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Titiana Barroso

No Reino das Emoções: Liderança (à) Grande e à Francesa

17 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

Ainda hoje me lembro, quando na adolescência na escola comecei a aprender Francês…

Da minha enorme dificuldade nas concordâncias dos tempos verbais e, sobretudo, na diversidade de tempos verbais que a língua francesa nos colocava à frente,  o que invariavelmente passava a sensação de que havia sempre muitos passados, vários presentes e diferentes futuros…

Talvez por isso, desde logo me encantei por dois tempos verbais que não tinham correspondência direta com o (meu) português – passé récent e le futur proche!

“Je viens de…” passou a ser qualquer coisa na minha vida como “acabei de fazer algo…” e um “je suis en train de…”, até pela piada na não relação com o português, passou a fazer sentido para mim sempre que “estou prestes a fazer algo”… São o passé recent e le futur proche que, de antes ou depois, têm sempre uma referência clara ao presente, ao momento atual, à posição atual onde acabei de chegar e de onde estou prestes a partir…

E o que estes dois tempos verbais da língua francesa têm a ver com o atual estado dos líderes e das lideranças?

Tudo! Porquê? Vamos falar claro:  os contextos atuais da Liderança suportam-se essencialmente em dois tempos verbais – passé récent e le futur proche!

Senão vejamos…

Eu diria que uma das grandes preocupações atuais dos líderes das nossas organizações, no meio desta pandemia, está no “desígnio” (para qual nunca fomos preparados no passado) de um planeamento e gestão de curtíssimo prazo! No passado, chamávamos a isto “navegação à vista”, mas sempre numa base provisória. Ora, hoje não se trata de um processo pontual. Estamos mesmo a vivenciar uma nova fase de exigência para os líderes organizacionais, que passa pela capacidade de desenvolver processos de liderança de muito curto prazo.

Ser capaz de, e, quase em simultâneo, “acabar de…” afigura-se descobrir uma resposta para um velho ou novo problema, e, nesse momento, ser capaz de pôr em marcha, em ação, sempre prestes a desafiar e mobilizar os seus colaboradores, para a próxima fase, a resposta mais eficaz para o desafio seguinte… caracterizam os dois tempos verbais que agora fazem parte da “gramática” da Liderança atual.

Da mesma forma, esta indefinição e (re)construção permanentes, exigem a adoção de um novo guião de comunicação partilhado que tem de ser o mais possível universalizado dentro da empresa. Ou seja, a grande preocupação das Lideranças  poderá ser a de não ser compreendida ou entendida, ao mesmo tempo, em toda a organização. Novo guião, novo dicionário, novos vocábulos e palavras têm de ser partilhadas por todos de forma muito abrangente e emergente. E isso é um desafio à comunicação (de massas) interna.

A flexibilização dos processos internos, os reajustes dos designs organizacionais, bem como a preparação dos líderes e dos liderados para os vários contextos emergentes, com foco nos cenários de curto prazo, numa lógica de gestão da mudança “intensa” é outra das fortes tendências atuais e que exigem que estejam completamente dominados os dois tempos verbais “favoritos” do mundo francófono.

Por último, estando grande parte das bases da liderança muito assente em premissas racionais (processos, procedimentos, mensagens…) a maior preocupação deverá ser como “emocionalizar” todos estes processos.

Estamos, agora, no reino (ou reinado) das Emoções! Tudo tem de ser trabalhado numa lógica emocional e transacional. Esta é uma necessidade das lideranças mas também uma grande preocupação.

A atuação de um grande líder estará na enorme capacidade de permanentemente “vir de” envolver, inspirar, emocionar e, estar sempre, prestes a fazer agregar valor para o negócio com as suas pessoas.

Estamos perante uma nova Liderança (à) Grande e à Francesa, pois claro!


Por Pedro Ramos, Diretor de Recursos Humanos do Grupo TAP Air Portugal/ Vice-Presidente da APG/ Presidente da DCH Portugal/ Membro Conselho Estratégico da ABRH Brasil/ Membro Conselho Estratégico da Líder

 

Arquivado em:Opinião

SIVA dá a conhecer a nova Diretora Geral da Volkswagen Portugal 

16 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

Marília Machado dos Santos passa a conduzir os destinos da Volkswagen, representada em Portugal pela SIVA, com o desafio de reforçar a posição da marca no mercado português, em estreita parceria com a rede de concessionários. Substitui no cargo Licínio de Almeida, que passará a desempenhar outras funções na empresa.

Iniciou o seu percurso profissional no setor automóvel em 2002, na área do Marketing de Produto, tendo desempenhado diversas funções na Automóveis Citroën e, mais tarde na Fiat Portugal, onde acumulou grande experiência nas vertentes do Marketing e da Publicidade. Em 2015 regressa ao Grupo PSA Portugal, como Diretora de Marketing da Citroën e da DS, assumido três anos depois a Direção Comercial. Desde 2019, era responsável pela marca francesa no mercado nacional, enquanto Country Brand Manager da Citroën Portugal.

Com perto de 20 anos de experiência no setor automóvel, Marília Machado dos Santos é licenciada em Ciências Matemáticas e com um Mestrado em Estatística e Gestão da Informação.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

O que podemos esperar dos mercados da China no Novo Ano do Boi

16 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

Os investidores interessados em ver se os mercados da China podem continuar a progredir no Ano Novo Lunar do Boi, que começou dia 12 de fevereiro de 2021 e termina a 31 de janeiro de 2022, estarão concentrados na sustentabilidade da recuperação económica e no ritmo do possível aperto monetário, defende a consultora de investimentos Fidelity International.

As bolsas modernas da China têm apenas três décadas, mas o Ano do Boi (ou Touro) tem conseguido até agora estar à altura do seu nome para os investidores. O último Ano Lunar do Boi, que foi de 2009 a 2010, trouxe um aumento de 51% no índice bolsista de referência Shanghai Composite Index. O ciclo anterior, em 1997-1998, registara um aumento de 27%.

É claro que, sublinham os autores do relatório, o desempenho passado não é um indicador fiável de resultados futuros. Mas à medida que o Novo Ano do Boi começa, vários fatores estão na mente dos investidores interessados nos mercados da China.

Primeiro, a ampla liquidez e a recuperação da China- “primeira a entrar, primeira a sair”- das consequências económicas da pandemia global da COVID-19, ajuda a manter o sentimento de mercado em alta na Primavera. Isto tanto no mercado onshore como em Hong Kong.

A recuperação continua

Tal como em 2009, os investidores foram encorajados pelo crédito barato e por uma forte recuperação económica pós-crise. O cenário macro ajuda: A China foi a única grande economia com crescimento positivo em 2020, e as previsões de consenso para este ano projetam um aumento do PIB de cerca de 8%. Os analistas também esperam um crescimento robusto dos lucros para as empresas chinesas, pelo menos nos dois primeiros trimestres.

Em março, o Congresso Nacional das Pessoas deverá revelar detalhes do 14.º plano a cinco anos do país, que irá definir a agenda de crescimento e desenvolvimento de alto nível até 2025.

O mês de julho de 2021 marcará o 100.º aniversário da criação do Partido Comunista governante da China, e a manutenção da estabilidade social e da força económica são objetivos primordiais. O objetivo declarado dos decisores políticos chineses de alcançar uma “sociedade moderadamente próspera em todos os aspetos” significa não poupar esforços para apoiar o crescimento, minimizando simultaneamente os riscos sistémicos.

Desempenho divergente entre setores

Mas os investidores devem também estar atentos à elevada volatilidade e às fortes divergências de desempenho entre setores. “Algumas avaliações parecem esticadas em sectores como a tecnologia, os consumidores e os cuidados de saúde, onde o comércio mais congestionado pode resultar em oscilações de preços mais amplas.”

Os temas de crescimento estrutural irão provavelmente reinar este ano, com certos setores e líderes da indústria a dominarem. “O consumo interno deverá continuar a brilhar, uma vez que os decisores políticos chineses procuram impulsionar a procura interna face às contínuas tensões comerciais com Washington.”

O mercado de trabalho estabilizou com o desemprego a cair de novo para níveis pré-pandémicos, enquanto grandes somas de poupança permitem a libertação de mais poder de compra – a China tem uma das taxas de poupança mais elevadas entre as principais economias.

No ano passado, perante as incertezas da ameaça do vírus, “os consumidores chineses pouparam ainda mais cortando em viagens e outras despesas, mas o lançamento de vacinas e a recuperação contínua podem levá-los a soltar novamente os cordões à bolsa.”

Olhando para o futuro

O fluxo de entrada em ações chinesas tem vindo a aumentar nos últimos meses, à medida que investidores estrangeiros procuram exposição à valorização do renminbi, bem como ao crescimento económico da China.

Os investidores podem também estar em rotação fora do mercado imobiliário nacional, onde o governo impôs medidas duras para conter a especulação. As recentes IPO de empresas chinesas, especialmente em Hong Kong, têm sido fortes.

Ainda assim, “não há forma de saber até onde pode chegar o boi de 2021”, defendem os analistas da Fidelity. “Vemos mais motivos para cautela nos setores em que os múltiplos de avaliação têm inflacionado rapidamente. Um risco-chave são as restrições políticas, que podem surgir mais rapidamente do que se esperava. À medida que a recuperação continua e a pressão inflacionista aumenta, a China pode tornar-se o primeiro país a precisar de limpar a liquidez.”

Até agora, este ano, o Banco Popular da China tem vindo a enviar sinais mistos, drenando por vezes fundos para testar a reação do mercado. As preocupações com as restrições causaram nervosismo no mercado no final de janeiro. “Esperamos que qualquer nova normalização da política monetária seja lenta e gradual, uma vez que o Banco Central tem o cuidado de manter a estabilidade do mercado.”

Arquivado em:Artigos

Roland Berger tem novo líder mundial na área de Produtos de Consumo e Retalho

16 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

Patrick Muller-Sarmiento acaba de integrar a Roland Berger, onde irá liderar a área de Produtos de Consumo e Retalho a nível mundial, com uma abordagem inovadora assente na sua longa experiência no ramo da Distribuição e Consumo.

Após liderar um dos maiores retalhistas alemães (Real Holding), Patrick Muller-Sarmiento vem agora reforçar a equipa da Roland Berger, que pretende ganhar quota de mercado nestes setores e conquistar a liderança na Europa.

Conhecedor do mercado português e brasileiro, onde trabalhou num grupo de retalho e várias outras empresas de produtos de grande consumo, o novo Head of Consumer Goods & Retail vem reforçar o ADN da Roland Berger, através da combinação de uma estratégia de inovação e sustentabilidade com a implementação prática.

Ainda durante o primeiro trimestre deste ano, Patrick Muller-Sarmiento deslocar-se-á a Portugal para reunir com alguns dos principais grupos do setor a operar no nosso país e apresentar modelos de negócio diferenciadores para o pós-pandemia.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Kit OxiCOVID para monitorizar doentes é distribuído no concelho de Cascais

16 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

Aliviar a carga sobre a resposta hospitalar e permitir aos cidadãos infetados por COVID-19 monitorizar o seu estado de saúde no conforto das suas casas é o objetivo do Kit OxiCOVID, disponibilizado pela Câmara Municipal de Cascais, em parceria com o ACES – Agrupamento de Centros de Saúde de Cascais e as Juntas de Freguesia do concelho.

Criado a pensar nos cidadãos cujo estado de saúde não exige internamento hospitalar, mas reconhecendo que é fundamental monitorizar a saturação de oxigénio e a temperatura corporal, o Kit OxiCOVID será entregue em casa de acordo com indicação médica aos cidadãos infetados por COVID-19 residentes no concelho.

A entrega será assegurada a partir desta semana pelas equipas da Junta de Freguesia mais próxima da área de residência dos cidadãos indicados pelos médicos.

Em casa, os munícipes com infeção ativa por COVID-19 são seguidos por telefone com regularidade pelo(a) médico(a) do Centro de Saúde que irá solicitar os dados da medição do oxímetro e do termómetro e, assim, avaliar a evolução do estado de saúde.

Além do oxímetro e um termómetro, o Kit OxiCOVID inclui ainda máscaras para proteção adicional e um saco para devolução que será indicada pelo(a) médico(a) logo que o doente tenha alta médica e deixe de necessitar destes equipamentos.

O objetivo é que mais pessoas possam utilizar estes Kits e tirar partido de uma recuperação monitorizada no conforto de sua casa sem ter de investir na aquisição destes dispositivos médicos.

Uma vez recuperados, serão os cidadãos os responsáveis pela devolução em saco fechado na sua junta de freguesia. O ciclo reiniciar-se-á após higienização dos dispositivos médicos.

Arquivado em:COVID-19, Notícias

O estado das coisas

15 Fevereiro, 2021 by Titiana Barroso

Abdullah Iljazovic estudou para se tornar imã mas acabou como traficante de droga. Aos 25 anos deixou o “negócio” e dedicou-se à política na sua Brcko (lê Birch-Ko), um distrito com governo próprio na Bósnia-Herzegovina. Em dezembro foi eleito para a assembleia local, o mais jovem de sempre a receber a distinção. Usou o seu passado para persuadir os eleitores, afirmando que com ele “uma grama é sempre uma grama”.

As coisas são mais complicadas do que parecem nesta história contada pelo Financial Times. Brcko é uma zona de 99 quilómetros quadrados reclamada pelos sérvios da República Srpska e pela Federação bósnia-croata. Impede as duas metades da República Srpska de terem continuidade territorial, separando-as. O pequeno distrito tem um papel importante na manutenção dos precários equilíbrios bósnios. Iljazovic explica como funcionam as coisas: para ser um político de sucesso é preciso ser um nacionalista de um dos três grupos étnicos: bósnio, croata ou sérvio. Este estado de coisas teve uma consequência perversa: ninguém se sente seguro, todos se sentem ameaçados.

Como resultado, todos são vocais na defesa do seu grupo étnico. Mas eis o mais perverso de tudo, segundo o político vindo do submundo: este é um sítio onde cada político luta pelos seus interesses pessoais fingindo lutar pelos interesses do seu grupo. Talvez isto não seja um exclusivo de Brcko, num mundo onde os piores políticos se apaixonam por causas divisivas em vez de lutarem, com todas as divergências, pelas causas sobre as quais estamos todos de acordo (acho eu): melhor educação, mecanismos efetivos de mobilidade social, justiça eficaz, um sistema de saúde que nos proteja da doença, uma sociedade inclusiva e tolerante, um mercado capaz de responder às necessidades, um Estado forte e ágil, um novo paradigma na nossa relação com ambiente. Eis o problema: os acordos não dão bons tweets nem títulos bombásticos. O resultado está à vista: os eleitores confiam mais num dealer do que naqueles em que deviam confiar.


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

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