A confiança é a base das relações humanas, das relações laborais e das relações com a sociedade. Confiamos na nossa família e amigos. Confiamos que o nosso empregador nos paga a tempo e horas e que cumpre com o contratualizado. Confiamos que o Banco tem mesmo o dinheiro que diz lá ter, que a Seguradora […]
A confiança é a base das relações humanas, das relações laborais e das relações com a sociedade.
Confiamos na nossa família e amigos. Confiamos que o nosso empregador nos paga a tempo e horas e que cumpre com o contratualizado. Confiamos que o Banco tem mesmo o dinheiro que diz lá ter, que a Seguradora cumpre com os pagamentos devidos, que o operador de Telecomunicações nos fornece o dérbi a tempo e horas, que não falha a Energia que pagámos, que a Polícia apanha os ladrões e que os Governantes e Políticos não são corruptos.
Mas o sistema, por mais regras, leis, regulações e camadas de controlo que tenha, falha. E falha muito. Em muitos países as falhas conduzem a injustiças profundas, revoluções, guerras e mortes.
A sociedade funciona, em todos os seus vetores, devido a uma camada transparente de confiança nova e ganha através do tempo. E se essa camada desaparecesse e fosse substituída por uma camada de tecnologia, que nos oferecesse uma opção de não ter de confiar na sociedade, porque os automatismos existentes garantiam o seu correto funcionamento?

A tecnologia está a revolucionar o mundo que conhecemos, e a blockchain e a Inteligência Artificial estão a liderar a mudança.
A blockchain é uma tecnologia que permite a criação de registos digitais imutáveis e transparentes. É utilizada para criar moedas digitais, como o Bitcoin, mas tem muitos outros usos. Por exemplo, pode ser usada para registar transações imobiliárias, votos eleitorais ou para criar sistemas de identidade digital. É uma tecnologia descentralizada, segura e escalável.
A inteligência artificial, por sua vez, permite que as máquinas aprendam e resolvam problemas por si próprias. É utilizada em muitos campos, desde a medicina até à indústria automóvel.
Estas duas tecnologias, quando juntas, estão a criar uma sociedade baseada na não necessidade de existência de confiança no sistema, onde todas as transações e contratos são verificados automaticamente e onde as decisões são tomadas por algoritmos conhecidos, seguros, escaláveis e proprietários da própria sociedade. Mas, será isto bom ou mau?
Por um lado, uma sociedade onde não temos de confiar pode reduzir a corrupção, a fraude e as várias falhas no sistema a que temos assistido nos últimos anos. As transações são verificadas automaticamente pela blockchain e não há necessidade de confiar em intermediários. A Inteligência Artificial pode ajudar a prevenir erros humanos.
Por outro lado, uma sociedade sem obrigação de confiança é assustadora, pelo menos nos primeiros tempos, porque o controlo passa a estar ao nível dos algoritmos e da tecnologia. Quem garante que os resultados são justos e imparciais? Quem garante que a Inteligência Artificial não se torna mais inteligente do que os humanos e começa a tomar decisões por si própria? Quem define os níveis de fronteira da ética?
Para garantir que uma sociedade sem obrigação de confiança é justa e segura, é necessário que as pessoas compreendam estas tecnologias em detalhe e o seu funcionamento. É também necessário que haja regulação e supervisão, para prevenir abusos e garantir que os algoritmos são justos e imparciais.
Essa regulação e supervisão pode ela própria ser garantida por tecnologia.
Vamos confiar no futuro, desconfiando!

