Para que resulte a colaboração entre uma marca e um artista há que considerar a essência da empresa e a procura de um novo significado, para que esta se destaque no mercado. Um dos exemplos de sucesso dessa ligação é o artista contemporâneo Daniel Arsham, cujo portfólio inclui uma diversidade de grandes marcas, entre as […]
Para que resulte a colaboração entre uma marca e um artista há que considerar a essência da empresa e a procura de um novo significado, para que esta se destaque no mercado. Um dos exemplos de sucesso dessa ligação é o artista contemporâneo Daniel Arsham, cujo portfólio inclui uma diversidade de grandes marcas, entre as quais a Porsche, a Disney e a Dior.
Na sua recente colaboração, com a Tiffany & Co., Arsham aplicou o seu estilo próprio à icónica caixa azul, atribuindo-lhe um aspeto envelhecido que alude à história, mantendo em simultâneo a identidade que esta tem desde 1845.
O artista deve ter a capacidade de agregar valor às marcas de forma a oferecer a quantidade certa de incongruência para ser aceite pelos consumidores e adequar-se às empresas com as quais trabalha. Toni Eager, professora da Austrailian National University, complementa “Quando as coisas se aproximam muito, o público não consegue ver a diferença e não há valor agregado no meio da colaboração. Se as coisas são muito incongruentes, o público não entende por que estão juntas e ignora”.
Ter um artista, ou obra de arte reconhecida, aliados a uma marca pode chamar a atenção das pessoas e incentivá-las a comprar o produto, bem como, dependendo do objetivo da colaboração, apelar a um maior público.
Não existe uma resposta certa para o motivo de certas colaborações serem um êxito enquanto outras fracassam, mas é fulcral que as marcas compreendam o seu público e onde este se situa na sua indústria. “Se o público não acredita na colaboração como um esforço autêntico para ‘criar’, é provável que fracasse”, aponta Eagar.
Quando a Louis Vuitton e Jeff Koons revelaram o lançamento da coleção Masters em 2017, houve uma confusão sobre a intenção da colaboração e seu movimento estético para ter obras-primas de artistas como Van Gogh, Da Vinci e Rubens impressas em carteiras. Estaria o artista a tentar apelar a um público mais abrangente, familiarizado com essas obras e, em caso afirmativo, isso não seria mais adequado numa loja de souvenirs? Essa falta de clareza sugere a importância de as marcas conhecerem o seu público e onde se posicionam tanto na sua indústria como no mundo da arte.
Se estiver a considerar uma colaboração criativa, a The CEO Magazine deixa alguns pontos a ter em conta:
- Empresas com um histórico de criatividade provavelmente terão uma resposta do público mais positiva ao usar arte na oferta de produtos. Sem este cunho criativo, as marcas podem correr o risco de não parecerem genuínas ou autênticas ao optar pelo uso de obras de arte para a sua promoção;
- A parceria certa fornece a oportunidade de ter acesso a públicos inexplorados, marcar a diferença e ganhar um novo significado;
- Uma colaboração pode fortalecer o compromisso de uma empresa com uma causa, como por exemplo a sustentabilidade, desde que os valores entre marca e colaboração estejam alinhados e sejam genuínos;
- A incongruência é necessária para que as pessoas reconheçam a mudança e não a rejeitem.

