São precisos 140 anos para que, nas empresas e organizações, se chegue a uma representatividade equilibrada entre homens e mulheres a exercer cargos de liderança. E outra estimativa aponta para 286 anos até que as mulheres tenham igualdade na proteção legal e seja eliminado o discurso discriminatório. Os dados são da UN Women e o […]
São precisos 140 anos para que, nas empresas e organizações, se chegue a uma representatividade equilibrada entre homens e mulheres a exercer cargos de liderança. E outra estimativa aponta para 286 anos até que as mulheres tenham igualdade na proteção legal e seja eliminado o discurso discriminatório.
Os dados são da UN Women e o desafio para encurtar esta meta, quase inalcançável, serviu de mote para o Fórum Women IT, uma iniciativa da Tabaqueira em parceria com o IT HUB da PMI. A primeira sessão, que aconteceu na sede da Tabaqueira em Albarraque, juntou Inês Pereira, Manager IT Espanha e Portugal da PMI, Sabrina Leis, IT Program Manager da PMI, Sandra Mateus, Public Sector Account Executive – Health Lead e Elisabete Vicente, Industry Solutions Consulting Practice Lead for Enterprise, ambas da Microsoft Portugal.

A jornada da Diversidade, Equidade e Inclusão – por onde começar? (DEI)
«Sabemos que a diversidade vem de uma cultura de inclusão, e isso não acontece da noite para o dia». Nas notas de boas-vindas, Julia Denzel, Manager de People and Culture da Tabaqueira, reforça que só é possível fazer boa Ciência com diversidade, seja de género, raça, nacionalidade e background.
Contudo, há setores que ainda são fortemente masculinos, nomeadamente o de IT. «A maioria das empresas são desenhadas para um perfil masculino, ou, para um tipo de trabalhador que não inclui a sua família», afirma Sandra Mateus. Além disso, partilha que o número de mulheres nos boards da Microsoft tem vindo a diminuir na Europa.

Mas a História mostra outra coisa e diz mesmo que a Tecnologia nasceu com as mulheres. A primeira pessoa que se sabe ter feito programação foi uma mulher, Ada Lovelace (1815-1852). E nos anos 60, na NASA, programar era algo visto como um trabalho de mulheres. Outros dados mostram que em Portugal, em 1991, 64,2% dos estudantes em cursos STEM eram mulheres, e em trinta anos o número passou para 42.5%.
Algo está a ser feito pela sociedade que está a afastar as mulheres destas áreas. E as empresas estão a perder oportunidades nessa ainda, insuficiente, integração de talento feminino nas suas equipas.
«Este não é só um problema de igualdade é um problema que tem impacto nos negócios. Os boards diversificados geram 45% mais negócio. Empresas mais diversas geram mais inovação, e mais inovação gera mais negócio», refere Sandra Mateus, afirmando que tal não implica que homens e mulheres façam exatamente as mesmas coisas, pois têm características e skills diferentes.
«Este não é um tópico só de RH ou só das mulheres – é de todos», conclui.
O que podem fazer as empresas e cada um individualmente?
Tomar uma posição tem a ver com todos, mas apoia-se no networking e na aprendizagem através de role models. Cada um, individualmente, deve ser um role model, um parceiro que encoraja outros, homens e mulheres, a crescer e a agarrar outras oportunidades. Grupos como o Women ERG (Employee Resource Group), uma comunidade que age de forma concertada para garantir a igualdade para as mulheres e que promove a diversidade e a inclusão.
Inês Pereira, refere que mais do que os programas formais de DEI, o que a apoiou na sua carreira foram os seus role models. «Se encontramos alguém que admiramos e apreciamos as suas características, devemos aproximar-nos dessa pessoa, aprender com ela», partilha. Mais do que ter uma certificação de equal salary e de ter uma presença de 48% de mulheres em lugares de liderança, no universo Tabaqueira, o papel das empresas passa pela awareness. «Será que todos falam de DEI?» – desafia. É preciso cultivar o networking dos grupos ERG, a ligação à Academia, a outras mulheres. «Tomos somos biased» – o enviesamento é um comportamento inato ao ser humano, e «todas as transformações levam tempo», partilha.

Para uma mulher que escolha uma profissão no setor IT, Sabrina Reis deixa o conselho de «tomar a carreira com as suas mãos – cada um sabe o que é o melhor para si».
«Ser audaciosa, confiar em si própria e ser corajosa. Ter uma rede é também importante. O resto é performance, mas nós somos profissionais, isso é o mais fácil», partilha Elisabete Vicente.



