No início da última década, Portugal atravessava uma crise profunda, que se refletia em índices históricos de desemprego, em particular na geração que procurava ingressar no mercado de trabalho. Pouco ou muito qualificados, os jovens profissionais enfrentavam enormes dificuldades, que provocaram uma angustiante sangria de talento para outras geografias mais desenvolvidas. Dez anos volvidos, o […]
No início da última década, Portugal atravessava uma crise profunda, que se refletia em índices históricos de desemprego, em particular na geração que procurava ingressar no mercado de trabalho. Pouco ou muito qualificados, os jovens profissionais enfrentavam enormes dificuldades, que provocaram uma angustiante sangria de talento para outras geografias mais desenvolvidas.
Dez anos volvidos, o cenário não podia ser mais díspar. Quase de forma transversal, os diversos setores da economia nacional desesperam com a dificuldade de atração e retenção de quadros. Um cenário preocupante, que constrange o crescimento das Organizações, a capacidade de resposta aos desafios do mercado e, consequentemente, o próprio progresso da economia nacional.
O setor segurador não é exceção, enfrentando múltiplos constrangimentos na atração de talento, com incidência nas camadas mais jovens. Considero, no entanto, que gravitam em torno desta indústria um conjunto de circunstâncias particulares que merecem reflexão.
Não é somente na ótica de empregabilidade que o setor segurador enfrenta dificuldades de atração. Pelo contrário, esta incapacidade reflete um posicionamento distante e pouco empático que durante décadas afastou o setor da sociedade civil e dos próprios decisores. De forma transversal, foi negligenciada a importância de uma comunicação eficaz e assertiva da preponderância da indústria seguradora para a estabilidade económica, o papel nevrálgico que representa para Pessoas e Organizações.
Ao invés, continua erradamente a ser percecionado como parte do problema, um custo imposto e envolvido numa rede complexa e altamente burocrática. Não surpreende, nesta ótica, que, num período de vasta oferta de oportunidades, as vagas nas empresas seguradoras surjam votadas aos últimos lugares da lista de prioridades dos jovens.
É neste quadro que se funda a indispensabilidade de uma mudança de paradigma de marketing e comunicação da indústria seguradora. Em 2021, as companhias de seguro devolveram à economia 11,6 mil milhões de euros, por via das indemnizações de sinistros. Este valor é demonstrativo da imprescindibilidade dos seguros para o setor económico e financeiro, e da salvaguarda que este representa para a liquidez, flexibilidade de investimento e capacidade de planeamento de Pessoas, Empresas e Organismos Públicos.
É aqui que deverá residir o foco da comunicação externa das empresas, aproximando-as dos seus públicos e colocando em valor o inestimável contributo que aportam às vidas de cada um. Um esforço comunicacional que deverá ser acompanhado de uma linguagem cada vez mais inteligível, um discurso humanizado, prático e orientado para as soluções disponíveis para os múltiplos desafios enfrentados.
Este novo relato não se ancorará somente neste vetor económico e social, mas igualmente na modernização operada pelo setor nas últimas décadas, com particular enfoque na aceleração introduzida pela pandemia.
A entrada no mercado de players digitais, as insurtech, bem como as novas necessidades dos consumidores, impulsionaram a adoção de mecanismos e modelos de negócio altamente inovadores e flexíveis. Hoje, os métodos de trabalho são sobejamente menos mecanizados, promovendo-se ativamente o contributo e a proatividade individual. Uma inovação que é altamente propiciada pela introdução da tecnologia em diversos touchpoints com o mercado, bem como na gestão dos processos internos, respondendo, desta forma, aos requisitos de eficácia, celeridade e simplicidade impostos pelos consumidores.
Este binómio comunicacional será decisivo para afirmar a atratividade de um setor que apresenta todos os requisitos para a retenção de talento. Uma indústria estável, resiliente perante as oscilações da economia, e que se tem sabido adaptar à evolução do Mundo e do mercado. Atuando perante os riscos do ecossistema em que se insere, é perante os mesmos que progride, numa ótica de permanente modernização e agilidade, que convida ao dinamismo, ao crescimento e à evolução individual e coletiva.

