economia global e as epidemias ou surtos virais acabam por corromper o equilíbrio instalado, realçando o Planeta como um todo.

Os registos geológicos indicam que novos períodos interglaciares se aproximam, mas os dados arqueológicos apontam também o impacte do Homem nos ecossistemas ao longo dos últimos 50 mil anos. Quer isto dizer que o Homem aumentou e acelerou os fenómenos naturais. A descarbonização da economia não é necessária, é urgente.

(…)

Pode ler o artigo completo na edição de primavera da revista Líder.


Por Maria Amélia Martins-Loução, Bióloga, Professora catedrática de Ciências ULisboa, Presidente da Sociedade Portuguesa de Ecologia e membro do Comité do Projeto de Sustentabilidade da Green Media

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