«E a vida, com um gemido, se vai, revoltada, para o mundo das sombras.» Este é o inesperado verso final de uma obra-prima que se contradiz na assunção da sua própria grandiosidade, um canto que, nas palavras de Carlos Ascenso André, «parecia quase assumido a contragosto: gene[1]rais que triunfam, mas que não saem endeusados, um […]
«E a vida, com um gemido, se vai, revoltada, para o mundo das sombras.» Este é o inesperado verso final de uma obra-prima que se contradiz na assunção da sua própria grandiosidade, um canto que, nas palavras de Carlos Ascenso André, «parecia quase assumido a contragosto: gene[1]rais que triunfam, mas que não saem endeusados, um herói que rejeita o seu pa[1]pel, um anti-herói que deixa a impressão de ter a simpatia do narrador». É com humano orgulho que a Quetzal completa o seu catálogo de obras-primas da literatura ocidental com a edição bilingue – em latim e português – da Eneida de Virgílio, com tradução, introdução e anotações de Carlos Ascenso André. Derrotado na Guerra de Troia, Eneias viaja rumo a Itália, onde os fados predes[1]tinaram que fundaria uma nova cidade, berço de uma raça grandiosa e de um império sem fim. A epopeia de Roma é também a epopeia da condição humana, que Virgílio teceu durante os últimos dez anos da sua vida. «Uma das obras[1]primas da literatura ocidental, que faz da fragilidade a sua grandeza, das contradi[1]ções a sua beleza, do enlace entre luz e sombras, entre otimismo e pessimismo, a semente da sua perenidade.»
Autor: Carlos Ascenso André


