A conquista do 19.º título de campeão nacional pelo Sporting permite tirar um conjunto de ideias que talvez possam ultrapassar as chamadas quatro linhas.
- O Sporting ganhou porque lutou. Deixou-se de queixas e queixinhas. Onésimo Teotónio Almeida, professor nos EUA, diz que em Portugal há “uma certa cultura nacional de queixa”. O Sporting ganhou mais quando se queixou menos. Curiosamente os outros queixaram-se mais e arranjaram desculpas quando ganharam menos.
- Não baixar o nível. O Sporting ganhou com elevação. Não precisou de ofender nem de arranjar inimigos externos para ganhar. Aliás no Sporting os maiores inimigos são frequentemente os internos.
- Apostar na juventude. Este país não é para jovens – nem para velhos. Mas é possível apostar mais nos jovens e acreditar neles – não como uma reserva de futuro mas para o presente. Na política, em particular, precisamos de caras novas sem os vícios das jotas, que produzem mentes velhas em corpos jovens.
- O mérito é mais que um certificado. A perseguição a Ruben mostrou o pior do Portugal corporativo em que conta mais a proteção do status quo que a promoção do mérito e da mudança.
- Como escreveu Cesare Pavese, o trabalho cansa. Mas compensa. Enquanto a chico-espertice a que assistimos todos os dias nos tribunais e numa TV perto de si prevalecerem, não vamos ganhar campeonatos. A justiça desportiva replicou, aliás, o pior do atavismo da nossa justiça em geral.
- Ganhou a equipa mais que as individualidades. A equipa foi a estrela e o capitão Coates a sua cara. Ganharam também o treinador Ruben Amorim e o presidente Varandas. A união fez a força, uma lição para um país em que a política não parece capaz de encontrar espaços de consenso para resolver grandes problemas nacionais.
Esta vitória trará ao Sporting, espera-se, um módico de paz e estabilidade, sem a qual não se vai a lado nenhum. Gostaria nesta altura de lembrar e honrar a memória do meu amigo e colega de gabinete Nuno Fernandes Thomaz. Estou certo de que, onde estiver, o Nuno está a celebrar connosco.

Por Miguel Pina e Cunha, Diretor da revista Líder

















