O Dia das Mentiras terá surgido depois do Concílio de Trento em 1563 que exigira que a França mudasse do calendário juliano (cujo ano se iniciava a 1 de abril) para o calendário gregoriano (que se inicia a 1 de janeiro). E a população levou muito tempo a acreditar no então rei francês Carlos IX… […]
O Dia das Mentiras terá surgido depois do Concílio de Trento em 1563 que exigira que a França mudasse do calendário juliano (cujo ano se iniciava a 1 de abril) para o calendário gregoriano (que se inicia a 1 de janeiro). E a população levou muito tempo a acreditar no então rei francês Carlos IX… achou-se que era mentira.
A mentira é algo que à luz do nosso pensamento afirmamos como falso e infiel à realidade.
A primeira observação que me surge é que: a nossa evidência da verdade é “a nossa”. O que por vezes é uma evidência pode ser juízo próprio, fruto do nosso “mapa mental”, das nossas perceções e, por vezes, somente do impulso. Evidentemente, quanto mais tangíveis e passíveis sejam de provar os eventos menos refutáveis serão.
Como Daniel Kahneman tão sabiamente teorizou: a nossa mente opera em dois modos – um rápido e intuitivo e outro lento e analítico.
O primeiro modo é rápido, automático e opera com pouco ou nenhum esforço. É intuitivo, emocional e em grande parte inconsciente. Ele realiza tarefas e faz associações e correlações imediatas. O segundo, por seu turno, é lento, deliberado e requer esforço consciente. É analítico, lógico e racional. Está envolvido em tarefas complexas de raciocínio. Estes dois modos de operar são muitas vezes “parceiros”, mas também podem entrar em conflito.
O busílis é que o primeiro modo de pensar tende a dominar-nos porque é mais rápido e mais fácil, mas é o segundo que é o necessário para tarefas mentais mais exigentes e para ignorar julgamentos intuitivos, mas falhos, feitos pelo primeiro.
Ora, quando ajuizamos o nosso comportamento também somos céleres e tomamos como erróneas (usando um adjetivo brando) algumas das perceções que nos apontam, por exemplo: sobre a forma como conduzimos o nosso trabalho, os nossos relacionamentos com pares e a nossa liderança. Essa reação normalmente ilustra falta de consciência e, por vezes até, enviesamentos na nossa visão sobre nós mesmos – o que tantas vezes se chama de “blind spots”.
O que os outros pensam de nós não diz toda a verdade sobre nós, mas também não mente sobre como o nosso comportamento é sentido pelos outros.
Na perceção que terceiros têm sobre nós não há mentiras… nem verdades absolutas!
Talvez existam pequenas verdades escondidas, inconscientes, mas que valem sempre a pena investigar, de modo lento e analítico como Kahneman sugeriria.
Descobrir as pequenas verdades, que as perceções alheias concebem, é tarefa fundamental a qualquer profissional que queira ganhar consciência do seu desempenho profissional e melhorar o seu impacto.

