A neurodiversidade é uma riqueza para as organizações e pode ser vista como uma forma de resiliência cognitiva, defende o podcast ‘Conversas que Cuidam’, da Fidelidade. No terceiro episódio, especialistas discutem como ambientes de trabalho inclusivos podem potenciar o talento e reduzir barreiras sociais e profissionais enfrentadas por pessoas neurodivergentes. A conversa contou com Inês Neves […]
A neurodiversidade é uma riqueza para as organizações e pode ser vista como uma forma de resiliência cognitiva, defende o podcast ‘Conversas que Cuidam’, da Fidelidade. No terceiro episódio, especialistas discutem como ambientes de trabalho inclusivos podem potenciar o talento e reduzir barreiras sociais e profissionais enfrentadas por pessoas neurodivergentes.
A conversa contou com Inês Neves Caldas, médica psiquiatra e psicoterapeuta, e Patrícia Teixeira de Abreu, coach e fundadora do projeto ProBono Dislexia Day by Day. Ambas destacaram a importância de reconhecer que o cérebro funciona de formas diferentes e que estas diferenças podem gerar valor nas equipas.
«Inexistem apenas formas ‘normais’ de pensar. A neurodiversidade celebra potenciais e resiliência, em vez de défices e limitações», sublinha Inês Caldas. A psiquiatra explica que a história humana mostra vantagens evolutivas em diferentes formas de atenção, atenção ao detalhe ou procura de novidade — capacidades que hoje podem ser vistas como talentos únicos, mas que muitas vezes são mal compreendidas nos contextos estruturados de escola e trabalho.
Conduzido por Rita Figueiredo, psicóloga e gestora de pessoas, e Soraia Jamal, psicóloga e psicoterapeuta, estas ‘Conversas que Cuidam’ vão combinar perspetivas individuais e organizacionais para promover resiliência, inclusão e qualidade de vida.
Ouça aqui o episódio completo:
Barreiras ainda persistentes
Patrícia Teixeira de Abreu reforçou que o estigma e a falta de compreensão ainda são barreiras significativas: «Há pessoas que sentem pressão para mascarar características naturais, o que afeta autoestima e integração. Pequenas adaptações podem fazer uma grande diferença.»
Entre as medidas simples, destacam-se ambientes de trabalho menos barulhentos, espaços tranquilos, auriculares anti-ruído, mais flexibilidade no teletrabalho e feedback frequente. «Criar um ambiente de segurança onde as pessoas possam tirar a máscara é um alívio e permite que o talento emerja», afirma Inês Caldas.
Do projeto escolar ao contexto empresarial
O projeto de Patrícia, iniciado para apoiar a filha com dislexia e défice de atenção, expandiu-se para escolas e agora para empresas. O objetivo é normalizar a diferença e valorizar as competências que estas crianças e adultos trazem: criatividade, inovação, capacidade analítica e atenção ao detalhe.
«Em Portugal, estudos apontam para cerca de 5,4 crianças por turma com dislexia. Isto mostra que a diferença é mais comum do que imaginamos e deve ser aceite e compreendida», explica Patrícia.
No contexto empresarial, cerca de 20% das pessoas são neurodivergentes, muitas das quais já trabalham nas organizações. Adaptar práticas de gestão, preparar líderes e criar awareness dentro das equipas é essencial para que estas pessoas possam contribuir plenamente. «Quando criamos espaço para que alguém partilhe a sua realidade, podemos estruturar melhor o trabalho e aumentar a produtividade de forma significativa», acrescentou.
Um trabalho coletivo
O episódio reforça que a inclusão é responsabilidade de todos, líderes e equipas, e não apenas das políticas de diversidade: «Ir testando novas soluções, criar um espaço seguro e iterar constantemente são estratégias que beneficiam toda a equipa», afirma Inês.
A importância de valorizar as diferenças é sublinhada por metáforas que ilustram a força da diversidade: «Se todas as peças forem iguais, não há puzzle. Quando são diferentes, a imagem só se completa», destaca Patrícia.
Assim, «há um mundo de oportunidades que podem potenciar os pontos fortes». Além disso, Inês Caldas fez questão de relembrar: «ser diferente tem de ser normal». Patrícia reforçou: «O valor de alguém não depende da vida. É fundamental encontrar contextos que valorizem cada pessoa e não deixá-la sozinha nesse caminho.»
O episódio é um convite a cuidar, incluir e dar voz a todas as formas de ser e pensar, construindo organizações e uma sociedade mais humanas, criativas e resilientes.
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