Nos últimos 30 anos, as inundações afetaram 5,5 milhões de pessoas na União Europeia, provocaram 3.000 mortos e mais de 170 mil milhões de euros em prejuízos. Para contornar estes eventos carregados de tragédia, há pelo planeta cidades que se adaptam através de projetos inovadores, redefinindo paisagens urbanas, promovendo sustentabilidade e qualidade de vida. Em Belém, […]
Nos últimos 30 anos, as inundações afetaram 5,5 milhões de pessoas na União Europeia, provocaram 3.000 mortos e mais de 170 mil milhões de euros em prejuízos. Para contornar estes eventos carregados de tragédia, há pelo planeta cidades que se adaptam através de projetos inovadores, redefinindo paisagens urbanas, promovendo sustentabilidade e qualidade de vida.
Em Belém, no Brasil, as pessoas inspiram-se nos povos da Amazónia para ligar os rios à vida na cidade. Em Bangkok, na Tailândia, a capital tornou-se um exemplo de resiliência urbana. O futuro passa por prevenir catástrofes e melhorar a vida das comunidades.
Belém: reconexão com os rios amazónicos
Em Belém, cidade que abriga mais de 1,5 milhões de habitantes, a relação com os rios é histórica e central para a cultura e economia locais. Contudo, décadas de intervenções urbanas inadequadas, como a ocupação de margens e a canalização de pequenos cursos de água, agravaram os problemas de inundações e comprometeram os ecossistemas.
Por essa razão, estão em marcha dois projetos que são o rosto da mudança. O Programa de Macrodrenagem da Bacia do Mata Fome conjuga recuperação ambiental, infraestruturas e habitação para mitigar os riscos de inundações. O investimento ronda os 71 milhões de euros e é financiado por parcerias entre o governo federal, municipal e instituições financeiras.
Outro exemplo transformador é o Parque Agroflorestal Comunitário Urbano do Igarapé São Joaquim, que pretende restaurar as condições naturais do rio e promover a interação comunitária. Inspirado na relação tradicional dos povos amazónicos com a natureza, o parque procura preservar a biodiversidade local e criar um espaço de convivência sustentável.
Bangkok: a adaptação de uma cidade que afunda
A cidade de Bangkok enfrenta desafios únicos devido à sua localização. Situada numa foz e entre dois rios, a acumulação de sedimentação origina problemas estruturalmente graves. Além disso, a urbanização desenfreada e o aumento do nível do mar não ajudam. A cidade afunda-se 2 centímetros por ano e corre o risco de ter 40% do seu território inundado até 2030.
Assim, para lidar com isso, alguns projetos inovadores baseados na natureza estão a ser implementados. O Chulalongkorn Centenary Park funciona como uma «esponja urbana». A sua função passa por armazenar água da chuva, reduzindo a dependência de sistemas de escoamento tradicionais.
Outro exemplo é o Benjakitti Forest Park, um antigo complexo industrial que foi transformado numa área verde que filtra as águas contaminadas, oferecendo e albergando diferentes espécies locais.
Lições e perspectivas para a transformação urbana
Estas iniciativas demonstram a importância das parcerias público-privadas-comunitárias na implementação de soluções contundentes. Além de enfrentarem desafios climáticos, os projetos incentivam a inclusão social e a valorização do meio ambiente.
O compromisso com ações baseadas na ciência, como preconizado pelo Nature Positive: Guidelines for the Transition in Cities, do Fórum Económico Mundial, é essencial para garantir que essas cidades não apenas sobrevivam, mas prosperem em harmonia com a natureza.
Transformar cidades em espaços resilientes e sustentáveis é uma tarefa urgente e possível, como mostram os casos de Bangkok e Belém. Estas experiências inspiram outras regiões a construir um futuro urbano mais equilibrado e conectado com os ecossistemas.


