Assumir o compromisso de atingir as zero emissões até 2050 é de grande responsabilidade, e exige ações rápidas que suportem a transição energética. A Economia Circular (EC) tem um papel fundamental, garantindo o máximo proveito de materiais, projetando-os para serem reciclados de volta à sociedade, evitando desperdícios. O World Economic Forum (WEF) enumerou três razões […]
Assumir o compromisso de atingir as zero emissões até 2050 é de grande responsabilidade, e exige ações rápidas que suportem a transição energética. A Economia Circular (EC) tem um papel fundamental, garantindo o máximo proveito de materiais, projetando-os para serem reciclados de volta à sociedade, evitando desperdícios. O World Economic Forum (WEF) enumerou três razões pelas quais a EC é tão importante para a transição.
Em primeiro, a transição para energias renováveis, como o caso do solar, eólica, geotérmica, e outras que sejam suportadas por baterias, necessitam de cobalto, lítio e outros minerais para criar essas tecnologias.
No entanto, o aumento da procura destes minerais, necessário para alavancar a transição é, por si, insustentável. Segundo a Agência Internacional de Energia, chegar às emissões zero até 2040 implicará um aumento de seis vezes na entrada de minerais, sendo que a procura pelo lítio poderá aumentar mais de 40 vezes.
A extração destes minerais e metais é, também por si, altamente poluente. Introduzir a EC pode reduzir a dependência da mineralização e garantir o uso a longo prazo destes materiais, através da reciclagem de smartphones, discos rígidos, laptops e outros dispositivos eletrónicos.
Em segundo ponto, apostar em materiais circulares de baixo carbono será crucial. O alumínio reciclado emite até 95% menos dióxido de carbono do que o oriundo de fontes virgens. Note-se que um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente revelou que as emissões geradas pela produção de materiais, a nível global, dobrou nos últimos 20 anos, sendo que representava, em 1995, cinco mil milhões de toneladas. Em 2015 chegava aos 11 mil milhões.
Por último, criar uma transição energética para a sustentabilidade significa também incorporar e EC na fase de projeto. A Agência Internacional para as Energias Renováveis avançou que, no início de 2030, a primeira geração de energia solar irá ficar obsoleta, sendo que em 2050, prevê que se possa desmantelar 78 milhões de toneladas de painéis por ano.
É importante começar a pensar como se pode projetar estes produtos de forma a terem uma vida útil mais longa, serem mais fáceis de desmontar e reciclar, e, por conseguinte, criar sistemas para tratar dos resíduos. Já existem empresas em ação, como é caso a Siemens Gamesa, que anunciou a primeira turbina eólica do mundo totalmente reciclável.


