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Titiana Barroso

O ABC do novo Incentivo à Normalização da Atividade Empresarial e Apoio Simplificado para Microempresas

25 Maio, 2021 by Titiana Barroso

O diploma, que entrou em vigor no dia 15 de maio de 2021, vem regular os procedimentos, condições e termos de acesso aos seguintes apoios:

  1. a) Novo Incentivo à Normalização da Atividade Empresarial
  2. b) Apoio Simplificado para Microempresas à manutenção dos postos de trabalho, ambos a conceder pelo IEFP

No âmbito desta regulamentação, a Antas da Cunha ECIJA & Associados destaca os seguintes aspetos sobre a Portaria n.º 102-A/2021, de 14 de maio.

A) O Novo Incentivo à Normalização da Atividade Empresarial (IENAE)

➢ Quem tem direito?

Empregadores aderentes a lay-off simplificado ou ARP no 1.º trimestre 2021;

➢ Em que consiste?

Apoio concedido por cada posto de trabalho no valor de:

2 RMMG quando requerido até 31 de maio de 2021, pagas em duas prestações (primeira e segunda prestações são pagas no prazo de 10 dias e seis meses, respetivamente, a contar da data de comunicação da aprovação do pedido);

1 RMMG quando requerido entre 01 de junho de 2021 e 31 de agosto de 2021, por trabalhador que esteve abrangido, pago de uma só vez (no prazo de10 dias a contar da data de comunicação da aprovação do pedido);

Apoio variável: na modalidade das 2 RMMG, o empregador tem direito à dispensa de 50% do pagamento das contribuições sociais por 2 meses;

Flexibilidade: empregador pode beneficiar do apoio durante 3 meses, desistindo do mesmo e aceder, em seguida, ao ARP sem necessidade de devolução (com direito a 1 SMN por trabalhador)

➢ A que deveres fica sujeito o empregador?

Manter, comprovadamente, as situações contributiva e tributária regularizadas perante a SS e a AT;

Não fazer cessar, durante o período de concessão do apoio, bem como nos 90 dias seguintes, contratos de trabalho por despedimento coletivo, despedimento por extinção do posto de trabalho e despedimento por inadaptação, nem iniciar os respetivos procedimentos;

Manter, durante o período de concessão do apoio, bem como nos 90 dias seguintes, o nível de emprego observado no mês anterior ao da apresentação do requerimento (com exceção dos contratos de trabalho que cessem por caducidade, denúncia do trabalhador ou despedimento com justa causa);

➢ Como se candidatar ao novo IENAE?

A concessão do novo incentivo à normalização e do apoio simplificado apenas tem lugar depois de cessada a aplicação dos apoios concedidos pela Segurança Social que os precedem (que adiante se detalharão), não obstante ainda estar em curso um plano de formação aprovado pelo IEFP.

A data de abertura e encerramento dos períodos de candidatura ao novo incentivo à normalização e ao apoio simplificado é definida por deliberação do conselho diretivo do IEFP e divulgada em: www.iefp.pt.

As candidaturas são apresentadas em formulário próprio através do portal https://iefponline.iefp.pt/.

➢ Em que consiste o requerimento?

Formulário próprio acompanhado dos seguintes documentos:

  1. Declaração de inexistência de dívida ou autorização de consulta online da situação contributiva e tributária perante a Segurança Social e a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT);
  2. Termo de aceitação, com indicação do IBAN, segundo modelo disponibilizado pelo IEFP.

O IEFP, emite decisão no prazo de 15 dias úteis a contar da data de apresentação do requerimento.

B) O Apoio Simplificado para Microempresas à manutenção dos postos de trabalho, ambos a conceder pelo IEFP

➢ A quem se destina?

Aos empregadores de natureza privada, incluindo os do setor social, que sejam considerados microempresas pelo Código do Trabalho (até 10 trabalhadores) e que se encontrem em situação de crise empresarial, que tenham beneficiado em 2020 (e não tenham beneficiado no primeiro trimestre de 2021), um dos seguintes apoios:

  1. Apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho;
  2. Apoio extraordinário à retoma progressiva de atividade em empresas em situação de crise empresarial, com redução temporária do período normal de trabalho.

➢ Em que consiste o apoio financeiro?

Incentivo no valor de duas vezes a retribuição mínima mensal garantida (RMMG) por trabalhador que esteve abrangido, pago em duas prestações (primeira e segunda prestações são pagas no prazo de 10 dias e seis meses, respetivamente, a contar da data de comunicação da aprovação do pedido), quando for requerido até 31 de maio de 2021.

O empregador que, durante o primeiro semestre de 2021, beneficie deste apoio e que, no mês de junho de 2021, se mantenha em situação de crise empresarial, e que, em 2021, não tenha beneficiado do apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho, ou do apoio extraordinário à retoma progressiva de atividade, tem direito a requerer, entre os meses de julho e setembro de 2021, um apoio adicional no valor de uma RMMG por trabalhador abrangido por este apoio, pago de uma só vez (no prazo de 10 dias úteis a contar da data de comunicação da aprovação do respetivo pedido).

➢ Como apresentar o requerimento?

Formulário próprio ou, no caso do apoio adicional, requerimento a apresentar ao IEFP, acompanhado dos seguintes documentos:

  1. Declaração do empregador e certificação do contabilista certificado da empresa que ateste a situação de crise empresarial;
  2. Declaração de inexistência de dívida ou autorização de consulta online da situação contributiva e tributária perante a segurança social e a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT);
  3. Termo de aceitação ou Aditamento de termo de aceitação (no caso, do apoio adicional), com indicação do IBAN, segundo modelo disponibilizado pelo IEFP.

O IEFP emite decisão no prazo de 15 dias úteis a contar da data de apresentação do requerimento.

➢ Quais os deveres do empregador?

O termo de aceitação (entregue com o formulário) define os deveres decorrentes da concessão do novo incentivo à normalização (de acordo com os termos estabelecidos no n.º 4 do artigo 14.º-A do Decreto-Lei n.º 46-A/2020, de 30 de julho).

Deveres devem ser cumpridos pelo empregador durante todo o período de concessão do incentivo, correspondente a 6 meses, bem como nos 90 dias seguintes.

Cumulação de apoios:

O empregador não pode beneficiar, simultânea ou sequencialmente, do novo incentivo à normalização e do apoio simplificado.

O empregador não pode beneficiar simultaneamente do novo incentivo à normalização ou do apoio simplificado e dos seguintes apoios:

  1. Apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho;
  2. Apoio extraordinário à retoma progressiva de atividade em empresas em situação de crise empresarial;
  3. Medidas de redução ou suspensão previstas no Código do Trabalho (lay-off clássico).

O empregador que beneficie dos apoios previstos no presente diploma não pode beneficiar sequencialmente do apoio extraordinário à retoma progressiva de atividade em empresas em situação de crise empresarial.

Decorridos três meses completos após o pagamento da primeira prestação do novo incentivo à normalização, o empregador que beneficie do novo incentivo à normalização tem o direito de desistir do mesmo e requerer subsequentemente o apoio à retoma progressiva previsto.

O empregador que recorra ao novo incentivo à normalização ou ao apoio simplificado previstos na presente portaria pode, findo esses apoios, recorrer à aplicação das medidas de redução ou suspensão previstas no Código do Trabalho.

O novo incentivo à normalização e o apoio simplificado são cumuláveis com o (“antigo”) incentivo extraordinário à normalização da atividade empresarial.

O novo incentivo à normalização e o apoio simplificado previstos nesta portaria são cumuláveis com outros apoios diretos ao emprego e apenas podem ser concedidos uma vez por cada empregador.

Incumprimento e restituição de apoios

O incumprimento das obrigações decorrentes da concessão do novo incentivo à normalização e do apoio simplificado previstos na nesta portaria poderão determinar a cessação dos mesmos, e a restituição ou o pagamento, ao IEFP, ou ao ISS, I. P., respetivamente, dos montantes já recebidos ou isentados, sem prejuízo do exercício do direito de queixa por indícios da prática de eventual crime.

Acompanhamento, auditoria e fiscalização

O novo incentivo à normalização e o apoio simplificado previstos na presente portaria são objeto de ações de acompanhamento, de verificação, de auditoria ou de fiscalização, por parte do IEFP, ou de outras entidades com competências para o efeito, nomeadamente para verificação do cumprimento das normas aplicáveis e das obrigações assumidas.

Arquivado em:Notícias, Trabalho

Conferência Internacional da APCC realiza-se online já nos dias 26 e 27 de maio

24 Maio, 2021 by Titiana Barroso

“How Much Have We Changed? How Different Will We Become?” é o tema da 17.ª Conferência Internacional da APCC 2021, nos dias 26 e 27 de maio, entre as 14h e as 18h, em formato online. O evento tem como objetivo perspetivar cenários pós-pandemia para a Indústria dos Contact Centers, nos planos Tecnológico, dos Recursos Humanos e da Gestão.

O encerramento será levado a cabo pelo Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres, no dia 27, às 17h25. Ainda durante a conferência, vão ser apresentados os resultados do ”Estudo de Caracterização e Benchmarking”, através do qual a APCC vai dar a conhecer os dados mais importantes desta área de negócio.

Programa e os Oradores da Conferência Internacional APCC 2021

No dia 26 de maio, venha descobrir com Adolfo Mesquita Nunes, ex-Secretário de Estado do Turismo, que mudanças estão a ocorrer no mundo e se são para melhor ou para pior.

Logo a seguir, terá a oportunidade de ouvir grandes empresas tecnológicas, que exportam já com crescimentos a dois dígitos, falar do impacto nas operações de Contact Centers durante e pós-pandemia. Como conseguiram a Talkdesk, a GoContact e a Genesys apoiar os seus clientes a ultrapassar, de forma bem-sucedida, as adversidades deste período pandémico? Conheça as experiências da CUF, Generali, Glintt e NOS, na primeira pessoa.

Ainda neste primeiro dia de conferência pode assistir a um painel com a Deloitte, Happy Work, InPar e Ucall que trarão a debate as principais “Alterações Ocorridas e Evoluções Previstas” no setor, moderado por Rui Henriques (RHmais).

Tal como nos anos anteriores, a apresentação do “Estudo anual de Caracterização e Benchmarking dos Contact Centers” a cargo da Consultora everis, considerado uma ferramenta para o conhecimento da realidade do setor.


No dia 27 de maio, a sessão inicia-se com “The New Era of Talent” por Juan Carlos Cubeiro, Presidente do About My Brain Institute.

De seguida o painel “Livro Verde e Comunicações Eletrónicas” abordará a nova legislação do teletrabalho e do e-commerce, temas de atualidade pelo impacto que poderão ter na área de atividade, com o contributo do escritório de advogados Sousa Machado, Ferreira da Costa e Associados e Jorge Pires, ex-Assessor da Direção da APCC.

Ainda no segundo dia de conferência da APCC, pode ficar a par dos desafios que a pandemia trouxe ao Customer Experience, pela voz da expert em Experiência do Cliente, Zanna van der Aa.

Por fim, poderá conhecer as tendências futuras dos Contact Centers, um tema que será partilhado por alguns dos principais Outsourcers do mercado: Armatis, Concentrix, Intelcia, Teleperformance e Webhelp, com a moderação da GMtel.

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

O 1X2 do Israel-Palestina

24 Maio, 2021 by Titiana Barroso

É sempre igual: quando há conflitos entre Israel e a Palestina encontramos os adeptos do costume a apoiar as suas equipas. Como alguns analistas fizeram notar, há uma certa futebolização do conflito. É uma solução fácil mas simplista dividir o problema de forma maniqueísta entre maus e bons, como se a humanidade fosse assim. Eu tenho dificuldade em fazê-lo porque tenho dificuldade em escolher entre árabes e judeus.

Ao longo do tempo a minha profissão fez-me conhecer colegas israelitas. Um deles tornou-se mesmo amigo pessoal. Os israelistas que conheci são tão diferentes uns dos outros como Jerusalém é diferente de Telavive. A Jerusalém religiosa às portas do deserto é muito diferente da Telavive mediterrânica e hedonista. Conheci israelitas judeus assumidamente gay e a minha série favorita dos últimos tempos, Shtisel, tem por tema a comunidade ortodoxa. Acho Israel um país em muitas coisas admirável, com enormes problemas para resolver.

E sobre a cultura árabe? Há anos que todos os anos colaboro com uma escola de Tunis. Aprendi a ser um pouco tunisino, a amar aquele país doce em muitas coisas tão parecido com o nosso. A Tunísia que aparece nas notícias tem pouco a ver com a Tunísia de que eu gosto e de que, por causa da pandemia, tanto sinto a falta. Como escolher? Mas é preciso escolher? Não escolho: a minha admiração é repartida e espero pelo dia em que estas duas culturas maravilhosas saibam viver em paz, como merecem.


Por Miguel Pina e Cunha, Diretor da revista Líder

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

O papel da cidadania ativa e consumo responsável

24 Maio, 2021 by Titiana Barroso

O tema das alterações climáticas está na ordem do dia e muito provavelmente é um dos maiores desafios civilizacionais que as atuais gerações enfrentam, com acrescida responsabilidade para os que detêm “as rédeas” do poder ou o podem diretamente influenciar. Contudo, todos temos um papel determinante a desempenhar e não devemos colocar-nos no papel de “espectadores”, mas sim de protagonistas e “atores” exercendo uma cidadania ativa e consumo responsável.

Na era em que quase todas as notícias requerem um fact check são inúmeras as derivações do tema, confrontando os negacionistas com os que requerem ações urgentes e reclamam o estado de emergência. Evitemos o ruído e centremo-nos nos factos e interesse comum.

As alterações no clima sempre aconteceram e acontecerão, a Terra é um Planeta em constante movimento. Porém, nunca a aceleração foi tão grande em tão curto espaço de tempo. A enorme aceleração que testa os limites do Planeta, iniciou-se há menos de 200 anos com a Revolução Industrial, mas conheceu um vertiginoso ganho de velocidade a partir do fim da Segunda Guerra Mundial. No mundo ocidental iniciámos a era do consumo, a que se seguiu a do hiperconsumo e desperdício com a síndrome do descartável. Tudo se usa e deita fora. Vivemos numa economia linear de desperdício.

O problema é que não há lado de fora do Planeta e não “deitamos o lixo fora”, fica tudo cá dentro na Terra, no Mar ou na Atmosfera. Vários indicadores confirmam a correlação positiva entre marcos de “progresso” e a degradação da Bioesfera, sinais por demais evidentes da necessidade da declaração de estado de emergência Planetária. Os limites da capacidade de regeneração do Planeta, compatíveis com a vida humana, estão a ser testados e corremos sérios riscos de entrar em rota de não retorno. Um programa internacional que congrega mais de 12 mil investigadores e cientistas nos domínios da Geosfera e Bioesfera, estuda os referidos indicadores e constata um total paralelismo entre as tendências socioeconómicas e o impacto no sistema terrestre. A vertiginosa aceleração das últimas décadas é notória e as tendências de agravamento são claras se forem mantidos os mesmos modelos de desenvolvimento. Urge uma alteração sistémica na aproximação aos modelos de prosperidade, que incluam a valorização do capital natural e de serviços prestados pelo meio ambiente.

O referido trabalho evidencia as tendências socioeconómicas, nomeadamente: crescimento da população mundial; crescimento da população nos centros urbanos; uso de energia e consumo de água; crescimento do PIB; transportes; consumo de papel; uso de fertilizantes, químicos e pesticidas; turismo internacional, construção de barragens, Telecomunicações (mais recente); Produção e descarte de plástico, encontrando uma perfeita simetria nos indicadores da degradação do sistema terrestre. Com efeito, os gráficos têm o mesmo comportamento em domínios como: Emissão de CO2 e outros gases com efeito de estufa; Camada de ozono; Temperatura terrestre; Acidificação dos oceanos; Captura de peixe e marisco; Aquacultura; Nitrogénio; Perda de florestas naturais, incluindo as tropicais; Terras agrícolas para monoculturas intensivas; Desaparecimento de espécies da fauna e flora; Perda de biodiversidade; Degradação da biosfera.

Colocar os gráficos dos fatores enunciados lado a lado, é esmagador e de tal maneira eloquente que quase dispensaria mais explicações… todas crescem no mesmo sentido e no mesmo intervalo de tempo.

Porque é que continua a ser preciso demonstrar a relação inequívoca de causa e efeito? Por que não é acionado o mecanismo de sobrevivência em todos os cérebros humanos e não em só alguns? Por que nos comportamos como rãs a deixar a temperatura aumentar até sermos cozidos? Os mesmos de nós, que reagem a perigos eminentes, como é exemplo a atual Pandemia, por que não a mesma reação coletiva em defesa das condições de vida no Planeta? Um Planeta gravemente doente requere cuidados intensivos… e deveria estar no centro de todas as atenções. Que impacto teria se a abertura de telejornais e conferências diárias fosse com o número de vítimas das alterações climáticas e degradação do Planeta?

A inércia para a manutenção do status quo é defendido com unhas e dentes pela minoria que beneficia tendo graves repercussões e custos que se medem em vidas humanas, degradação do Planeta e comprometimento de um futuro equilibrado.

São boas notícias a recente decisão dos EUA, maior potência económica e maior emissor de CO2 do mundo, de voltar ao Acordo de Paris e à redução de emissões e outros mecanismos de controlo do aumento de temperatura do Planeta. A título de curiosidade (mórbida) refira-se que de acordo com a Ciência, o CO2 fica na atmosfera “eternamente”, ao fim de cem anos mantém 75%, ao fim de mil anos 40% e ao fim de dez mil anos 25%.

Refira-se também, por exemplo, que no domínio do plástico, e segundo um estudo recentemente publicado Breaking the plastic wave, mantendo-se o business as usual e os tímidos compromissos já assumidos por algumas Nações, em 2040 e por comparação com 2016, a produção de plástico duplicará e o que verte para os oceanos triplicará. O plástico acumulado nos oceanos aumentará quatro vezes…

De que mais precisamos para inverter o rumo? Ignoramos todos os avanços e verdadeiros progressos ocorridos em inúmeros domínios nas últimas décadas? Claro que não. O que se trata é de conciliar prosperidade, com equilíbrio ambiental e social. A saudável interdependência entre os pilares da sustentabilidade é que torna o modelo forte e perene.

A esperança vem, uma vez mais, da educação, investigação e desenvolvimento. Acredito também nas novas gerações que possam influenciar as gerações mais velhas. Acredito ainda no efeito conjugado de empresas/marcas e consumidores/ cidadãos que moldam as tendências de mercado e influenciam os legisladores.

É exemplo, a crescente preocupação das marcas de incorporarem valores da sustentabilidade na sua cadeia de valor, envolvendo todos os stakeholders e criando um efeito multiplicador. Da mesma forma, as novas gerações de consumidores que “votam” em cada decisão de compra de um produto, mostrando às marcas o seu quadro de valores. As marcas, com recurso a tecnologias de big data e data mining e suportadas em algoritmos, percebem as tendências e procuram corresponder. É um círculo virtuoso que fortalece a indispensável transição para um modelo de economia circular em que “nada se perde e tudo se transforma”. Atuemos já!

Pode ler mais sobre o tema na edição de primavera da revista Líder.


Por Pedro Norton de Matos, Fundador do Green Festival, sócio fundador da Verde Movimento, advisory board da Fábrica de Start-ups, consultor estratégico de mudança transformacional e de Coaching e vogal de direção da EPWN.

Arquivado em:Opinião

Rezar no Youtube. A nova geração de fiéis

24 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Durante a crise pandémica da COVID-19, os serviços religiosos tiveram de ser suspensos e as casas de culto fecharam as portas, assim como, por todo o mundo, as Igrejas, e outros espaços públicos de oração. O que no início parecia ser uma perda do espírito de comunidade, tornou-se numa nova forma de reunir a fé entre os praticantes, com o uso de plataformas de streaming, software de vídeo e redes sociais.

Tal como em tantas outras áreas da sociedade, também a tecnologia veio mudar a maneira como as Igrejas recebem as pessoas nos seus cultos e comunicam com o seu público.

Emily Moore, num artigo para a The Lead Pastor, uma comunidade americana de igrejas e pastores, “10 Biggest streaming churches and the software they use”, escreve sobre o futuro das instituições religiosas que hoje passa pela disponibilização de serviços, rituais e outras práticas através do digital. A principal conclusão é a de que o uso de plataformas online é extremamente eficaz pois atinge um número mais alargado de público, mantendo todos em segurança.

Embora os sermões em plataformas como YouTube, Facebook Live e Zoom possam ter ganho mais força em resposta à Pandemia, a verdade é que as igrejas já haviam adotado a tecnologia há algum tempo. Antes das transmissões ao vivo, certas comunidades nos Estados Unidos da América gravavam os seus sermões e os distribuíram gratuitamente, ou cobrando uma taxa, através dos canais digitais.

As igrejas sempre estiveram cientes de que o recurso às tecnologias, como o vídeo em streaming, pode ajudar a alcançar um público maior, e a realidade de hoje mostrou como o aumento do consumo de mensagens está a acontecer de forma exponencial nos canais online, uma tendência que veio para ficar.

Quanto ao futuro dos cultos religiosos após a Pandemia, a opção em continuar com a transmissão dos sermões ao vivo torna-se indiscutivelmente mais confortável à participação dos praticantes, nomeadamente idosos, doentes e pessoas com crianças. Citando Eli Noam, Professor da Columbia Business School, talvez as igrejas fiquem mais vazias, mas a vida religiosa das pessoas será mais enriquecida.

No artigo, a jornalista identifica ainda as 10 maiores igrejas a transmitir em streaming nos EUA.

  1. Lakewood Church e Joel Osteen

A Igreja Lakewood e o seu Pastor, Joel Osteen, têm mais de 2 milhões e 200 mil assinantes no YouTube. De acordo com o canal do Pastor, mais de 10 milhões de espectadores assistem às suas comunicações semanais pela televisão, e cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo estão ligadas às suas plataformas digitais.

  1. The Elevation Church

O canal da The Elevation Church no YouTube tem cerca de 2 milhões de assinantes e para além de ter a sua própria App, recorre a soluções de vídeo como o Vimeo e Comcast Technology Solutions.

  1. Hillsong Church

Com transmissões ao vivo a partir de locais por todo o mundo, e cerca de 400 mil assinantes no YouTube, esta Igreja tem uma audiência global semanal de 150 mil pessoas. Usa o YouTube e Vimeo como plataformas de transmissão.

  1. Saddleback Church

Com mais de 380 mil assinantes no YouTube, o canal conta ainda com mais de 53 milhões de visualizações, com recurso ao JW Player.

  1. Life.Church

Esta igreja disponibiliza semanalmente 90 serviços de culto online em cinco plataformas, acessíveis através de qualquer dispositivo e com recurso ao YouTube e Wistia.

  1. Bethel TV

As suas transmissões ao vivo têm cerca de 290 mil assinantes e mais de 33 milhões de visualizações no YouTube. A plataforma de vídeo é a JW Player.

  1. International House of Prayer

A comunidade IHOPKC promove um serviço de oração 24 horas por dia, 7 dias por semana, disponível no YouTube, onde tem mais de 290 mil assinantes.

  1. VOUS Church

Com uma equipa própria de transmissão, tem um público de mais de 190 mil assinantes no YouTube.

  1. REVERE

Esta comunidade com mais de 180 mil seguidores no YouTube, tem ainda outras opções para ouvir sermões e canções como no Spotify, Apple Music, Facebook e Instagram.

  1. John Gray Ministries

John Gray Ministries é o Pastor que lidera esta comunidade com mais de 110 mil seguidores no YouTube. O canal tem um total de 3 milhões de visualizações.

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

Hotelaria portuguesa: os números de 2020 com nota positiva para o futuro

24 Maio, 2021 by Titiana Barroso

Recentemente publicado, o relatório “Portugal – Fatos e Números 2020” da consultora em Hotelaria, Turismo e Lazer, Horwath HTL vem revelar as inevitáveis quebras em resultado de um ano de Pandemia, mas também, num horizonte pós-pandemia, dar uma visão positiva da recuperação do negócio do Turismo em Portugal, especificamente da Hotelaria.

O relatório refere como previsível e inevitável que a tendência positiva do Turismo verificada na última década, em especial desde 2015, fosse interrompida no ano de 2020. No entanto, as previsões mais otimistas consideram uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre de 2021. A crise pandémica, cujo impacto foi inequívoco em todos os sectores e regiões do mundo, teve um efeito sobretudo arrasador no Turismo, um dos principais pilares do sector económico do País com estatísticas que levam a ter de recuar até 1993, ano em que se registaram 23,6 milhões de dormidas, para se encontrar um número inferior de dormidas em Portugal.

Em 2020, o mercado interno contribuiu com 13,6 milhões de dormidas (-35,3%) e os mercados externos com 12,3 milhões de dormidas (-74,9%). Em consequência da redução da atividade, a Hotelaria recebeu apenas 6,5 milhões de hóspedes e 14,5 milhões de dormidas em ano de Pandemia, números que representam um decréscimo de receitas no setor de cerca de 68,6%.

Para melhor compreender a dimensão do impacto, em dados disponibilizados pela base estatística PORDATA, o número total de dormidas em alojamentos turísticos correspondeu a cerca de 70 milhões em 2019 (em comparação com praticamente 26 milhões em 2020). No seguimento desta quebra acentuada, houve também uma perda de cerca de 100 mil postos de trabalho face ao 1.º trimestre de 2020, na Restauração, alojamento turístico e similares, segundo dados do INE revelados pela AHRESP que lança o alerta para o reforço e continuidade dos apoios a fundo perdido às empresas.

Segundo o relatório da Horwath HTL, embora as receitas totais dos hotéis acabassem por quase entrar em colapso em 2020, não se pode ignorar que este indicador tem vindo a crescer desde 2015, reflexo da evolução e bom desempenho da indústria Hoteleira em Portugal. Tendo em conta a “boa forma” do setor no período pré-pandemia, tudo leva a crer que assim que o Turismo e as viagens comecem lentamente a recuperar, existam condições para que os resultados de anos anteriores possam vir, de forma gradual, a ser novamente alcançados.

O relatório deixa ainda algumas reflexões para a construção de um novo cenário do Turismo pós-pandemia, nomeadamente a procura de destinos menos massificados como o Alentejo e as regiões Centro e Norte, com uma maior tendência de motivações associadas à natureza, tranquilidade e segurança. A procura interna nos meses de férias fez do Algarve uma das regiões de maior preferência durante o período do Verão, o que também aconteceu com a Madeira que beneficiou da sua insularidade e posicionamento de destino pouco massificado e seguro.

Conforme as previsões da OCDE e da Comissão Europeia, o relatório conclui a antecipação de uma retoma consistente em resultado não apenas da resiliência do sector, mas também da boa imagem que Portugal tem internacionalmente como destino turístico sustentável e seguro.

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