Dados das Nações Unidas relativos a 2020, revelam que 46% da população mundial continua sem acesso a saneamento e 26%, cerca de 2 mil milhões de pessoas, não bebem água de fontes seguras. O problema não parece estar na escassez, sendo que a quantidade disponível no planeta foi sempre a mesma, mas sim na falta […]
Dados das Nações Unidas relativos a 2020, revelam que 46% da população mundial continua sem acesso a saneamento e 26%, cerca de 2 mil milhões de pessoas, não bebem água de fontes seguras.
O problema não parece estar na escassez, sendo que a quantidade disponível no planeta foi sempre a mesma, mas sim na falta de infraestruturas para o seu acesso. No livro “Água: uma Biografia” (Desassossego), Giulio Boccaletti, autor e investigador no MIT, aborda o tema da água como um bem essencial para a sobrevivência do ser humano, e, como tal, já desde as antigas civilizações que este era de extrema importância, especialmente pela falta de tecnologia e infraestruturas que permitisse ter acesso a água potável.
Os países africanos são os que mais sofrem do problema e onde a população é extremamente debilitada devido à falta de água. O problema não reside na falta de água, mas sim nos Estados mais fracos e menos funcionais, e no facto de não fazerem investimentos nesse sentido, reforça o autor em entrevista. Segundo a experiência do investigador no Sul da Etiópia, quando houve um reforço nas infraestruturas dedicadas à água, a economia desenvolveu-se e houve uma queda abrupta do número de mortes por doença em crianças.
A crise da água é o foco de um conselho de ministros de pelo menos 80 países a realizar-se em Jacarta, Indonésia, nos próximos dias 18 e 19 de maio, naquela que será uma das maiores reuniões internacionais sobre recursos naturais. Englobando os setores da Água, do Meio Ambiente, da Saúde e da Economia, o encontro tem como objetivos a delineação de um plano concreto para facilitar o acesso universal à água potável de forma a realizar, antes de 2030, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 6: garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do saneamento para todos.
Segundo Catarina de Albuquerque, Diretora-executiva da Iniciativa Saneamento e Água para todos da UNICEF, para que o ODS 6 seja alcançado até 2030, os países precisam dobrar a atual taxa de progresso, sendo que 129 nações ainda não estão no caminho para ter recursos sustentáveis de manejo da água nos próximos oito anos.


