O trânsito tornou-se uma causa fraturante em Lisboa. Uns defendem a necessidade de reinventar a mobilidade na cidade à volta de novas ideias e de meios de transporte alinhados com o zeitgeist europeu. Outros referem que estas medidas são demagógicas e desrespeitam os cidadãos. Creio que há razão nas duas partes. Por um lado, a […]
O trânsito tornou-se uma causa fraturante em Lisboa. Uns defendem a necessidade de reinventar a mobilidade na cidade à volta de novas ideias e de meios de transporte alinhados com o zeitgeist europeu. Outros referem que estas medidas são demagógicas e desrespeitam os cidadãos. Creio que há razão nas duas partes.
Por um lado, a necessidade de regular o trânsito e o estacionamento são patentes. A cidade precisa de menos carros e de melhores transportes públicos. Se as coisas melhoraram no estacionamento, já nos transportes urbanos e suburbanos tenho dúvidas. Aliás, em alguns casos não tenho dúvidas nenhumas de que pioraram: estações da CP fechadas à noite em nome da eficiência não dão a ninguém a vontade de esperar pelo comboio num cais deserto e inóspito. Já a ideia de meter ciclovias em todo o lado é espetacular no papel mas dá aos peões um papel terciário em algumas vias. Lembro-me de quase ser atropelado por ciclistas furiosos num passeio convertido em ciclovia.
A recente discussão em torno de novos radares e do máximo de velocidade parece vir confirmar duas coisas. Primeiro, a guerra política e o interesse do Estado parecem esquecer que os políticos devem servir os cidadãos e não fazer deles peões das suas táticas. Segundo, a informação de que os novos radares vão permitir amealhar mais uns milhões de euros é outra medida para degradar as instituições: os cidadãos devem ser tratados com respeito e não explorados em nome de boas intenções, nomeadamente a segurança rodoviária.


