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Titiana Barroso

A Sustentabilidade requer um pensamento multidisciplinar

26 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Penso que seja importante explicar primeiro de que forma a sustentabilidade ambiental conseguiu estar no topo das atuais preocupações morais e económicas, e ser um dos conceitos mais centrais do debate político global. De seguida, ofereço a tese de que as questões associadas à sustentabilidade estão alinhadas com uma perspetiva multidisciplinar – algo que requer um conjunto de ferramentas e técnicas mais transversais do que aquelas que são oferecidas pela formação académica mais tradicional do ensino superior.

Durante a maior parte do nosso tempo neste Planeta, o homo sapiens tem estado principalmente preocupado com a garantia da sua reprodução como espécie num ambiente que, nas palavras do filósofo do sec. XVII, Thomas Hobbes, era um ambiente “de medo contínuo de uma morte violenta”, proporcionando uma vida “nasty, brutish e short” (desagradável, brutal e curta). Apesar disso, e através do crescimento da capacidade para a razão e da Ciência, conseguimos desenvolver durante os últimos séculos o que parecia uma capacidade quase inesgotável para dominar o nosso meio ambiente, a Mãe Natureza, exclusivamente em nosso benefício próprio.

Assim, crescemos até quase aos oito mil milhões de pessoas que vivem em média 79 anos no Planeta que temos hoje. A vida humana na Terra nunca foi tão boa para tantos, pensávamos nós! A crua realidade é que apesar dos avisos precoces que tivemos, estamos a aprender a um ritmo alarmante, que essa visão do progresso humano necessita urgentemente de uma reforma profunda. Apesar da publicação e trabalho seminal de autores como Rachel Carson no Silent Spring (1962) ou outros estudos (Osborn, 1948 e Vogt, 1948) cujas preocupações era sobre o grande impacto negativo que a espécie humana estava a infligir ao meio ambiente, foi somente com o relatório de 1987 das Nações Unidas e do Gro Harlem Brundtland, o UN Report of the World Commission on Environment and Development: Our Common Future, que uma nova consciência ambiental e global se desenvolveu. A publicação reuniu um conjunto de preocupações científicas e sociais sobre os limites naturais do nosso crescimento e ofereceu uma chamada urgente para reorientar os nossos modelos de desenvolvimento económico – seja dentro dos modelos capitalistas ou socialistas que dominavam nessa altura. Surgiu mais ou menos na mesma altura que autores como o Ronald Inglehart, primeiro na sua tese The Silent Revolution de 1977, onde percebemos como a mudança de valores e de cultura entre as gerações conseguia explicar o crescimento de valores descrito por ele como sendo “pós-materialistas”.

De acordo com essa teoria, nos anos 70 e 80 do século passado vimos a substituição das gerações mais velhas, cujos valores materialistas eram formados pela sua experiência dos períodos de “vacas magras” entre as duas guerras mundiais, pela geração dos seus filhos, os tais baby-boomers e os seus filhos, que foram criados em tempos de abundância e de paz, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Inglehart sugere que essas gerações nunca tiveram de questionar a sua segurança material, tomando-a como um dado adquirido, e por isso essas gerações preocupavam-se cada vez mais com objetivos e valores não-materiais, tais como a expressão individual, a autonomia, a liberdade sexual, a igualdade de género, e o ambiente. Ele argumenta que tais valores “pós-materiais” iam continuar a dominar nas gerações mais novas dos países mais avançadas e (pós-)industriais, através do processo de substituição geracional. Tal como Inglehart previu, parece verdade que estamos cada vez mais preocupados com conceitos como a equidade intergeracional – e.g. a ideia de justiça entre as gerações.

A base deste conceito é a noção do que as formas de reprodução que existem hoje no Planeta não deviam condicionar a capacidade das gerações futuras para viver tão bem ou melhor que nós, com os recursos que lhes deixamos. A partir desta perspetiva moral, começamos a ver políticas públicas como o European New Green Deal, só para dar um exemplo, e uma aceitação mais generalizada (pelo menos retórica) de que temos de pensar não só nas nossas necessidades, mas também nas das gerações futuras.

Esta preocupação ética e moral está igualmente patente nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Porém, o nível de preocupação com questões de sustentabilidade tem sido, até ao momento, muito superior ao nível de ações com impacto real.

Vale a pena salientar que a determinação sobre o que é ou não é sustentável é uma atividade altamente política, porque requer fazer julgamentos de valor e uma alocação de recursos escassos com previsões sobre os impactos de diferentes alternativas, enquanto mantemos ao mesmo tempo padrões éticos fortes.

(…)

Pode ler o artigo completo na edição de primavera da revista Líder.


Por Michael Baum, Doutorado em Ciência Política pela Universidade de Connecticut e Coordenador da Licenciatura em Filosofia Política e Económica da Universidade Católica

 

 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Tóquio 2021: A oposição aos Jogos Olímpicos intensifica-se

26 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Enquanto a cidade de Quioto recebe por estes dias a tocha olímpica, o Japão, em estado de emergência e a meio de uma quarta vaga de COVID-19, com surtos ativos em várias cidades e regiões, prepara-se para receber os Jogos Olímpicos este verão, entre 23 de julho e 8 de agosto.

O The Economist publicou um artigo sobre a recente polémica na oposição a esta tomada de decisão do Comité Olímpico Internacional (COI) em manter a realização da prova, ao mesmo tempo que a vacinação tem avançando lentamente, apesar de a organização garantir a segurança do evento. Cerca de 15 mil atletas e mais de 90 mil acompanhantes de cerca de 200 países devem entrar no país, quando 60% dos japoneses diz preferir não receber os Jogos Olímpicos.

Até agora, o Japão tem evitado surtos do novo coronavírus, com menos de 12 mil mortes desde o início da Pandemia, muito graças aos rígidos controlos de fronteira em vigor desde a primavera de 2020. Mas a verdade é que dois terços dessas fatalidades ocorreram este ano, com uma última vaga de variantes mais infeciosas, afetando os sistemas de saúde e com um ritmo de vacinação baixo.

Da parte da organização, dá-se como exemplo a realização de outra provas desportivas seguras, como o Masters (golf), e a criação de bolhas para isolar os participantes dos residentes, à volta da vila olímpica e nos locais de competição. Embora a vacinação não seja obrigatória para os atletas, o presidente do COI, Thomas Bach, afirma que 80% dos que estão na vila olímpica serão vacinados no início dos jogos. Não será permitida a presença de espectadores estrangeiros, enquanto a decisão sobre os espectadores locais é tomada em junho.

Médicos e especialistas em saúde pública contestam estas medidas, com o desvio de recursos que poderiam ser usados ​​para testar, tratar ou vacinar a população local. O aumento do movimento de pessoas dentro do Japão é inevitável, com eventos previstos em nove prefeituras, incluindo Tóquio, campos de treino em todo o país e voluntários vindos de vários lugares. Com isso será mais do que provável o aumento de casos, tal como argumenta Taniguchi Kiyosu, Médico e autor do British Medical Journal, que pede o cancelamento dos jogos.

As novas variantes do SARS-CoV-2 complicam ainda mais o cenário, como é o caso da B.1.1.7, a mais infeciosa e que já se encontra em circulação. A convergência de pessoas vindas de todo o mundo pode permitir que se formem mutações, transformando o Japão num recipiente de mistura, tal com afirma Taniguchi Kiyosu. Além de no sentido inverso, os participantes transportam o vírus para os seus países de origem, muitos dos quais com sistemas de saúde pouco robustos e com o risco de desencadear um surto.

De acordo com o The Economist, apenas 4,5% da população adulta do Japão recebeu pelo menos uma dose da vacina. Suga Yoshihide, Primeiro-Ministro do Japão, quer vacinar toda a população idosa até ao final de julho, mas não existe resposta para chegar a esses números, e não se trata de uma questão de abastecimento, uma vez que pelo menos 10 milhões de doses estão ainda por ser usadas. Embora os japoneses expressem um alto grau de hesitação sobre as vacinas em geral, essa relutância não se parece estender à vacina contra a COVID-19, o que veio mostrar-se quando as 25 mil vagas para um centro de vacinação em Osaka foram reservadas em 25 minutos.

Questões logísticas e burocráticas parecem retardar o avanço, com sites de reservas e centrais de atendimento a sofrer falhas técnicas, para além da falta de pessoal para a administração das vacinas, em parte porque a lei japonesa apenas permite que seja feita por Médicos ou Enfermeiros. Com isso, abriu-se uma exceção aos Dentistas e agora é esperado que os Farmacêuticos também o façam, o que progressivamente tem resultado num ritmo de vacinação agora mais acelerado. No final da semana passada, as autoridades aprovaram mais duas vacinas, Moderna e AstraZeneca, num esforço para acelerar o processo de inoculação da população, quando mais de 80% dos japoneses afirma que o programa de vacinação está a decorrer de forma muito lenta.

O cancelamento das Olimpíadas poderia dissipar as suspeitas de que o governo japonês está a dar prioridade aos jogos em vez de à saúde, mas tal não parece ser tão simples, uma vez que os contratos da cidade-sede olímpica dão ao COI o direito exclusivo de cancelar os jogos. Se o Japão cancelar unilateralmente, o COI teria o direito de pedir uma pesada indemnização. As autoridades japonesas também temem a impressão que estariam a dar caso o Japão recuasse, enquanto a China, o seu rival regional, realiza em Pequim, no início de 2022, as Olimpíadas de Inverno. Suga Yoshihide tem vindo a repetir uma frase, como um mantra: o Japão vai fazer “jogos seguros”. Certo é que muito do destino do seu governo e do desenvolvimento da Pandemia em todo o Mundo vai depender dessa promessa.

Arquivado em:Desporto, Notícias

Liderança e decisão: quem devemos seguir?

26 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Os biólogos investigam já há algum tempo a forma e os mecanismos que os animais mais próximos de nós (chimpanzés) utilizam no seu processo de decisão na direção a tomar quando andam em grupo, algo que pode significar viver ou morrer. Uma vez que estes, habitualmente em bandos de 20 a 30 elementos, para sobreviverem não podem seguir cada um para seu lado, criaram um mecanismo de decisão que consiste no seguinte: quando um dos elementos do grupo se distancia e descobre algo que possa interessar ao grupo (alimento, por exemplo) fica quieto e a olhar para os restantes elementos. Os outros rapidamente o seguem e a decisão está tomada de forma simples, dependendo da iniciativa de um dos membros. Contudo, quando dois elementos com motivações distintas partem em direções opostas a situação complica-se.

De acordo com a investigação,[1] nestas situações, cada um dos elementos que toma a decisão de afastar-se do grupo fica na expectativa que os restantes membros o sigam, uns irão atrás de um e outros atrás de outro, ganhando, por regra, o subgrupo mais numeroso, isto é, os primatas, literalmente e de alguma forma, «contam» os membros de animais em cada um dos «subgrupos» e a minoria segue a maioria, independentemente da motivação que deu início à movimentação inicial.

O princípio da maioria, e por esta via do mais forte, é mais antigo que a própria democracia e é este comportamento que lança as bases de uma decisão democrática. Ou seja, o princípio da liderança e da decisão com base na maioria parece estar profundamente enraizado na história da nossa evolução e não é tão exclusivo e intrinsecamente humano como possamos julgar.[2]

De resto, o próprio fenómeno da liderança não é um exclusivo humano. Existe em muitas outras espécies e é provavelmente anterior à nossa, já que ao longo do tempo a evolução tem experimentado muitos métodos diferentes de promoção da colaboração, muitos dos quais ainda hoje são bem-sucedidos (desde os cardumes de peixes, bandos de pássaros, enxames de insetos, passando pelas alcateias de lobos, matilhas de cães, manadas e cáfilas, até às unidades familiares onde nos inserimos).

Ser seguidor nos tempos ancestrais significava aumentar as possibilidades de sobrevivência e de sucesso reprodutivo. Quando alguém tinha fome, seguir o melhor caçador aumentava a probabilidade de sobrevivência mais do que tentar encontrar comida sozinho. Quando sob a ameaça de ataque físico (predadores ou estranhos), seguir a pessoa mais forte e o grupo aumentava a probabilidade de manter os seus genes no fundo genético humano.

No fundo, a liderança e a decisão por maioria revela ser mais uma estratégia da natureza e não algo exclusivo dos seres humanos. Claro que isto não significa que a maioria decida necessariamente sempre bem. Mas juntos somos quase sempre mais fortes do que sozinhos.


Por Paulo Finuras, PhD – Prof. Associado Convidado – ISG Business & Economics School

[1] Centro de Primatologia de Estrasburgo

[2] Segundo F. De Waal, 2010, este princípio básico de supremacia da maioria nas decisões parece também estar presente nos veados. Ver também: E. O. Wilson, 1975, R. Boyd, 1992, J. Diamond, 1997; R. Trivers, 2000; A. Messoudi, 2008; M. Van Vugt, Ahuja, 2010; R. Dunbar, B. Hood, M. Alznauer, 2014

 

Arquivado em:Academia

Empresas: O motor da transição para uma economia sustentável

25 Maio, 2021 by Titiana Barroso

As alterações climáticas devido à ação humana só poderão reduzir-se se todos contribuirmos para um novo modelo de Economia. Já existe sensibilidade, e até vontade, mas haverá suficiente disponibilidade, coletiva, para contribuir para as alterações necessárias?

Dita o consenso científico que a Humanidade tem hoje cerca de 10 anos para evitar o colapso do sistema natural que nos suporta e o caos climático. É um facto. Sendo a responsabilidade coletiva.

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal acredita que as empresas têm de estar na linha da frente da inadiável transição para uma Economia mais Sustentável. Não só operando as necessárias alterações aos seus modelos produtivos, mas ajudando também a sacudir consciências, através do exemplo e pela demonstração dos benefícios das mudanças operadas nas organizações que lideram.

É neste contexto que nasce o projeto Economia + Circular, lançado recentemente pela CIP. Uma iniciativa que pretende apoiar as empresas na integração de indicadores de circularidade nos seus sistemas de gestão e, consequentemente, promover uma maior sensibilização e implementação de boas práticas, assim como estimular o desenvolvimento de novas medidas e ações.

O E+C, um projeto desenvolvido em parceria com a EY Parthenon, é um estudo feito em Portugal sobre Economia Circular. Com duração de um ano, permitirá a caracterização do nível de circularidade atual nas empresas nacionais em termos qualitativos e quantitativos. Em termos qualitativos, o projeto prevê o levantamento das medidas já implementadas e das ações adotadas com vista à circularidade, assim como a identificação dos entraves sentidos pelas empresas de forma a identificar os caminhos a seguir, nomeadamente em termos regulatórios, e a elaboração das respetivas recomendações. Já em termos quantitativos, a CIP pretende demonstrar, por via de uma amostra nacional representativa, as vantagens na utilização de uma ferramenta para medir de forma robusta o progresso de uma organização ou empresa em direção a uma forma mais circular de fazer negócios, tendo sempre em vista os progressos em termos de resultados nacionais no cumprimento das metas do Pacto Ecológico da UE.

Circularidade é competitividade

As empresas estão comprometidas com os objetivos da Economia Circular. Aliás, sempre estiveram, ainda que, por vezes, não tenham a perfeita noção da forma como já contribuem ou de como poderão contribuir mais. E fazem-no, desde logo, por uma questão de competitividade.

A empresa só é competitiva se for eficiente. E a eficiência, material e energética, ocupa inexoravelmente uma posição central nos objetivos de qualquer empresa que queira reforçar a sua posição no mercado.

Ora, a adoção de métricas pelas organizações com vista à identificação do seu nível atual de circularidade e dos processos que podem ser melhorados, conduzirá ao desenvolvimento de melhores práticas e, consequentemente, a maiores níveis de circularidade. Afinal, e nas palavras do Ministro da Economia de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, “sem medirmos exatamente o que estamos a fazer, não conseguiremos atingir os resultados a que nos propomos”.

Numa abordagem bottom-up, ao promovermos essa integração ao nível das empresas de uma forma escalável para os diferentes setores ou clusters de atividade, estaremos a promover a economia circular a um nível mais alargado. O facto da rede associativa da CIP incluir diversos setores de atividade é promissor em termos de uma abordagem integrada que permita a identificação de novas simbioses ou que conduza à operacionalização de outras que, embora já identificadas, enfrentem algum obstáculo.

Os obstáculos da regulação e do mercado

Embora exista já regulamentação favorável à implementação de ações para aumentar a circularidade e um bom nível de inovação nestas matérias na UE, existem ainda obstáculos regulamentares e de mercado. O grau de burocracia associada a um material por ser considerado um desperdício de uma atividade e, portanto, um resíduo, dificulta a operacionalização de algumas boas práticas.

O resíduo deve ser olhado como um recurso e não como um perigo se não tiver características de perigosidade. Ainda assim, mesmo ultrapassadas estas adversidades, existem também outros obstáculos ligados ao mercado. Há investimentos ao nível de medidas circulares, processos ou ecodesign de produto, que estão associados a um aumento de custos e esse aumento tem de ser refletido no preço do produto. E o mercado ainda não está preparado. Este desafio pode e está a ser trabalhado a nível regulatório como é o caso do novo plano da Economia Circular da União Europeia e a nova estratégia do consumidor, com grande enfoque nos direitos à informação e o direito à reparabilidade. Contudo, vai ser muito difícil regulamentar de forma eficaz para reduzir o consumismo desenfreado e a acumulação de bens, sendo características comportamentais que tardam a surtir efeitos. A noção de sucesso está hoje aliada à posse do maior número de bens, dos últimos modelos disponíveis no mercado e do maior número de experiências individuais e coletivas. Alterar esta noção enraizada na sociedade pode tardar.

Outra questão que é necessário acautelar na promoção desta mudança de paradigma é a importância do equilíbrio, garantindo que a transição não deixa ninguém de fora. Se é verdade que novos postos de trabalho podem ser criados no âmbito da transição para uma Economia mais circular, também é certo que muitos postos de trabalho podem desaparecer. Por isso, as empresas precisam de se adaptar, requalificando recursos, o que exige investimento específico também nesta área.

Com vista à discussão aberta e multistakeholder sobre estas questões, o E+C promove ainda a criação de um Comité de Observação, com representantes das empresas, das autoridades e das entidades do sistema científico e técnico com maior experiência nesta temática, sem esquecer representantes dos consumidores e de organizações ambientais. O objetivo é chegar a um conjunto de recomendações com vista ao aumento do nível de circularidade nacional, tendo em vista os objetivos de descarbonização e preservação da biodiversidade.

Pode ler mais sobre o tema na edição de primavera da revista Líder.


Por Sílvia Machado, Assessora Sénior de Ambiente & Clima da CIP – Confederação Empresarial de Portugal

Arquivado em:Opinião

«Estamos a fazer o caminho para uma cidade inteligente e humanizada», diz a vereadora da Câmara de Cascais

25 Maio, 2021 by Titiana Barroso


São muitos os investimentos que têm colocado o município na linha da frente da inovação, aliada à neutralidade carbónica. Precisamente hoje começa uma nova Era de Mobilidade, em Cascais, com novos autocarros, linhas e destinos.

A ação climática está enraizada nas políticas e ações de forma transversal na Câmara Municipal de Cascais, conta à Líder Joana Balsemão, a Vereadora da Câmara que tutela as políticas participativas e todos os temas relacionados com o Ambiente. Em mente tem sempre o foco no bem-estar dos cidadãos e na redução da pegada ecológica do concelho. Este é um tema tratado de forma séria e coerente há muitos anos. Cascais tem liderado várias temáticas da ação climática no País e é dado como exemplo também em diversos fóruns internacionais.

«É nas cidades que a batalha da Sustentabilidade vai ser ganha, ou perdida. É nos aglomerados urbanos que se concentram os maiores impactos negativos, mas também onde se concentram as soluções», dispara. Cascais tem como visão ser o melhor lugar para viver um dia, uma semana, ou uma vida inteira e isso só é possível com um ambiente urbano são. Por isso, o Município tem vindo a trabalhar com determinação nas questões da qualidade do ambiente urbano. Ao mesmo tempo, está a ampliar as ações de mobilização e envolvimento da população nas questões ligadas ao Ambiente.

Em conversa com Joana Balsemão é percetível a longa experiência, mais de 20 anos, no campo da Sustentabilidade tanto no Governo como em organizações sem fins lucrativos. Joana sabe que as mudanças necessárias devem acontecer com tomada de consciência, individual e coletiva. Como? «Com educação, informação, exemplo, políticas justas, enabling, simplificação e apoio da inovação e tecnologia».

Entende que é da responsabilidade desta autarquia liderar pelo exemplo, no plano nacional e internacional. É este aliás o caminho, na sua convicção, que a levará a uma comunidade mais próspera, solidária e coesa, com os olhos postos na economia verde.

87% dos portugueses consideram as alterações climáticas um problema muito sério (superior à média europeia, de 79%), segundo o Eurobarómetro de 2019. Mas nem todos adotam na sua vida medidas para fazer frente a este combate. Como é que conseguimos sacudir consciências coletivas e predispor-nos a fazer alguns sacrifícios no presente a fim de evitar cataclismos naturais?
As mudanças necessárias não devem acontecer com base na ideia de “sacrifícios” – é desaconselhável usar a narrativa de que as melhorias ambientais só são alcançáveis com sacrifícios, porque arriscamo-nos a enviesar o debate e a polarizar posições. As mudanças necessárias devem acontecer com tomada de consciência, individual e coletiva. Como? Com educação, informação, exemplo, políticas justas, enabling, simplificação e apoio da inovação e tecnologia.

Por exemplo, podemos ter mais e melhores transportes públicos (menos poluentes) na cidade, mas é preciso que sejam acessíveis e adaptados às necessidades dos utilizadores, ou seja, com horários e percursos adequados e referenciados. Por isso, os sistemas inteligentes são fundamentais na recolha, análise e acesso à informação. Em Cascais estamos a fazer o caminho para uma cidade inteligente e humanizada, ao mesmo tempo que estamos a ampliar as ações de mobilização e envolvimento da população nas questões ligadas ao ambiente, nomeadamente no que respeita às alterações climáticas.

As empresas desempenham um papel crítico para ajudar a alcançar os 17 ODS das Nações Unidas. Qual é o compromisso da Câmara?
Os ODS são hoje uma linguagem universal e a linha de salvamento planetário mais consensual, racional e empática. É por estes motivos que a CMC adotou em 2017 os ODS como “chapéu” da sua atividade, através de uma deliberação aprovada em Reunião de Câmara por unanimidade.

Entendemos que é da responsabilidade desta autarquia liderar pelo exemplo, no plano nacional e internacional. Por outro lado, consideramos que este caminho nos levará a uma comunidade mais próspera, solidária e coesa.

A nossa estratégia de implementação passa por uma visão – que designamos inside out (de dentro para fora) – que passa por capacitar e envolver os colaboradores municipais para integrar os ODS nas suas rotinas e trabalho diário para, deste modo, atuarem como agentes de mudança junto da comunidade. Para além desta capacidade de influenciar a comunidade, os colaboradores municipais são aqueles que melhor conhecem a realidade do território e as suas pessoas pelo que são essenciais no trabalho de diagnóstico e de localização dos ODS, i.e., na escolha dos indicadores e metas mais adequados à realidade cascalense.

Neste momento estamos a desenvolver formação interna a cerca de 300 colaboradores de todos os serviços municipais para constituição de uma equipa transversal de embaixadores ODS em Cascais. De seguida faremos ações de sensibilização para todos os colaboradores – desde trabalhadores operacionais, cantoneiros, jardineiros, administrativos, técnicos das diversas áreas, dirigentes, até ao Executivo da Câmara – num universo aproximado de 3500 pessoas. Só com a capacitação transversal dos colaboradores municipais será possível assegurar a dinamização de uma equipa comprometida com a melhoria social, económica e ambiental. Sublinhamos que alinhada a esta estratégia está sempre presente a constante preocupação de estabelecer um mecanismo participativo e inclusivo, que permita que os colaboradores adquiram não apenas o conhecimento sobre os ODS, mas também vivenciem a importância do tema, para que no exercício das suas funções diárias se sintam parte da mudança que é necessária imprimir para garantir que todos juntos se assegura que ninguém fica para trás.

A Ação Climática é assim uma prioridade?
Sim. Cascais tem como visão ser o melhor lugar para viver um dia, uma semana, ou uma vida inteira e isso só é possível com um ambiente urbano são. Por isso o Município tem vindo a trabalhar com determinação nas questões da qualidade do ambiente urbano há já muito tempo, o que é indissociável da ação climática, nos seus aspetos ambientais, mas também sociais e económicos.

Exemplos: Já em 2010 foi publicado o Plano Estratégico de Cascais face às Alterações Climáticas, com a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que permitiu projetar diferentes cenários futuros e respetivos impactos. A nível de mitigação das emissões foi fundamental que o município se tivesse constituído como autoridade local de transportes, duplicado o número de quilómetros de oferta de autocarros e tornado gratuito o transporte rodoviário público, no sentido de reduzir a dependência do transporte individual e, consequentemente, reduzir as emissões.

Além do enfoque na redução de emissões, Cascais tem estado ativo na outra dimensão da ação climática: a adaptação. O Plano de Ação para a Adaptação às Alterações Climáticas foi concluído em 2017, também com o apoio académico, e preconizou uma nova geração de instrumentos de planeamento com vista à resiliência. O seu processo de construção envolveu mais de 130 profissionais de 30 instituições que em conjunto contribuíram para definir as prioridades de adaptação e de implementação de ações de resiliência a executar até 2030, em áreas como saúde, turismo, biodiversidade, recursos hídricos, agricultura, proteção civil, comunicação e gestão das zonas costeiras.

Após quatro anos, 58% das medidas foram já concluídas. A requalificação da Ribeira das Vinhas é exemplo de uma delas – a intervenção permitiu reduzir o risco de cheias, além de criar um trilho pedonal, restaurar a biodiversidade, minimizar os focos de poluição.

Cascais foi também o primeiro município do país a desenvolver o seu Roteiro para a Neutralidade Carbónica, apresentado na COP25 em Madrid, em 2019.

A ação climática está enraizada nas nossas políticas e nos nossos instrumentos de forma transversal na organização – por ser tratada de forma tão séria e coerente há muitos anos nunca considerámos que faria sentido declarar uma emergência climática.

Quais são as ambições em concreto? E qual a estratégia para as alcançar?
Uso eficiente dos recursos, economia circular e descarbonização. Estas ambições declinam e declinarão em projetos como a recuperação paisagística do parque natural, a preservação da biodiversidade local, o aproveitamento de água da chuva em complexos desportivos, a redução da produção de resíduos e aumento da reciclagem, os parques solares, o aprofundamento da agricultura urbana e do rewilding, a criação de mais empresas e emprego verdes ou as compras públicas ecológicas.

Ambicionamos ser, como organização, um agente de mudança, e ajudar cada cidadão, organização e empresa a ser também um agente de mudança.

Ambicionamos um equilíbrio entre políticas que se veem (hardware), como a implementação de mais espaços verdes e a plantação de mais árvores, e políticas que se sentem (software) como a sensibilização ambiental e os incentivos à mudança de comportamentos.

Como? Através de uma visão bem definida, do respaldo científico, do envolvimento das pessoas e organizações, de instrumentos de monitorização e acompanhamento, do investimento em investigação, inovação e tecnologia ao serviço da economia verde. A grande ambição, no fim, é a transição para um modelo socioeconómico que crie riqueza sem delapidar recursos.

Vai ser necessário reinventar modelos de negócios? Quais são as mudanças que terão de ser implementadas?
O “modelo de negócio” na CMC já foi adaptado. A Sustentabilidade é atualmente uma temática transversal no nosso organograma, não pertence a um setor estanque, faz parte da gestão territorial e das políticas públicas em implementação em Cascais.

Estamos cientes que as decisões e operações da autarquia impactam em várias frentes:

Internamente, na relação com os funcionários, é trabalhada a incorporação dos valores e do conhecimento de sustentabilidade, através de capacitação e de envolvimento – porque os funcionários também são agentes de mudança.

Na relação da autarquia com os seus fornecedores, a futura implementação de critérios de sustentabilidade nas compras públicas começou já a enviar uma mensagem poderosa em toda a cadeia de valores.

Na relação da autarquia com o tecido económico, garantir os estímulos e os recursos certos para um projeto de transformação profunda da produção, do consumo e do uso de recursos.

Por outro lado, estes tempos têm também ajudado a perceber que não vamos a lado nenhum sozinhos, e são as lideranças que devem ter uma clara noção disso mesmo: os modelos de ação devem ser mais partilhados e colaborativos.

Como é vista a Câmara nesta matéria?
Cascais tem liderado várias temáticas da ação climática no País e é dado como exemplo também em diversos fóruns internacionais, o que evidencia não só o nosso compromisso com o tema, mas também o sucesso das nossas políticas e ações para

  • Primeiro município com Roteiro para a Neutralidade de Carbono
  • 120 hectares de espaços verdes
  • 500 hortas comunitárias
  • 927 pontos de recolha seletiva
  • 8 eco-centros
  • Única Área Marinha Protegida municipal
  • 4 centros de interpretação ambiental
  • Requalificação de ribeiras
  • Recuperação dos bosques municipais
  • Rede de estações de monitorização da qualidade do ar
  • Levantamento dos ecossistemas marinhos
  • Quinta do Pisão como modelo internacional de paisagem mosaico
  • Qualidade de água balnear excelente em todas as praias
  • Campanha “Pequenos Gestos” distribuiu 8000 conjuntos de sacos de compras ecológicos e 4000 garrafas de vidro para substituir as descartáveis de plástico
  • Cerca de 2700 participantes por ano em programas de voluntariado ambiental jovem

Como surge esta necessidade de colocar a Sustentabilidade no centro das prioridades da empresa?
É o garante de um futuro saudável e habitável. Hoje, mais do que nunca, vários estudos mostram que a qualidade de vida nas cidades está intrinsecamente ligada à natureza, nomeadamente à preservação da biodiversidade, à promoção de espécies autóctones, à regeneração de valores naturais como a água ou o solo. Tudo isto tem implicações na saúde mental de cada um, na alimentação, na capacidade das pessoas poderem fazer exercício ou de, simplesmente, terem espaços de lazer.

Foi criado algum departamento ou grupo de trabalho que se dedique à Sustentabilidade?
Existe uma vereação que tutela esta matéria, em estreita articulação com os restantes membros do executivo, dado que não se trata de uma temática estanque. As equipas desta tutela trabalham temas que vão desde as políticas climáticas à biodiversidade, passando por resíduos, litoral, espaços verdes, sensibilização, economia circular, entre outros.

Quais são os próximos passos?
Os próximos passos passam por incrementar a nossa atuação nas diferentes áreas da Sustentabilidade, mantendo o foco sempre no bem-estar dos cidadãos e na redução da pegada ecológica do concelho.

Para além disso, consideramos que vai ser determinante promover a recuperação económica e social pós-COVID com base na economia verde para o que será fundamental investir em investigação e desenvolvimento para a criação (ou transição) de negócios de matriz verde, bem como incentivar o ecossistema da inovação e do empreendedorismo para a Sustentabilidade.

Consideramos ainda que vai ser crucial, a nível nacional e internacional, promover o reconhecimento do papel do governo local: é nas cidades que a batalha da Sustentabilidade vai ser ganha, ou perdida. É nos aglomerados urbanos que se concentram os maiores impactos negativos, mas também onde se concentram as soluções.

Quais têm sido as vossas contribuições para o progresso das pessoas nesta matéria?
Parece pouco elaborado, mas é o bem-estar dos munícipes, tão simples quanto isso. A ação climática traz consigo efeitos de arrastamento extremamente benéficos para a comunidade local, como a melhoria da qualidade do ambiente urbano (qualidade do ar, da água, dos solos, ruído, espaços verdes), a restauração ecológica, a preparação para fenómenos climáticos extremos, e também para a geoestratégia nacional, por via da redução da dependência da importação de petróleo, da criação de emprego (verde) e do crescimento económico (dentro dos limites naturais).

Pode partilhar algumas recomendações para tornar as Câmara Municipais sustentáveis?
Auscultarem e envolverem os munícipes, empresas e outras organizações, alicerçarem-se em ciência sã, capacitar a comunidade (seja os cidadãos ou os funcionários), aliarem-se à tecnologia como meio para gerir o território, definir uma Visão clara, nunca parar de inovar.
A mudança está de facto nas pessoas, mas deve ser alicerçada na inovação e tecnologia. O exemplo é absolutamente fundamental. As entidades locais têm de motivar, inspirar e ajudar à mudança dos demais atores locais, porque juntos é que se consegue avançar.

Por TitiAna Amorim Barroso

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Austrália e Nova Zelândia não se podem esconder do COVID para sempre

25 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Num momento em que por todo o Mundo se assiste a um gradual regresso dos países a uma nova vida, apesar da permanência do vírus SARS CoV-2 e da ainda ocorrência de surtos mais problemáticos, como é o caso da Índia, da Oceânia chega o retrato de uma região que está a esconder-se do novo coronavírus, com um fecho total de fronteiras e programas de vacinação pouco desenvolvidos.

O que no início da Pandemia era visto como um exemplo de boas práticas e medidas de controlo da doença, é agora tomado como um alerta para uma situação que não pode durar para sempre, como demonstra um artigo publicado no The Economist, com várias reações às políticas externas dos países que põem em causa a própria entidade cultural da região.

Dois países isolados do mundo

No início de maio, a banda Six60 deu um concerto na Nova Zelândia para um público de cerca de 50 mil pessoas de “carne e osso”. “Da próxima vez que eles disserem que é impossível, mostrem isto”, partilhavam num post com a imagem de uma multidão de gente, algo não visto na maior parte do Mundo desde o início de 2020.

Neozelandeses, conhecidos como kiwis, e australianos, têm hoje uma vida normal, graças a ter quase eliminado o novo coronavírus, com muito poucas transmissões em 2021, com restaurantes e bares a funcionar em pleno e pequenas cidades a fervilhar de turistas domésticos.

O segredo do sucesso é simples: os dois países, já de si difíceis de alcançar, simplesmente isolaram-se do resto do Mundo. Fecharam-se em março de 2020, permitindo apenas o regresso a cidadãos e residentes permanentes, sem planos de uma reabertura para breve. A 11 de maio, o governo da Austrália anunciou que as suas fronteiras internacionais irão permanecer fechadas até pelo menos meados de 2022. Em declarações a um jornal, o primeiro-ministro, Scott Morrison, disse “Precisamos ter cuidado para não trocar o [nosso] modo de vida pelo que toda a gente tem”.

Tal vai de acordo com os eleitores de ambos os lados do Mar da Tasmânia, que se habituaram a viver sem riscos. Contudo, nos próximos anos o COVID-19 irá continuar a circular globalmente, mesmo com a disponibilização das vacinas. Os antípodas não podem mantê-lo do lado de fora para sempre, “a menos que queiram ficar isolados do Mundo até o fim dos tempos”, diz Alexander Downer, ex-Ministro australiano das Relações Exteriores.

Alguns já começaram a perguntar o que vai acontecer a seguir, como foi o caso de um grupo de líderes empresariais kiwis que solicitou “um caminho para uma gestão sustentável do vírus”. A Austrália não pode sobreviver à Pandemia num “bunker eliminacionista”, declarou Nick Coatsworth, um antigo Vice-Diretor médico australiano.

Gladys Berejiklian, Primeira-Ministra de Nova Gales do Sul e líder do Partido Liberal, afirmou que irá chegar o momento em que terá de se mudar a forma como se mede o sucesso em relação ao combate contra a COVID-19.

Programas de vacinação a meio gás

O lançamento dos programas de vacinação em ambos os países está a desenrolar-se de forma lenta, com apenas 7,5% dos adultos na Nova Zelândia a ter recebido a primeira dose, menos do que no Zimbábue ou Palestina. Do lado da Austrália já 16% dos adultos recebeu a primeira dose, mas muitos hesitam a sua toma. O governo espera atingir a imunização de todos os adultos até o final de 2021, o que significa ter de trabalhar duas vezes mais rápido.

Antes de tal acontecer existem formas de aligeirar as restrições. Uma é impor quarentenas menos onerosas aos viajantes vacinados, que, assim como os não vacinados, devem passar duas semanas isolados num hotel. O governo australiano admite permitir que a quarentena dessas pessoas seja feita em casa, o que ajudaria a reunir muitas das famílias que estão separadas.

Outra medida seria abrir corredores aéreos com países com baixas taxas de transmissão, como é o caso de Singapura, com quem a Austrália está em negociações nesse sentido, mas um novo surto na cidade-estado veio trazer um revés ao planeamento.

Os governos de ambos os países não têm grandes motivos para insistir numa reabertura, com a justificação de que as suas economias estão a ir bem e ignorando as críticas de que são alvo, como uma forma de desrespeito pela vida. Quando recentemente a CEO da companhia aérea Virgin Australia, Carla Jayne Hrdlicka, mencionou que “o COVID será parte da comunidade” e “algumas pessoas podem morrer”, o Primeiro-Ministro Scott Morrison, chamou-a de “insensível”.

A verdade é que cerca de 35 mil australianos estão presos no exterior, incapazes de conseguir uma vaga em hotéis para realizar a quarentena ou reservar um dos voos que são totalmente imprevisíveis. Quando no mês passado a Índia foi ferozmente atingida por uma nova vaga, o governo australiano proibiu os seus cidadãos de voltar ao País, sob a pena de multas e risco de prisão. Nunca nenhum outro país ameaçou assim o seu próprio povo. Posteriormente, reverteu-se essa medida política, o que não evitou a morte de três cidadãos australianos que estavam na Índia. Segundo Tim Soutphommasane, Professor da Universidade de Sidney, “Seguir a rota do eremita é rejeitar a nossa moderna transformação num país confiante e multicultural”.

Arquivado em:COVID-19, Notícias

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