Tende-se a assumir que a bondade e empatia são condições inerentes ao papel da liderança, mas nem sempre isso se confirma. Num momento em que os níveis de stress e burnout atingem picos alarmantes, a empatia e a bondade tornam-se skills críticas no desempenho das empresas e nos locais de trabalho. A propósito do Dia […]
Tende-se a assumir que a bondade e empatia são condições inerentes ao papel da liderança, mas nem sempre isso se confirma. Num momento em que os níveis de stress e burnout atingem picos alarmantes, a empatia e a bondade tornam-se skills críticas no desempenho das empresas e nos locais de trabalho.
A propósito do Dia mundial da bondade, celebrado a 13 de novembro, Allison Barr, Leadership Solutions Partner do Center for Creative Leadership (CCL), partilhou na webinar “Kindness in the workplace: a skillset that boosts performance and culture”, os benefícios da bondade no local de trabalho, especialmente importante para o middle management, e como podem as organizações incentivar e capacitar os líderes para esse mindset. Nas suas palavras, “a bondade é mais do que um comportamento, é uma qualidade da pessoa, um estado de generosidade, ajuda, empatia e consideração”, que se pode aprender e cultivar no local de trabalho.
Partindo do pressuposto que a liderança define-se como um processo social que coloca as pessoas em colaboração para um objetivo comum, suportado por três pilares, inteligência emocional, confiança e segurança psicológica, a bondade e a empatia encontram-se como características da inteligência emocional.
Quando cerca de 95% dos trabalhadores, em todos os níveis de liderança relatam sentir-se stressados, é hoje, por isso, mais do nunca, “necessário cultivar a bondade e empatia dentro das organizações, que naturalmente se transfere da esfera profissional para o lado pessoal, uma vez que nos impacta a todos como seres humanos”, refere a Partner do CCL.
Há uma relação positiva entre bondade e empatia no trabalho, com um aumento dos níveis de engagement, produtividade e retenção de talento. Cerca de 92% dos profissionais de RH observam que um local de trabalho onde coexista bondade e empatia é um fator crítico para que o colaborador se mantenha na organização. Nas gerações mais recentes, 80% dos millennials referem que deixariam o seu local de trabalho se este se tornasse menos empático.
As vantagens da bondade e empatia são evidentes para o cérebro, como o aumento dos níveis de serotonina e dopamina, ativação dos centros de recompensa e produção de endorfinas.
Criar uma cultura de bondade começa com a pessoa, e segundo Allison Barr, pela mudança do mindset e a envolvência em atividades que criam felicidade. O princípio “moving from me to we” (“passar de mim para nós”) é o que precede uma forma de estar, em que para quem lidera equipas e atua no middle management, deve estar atento aos sinais de burnout, ter um interesse sincero nas necessidades dos outros, contactar regularmente a equipa e mostrar-se disposto a ajudar.
Demonstrar empatia no local de trabalho é uma componente essencial da inteligência emocional e de uma liderança eficaz que revela uma capacidade de perceber e se relacionar com os pensamentos, emoções ou experiências, compreendendo uma situação sob a perspetiva de outra pessoa.
Allison Barr distingue a empatia da compaixão, em que a primeira refere-se à capacidade ou habilidade de se imaginar na situação de outro, experimentando as emoções, ideias ou opiniões dessa pessoa e a compaixão é normalmente definida por sentimentos de pena por outra pessoa, sem realmente entender o que é estar nessa situação.
Nas notas finais, ficam 4 dicas para que, através de uma liderança empática, as organizações promovam a bondade:
– Falar sobre e incentivar a empatia
– Formação para a escuta ativa
– Incentivar a tomada de perspetiva
– Cultivar a bondade

