Já deu por si a não conseguir parar de pensar? Alguma preocupação constante com o trabalho, com uma situação passada ou medo do futuro? Não é o único. Pensar demasiado é uma situação cada vez mais habitual para muitas pessoas. Estudos recentes mostram que mais de metade dos adultos entre os 25 e 50 anos […]
Já deu por si a não conseguir parar de pensar? Alguma preocupação constante com o trabalho, com uma situação passada ou medo do futuro?
Não é o único. Pensar demasiado é uma situação cada vez mais habitual para muitas pessoas. Estudos recentes mostram que mais de metade dos adultos entre os 25 e 50 anos pensa excessivamente.
Não estamos a falar de refletir sobre um assunto para poder tomar uma decisão de forma consciente e responsável. Estamos a falar de pensamentos persistentes, que lhe bloqueiam a mente e lhe causam angústia. Neste caso pensar demais torna-se um problema.
Há uma relação direta entre os nossos pensamentos, emoções e a saúde física. Tudo está intimamente interligado. Quando são negativos, os pensamentos convertem-se em emoções negativas, que se convertem em somatizações que nos adoecem.
O que fazer para desintoxicar a mente?
- Cuide daquilo que deixa entrar na sua mente. Tem consciência do tipo de informação que consome? Será tóxica ou abre caminhos? Quanto tempo passa no Instagram ou no Facebook? E quem são as pessoas que segue? As que causam inveja e mostram as suas vidas fantásticas ou as que inspiram e são verdadeiras? E que tipo de música gosta de ouvir, que podcasts, séries e livros? Escolha criteriosamente a informação que faz parte do seu quotidiano. Ela vai influenciá-lo, nem que seja de uma forma inconsciente. O melhor barómetro é ver como se sente após navegar nas redes sociais, ou ouvir uma música arrebatadora.
- Distancie-se do problema. Hoje pode parecer uma grande questão, mas já pensou se daqui a uma semana, um mês ou um ano ainda pensará no assunto?
Ao distanciar-se da situação, a sua perspetiva muda e permite que tenha maior clareza mental e menor necessidade de congeminar no assunto.
- Pratique a atenção plena, ou mindfulness. Habitue-se a tomar consciência dos pensamentos e aceitá-los sem julgamento. Quando ocorre um pensamento negativo, experimente dizer “olá pensamento, estou a ouvir-te, adeus pensamento, agora podes ir embora”. Parece estranho, mas a verdade é que o cérebro precisa deste diálogo interno. Sabemos que pensamentos não são factos. Não negamos nem tentamos eliminar um pensamento, reconhecemo-lo e deixamo-lo ir.
Quanto mais nos habituarmos a estar no momento presente, mais clara fica a nossa mente. Treinar estar no aqui e no agora, várias vezes ao dia, e levando a atenção para os sentidos, para o que sente, o que vê, os sons à sua volta, os cheiros e as texturas. Ao fazê-lo vai retirando a atenção do cérebro e consegue o tão desejado descanso mental.
- Faça uma lista com tudo o que o está a preocupar neste momento, sem reservas. Ao escrever, vai tomar consciência dos seus pensamentos ao mesmo tempo que os organiza.
O exercício de escrever, conhecido como journaling, é uma estratégia de retirar os problemas da sua mente e passa-los para o papel. Ao transferir as suas preocupações para o papel, liberta espaço mental.
Observe a sua lista e assinale quais são os assuntos que pode controlar, isto é, que pode fazer alguma em concreto para melhorar a situação.
As questões que estão fora do seu controlo são apenas para as deixar no papel, pois não vale a pena perder tempo com aquilo que não pode mudar.
Foque-se naquilo que pode alterar e escreva pequenos passos que pode tomar para se sentir mais calmo e confiante. Invista naquilo que lhe dá retorno.
- Passe da cabeça para o corpo – Sabia que a tensão mental se acumula nalgumas zonas específicas do corpo, como na cabeça, nuca, pescoço, ombros e costas? Mover o corpo vai permitir libertar-se de toda a tensão acumulada. O exercício físico ajuda a fluir o sangue. A energia move-se para onde a atenção se dirige.
Quando está numa aula de ginástica tem que estar completamente focado no corpo e nos exercícios, e nessa altura a sua mente pode relaxar.
Em aulas de grupo ou feito de forma individual, alongamentos, yoga, pilates e caminhadas na natureza são excelentes formas de cuidar da higiene mental.
Antes de saber o que devemos fazer para parar de pensar demasiado é importante conhecer as suas razões para estar sempre a pensar. Podem ser várias as causas, mas todas elas são estratégias aprendidas e não características inatas. Isto quer dizer, que em determinado momento da nossa vida, decidimos pensar muito num assunto para sobreviver a uma situação ameaçadora.
Algumas pessoas julgam que controlam melhor as situações se poderem antecipar todos os cenários. Isto revela acima de tudo uma enorme necessidade de controlo. Os perfecionistas consideram que se estiverem constantemente a pensar porque erraram, da próxima vez vão fazer melhor. Os ansiosos, por seu lado, são os que têm mais pensamentos negativos, e têm muita dificuldade em relaxar, que é o antidoto para o stresse. Para os inquietos há sempre qualquer coisa que vai correr mal, e não acreditam que, na altura certa, terão a capacidade de lidar com a situação e ultrapassar as dificuldades. Os indecisos têm dificuldade em tomar resoluções. Avaliam minuciosamente os prós e os contras das suas opções, e como não há certezas, apenas caminhos, vivem na angústia de tomarem a decisão errada.
Identifica-se com alguma destas personagens?
Agora que estamos familiarizados com o conceito pensar demais, ou overthinking, e as suas causas, vamos treinar a nossa mente para encontrar a paz e a clareza neste mundo acelerado.
Dizem que a vida é feita de escolhas, e os pensamentos também se incluem nas nossas escolhas. Eu escolho criar os meus. E você? Vai ser vítima ou autor dos seus pensamentos?
Isto de tratar da saúde mental dá trabalho!
Por Filipa Saldanha, Psicoterapeuta, Especialista em gestão de stresse e ansiedade


