O desafio de dar palco e voz às líderes e empreendedoras que souberam ser fortes, mas também sensíveis, prolonga-se pelo mês de abril. A propósito do Dia Internacional da Mulher, celebrado em março passado, a Líder partilha as respostas a um guião de perguntas comuns a todas. Celebrar ser mulher, sim. Agora e sempre, enquanto houver […]
O desafio de dar palco e voz às líderes e empreendedoras que souberam ser fortes, mas também sensíveis, prolonga-se pelo mês de abril.
A propósito do Dia Internacional da Mulher, celebrado em março passado, a Líder partilha as respostas a um guião de perguntas comuns a todas.
Celebrar ser mulher, sim. Agora e sempre, enquanto houver voz, palavras e histórias. Preparados para “ventilar o coração”? (Marjane Satrapi sabia o que dizia.)
Sofia Cordeiro, Head of Franchising da Twinkloo
Sofia Cordeiro conta com uma longa carreira na área da Banca, nomeadamente no crédito habitação, passou por algumas das principais instituições financeiras nacionais, como Santander, UCI e Banco CTT.
Natural de Lisboa, estudou Relações Internacionais, na Universidade Lusíada, curso que frequentou no horário noturno para conciliar com a vida profissional. Além do interesse pela área do crédito e literacia financeira, a política é a sua paixão.
De que matéria são feitas as grandes mulheres?
Vulnerabilidade, resiliência, persuasão, assertividade, foco, empatia, capacidade de decisão e de assumir riscos. Estas são características fundamentais que, quando reunidas, levam a que uma mulher possa chegar ao topo. Por outro lado, a capacidade de concentração e foco em temas dispersos em simultâneo, capacidade de envolver equipas em torno de objetivos comuns levam a bons resultados.
Em que sentido a vulnerabilidade pode ser uma força para os que lideram?
Demonstrar vulnerabilidade não é uma fraqueza, mas antes reconhecer que precisamos de ajuda. Ao ouvir ou procurar soluções na sua equipa, um líder vai fomentar união, confiança e trabalho de equipa. É preciso coragem para mostrar vulnerabilidade, o que é diferente de fraqueza.
O que foi determinante no seu crescimento pessoal e profissional?
Ao longo dos anos tive a oportunidade de fazer parte de projetos diferentes, experiências estas que me fizeram crescer, aprender e ter uma visão alargada de todas as etapas da área. Destaco também, sem margem de dúvida, o meu inconformismo, necessidade de sair da área de conforto e, acima de tudo, coragem. Poderia estar confortável na minha anterior posição profissional, mas, quando conheci o projeto da Twinkloo, percebi rapidamente o quão desafiante e ambicioso era.
Num ambiente de crescente complexidade e de maior exigência regulatória e processual, conseguimos, de facto, fazer a diferença. Ganha o cliente, que beneficia de um serviço tailor made, poupando tempo e dinheiro, com maior comodidade ao longo de todo o processo de compra e venda, mas beneficiam também todos aqueles que operam no mercado da habitação.
Que conselho daria hoje ao seu ‘eu’ mais novo?
Ser menos emocional e mais racional. Todos sabemos que a idade nos ensina a lidar melhor com as emoções. Empatia, flexibilidade na relação com as pessoas são fundamentais para que consigamos liderar, mas sempre com equilíbrio. Diria também para não ter medo de decidir ou assumir riscos desde que ponderados.
Que ensinamentos deixa para outras mulheres?
O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é fundamental. Hoje em dia exige-se à mulher que seja perfeita, tenha sucesso na sua carreira, seja uma boa mãe ou que tenha uma casa exemplar. Mas a verdade é que a perfeição não existe. Como tal, temos de assumir que o que faremos é o melhor que conseguimos e aceitar que, porventura, vamos falhar em algum aspeto. Há fases de vida em que vamos dedicar mais tempo à vida familiar, noutras à vida profissional.
Como lida com o erro?
Todos erramos, sem exceção. Não querendo romantizar, uma análise detalhada do erro pode ajudar-nos a melhorar processos para que no futuro não se repita connosco ou com a equipa. No entanto, aquilo que nos define é como reagimos face ao mesmo: assumir a responsabilidade, pedir desculpa e tentar encontrar a melhor solução podem fazer do erro uma forma de crescimento pessoal ou, até, de fidelização de um cliente.
Quais são as suas referências e fontes de inspiração?
Ao longo da vida sempre procurei rodear-me de quem me pudesse acrescentar conhecimento. Em particular, houve dois professores que ainda hoje recordo como fonte de sabedoria. Em cada momento em que tive o prazer de os ouvir, senti-me uma privilegiada.
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