Não é segredo que nas grandes cidades se vive em alta velocidade. Está sempre tudo em movimento e a vida escapa-nos no meio da pressa dos dias. Há uma dificuldade em estar no momento presente, conectados connosco próprios e com as pessoas que gostamos. O ritmo a que vivemos não nos deixa tempo para as […]
Não é segredo que nas grandes cidades se vive em alta velocidade. Está sempre tudo em movimento e a vida escapa-nos no meio da pressa dos dias.
Há uma dificuldade em estar no momento presente, conectados connosco próprios e com as pessoas que gostamos. O ritmo a que vivemos não nos deixa tempo para as grandes questões existenciais nem para digerir as emoções e interiorizar o que nos vai acontecendo. Parece que vivemos anestesiados do corpo e das sensações.
Porque é preciso levar as crianças à escola, tratar da casa, trabalhar, picar o ponto, e fazer o máximo possível, até cairmos à noite na cama, deformados por mais um dia.
A ansiedade pressiona-nos a fazer mais. Ainda não chegamos a um sítio e já estamos a contar os minutos para ir para outro lugar. Desejamos sempre o que vem a seguir, as férias, a promoção, a viagem ou o carro novo. Vivemos nesta ilusão, quanto mais experiências e bens materiais tivermos, mais felizes seremos. É um engano porque não é o muito ter ou fazer que nos preenchem, mas o muito saborear. E, para saborear, é preciso tempo, o bem mais precioso, e a capacidade de sentir plenamente.
Como aprender a descansar e a desfrutar o momento?
– Levante-se um pouco mais cedo, para meditar, revitalizar os sentidos, agradecer, intencionar o dia e essencialmente para fazer tudo com mais calma e significado.
– Defina prioridades. Quais são as suas verdadeiras prioridades? A família, a carreira, os amigos, viajar? Olhe para a sua agenda e veja se é coerente com os seus valores. Não há certo nem errado, pois aquilo que realmente importa é diferente para todas as pessoas. Ao identificar o seu propósito vai ser muito mais fácil perceber quais são as suas prioridades e focar-se nelas.
– Coloque limites. Os limites são um assunto da sua responsabilidade. Você é quem decide o tempo que vai dedicar a desempenhar as suas tarefas e a que horas desliga o computador. Para colocar limites de uma forma saudável, é preciso conhecer as suas prioridades. Está a sentir-se irritado ou zangado com alguma coisa? Normalmente estes sentimentos estão relacionados com a falta de limites.
– Diga não. Dê a si próprio essa permissão de dizer não. Você pode perfeitamente dizer não, e não tem que dar muitas explicações. Já pensou porque é que é tão difícil dizer não? Há muitas pessoas que se sentem culpadas por dizer não. E esta culpa está normalmente relacionada com o medo de desapontar alguém. Quando erámos crianças fazíamos aquilo que os nossos pais queriam que nós fizéssemos. Porque se não fizéssemos, achávamos que não iam gostar mais de nós. E quando somos crianças, dependemos completamente dos nossos pais e temos muito medo que eles deixem de gostar de nós. É aterrorizador pensar que vamos ficar sozinhos no mundo.
Mas, agora somos adultos, e já não precisamos dizer sim a tudo o que os nossos pais ou os nossos chefes querem. Temos a capacidade de pensar pela nossa cabeça e saber o que é melhor para nós. Por isso não tenha medo de dizer não. Se disser sempre sim vai impedi-lo de alcançar os seus objetivos pessoais. Porque quando chegar a altura de trabalhar para os seus objetivos vai estar cansado e sem energia.
– Foque-se numa tarefa de cada vez. Sabemos que se nos focarmos numa tarefa e se lhe dedicarmos toda a atenção e energia vamos fazê-la muito melhor. Ao aprender a estar completamente presente naquilo que faz, vai educar os sentidos para desfrutar o momento.
– Dedique-se àquilo que lhe dá prazer, sem se importar com o relógio. É ao cuidar de si que vai carregar a sua pilha. Tal como carrega todos os dias o telemóvel, deve carregar-se diariamente com descanso e com atividades que aumentem o seu nível de energia. Isto previne o esgotamento. O burnout é um assunto sério que surge quando vivemos com muita pressa e trabalhamos intensamente durante demasiado tempo.
Não é preciso andar sempre a correr, muitas vezes sem saber a direção.
O que é necessário é tomar consciência que esta urgência em que se vive é, de facto, um problema. Somos desafiados a abrandar o ritmo e treinar a paciência, que não é mais que a ciência da paz. Escutar o corpo, melhorar a autorregulação emocional, reaprender a descansar e essencialmente não nos desviarmos daquilo que é prioritário. Mas, para isso, é preciso treinar os sentidos. E a pressa é inimiga da plenitude.

