Já alguma vez se perguntou o que é realmente necessário para se tornar um “unicórnio” no mundo do empreendedorismo, as famosas empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares? De 330 milhões de empresas no mundo, apenas 1200 alcançaram o estatuto de unicórnio, conforme indicado pela Statista (2021) e CB Insights (2023). Mesmo em […]
Já alguma vez se perguntou o que é realmente necessário para se tornar um “unicórnio” no mundo do empreendedorismo, as famosas empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares?
De 330 milhões de empresas no mundo, apenas 1200 alcançaram o estatuto de unicórnio, conforme indicado pela Statista (2021) e CB Insights (2023). Mesmo em Portugal, onde a nossa performance supera a média mundial (estamos cerca de 50% acima), temos apenas 7 unicórnios em mais de 1,3 milhões de empresas. Portanto, a probabilidade de a nossa empresa se tornar um unicórnio é incrivelmente baixa (perto dos 0,0005%).
Mas não desesperemos. Há algo muito mais tangível e significativo para aspirar: ser um pégaso. No contexto empresarial, um pégaso simboliza uma empresa que, mesmo sem a avaliação bilionária, constrói um impacto profundo, mantém uma base de clientes fiel e opera de maneira sustentável. Em vez de almejar ser um entre milhões, porque não aspirar a ser uma empresa que realmente faz a diferença?
Perseguir a sombra de um unicórnio pode até ser contraproducente. A obsessão com avaliações e rondas de investimento pode desviar-nos do que é genuinamente crucial: desenvolver um produto ou serviço excecional, manter os nossos clientes satisfeitos e garantir que a nossa empresa tem um crescimento saudável.
Muitas das marcas mais adoradas, tanto em Portugal como globalmente, nunca tiveram o título de unicórnio. No entanto, têm uma presença indelével nos seus mercados e nas vidas dos seus clientes e, apontando para ser um pégaso, desfrutam da liberdade de tomar decisões ponderadas e focadas no longo prazo. O empreendedorismo não deve ser apenas sobre avaliações e números; deve ser sobre paixão, inovação e causar impacto.
A verdade é que, ao longo da história do empreendedorismo, vimos inúmeros exemplos de empresas que, embora não tenham alcançado o estatuto de unicórnio, deixaram um legado duradouro e significativo no seu sector.
Pensemos em emblemas nacionais como a Delta Cafés, a Renova, a Lusitana, as Caves Ramos Pinto ou a Bordallo Pinheiro. Estas não são apenas marcas; são testemunhos da resiliência, inovação e identidade portuguesa.
A questão central é que o valor real de uma start-up não se mede apenas em euros, mas no impacto que tem na vida das pessoas e na sociedade. Portanto, em vez de nos concentrarmos na avaliação da empresa devemos focar-nos em perguntas mais relevantes. Como está a melhorar a vida dos nossos clientes? Qual o propósito maior como empreendedor? Como podemos continuar a inovar num mundo em constante mudança? Como nos vamos lembrar da empresa ou marca daqui a 100 anos?
Ao final do dia, enquanto traçamos vários caminhos no empreendedorismo, devemos ponderar sobre o verdadeiro significado de valor. Não é sobre ser um unicórnio ou pégaso; é sobre o legado que deixamos e as vidas que tocamos. E esse impacto, caros empreendedores, é o verdadeiro valor, mais profundo e duradouro do que qualquer avaliação.

